Manual do Diabetes

Manual do Diabetes

(Parte 3 de 5)

Hoje em dia, o método mais eficaz de controle do DM é o de medição de glicose através de fitas reagentes e aparelhos portáteis, ou glicosímetros, de diferentes modelos e marcas.

Estes aparelhos medem automaticamente a glicemia a partir de uma gota de sangue, coletada por punção da ponta dos dedos, por intermediário de agulhas ou lancetas específicas.

Existem no mercado lancetadores que regulam a profundidade de introdução da agulha, para cada tipo de pele, desde as mais finas, até as mais espessas.

O glicosímetro deve ser calibrado, de acordo com a orientação do fabricante (mudança do código no aparelho do lote de tiras reagentes) e a data de validade das fitas deve sempre ser averiguada.

Os valores de glicemia obtidos em aparelhos portáteis podem apresentar diferença de até 10-20%, em relação ao teste laboratorial, por se tratar do exame em

Convivendo com o diabetes – Versão completa - 09-set-09 – Pag. 25 laboratório de glicemia venosa e do glicosímetro de glicemia capilar sem, contudo, comprometer a confiabilidade do resultado.

A quantidade de medições dependerá do tipo de DM, da necessidade de se obter um controle glicêmico intensivo, da medicação utilizada, da disponibilidade de aquisição das tiras reagentes, da presença de situações especiais e da utilização de bombas de infusão de insulina.

Convivendo com o diabetes – Versão completa - 09-set-09 – Pag. 26 CONTROLE DIÁRIO DA GLICEMIA

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Passos para a realização do Teste de Glicemia Capilar:

1. Familiarizar-se com o tipo de glicosímetro e lancetador a serem utilizados e ler atentamente o manual;

2. Graduar o lancetador, conforme a textura da pele;

3. Lavar as mãos com água e sabão e secar muito bem com toalha limpa, papel toalha ou guardanapo de papel;

4. Caso esteja em local que não possa lavar as mãos, procure ter consigo algodão ou similar, embebido em álcool 70%, para fazer a higiene; a lavagem das mãos substitui o uso do álcool...)

5. Fazer a punção na lateral de um dos dedos das mãos (evitar o indicador e o polegar – fazer rodízio das laterais dos dedos utilizadas, evitando perfurações sempre nos mesmos locais), pressionar levemente formando uma gota de sangue;

6. Colocar a gota de sangue na tira reagente, conforme instruções do fabricante;

7. Pressionar levemente e por breve período de tempo, o local da punção, com algodão ou similar;

8. Este procedimento deve ser realizado após cada teste, para segurança pessoal e preservação de higiene e contaminação do glicosímetro.

9. Verificar o valor do resultado e registrar em diário ou outra forma de registro que deve ser discutida com médico ou equipe profissional;

10. Desprezar a fita de teste e a lanceta em recipiente próprio, encontrado em farmácias e lojas especializadas, ou em frasco de plástico duro de boca larga e rosqueável e, encaminhar para unidade de saúde e/ou farmácia, conforme orientação das mesmas, para o devido descarte;

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1. Tomar as devidas providências, com relação ao resultado da glicemia, conforme orientação da equipe profissional.

Existem fitas específicas para detectar a presença de cetonas na urina, presente na descompensação com hiperglicemia severa, chamada cetoacidose diabética. Existe também no mercado, aparelho que pode medir cetona no sangue (cetonemia) ao invés da urina (cetonúria).

Testes de Cetonúria e Cetonemia

A glicose elevada na corrente sanguínea por período prolongado pode causar a formação de cetonas (corpos cetônicos) no organismo. Estas podem ser evidenciadas na urina, através do teste de cetonúria ou no sangue, através do teste de cetonemia. Esta situação acontece na ausência de insulina, quando o organismo utiliza a gordura como fonte de energia, ao invés da glicose.

As possíveis razões para a presença de cetonas incluem:

― Alimentação com restrição calórica. ― Hiperglicemia (altos níveis de glicose no sangue).

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― Falta de insulina. ― Outros.

Devemos realizar testes de cetonúria ou cetonemia nas seguintes situações:

― Quando a glicemia capilar estiver acima de 250mg/dL. ― Na presença de infecções, febre alta, acessos de vômito ou diarréia.

― No diabetes gestacional diariamente antes do café da manhã e, a qualquer momento em que a glicemia capilar esteja maior que 180mg/dL.

― Estresse agudo seja ele físico (como em caso cirúrgico) ou psicológico (como em qualquer ocorrência que altere sua rotina).

― Cansaço frequente.

― Na presença de hálito adocicado sugestivo de maçã, vômitos, dificuldades respiratórias ou dificuldade de concentração e/ou irritabilidade.

O que fazer se um dos testes acusarem a presença de cetonas?

― Ligar para o médico ou equipe profissional que acompanha o paciente, para receber orientações com relação a procedimentos especiais e, eventual suplementação de insulina;

― Beber muita água e outros líquidos não calóricos para prevenir a desidratação;

― Seguir normalmente o plano alimentar, prescrito pelo profissional de nutrição;

― Continuar testando a glicemia capilar a cada 2 ou 3 horas;

― Repetir testes de cetonas se a glicemia capilar ainda estiver acima de 250 mg/dL;

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― Não realizar exercícios físicos enquanto as cetonas estiverem presentes. Estas causarão maior queima de gordura, devido à ausência de insulina, neutralizando os efeitos da insulina extra que eventualmente tenha sido ministrada.

O Programa Intensivo de Monitorização, Educação e Tratamento do Diabetes (PIMET) do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

O Centro de Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz implementou recentemente um Programa Intensivo de Monitorização, Educação e Tratamento do Diabetes (PIMET), uma moderna abordagem de grande sucesso para a normalização do controle glicêmico no curto período de 4 a 6 semanas. Para que isso aconteça, evidentemente, o paciente precisa fazer sua parte e cumprir rigorosamente as orientações recebidas.

O atendimento no PIMET envolve a participação de médico, enfermeira, nutricionista e psicóloga que, num trabalho educacional e terapêutico conjunto, esclarecem as dúvidas e proporcionam orientações importantes para o controle adequado do diabetes. Durante 3 dias a cada semana, o paciente realiza 6 a 7 testes por dia para a determinação do perfil glicêmico. Uma vez por semana ele comparece ao Programa, ocasião em que os resultados de suas glicemias são baixados do monitor e analisados por computador.

A cada semana, os dados de glicemia servem de base para o cálculo de três parâmetros importantes para a avaliação do controle glicêmico: a Glicemia Média Semanal (GMS), a Variabilidade Glicêmica (VG) e o Perfil Glicêmico Semanal (PGS). É com base nesses resultados que o esquema terapêutico é corrigido semanalmente, o que permite a promoção do bom controle glicêmico num período variável de 4 a 6 semanas.

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De posse dessas informações, a equipe de atendimento pode verificar várias informações de importância, as quais permitem um ajuste semanal da conduta terapêutica com base na Glicemia Média Semanal, na Variabilidade Glicêmica e nos padrões de glicemia apresentados pelos perfis glicêmicos.

A ilustração a seguir mostra o gráfico de desempenho glicêmico de uma paciente que se recusava a receber tratamento insulínico e que, depois de devidamente convencida pela equipe de atendimento, concordou em ser insulinizada. O gráfico mostra que 3 semanas após o início do tratamento insulínico a paciente entrou em pleno controle glicêmico, assim definido quando são atingidos níveis de GMS abaixo de 150 mg/dL e desvio padrão abaixo de 50 mg/dL. Neste caso, o acompanhamento semanal com base nos parâmetros mencionados permitiu que atingíssemos uma perfeita adequação da conduta terapêutica às necessidades terapêuticas da paciente, em curtíssimo prazo (3 semanas), sem ter que aguardar a avaliação dos resultados dos testes de A1C, os quais demoram de 3 a 4 meses para manifestar a totalidade do efeito terapêutico da conduta adequada.

Início do tratamento insulínico 1 2 3 4

Normalização da glicemia e do DP em 3 semanas

Semanas

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Gráfico de desempenho glicêmico, mostrando normalização da glicemia e da variabilidade glicêmica 3 semanas após o início da terapia insulínica. Redução da GMS de 342 mg/dL para 112 mg/dL e redução do desvio padrão (expressão da variabilidade glicêmica) de 60 mg/dL para 25 mg/dL.

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Módulo VI TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO DO DIABETES

Estilo de vida e controle do diabetes

O objetivo maior do tratamento do diabetes é a normalização dos níveis de glicemia, o que pode ser conseguido através de quatro níveis distintos de abordagens terapêuticas, incluindo tratamentos farmacológicos e não farmacológicos. Embora exista, na prática, apenas dois tipos principais de diabetes (diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2) há inúmeras variações em termos de plano de tratamento. É importante lembrar que o que funciona para uma pessoa com diabetes pode não ser a melhor opção para outra. Cada plano terapêutico tem que ser individualizado, sendo que a complexidade do esquema terapêutico varia conforme a gravidade da doença, estilo de vida e hábitos individuais e familiares da pessoa com diabetes.

Os diversos níveis de tratamento para o diabetes tipo 2 estão resumidos na tabela a seguir:

DISTINTOS NÍVEIS DE TRATAMENTO PARA O DIABETES TIPO 2 Nível Estratégia terapêutica

Nível 1 Orientação nutricional + perda saudável de peso.

Nível 2 Orientação nutricional + perda saudável de peso + atividade física.

Nível 3 Orientação nutricional + perda saudável de peso + atividade física + antidiabéticos orais.

Nível 4

Orientação nutricional + perda saudável de peso + atividade física + insulina, com ou sem a utilização concomitante de antidiabéticos orais.

Observação: Para o diabetes tipo 1, aplica-se o nível 4 de tratamento, sendo que o uso de certos antidiabéticos orais como complemento da terapia insulínica só é recomendado em situações especiais.

Fonte: Diabetes Solution. Richard K. Bernstein, MD. Little, Brown and Company. New York, Boston, London. 3rd Edition, 2007.

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Portanto, as recomendações de incorporação de hábitos saudáveis de estilo de vida, incluindo orientação nutricional, perda saudável de peso e atividade física são essenciais para todos os níveis de tratamento do diabetes. Outros componentes do tratamento não farmacológico do diabetes incluem o controle do estresse e de estados depressivos, a interrupção do tabagismo e do controle do consumo de bebidas alcoólicas.

Perda saudável de peso

A perda saudável de peso é uma recomendação padrão em todas as modalidades de tratamento do diabetes. Muitas pessoas tentam perder peso, mas poucas conseguem fazê-lo de forma adequada e, manter o peso saudável atingido. Isso acontece por várias razões: algumas pessoas tentam perder muito peso muito rapidamente; outras tentam seguir um plano dietético que não tem nada a ver com seus hábitos alimentares. A recomendação mais saudável seria uma perda de peso lenta, porém, progressiva e constante.

Definindo seus objetivos

Em primeiro lugar, defina juntamente com o médico ou profissional de nutrição, uma meta realista para perda de peso e depois siga as recomendações abaixo para que seu propósito seja bem sucedido:

― Sempre que possível, inicie seu processo de perda de peso num momento de vida favorável e tranqüilo.

― Avalie seus hábitos alimentares e mantenha um registro honesto do que você come durante um período de uma semana.

― Discuta com o seu médico ou com um profissional de nutrição o seu registro alimentar.

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― Fuja das dietas mágicas. Elas não existem. A melhor opção é definir os novos hábitos alimentares com base nos seus registros alimentares, modificando tipos ou quantidades de alimentos específicos, conforme orientação médica ou nutricional.

― Esteja preparado para alterar os seus hábitos alimentares, adotando padrões dietéticos mais saudáveis para toda a família.

― Abstenha-se de adquirir alimentos ou guloseimas pouco saudáveis para não cair em tentação. Mantenha estoques mínimos de comidas muito gordurosas ou muito doces.

A perda saudável de peso traz benefícios clínicos indiscutíveis, tais como:

― Redução da glicemia e melhora do controle glicêmico. ― Redução da pressão arterial em pessoas hipertensas.

― Melhora nos níveis de colesterol e triglicérides, redução do estresse do excesso de peso sobre os quadris, joelhos, tornozelos e pés.

― Melhor disposição geral, mobilidade e mais energia.

― Melhora na respiração.

Se você já tem diabetes, uma perda de peso equivalente a 5% a 10% do peso corporal pode ajudar a reduzir a glicemia, controlar a pressão e melhorar os níveis de colesterol e triglicérides. Além disso, com a perda de peso, várias pessoas com diabetes podem dispensar o tratamento medicamentoso de que necessitavam antes de perder peso.

Conceito de Índice de Massa Corpórea (IMC)

Hoje em dia, os profissionais de saúde utilizam uma medida chamada Índice de Massa Corpórea, conhecida como IMC para avaliar a correlação entre o seu peso e a sua altura. O IMC pode mostrar se você está abaixo do peso, se tem um peso saudável ou se está acima do peso ou definitivamente obeso. O Índice de Massa

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Corpórea é obtido dividindo-se o peso em quilos pelo quadrado da altura em metros. Um recurso prático para o cálculo automático do IMC, utilizando os dados de peso e altura, pode ser encontrado no site da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica - ABESO, através do link: http://www.abeso.org.br/calc_imc.htm

A tabela a seguir apresenta o resultado da avaliação do IMC, segundo a ABESO:

Atividade física regular

A atividade física regular é um componente essencial do controle do diabetes. O programa de exercícios deve ser individualizado de acordo com a capacidade e as restrições físicas de cada indivíduo.

Independentemente da perda ou não do peso corpóreo, a atividade física, por si só, melhora a sensibilidade à insulina, reduz os níveis de pressão arterial e melhora os níveis de triglicérides e colesterol, aumentando o nível de colesterol HDL (o bom colesterol) e reduzindo o nível de colesterol LDL (o mau colesterol). Também melhora a função cardiovascular, aumenta a densidade óssea, melhora a sensação física e psíquica de bem-estar, promovendo qualidade de vida.

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aumento na eficiência da insulina

No controle da glicemia, os efeitos benéficos podem ser observados desde o início da atividade física, até várias horas após o seu término, e incluem um

Além disso, o exercício é capaz de aumentar cerca de 20 vezes a utilização de glicose pelo músculo, independentemente da ação da insulina, podendo-se assim, ao longo do tempo de prática de exercícios, reduzir a dose da medicação.

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