Profae apostila 5 (saúde do adulto- assistência cirúrgica e atendimento de emergência)

Profae apostila 5 (saúde do adulto- assistência cirúrgica e atendimento de...

(Parte 6 de 7)

Quando for necessário mudar a posição do cliente durante a cirurgia, deve-se evitar movimentos rápidos e bruscos, porque a mudança repentina de posição pode ocasionar hipotensão arterial.

Arco de narcose - suporte metálico curvo, utilizado para separar o campo operatório das atividades do anestesista.

É importante notificar o cirurgião se o cliente faz uso de marca-passo, em vista do risco de interferências no funcionamento.

É freqüente a ocorrência de queimaduras por posicionamento inadequado da placa de bisturi no ato cirúrgico. Este fato pode ser considerado negligência, o que você acha disto? Discuta esse assunto com o seu instrutor.

No caso de retirada de uma peça anatômica, a mesma deve ser identificada e encaminhada de acordo com a rotina da instituição.

6 Assistência Cirúrgica

Os registros são feitos em impresso próprio, anotando-se os medicamentos, soluções, sangue, equipamentos usados, intercorrências com o cliente, nome da operação e da equipe cirúrgica, bem como início e término da cirurgia.

Ao final da cirurgia, desliga-se o foco e aparelhos, afasta-se os equipamentos e aparelhos da mesa cirúrgica, remove-se os campos, pinças e outros materiais sobre o cliente.

Até que o cliente seja transportado para a recuperação pósanestésica ou unidade cirúrgica, o mesmo não pode ser deixado sozinho devido ao risco de quedas acidentais ou intercorrências pós-cirúrgicas.

Durante a transferência da SO para a RPA, UTI ou unidade de internação, deve-se ser cuidadoso durante a mudança do cliente da mesa cirúrgica para a maca, observando a necessidade de agasalhá-lo, a manutenção do gotejamento das infusões venosas, as condições do curativo e o funcionamento de sondas e drenos.

O encaminhamento do cliente à RPA normalmente é feito pelo circulante da sala, junto com o anestesista.

Antes de providenciar a limpeza da sala cirúrgica, o circulante deve separar a roupa usada na cirurgia e encaminhá-la ao expurgo após verificar se não há instrumentais misturados. Os materiais de vidro, borracha, cortantes, instrumentais e outros devem ser separados e encaminhados para limpeza e esterilização, ou jogados no saco de lixo, encaminhando-os, lacrados, para o devido setor, sempre respeitando-se as medidas de prevenção de acidentes com pérfurocortantes.

Com relação a impressos, ampolas ou frascos vazios de medicamentos controlados, os mesmos devem ser encaminhados para os setores determinados.

Ao final da cirurgia, normalmente o cirurgião ou outro profissional que tenha participado de sua realização informa os familiares sobre o ato cirúrgico e o estado geral do cliente.

5.3 Tempo cirúrgico

Abrange, de modo geral, a seqüência dos quatro procedimentos realizados pelo cirurgião durante o ato operatório.

Inicia-se pela diérese, que significa dividir, separar ou cortar os tecidos através do bisturi, bisturi elétrico, tesoura, serra ou laser; em seguida, se faz a hemostasia, através de compressão direta com os dedos, uso de pinças, bisturi elétrico (termocautério) ou sutura para prevenir, deter ou impedir

A transferência do cliente da mesa cirúrgica para a maca requer atenção, tendo em vista que há risco de queda, movimentação de drenos, sonda e cateteres, bem como queixas de dor. Para minimizar estes riscos você deve solicitar o auxílio de outros membros da equipe, realizando movimentos firmes, sincronizados e que proporcionem o máximo de conforto e segurança ao cliente.

o sangramento. Ao se atingir a área comprometida, faz-se a exérese, que é a cirurgia propriamente dita. A etapa final é a síntese cirúrgica, com a aproximação das bordas da ferida operatória através de sutura, adesivos e/ou ataduras.

5.4 Instrumentais e fios cirúrgicos

Auxiliam a equipe cirúrgica durante a operação, mas para isso é necessário que a equipe de enfermagem ofereça-os em perfeitas condições de uso e no tamanho correto.

O instrumentador cirúrgico é o profissional responsável por prever os materiais necessários à cirurgia, bem como preparar a mesa com os instrumentais, fios cirúrgicos e outros materiais necessários, ajudar na colocação de campos operatórios, fornecer os instrumentais e materiais à equipe cirúrgica e manter a limpeza e proteção dos instrumentais e materiais contra a contaminação.

Os instrumentais cirúrgicos são classificados de acordo com sua função:

!diérese - utilizados para cortar, tais como o bisturi, tesouras, trépano;

!hemostáticos - auxiliam a estancar o sangramento, tais como as pinças de Kelly, Kocher, Rochester;

!síntese cirúrgica - geralmente utilizados para fechamento de cavidades e incisões, sendo o mais comum a agulha de sutura presa no porta-agulha;

!apoio ou auxiliares - destinam-se a auxiliar o uso de outros grupos de instrumentais, destacando-se o afastador Farabeuf para afastar os tecidos e permitir uma melhor visualização do campo operatório e a pinça anatômica para auxiliar na dissecção do tecido;

!especiais - aqueles específicos para cada tipo de cirurgia, como, por exemplo, a pinça gêmea de Abadie, utilizada nas cirurgias do trato digestivo.

Os fios cirúrgicos apresentam-se com ou sem agulhas, e sua numeração varia de 1 a 5 e de 0-0 a 12-0 (doze-zero). São classificados em absorvíveis e não-absorvíveis.

Os fios absorvíveis, como o próprio nome indica, são absorvidos pelo organismo após determinado período. O catgut é de origem animal (do intestino delgado dos bovinos), podendo ser simples ou cromado. O catgut simples é indicado para os tecidos de rápida cicatrização, com absorção total em 2 a 3 semanas; o catgut

Dissecção - separação, através de instrumento cirúrgico, das partes de um corpo ou órgão.

Quanto maior o número, menor a espessura do fio cirúrgico.

6 Assistência Cirúrgica cromado, devido à impregnação com sais de ácido crômico, é totalmente absorvido em 6 meses.

Os fios não-absorvíveis permanecem encapsulados (envolvidos por tecido fibroso) nas estruturas internas e nas suturas de pele; devem ser removidos entre o 7° e o 10° dia de pós-operatório. Podem ser de origem animal, como a seda; de origem vegetal, como o algodão e linho; de origem sintética, como o nylon, perlon, poliéster; ou de origem mineral, como o fio de aço.

Para suturar as estruturas internas (tecidos internos e órgãos), utilizam-se os fios absorvíveis, enquanto que o algodão está indicado para ligar vasos sangüíneos e aponeurose, o fio de aço para suturar ossos e os fios de origem sintética para a sutura de pele. A seda é geralmente utilizada nas pessoas que provavelmente terão dificuldade no processo de cicatrização (obesos, desnutridos, diabéticos ou aqueles com abdome volumoso), onde a sutura é realizada com pontos subtotais.

O sangramento de capilares pode ser estancado pela aplicação de substância hemostática no local. Podemos citar, como exemplo, a cera para osso - utilizada para estancar o sangramento ósseo nas cirurgias ortopédicas e neurocirurgias.

Outro recurso é o bisturi elétrico, que pode ser utilizado com a função de coagulação e secção (corte) dos tecidos, através da aplicação local de descargas elétricas.

5.5 Tipos de anestesia

A anestesia é um estado de relaxamento, perda da sensibilidade e dos reflexos, de forma parcial ou total, provocada pela ação de drogas anestésicas. Seu objetivo é evitar a dor e facilitar o ato operatório pela equipe cirúrgica. Na anestesia geral ocorre, também, um estado de inconsciência.

O anestesista é o médico responsável em avaliar o cliente no pré-operatório, prescrever a medicação pré-anestésica, administrar a anestesia, controlar as condições do cliente durante a cirurgia e assistir o cliente na sala de recuperação pós-anestésica.

As drogas anestésicas podem produzir anestesia em todo o corpo (anestesia geral) ou em partes do mesmo (anestesias local, raquiana e peridural).

Na anestesia geral administra-se o anestésico por via inalatória, endovenosa ou combinado (inalatória e endovenosa), com o objetivo de promover um estado reversível de ausência de sensibilidade, relaxamento muscular, perda de reflexos e inconsciência devido à ação de uma ou mais drogas no sistema nervoso.

Aponeurose – membrana fibrosa que reveste ou envolve os músculos, podendo chegar ao tendão.

Pontos subtotais – técnica que faz a sutura desde o tecido subcutâneo, finalizando na pele com os pontos laterais ligados através de um pequeno tubo de plástico.

A raquianestesia é indicada para as cirurgias na região abdominal e de membros inferiores, porque o anestésico é depositado no espaço subaracnóide da região lombar, produzindo insensibilidade aos estímulos dolorosos por bloqueio da condução nervosa.

Na anestesia peridural o anestésico é depositado no espaço peridural, ou seja, o anestesista não perfura a duramater. O anestésico se difunde nesse espaço, fixa-se no tecido nervoso e bloqueia as raízes nervosas.

No momento da punção lombar para introduzir o anestésico, é comum o extravasamento de líqüor e algumas pessoas podem apresentar cefaléia intensa no pós-operatório. Nesta circunstância, devem ser orientadas quanto à importância de alguns cuidados no pós-operatório, tais como uma boa hidratação e evitar levantar-se bruscamente do leito.

Na anestesia local infiltra-se o anestésico nos tecidos próximos ao local da incisão cirúrgica. Utilizam-se anestésicos associados com a adrenalina, com o objetivo de aumentar a ação do bloqueio por vasoconstrição e prevenir sua rápida absorção para a corrente circulatória. A anestesia tópica está indicada para alívio da dor da pele lesada por feridas, úlceras e traumatismos, ou de mucosas das vias aéreas e sistema g eniturinário.

O ato anestésico requer atenção do circulante de sala, especialmente no momento de posicionamento do cliente, transmitindolhe conforto e segurança, bem como facilitando o procedimento para a equipe cirúrgica. O posicionamento do cliente relaciona-se com o tipo de anestesia a ser aplicada:

Duramater Anestesia peridural

Raquianestesia Região lombar

Cóccix

Região sacral

Corte sagital da região lombar e sacral demonstrando a punção no espaço subaracnóide e peridural

6 Assistência Cirúrgica

!Durante a anestesia peridural ou raquianestesia o circulante auxilia na colocação e manutenção do cliente em posição especial, com o objetivo de facilitar a punção com a abertura máxima dos espaços intervertebrais. Uma dessas posições é o decúbito lateral fetal, com os joelhos próximos do abdome e o queixo encostado no tórax. O circulante da sala mantém o cliente nessa posição, colocando uma das mãos na região cervical e a outra na dobra posterior do joelho. Durante a punção, outra posição é o cliente sentado com as pernas pendendo lateralmente para fora da mesa cirúrgica e o queixo apoiado no tórax. Para mantê-lo assim imobilizado, o circulante de sala deve colocar-se à frente, com as mãos em sua nuca.

!Durante a anestesia geral, o cliente deve ser posto em decúbito dorsal: deitado de costas, pernas estendidas ou ligeiramente flexionadas, um dos braços estendido ao longo do corpo e o outro apoiado no suporte de braço. Para facilitar a visualização das vias aéreas no momento da entubação, é necessário hiperestender o seu pescoço.

Atualmente, muitas instituições possuem o Serviço de

Apoio Técnico à Anestesiologia, com pessoal treinado e com conhecimento de preparo e montagem de aparelhos utilizados em anestesia. Também é função desse serviço promover a limpeza e esterilização dos componentes dos monitores, bem como repor os materiais de consumo, encaminhar para reparo os aparelhos danificados e fazer a manutenção preventiva dos mesmos.

6- O CUIDADO DE ENFERMAGEM NO PÓS-OPERATÓRIO (PO)

O pós-operatório inicia-se a partir da saída do cliente da sala de operação e perdura até sua total recuperação. Subdivide-se em pósoperatório imediato (POI), até às 24 horas posteriores à cirurgia; mediato, após as 24 horas e até 7 dias depois; e tardio, após 7 dias do recebimento da alta.

Nesta fase, os objetivos do atendimento ao cliente são identificar, prevenir e tratar os problemas comuns aos procedimentos anestésicos e cirúrgicos, tais como dor, laringite pós- entubação traqueal, náuseas, vômitos, retenção urinária, flebite pós-venóclise e outros, com a finalidade de restabelecer o seu equilíbrio.

Posicionamento para facilitar a punção da região lombar com abertura máxima dos espaços intervertebrais.

Idealmente, todos os clientes em situação de POI devem ser encaminhados da SO para a RPA e sua transferência para a enfermaria ou para a UTI só deve ocorrer quando o anestesista considerar sua condição clínica satisfatória.

A RPA é a área destinada à permanência preferencial do cliente imediatamente após o término do ato cirúrgico e anestésico, onde ficará por um período de uma a seis horas para prevenção ou tratamento de possíveis complicações. Neste local aliviará a dor pós-operatória e será assistido até a volta dos seus reflexos, normalização dos sinais vitais e recuperação da consciência.

Considerando tais circunstâncias, este setor deve possuir equipamentos, medicamentos e materiais que atendam a qualquer situação de emergência, tais como:

!equipamentos básicos: cama/maca com grades laterais de segurança e encaixes para suporte de solução, suporte de solução fixo ou móvel, duas saídas de oxigênio, uma de ar comprimido, aspirador a vácuo, foco de luz, tomadas elétricas, monitor cardíaco, oxímetro de pulso, esfigmomanômetro, ventiladores mecânicos, carrinho com material e medicamentos de emergência;

!Materiais diversos: máscaras e cateteres de oxigênio, sondas de aspiração, luvas esterilizadas, luvas de procedimentos, medicamentos, frascos de solução, equipos de solução e de transfusão sangüínea, equipos de PVC (pressão venosa central), material para sondagem vesical, pacote de curativo, bolsas coletoras, termômetro, material de coleta para exames e outros porventura necessários.

6.1 Cuidados de enfermagem no pósoperatório imediato (POI)

Este período é considerado crítico, considerando-se que o cliente estará, inicialmente, sob efeito da anestesia geral, raquianestesia, peridural ou local. Nessa circunstância, apresenta-se bastante vulnerável às complicações. Assim, é fundamental que a equipe de enfermagem atue de forma a restabelecer-lhe as funções vitais, aliviar-lhe a dor e os desconfortos pós-operatório (náuseas, vômitos e distensão abdominal), manter-lhe a integridade da pele e prevenir a ocorrência de infecções.

Ao receber o cliente na RPA, UTI ou enfermaria, a equipe deve tranqüilizá-lo, informá-lo onde se encontra e perguntar-lhe se sente alguma anormalidade e/ou desconforto. Se o cliente estiver sonolento ou aparentemente inconsciente, não

Atualmente, alguns clientes em situação de POI passam as primeiras horas na UTI, não por apresentarem complicações, mas para evitá-las, especialmente os idosos, diabéticos e/ou cardiopatas, dentre outros.

6 Assistência Cirúrgica devem ser feitos comentários indevidos, pois sua audição pode estar presente.

Deve-se ler atentamente o seu prontuário, o qual deverá conter informações sobre o tipo de anestesia, anestésico recebido, cirurgia realizada, intercorrências e recomendações especiais.

Os frascos de solução, sangue e derivados devem ser postos no suporte e realizados o controle de gotejamento e dos líquidos infundidos e eliminados pelas sondas, drenos e cateteres - os quais deverão estar conectados às extensões e fixados no leito ou outro local adequado.

(Parte 6 de 7)

Comentários