Profae apostila 5 (saúde do adulto- assistência cirúrgica e atendimento de emergência)

Profae apostila 5 (saúde do adulto- assistência cirúrgica e atendimento de...

(Parte 7 de 7)

Para os clientes submetidos à anestesia geral, recomenda-se o decúbito dorsal horizontal sem travesseiro, com a cabeça lateralizada para evitar aspiração de vômito (caso ocorra). Para os clientes com sonda nasogástrica (SNG), indica-se a posição semifowler, para prevenir a ocorrência de esofagite de refluxo. Visando evitar a queda dos clientes sonolentos, confusos e/ou agitados devido à ação dos anestésicos, as grades da cama devem ser mantidas elevadas.

Normalmente, o cliente apresenta-se hipotérmico ao retornar da

SO, em vista da ação depressora do sistema nervoso - provocada pelo anestésico. A primeira conduta é aquecê-lo com cobertores, fechar as janelas, ligar o aquecedor de ambiente e controlar sua temperatura com maior freqüência. É absolutamente contra-indicada a aplicação de bolsa de água quente, pelo risco de surgirem queimaduras causadas pela diminuição da sensibilidade dolorosa.

Na RPA, na primeira hora o controle dos sinais vitais é realizado de 15 em 15 minutos; se estiver regular, de 30 em 30 minutos. Mantida a regularidade do quadro, o tempo de verificação do controle deve ser espaçado para 1/1h, 2/2h, e assim por diante.

Nos cuidados com o curativo, observar se o mesmo está apertado demais ou provocando edema no local; se está frouxo demais ou se desprendendo da pele; ou se apresenta-se sujo de sangue, o que indica sangramento ou hemorragia. Nestas situações, a equipe de enfermagem solicita avaliação médica ou refaz o curativo, mantendo uma maior vigilância sobre o cliente que apresenta sangramento.

Quando o cliente está com os reflexos presentes, sinais vitais estabilizados, drenos e sondas funcionantes, recebe alta médica da RPA e é encaminhado para a unidade de internação.

No tocante à ansiedade e agitação apresentada por alguns clientes, a equipe de enfermagem pode diminuir seus receios dizendolhes onde se encontram, perguntando-lhes o que os está incomodando ou tranqüilizando-os mediante aplicação de analgésicos ou tranqüilizantes.

Com relação aos clientes agitados, a contenção dos mesmos ao leito só deve ocorrer após terem sido realizadas várias tentativas para acalmálos (orientação, mudança de posicionamento, oferecer óculos e/ou aparelho de audição, dentre outras estratégias). Quando da contenção, alguns cuidados de enfermagem devem ser realizados visando evitar a ocorrência de complicações circulatória e respiratória: evitar o garroteamento e proteger a área com algodão em rama (ortopédico), camadas de algodão ou compressa; manter vigilância da área restrita; massagear o local e refazer a restrição duas vezes ao dia e sempre que houver cianose e edema; além disso, verificar queixas de dor ou formigamento.

A decisão pela restrição deve basear-se na real necessidade do cliente, e não por ser a medida que diminuirá o trabalho da equipe de enfermagem. Após a sua adoção, não se deve esquecer que o cliente sob restrição permanece sendo um ser humano que necessita ser confortado, tranqüilizado e receber os adequados cuidados de enfermagem, incluindo avaliação constante da necessidade de manutenção da restrição.

Após os cuidados recebidos, devem ser registrados, pela enfermagem, dados como o tipo de anestesia, a cirurgia realizada, o horário de chegada, as condições gerais do cliente, a presença de drenos, soluções venosas, sondas, cateteres e a assistência prestada.

6.2 Anormalidades e complicações do pós-operatório

A ocorrência de complicações no pós-operatório implica piora do quadro clínico do cliente, aumento do período de recuperação cirúrgica e, em alguns casos, até mesmo o óbito. Por isso, é vital que a prevenção, identificação e imediata intervenção sejam realizadas o mais precocemente possível.

Geralmente, as complicações mais comuns são:

! Alteração dos sinais vitais (TPR-PA)

É importante que a temperatura corporal seja controlada com maior freqüência, bem como atentar para a instalação de quadro convulsivo, principalmente em crianças. Como as alterações térmicas levam a alterações nos sistemas cardiovascular e respiratório, recomenda-se que os sinais vitais também recebam idêntica freqüência de controle – o qual possibilita a identificação precoce do choque, que é a intercorrência mais grave, muitas vezes fatal. Assim, estes controles devem ser realizados até que o cliente estabilize suas condições físicas.

Em alguns casos, o cliente deseja seus objetos pessoais, tais como óculos, aparelho de audição, etc., cuja oferta pode sanar necessidades básicas pessoais e, assim, acalmá-los.

Nos casos em que se faz necessária a restrição do cliente, os familiares devem ser informados - de preferência - antes de entrarem em contato com o mesmo, o que lhes minimizará o sofrimento haja vista que, em geral, não aceitam muito bem esta condição, mas a equipe deve fazer-lhes entender que tal circunstância deve-se a questões de segurança e proteção para o próprio cliente.

Muitas vezes o cliente passa dias sob contenção porque agitou-se num único período. Você já viu isso acontecer alguma vez?

6 Assistência Cirúrgica

No tocante à respiração, esta pode estar alterada por efeito do anestésico que deprime o sistema nervoso ou por obstrução das vias aéreas devido à aspiração de vômitos ou secreções.

A cirurgia provoca no cliente um período de instabilidade orgânica que pode se manifestar pela alteração de temperatura (hipertermia ou hipotermia). Na hipertermia, a equipe de enfermagem pode retirar os cobertores, resfriar o ambiente, aplicar compressas frias nas regiões da fronte, axilar e ingüinal e medicar antitérmico, de acordo com a prescrição; na hipotermia, o cliente deve ser agasalhado e sua temperatura monitorada.

A diminuição da pressão arterial e pulso é ocasionada pela perda de sangue durante a cirurgia, efeito do anestésico ou, mesmo, mudança brusca de posição. A hipotensão arterial é a complicação precoce mais freqüentemente encontrada nas pessoas submetidas à raquianestesia, devendo ser corrigida com hidratação rigorosa pela via EV, mantendo-se o cliente na posição de Trendelemburg - para melhorar o retorno venoso - e administrando-lhe oxigênio. A administração de medicamentos vasopressores está indicada apenas quando outras medidas não conseguiram normalizaram a pressão arterial.

! Alterações neurológicas a) Dor

O estado neurológico do cliente pode ser afetado pela ação do anestésico, do ato cirúrgico ou de um posicionamento inadequado na mesa cirúrgica. Por isso, a equipe de enfermagem deve observar o nível de consciência e as funções motora e sensitiva. Quando o cliente apresentar quadro de confusão mental ou agitação, pesquisar se isto não está sendo provocado pela dor que surge na medida em que a ação do anestésico vai sendo eliminada pelo organismo. Confirmando-se a dor, medicá-lo conforme prescrição médica.

A dor mais comum é a que ocorre na região alvo da cirurgia, a qual diminui gradativamente com o passar do tempo. Por ser a dor uma experiência subjetiva e pessoal, ou seja, só o cliente sabe identificá-la e avaliar sua intensidade, não devemos menosprezá-la mas, sim, providenciar o medicamento prescrito para a analgesia de forma a não permitir que se torne mais intensa. Muitas vezes, na prescrição médica há analgésicos que devem ser administrados a intervalos regulares e sempre que necessário. Mesmo que o cliente não relate dor intensa, a administração da medicação é importante para prevenir a sensação dolorosa mais intensa e contínua.

A dor pode variar quanto à localização, intensidade, duração e tipo (em pontadas, compressiva, constante, intermitente) - características que podem ser obtidas pelas informações dadas pelo cliente.

Analgesia – redução da sensibilidade dolorosa através de medicamento.

Atualmente, todo cliente cirúrgico deve ter prescrição de analgesia, o que integra o sucesso da operação e possibilita sua melhor reabilitação.

Outras manobras/estratégias podem auxiliar no alívio da dor, tais como, respeitadas as devidas contra-indicações: afrouxar e/ou trocar os curativos, aliviar a retenção de urina e fezes, fazer a mudança de decúbito, apoiar segmentos do corpo em coxins e aplicar compressas frias ou quentes, escurecer o ambiente e diminuir os barulhos, estimulando o cliente a repousar e/ou proporcionar-lhe algo que o distraia, por exemplo, televisão, música, revistas, etc. As ações a serem implementadas devem considerar a necessidade e o tipo de cliente, bem como os recursos disponíveis na unidade.

Realizadas estas medidas, se a dor ainda persistir, deve-se verificar junto ao enfermeiro e/ou médico a possibilidade de administrar outros medicamentos2.

A equipe de enfermagem deve acompanhar a evolução da dor, pois só assim saberá se o medicamento está fazendo efeito, comunicando à enfermeira ou médico a sua persistência, para reavaliação da causa e/ou seu tratamento.

É importante lembrar que a analgesia precoce ajuda o cliente a se movimentar sem grandes restrições, o que auxilia e agiliza sua efetiva recuperação.

Outra dor bastante comum é a cefaléia pós-raquianestesia, causada pela saída de líqüor durante a punção lombar realizada para a introdução do anestésico. O cliente, ao elevar a cabeça, pode apresentar cefaléia intensa – o que também pode ocorrer mais tardiamente, entre o 2° e 7° dias após a punção. Nessas circunstâncias, recomenda-se coloca-lo em decúbito baixo, em posição supina, e dar-lhe hidratação adequada por VO e/ou EV, bem como os analgésicos prescritos.

b) Sonolência

A sonolência é uma característica muito freqüente no cliente cirúrgico. Assim, a certificação do seu nível de consciência deve ser sempre verificada mediante alguns estímulos (perguntas, estímulo tátil) e as alterações comunicadas o mais rapidamente possível, pois podem indicar complicações graves – como, por exemplo, hemorragia interna.

c) Soluço

Os soluços são espasmos intermitentes do diafragma, provocados pela irritação do nervo frênico. No pós-operatório, suas causas mais comuns são a distensão abdominal e a hipotermia.

No mais das vezes, os soluços terminam espontaneamente ou por condutas simples. Uma delas é eliminar as causas pela aspiração ou lavagem gástrica (na distensão abdominal), deambulação, aquecimento do cliente hipotérmico e mudança de decúbito. Outras, orientar o cliente para inspirar e expirar em um saco de papel, porque o dióxido de carbono diminui a irritação nervosa; ou administrarlhe metoclopramida (Plasil®) de acordo com a prescrição médica.2PIMENTA; KOIZUMI, p.34-5, 1993.

Nervo frênico – inerva o diafragma juntamente com o 3o, 4o e 5o segmentos cervicais, sendo responsável pelo reflexo do soluço.

6 Assistência Cirúrgica

! Complicações pulmonares

São as complicações mais sérias e freqüentes no pós-operatório, principalmente nos clientes obesos, fumantes, idosos e naqueles com outros agravos clínicos.

As ações da equipe de enfermagem priorizam a prevenção das complicações pulmonares pelo reconhecimento precoce dos sinais e sintomas (cianose, dispnéia, tiragem intercostal, batimentos de asa de nariz, agitação), movimentação e deambulação precoces, lateralização da cabeça do cliente com vômito e não infusão de soluções endovenosas pelos membros inferiores - para evitar a formação de trombos e embolia pulmonar.

Normalmente, a causa dessas complicações é o acúmulo de secreções brônquicas, cuja remoção pode ser favorecida pela fluidificação. A expectoração é o meio natural de expeli-las, o que ocorre pela tosse. Assim, o cliente deve ser estimulado a hidratar-se, realizar os exercícios respiratórios e não inibir a tosse.

Ao tossir, o cliente pode referir medo e dor. Para minimizar esta sensação, deve ser orientado a colocar as mãos, com os dedos entrela- çados, sobre a incisão cirúrgica; ou utilizar-se de um travesseiro, abra-çando-o e expectorando no lenço de papel.

Quando o cliente sente dor, mesmo que não a relate, naturalmente se negará a fazer os exercícios respiratórios, ou, se os fizer, não serão eficazes, uma vez que a tensão inibirá a adequada expansão pulmonar.

Posições que minimizam desconforto durante exercícios respiratórios e/ou tosse

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