Neuroanatomia

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(Parte 2 de 6)

Curso Teórico-prático de Neuroanatomia estação sináptica em neurônios do tálamo a caminho do córtex. Assim, o tálamo freqüentemente é chamado de portal do córtex cerebral.

Os neurônios talâmicos enviam axônios ao córtex através da cápsula interna. Como regra geral, os axônios de cada cápsula interna levam informação ao córtex do lado contralateral do corpo. Uma importante via de comunicação entre os hemisférios se faz através do corpo caloso.

Os neurônios corticais também enviam axônios pela cápsula interna ao tronco encefálico.

Alguns axônios corticais percorrem todo o caminho até a medula espinhal, constituindo o tracto córtico-espinhal. Esta é uma importante via do córtex que comanda o movimento voluntário. Outra via comunica os neurônios corticais com os neurônios dos núcleos da base, que são agrupamentos de células do telencéfalo basal. O termo basal utiliza-se para descrever estruturas profundas do encéfalo, precisamente como é o caso dos núcleos da base.

Ainda que o hipotálamo esteja debaixo do tálamo, funcionalmente ele se relaciona de forma mais íntima com certas estruturas telencefálicas. O hipotálamo executa muitas funções primitivas e, portanto, não sofreu muitas modificações ao longo da evolução dos mamíferos. O hipotálamo controla o sistema nervoso vegetativo (SNV), que regula as funções corpóreas em resposta às necessidades do organismo. O hipotálamo também tem um papel-chave na motivação dos animais para a busca de alimento, líquidos e sexo em resposta a suas necessidades. Além de suas conexões com o SNV, o hipotálamo também comanda as respostas corporais por intermédio de conexões com a hipófise, que se situa ventralmente ao diencéfalo.

2. Diferenciação do Mesencéfalo:

Diferentemente do prosencéfalo, o mesencéfalo diferencia-se relativamente pouco durante o desenvolvimento subseqüente do cérebro. A superfície dorsal da vesícula mesencefálica transformase em uma estrutura denominada tecto. O assoalho do encéfalo médio origina o tegmento. O espaço preenchido pelo LCR, localizado entre estas duas regiões, contrai-se formando um canal estreito chamado de aqueduto cerebral. O aqueduto conecta-se rostralmente com o terceiro ventrículo do diencéfalo. Como é pequeno e com formato circular na secção transversal, o aqueduto é um bom ponto de referência para identificar o mesencéfalo.

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FIGURA - O mesencéfalo se diferencia no tecto e no tegmento. No espaço preenchido com LCR no centro do mesencéfalo, localiza-se o aqueduto cerebral.

2.1. Relações entre Estruturas e Função do Mesencéfalo:

Para uma estrutura aparentemente tão simples, as funções do mesencéfalo são notavelmente diversificadas. Além de conduzir informação da medula espinhal ao prosencéfalo e vice-versa, o mesencéfalo possui neurônios envolvidos com o sistema sensorial, no controle do movimento e várias funções.

O mesencéfalo contém axônios que descem do córtex cerebral ao tronco encefálico e a medula espinhal. Por exemplo, o tracto córtico-espinhal cursa, através do mesencéfalo, até chegar na medula espinhal. Lesões neste tracto em um dos lados, ao nível do mesencéfalo prejudica o controle voluntário dos movimentos do lado oposto do corpo.

O tecto diferencia-se em duas estruturas: os colículos superiores e os colículos inferiores. O colículo superior recebe aferências diretamente do olho, por isso também é chamado de tecto óptico. Uma das funções do tecto óptico é controlar os movimentos oculares, realizada mediante conexões sinápticas com neurônios motores que inervam a musculatura ocular. Alguns desses axônios que inervam a musculatura ocular originam-se no mesencéfalo e se reúnem formando os nervos cranianos I e IV.

O colículo inferior também recebe informação sensorial, porém, no caso, do ouvido o colículo inferior é uma importante estação retransmissora de informação auditiva a caminho do tálamo.

O tegmento contém a substância nigra e o núcleo rubro que são grupamentos celulares envolvidos com o controle do movimento voluntário. Outros grupos dispersos no mesencéfalo possuem axônios que se projetam amplamente por todo o SN e regulam o alerta consciente, o humor, o prazer e a dor.

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3. Diferenciação do Rombencéfalo:

O Rombencéfalo diferencia-se em três importantes estruturas: o cerebelo, a ponte e o bulbo.

O cerebelo e a ponte originam-se da metade rostral do rombencéfalo (chamado de metencéfalo). A cavidade preenchida com LCR originará o quarto ventrículo, que está em continuidade com o aqueduto cerebral do mesencéfalo.

No estágio das três vesículas, o rombencéfalo rostral é um simples tubo quando visto em secção coronal. Nas semanas subseqüentes, o tecido ao longo da parede dorsal lateral do tubo, chamado lábio rômbico, cresce dorsal e medialmente até fundir-se com seu homólogo do outro lado. A aba resultante de tecido encefálico transforma-se no cerebelo. A parede ventral do tubo, diferencia-se e dilata-se para constituir a ponte.

FIGURA - O mesencéfalo rostral diferencia-se no cerebelo e na ponte. O cerebelo forma-se pelo crescimento e fusão dos lábios rômbico.

Modificações menos profundas ocorrem durante a diferenciação da porção caudal do rombencéfalo em medula espinhal. As paredes ventral e lateral desta região dilatam-se, deixando a porção superior coberta somente por uma fina camada de células ependimárias (não-neuronais). Ao longo da superfície ventral, de cada bulbo, estende-se um importante sistema de substância branca. Seccionado transversalmente, este feixe de axônios exibe sua forma triangular, o que explica a denominação de pirâmide bulbar.

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FIGURA - O rombencéfalo caudal diferencia-se no bulbo. As pirâmides bulbares são feixes axonais estendendo-se caudalmente à medula espinhal.

3.1 Relações entre Estruturas e Função do Rombencéfalo:

Como o mesencéfalo, o rombencéfalo é um importante conduto de informação que passa do prosencéfalo à medula espinhal e desta de volta ao prosencéfalo. Ademais, os neurônios do rombencéfalo contribuem para o processamento da informação sensorial, o controle dos movimentos voluntários e a regulação do sistema nervoso vegetativo.

O cerebelo, o “pequeno cérebro” é um importante centro de controle do movimento. Ele recebe aferências maciças da medula espinhal e da ponte. As aferências medulares trazem informações a respeito da posição do corpo no espaço. As aferências pontinas levam informação do córtex cerebral especificando a meta do movimento pretendido. O cerebelo compara este tipo de informação e calcula as seqüências de contrações musculares necessárias para se atingir a meta dos movimentos.

Dos axônios descendentes que passam pelo mesencéfalo mais de 90% estabelecem sinapses em neurônios da ponte. Os neurônios pontinos retransmitem toda essa informação ao cerebelo, no lado oposto. Assim, a ponte atua como um gigantesco quadro de distribuição ou painel de controle, conectando o córtex cerebral ao cerebelo. A ponte abaula a superfície ventral do tronco encefálico para poder alojar esta circuitaria.

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Os axônios que não terminam na ponte, prosseguem caudalmente e fazem parte das pirâmides bulbares. A maioria destes axônios origina-se no córtex cerebral e integra o tracto córtico-espinhal. Próximo a onde o bulbo se une com a medula espinhal, cada tracto piramidal cruza de um lado a outro da linha média. O cruzamento de axônios de um lado a outro é chamado de decussação; esta, no caso, é a decussação piramidal. O cruzamento axonal no bulbo explica por que o córtex de um lado controla os movimentos do lado oposto do corpo. Além de permitir a passagem dos sistemas de substância branca, o bulbo contém neurônios que executam muitas funções sensoriais e motoras. Por exemplo, os axônios dos nervos auditivos, que trazem informações auditivas do ouvido, estabelecem sinapses em células do núcleo coclear do bulbo. O núcleo coclear, por sua vez, projeta axônios a várias estruturas, dentre elas o tecto do mesencéfalo (o colículo inferior).

Outras funções sensoriais do bulbo incluem o tato e a gustação. O bulbo possui neurônios que retransmitem informação sensorial somática da medula espinhal ao tálamo. A destruição destes neurônios provoca uma anestesia. Outros neurônios retransmitem informação gustativa da língua ao tálamo. E entre os neurônios motores do bulbo estão células que controlam a musculatura lingual através do nervo craniano XII.

4. Diferenciação da Medula Espinhal:

A transformação do tubo neural caudal em medula espinhal é simples, se comparada com a diferenciação do encéfalo. Com a expansão do tecido nas paredes, a cavidade do tubo neural diminui e forma um pequeno canal ependimário central preenchido com o mesmo líquido cefalorraquidiano.

Em secção transversal, a substância cinzenta da medula tem uma inconfundível borboleta. A porção superior das asas da borboleta é o corno dorsal, e a porção inferior, o corno ventral. A substância cinzenta entre os cornos dorsal e ventral, chama-se zona intermediária. O restante é substância branca, que consiste de colunas de axônios que se estendem cefalicamente e caudalmente ao longo da medula espinhal. Assim, os feixes axonais que se estendem ao longo da superfície dorsal da medula são denominados colunas dorsais, os feixes de axônios laterais, à substância cinzenta, de cada lado, são as colunas laterais, e os feixes de axônios na superfície ventral, as colunas ventrais.

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FIGURA - O centro da medula espinhal, em forma de borboleta, é de substância cinzenta que se divide nos cornos dorsal e ventral e na zona intermediária.

4.1. Relações entre Estrutura e Função da Medula:

De um modo geral, as células do corno dorsal recebem aferências sensoriais das fibras da raiz dorsal, as células do corno ventral projetam às raízes ventrais que inervam músculos e as células da zona intermediária são interneurônios modulando eferências motoras em resposta a aferências sensoriais e a comando descendentes do encéfalo.

A larga coluna dorsal possui axônios que transportam informação da sensibilidade somática (tato), da medula espinhal ao encéfalo. É uma “via expressa”, que leva informação do lado ipsilateral do corpo até os núcleos no bulbo em alta velocidade. Os neurônios pós-sinápticos bulbares originam axônios que decussam e ascendem ao tálamo. Este cruzamento de lado dos axônios no bulbo explica por que um toque no lado esquerdo do corpo é sentido pelo lado direito no cérebro.

A coluna lateral apresenta axônios do tracto córtico-espinhal que também cruzam de um lado para o outro no bulbo. Estes axônios inervam a zona intermediária e o corno ventral, além de transportarem sinais que controlam os movimentos voluntários.

A medula espinhal é o principal conduto de informações à pele, às articulações e aos músculos. Os neurônios da substância cinzenta espinhal iniciam a análise da informação sensorial, têm um papel decisivo na coordenação dos movimentos e são capazes de articular reflexos simples, como aquele da retirada do pé de cima de um percevejo.

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É uma estrutura do sistema nervoso segmentar que localiza-se na fossa posterior ou compartimento infra-tentorial, que apresenta na sua estrutura diversos corpos neuronais agrupados em núcleos, e que serve de passagem para inúmeras fibras mielínicas que também estão agrupadas em feixes, tractos e lemniscos. É formado por 3 estruturas: mesencéfalo, ponte e bulbo e conecta-se com os 10 pares de nervos cranianos típicos. O tronco limita-se inferiormente com a medula espinhal da qual é separado por uma linha que tangência o forâmen magno ou mais exatamente o primeiro filamento radicular da primeira raiz cervical, limita-se posteriormente com o cerebelo, do qual é separado pelo quarto ventrículo, o limite superior é o diencéfalo do qual é separado por uma linha imaginária que tangência os corpos mamilares e a comissura posterior.

Bulbo

É formado por duas porções: porção fechada e aberta.

• Face ventral: nesta face encontramos o sulco mediano ou longitudinal do bulbo, que representa continuação do sulco da medula. Esse sulco continua-se para cima e termina em uma depressão chamada forâmen cego que por sua vez localiza-se ao fundo do sulco bulbo-pontino. Há ainda os 2 sulcos laterais anteriores do bulbo que também são continuação da medula, deste sulco emerge o XII nervo craniano (hipoglosso). Nas porções mais superiores desta face vamos encontrar duas dilatações chamadas pirâmides bulbares que são formadas pela passagem do tracto piramidal ou córtico-espinhal. Ainda nesta face, nas porções mais inferiores, o sulco mediano anterior é parcialmente obliterado pelo cruzamento da maior parte do tracto piramidal originando uma região chamada decussação das pirâmides. • Face lateral: na porção lateral vamos ter ainda mais um sulco que é continuação direta da medula e se denomina sulco lateral posterior, este sulco vai delimitar com o sulco lateral anterior outra dilatação, lateral à pirâmide, chamada oliva bulbar que se deve à presença do núcleo olivar inferior.

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Dos sulcos laterais posteriores partem os seguintes nervos cranianos: IX (glossofaríngeo), X (vago) e a raiz craniana ou bulbar do XI (acessório). • Face dorsal: Representa continuação direta da medula e apresenta os seguintes sulcos: sulco mediano ou longitudinal posterior, sulcos intermédios posteriores e sulcos laterais posteriores. Entre os sulcos mediano posterior e os sulcos intermédios posteriores vamos encontrar o fascículo grácil que termina em uma dilatação chamada tubérculo grácil que é formada pelo núcleo do mesmo nome. Entre os sulcos intermédio e lateral posterior vamos encontrar o fascículo cuneiforme que termina numa dilatação chamada tubérculo cuneiforme que é formada pelo núcleo do mesmo nome. É importante observar que o sulco mediano posterior e os tubérculos grácil e cuneiforme afastam-se da linha média como um “Y” devido ao aparecimento da abertura do quarto ventrículo. Existe um pequeno canal parcialmente obliterado chamado canal central do bulbo.

Ponte (protuberância):

Na sua face ventral apresenta toda sua estrutura percorrida por sulcos horizontais formando as estrias transversais da ponte, essas estrias agrupam-se nas porções mais laterais formando dois grossos feixes de substância branca chamados braços da ponte ou pedúnculos cerebelares médios. A sua porção central denomina-se corpo ou barriga da ponte e é limitada no braço da ponte pela emergência do V nervo craniano (trigêmeo). A barriga da ponte é percorrida por um sulco mediano chamado sulco basilar formado pela artéria basilar. Do sulco bulbo-pontino emergem 3 pares de nervos cranianos : o VI (abducente) acima da pirâmide bulbar, o VIII (vestíbulo-cloclear) à altura do flóculo do cerebelo e o VII (facial) medialmente ao VIII.

Mesencéfalo

Porção mais alta do tronco é dividida por uma estreita fenda chamada aqueduto cerebral ou de Sylvius em duas porções: uma anterior chamada pedúnculo cerebral e uma posterior chamada teto do mesencéfalo ou lâmina tectal.

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