Neuroanatomia

Neuroanatomia

(Parte 3 de 6)

Curso Teórico-prático de Neuroanatomia

O pedúnculo cerebral é um grosso feixe de fibras de substância branca em número de dois, separados entre si por uma fenda bastante pronunciada chamada fossa interpeduncular, no fundo da qual existem orifícios para passagem de artérias perfurantes constituindo a substância perfurada posterior. Na superfície dos pedúnculos cerebrais encontramos dois sulcos: sulco lateral do mesencéfalo e o sulco medial do pedúnculo cerebral onde se origina o I nervo craniano (óculomotor), se traçarmos um corte tangenciando esses sulcos vamos encontrar uma região chamada substância nigra que divide o pedúnculo em duas porções: uma central (interna) rica em corpos celulares chamada tegmento e outra periférica rica em fibras chamada base.Teto do mesencéfalo (lâmina tectal): Nesta região encontramos 4 pequenas dilatações separadas entre si por um sulco em formato de cruz, são os colículos ou tubérculos quadrigêmeos superiores e inferiores. Os superiores comunicam-se através dos seus braços com os corpos geniculados laterais no tálamo e participam da via óptica. Os inferiores comunicam-se através dos seus braços com os corpos geniculados mediais do tálamo e participam da via auditiva. Abaixo dos colículos inferiores encontra-se a emergência do IV nervo craniano (troclear), único a emergir dorsalmente. Sobre o teto do mesencéfalo repousa a glândula pineal.

Nervos Cranianos

(I) n.Olfatório (I) n.Óptico (I) n. Oculomotor (IV) n. Troclear (V) n. Trigêmeo (VI) n. Abducente (VII) n. Facial intermédio (VIII) n. Vestibulo-coclear (IX) n. Glossofaríngeo (X) n. Vago (XI) n. Acessório (XII) n. Hipoglosso

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Representa apenas 20% do cérebro e localiza-se em uma porção central e inferior de tal forma que só pode ser visualizado quando observamos a face inferior do cérebro ou fazemos um corte sagital no mesmo. Todas as estruturas do diencéfalo dispõem-se em torno do terceiro ventrículo, que são as seguintes : tálamo, hipotálamo, epitálamo e sub-tálamo.

Tálamo

Os tálamos são duas grandes massas de substância cinzenta que ocupam a porção dorsolateral do diencéfalo tendo formato ovóide e em geral mantendo uma comunicação através de uma pequena ponte de substância cinzenta chamada aderência intertalâmica. O tálamo possui na sua porção anterior uma pequena dilatação chamada tubérculo anterior do tálamo, que tem como maior importância servir de limite aos foramens de Monro, possui ainda uma grande dilatação posterior chamada pulvinar do tálamo, dilatação esta que encobre duas outras pequenas dilatações chamadas corpos geniculados medial e lateral.

O tálamo apresenta como paredes súpero-laterais a lâmina afixa que é revestida por epitélio ependimário e participa do assoalho do ventrículo lateral. Apresenta ainda medialmente a pia-máter do assoalho da fissura lateral. O tálamo limita-se lateralmente com a cápsula interna e inferiormente com o hipotálamo e o sub-tálamo. O limite medial é o terceiro ventrículo.

Hipotálamo

• Quiasma óptico: representa a fusão dos dois nervos ópticos no qual vai ocorrer o cruzamento da metade medial das fibras do nervo óptico enquanto as fibras laterais seguem sem cruzar. Posteriormente ao quiasma óptico as vias visuais seguem através dos tractos ópticos até o corpo geniculado lateral no tálamo.

• Infundíbulo: é uma pequena estrutura em forma de funil que apresenta duas porções, uma superior mais dilatada chamada eminência mediana do infundíbulo, que está presa ao túber cinério e uma porção inferior muito fina chamada processo infundibular que se continua com a neurohipófise.

• Tuber Cinério: é uma área dilatada de cor mais cinza, de função visceral importante a qual se prende o infundíbulo.

• Corpos Mamilares: são duas pequenas dilatações em formato de mama existentes à frente da fossa interpeduncular.

Epitálamo

Localiza-se posteriormente ao terceiro ventrículo, apresentando um formato piriforme e tendo como estrutura mais importante a glândula pineal ou epífise. Ocupa posição ímpar mediana e repousa sobre o teto do mesencéfalo.

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A glândula pineal está presa superiormente à comissura das habênulas e inferiormente a comissura posterior. A comissura das habênulas apresenta em cada lado duas pequenas áreas triangulares chamadas trígonos das habênulas.

Sub-tálamo

É uma pequena estrutura de função mal definida, localizada na transição diencéfalomesencefálica. Apresenta como limite lateral a cápsula interna, limite medial o hipotálamo e superior o tálamo. Possui um único núcleo de importância chamado núcleo sub-talâmico de Luys.

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O córtex cerebral é a fina camada de substância cinzenta que reveste o centro branco medular do cérebro. Trata-se de uma das partes mais importantes do Sistema Nervoso. No encéfalo de lateral para medial, temos a substância cinzenta, depois temos substância branca, intercalada por massas de substância cinzenta, que são os núcleos da base. Essa organização é o oposto do que ocorre na medula.

No córtex chegam impulsos provenientes de todas as vias sensitivas que aí se tornam conscientes e são interpretados. Dele saem os impulsos nervosos que iniciam e comandam os movimentos voluntários e com ele estão relacionados os fenômenos psíquicos. Durante a evolução, a extensão e complexidade do córtex aumentaram progressivamente, atingindo maior desenvolvimento na espécie humana, o que pode ser correlacionado com o grande desenvolvimento das funções intelectuais desta espécie. A classificação anatômica baseia-se na divisão do cérebro em sulcos, giros e lobos. Constitui, juntamente com outras estruturas, o chamado telencéfalo.

O telencéfalo é dividido externamente em lobos frontal, parietal, temporal, occipital e, se abrirmos o frontal e o temporal, teremos o quinto lobo, que é a ínsula. Porém, a divisão em lobos não corresponde a uma divisão funcional ou estrutural, pois em um mesmo lobo temos áreas corticais de funções e estruturas muito diferentes.

De todos os sulcos e giros os que são 100% presentes são: fissura Silviana na porção lateral, sulco colateral na porção basal, sulco do caloso e sulco parieto-occipital na porção medial interhemisférica.

O estudo dos sulcos é de fundamental importância pelo fato de que 2/3 das porções do córtex estão dentro desses sulcos.

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Superfície Súpero-Lateral do Cérebro:

Na face lateral, estrutura mais exuberante é a fissura Silviana (lateral). Divide os lobos frontal e parietal do lobo temporal. Nesta face, encontramos também o giro temporal transverso anterior ou giro de Heschl, que é a área cortical da audição. Então, para formarmos uma imagem tridimensional, é necessário saber que o giro pós-central fica acima da transição entre o giro temporal superior e o giro de Heschl. Se baixarmos uma linha do giro de Heschl encontraremos o meato acústico externo.

O sulco central divide o lobo frontal do parietal, podendo estar de 2 a 7 cm de distância da sutura Lambdóidea. Tem algumas peculiaridades: é de trás para frente, oblíquo, tem dois joelhos (superior e inferior), uma curva “S” e geralmente não corta a fissura Silviana, pois pára antes. Anteriormente a este sulco existe o sulco pré-central e, posteriormente, o sulco pós-central. Dois sulcos delimitam um giro. Então entre os sulcos central e pré-central encontra-se o giro pré-central e entre os sulcos central e pós-central, o giro pós-central. No lobo parietal encontra-se o giro póscentral, que é o centro sensitivo.

1. Lobo Frontal

No lobo frontal encontramos o giro pré-central e o sulco pré-central. Este sulco está no sentido súpero-lateral. Os outros sulcos do lobo frontal estão no sentido antero-posterior (sai do lobo frontal até o giro pré-central). A mesma coisa no lobo temporal, onde os sulcos saem do lobo temporal para trás.

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No sentido antero-posterior no lobo frontal, encontramos dois sulcos (frontal superior e frontal inferior) entre três giros (frontal superior, médio e inferior). O giro frontal inferior é formado por três componentes (da frente para trás): orbital, triangular e opercular.

Toda vez que eu tiver uma lesão na transição entre o componente opercular e o componente triangular (área de Broca – expressão da palavra) eu vou ter o que chamamos de afasia motora ou afasia de expressão ou afasia de Broca: o paciente está consciente, entende o que você diz, mas não consegue articular as palavras, não consegue falar.

Se o paciente é destro, mais de 90% da área da linguagem fica à esquerda. Se o paciente for sinistro, a área da linguagem pode ficar à direita, à esquerda ou bilateralmente.

Entretanto, se o paciente destro tiver uma lesão na transição do componente opercular e o componente triangular no lado direito, o paciente terá amusia (não conseguirá cantar)

A área sensitiva chama-se área de Wernicke. Quando ocorre uma lesão na área de

Wernicke, a pessoa fala, mas não com coerência, pois esta área é a área da interpretação geral. Tudo vai convergir para essa área para que possa ser interpretada e poder mandar a resposta. A lesão nessa área chama-se afasia de Wernicke ou sensitiva, que é o oposto da afasia de Broca. A pessoa ouve, mas não entende. O diagnostico diferencial é a demência.

Existe um fascículo que liga essas duas áreas (Broca e Wernicke) que se chama fascículo arqueado. Se o paciente tem uma lesão no fascículo arqueado, o paciente entende tudo, consegue articular palavras, mas a mensagem não vai corretamente porque o fascículo arqueado está lesado.

A fissura silviana é dividida em ramos posterior, anterior, horizontal e ascendente. O componente triangular do giro frontal inferior é delimitado pelos ramos anterior, horizontal e ascendente.

2. Lobo Temporal

No lobo temporal, temos dois sulcos no sentido antero-posterior entre três giros (temporal superior, médio e inferior). O giro temporal inferior faz parte de duas faces: lateral e basal, em maior quantidade até na porção basal.

Além destes, há também o giro temporal transverso anterior (área cortical da audição ou giro de Heschl), giro temporal transverso médio e giro temporal transverso posterior.

3. Lobo Parietal

O lobo parietal fica do sulco central para trás. Contém o giro pós-central e o sulco póscentral. O sulco intraparietal é antero-posterior, paralelo ao seio sagital e perpendicular ao sulco pós-central. O sulco intraparietal divide o lobo parietal em lóbulo parietal superior e lóbulo parietal inferior. O lóbulo parietal inferior é formado por dois giros: um giro longo que fica no final do ramo posterior da fissura silviana e parece uma ferradura, denominado giro supramarginal ( relacionado à segmentação do corpo), e outro giro, posterior a este, o giro angular (relacionado aos códigos). Esses dois giros formam a bossa parietal.

Quando lemos alguma coisa, a informação vai para o lobo occipital (área cortical da visão), depois para o giro angular, seguindo para a área de interpretação geral (área de Wernicke), dirigindo-se para o fascículo arqueado e finalmente para a área de Broca. Se o paciente tiver uma lesão no giro angular, ele vai apresentar cegueira verbal, porque não irá conseguir interpretar as palavras. Quando a informação vai para a área de interpretação geral, o código vai errado.

Complexo parieto-têmporo-occipital: deve-se traçar duas linhas imaginárias. A primeira linha saída identação parieto-occipital (sempre presente, assim como o seu sulco na face medial

Curso Teórico-prático de Neuroanatomia inter-hemisférica) até a incisura pré-occipital (junção entre as suturas escamosa e lambdóidea – fica a 4cm do pólo occipital), o que está para baixo é o lobo occipital e o que está para cima é o lobo parietal. A segunda linha vai do final do ramo posterior da fissura silviana até a metade da primeira linha. Divide o parietal do temporal.

4. Lobo Occipital

Situa-se posteriormente à linha imaginaria que une a emergência do sulco parieto-occipital à incisura pré-occipital, apresentando sulcos e giros com a maior variação anatômica, sendo que a maioria não é bem delimitada e definida.

O seu sulco principal é a fissura Calcarina que se dispõe pouco acima da margem ínferomedial do hemisfério.

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5. Lobo da Insula

Operculando os lobos frontal e temporal encontraremos o quinto lobo cerebral, o lobo da ínsula, que evoluiu menos. Anatomicamente a ínsula possui função de proteção dos ventrículos e núcleos da base. Apresenta a forma de pirâmide invertida e sua estrutura mais exuberante é o Ápex da ínsula de onde surgem os giros curtos, o qual está fincado no lobo temporal, e abaixo do Ápex encontramos o límen da ínsula. Freqüentemente são encontrados três giros curtos e dois longos que são separados pelo sulco central da ínsula.

Este lobo é circundado, anteriormente, pelo sulco limitante anterior, superiormente, pelo sulco limitante (ou circular) superior e, inferiormente, pelo sulco limitante (ou circular) inferior. Na direção do centro insular encontra-se o forame de Monro que propicia a comunicação do terceiro com o quarto ventrículo. A transição entre o componente ascendente e o componente anterior horizontal da fissura Silviana, será o sulco limitante anterior da ínsula.

Superfície Basal do Cérebro

Após o giro temporal inferior, encontra-se, de lateral para medial, o sulco occíptotemporal , o giro fusiforme (ou occíptotemporal lateral), o sulco colateral que delimita com o sulco calacarino o giro occíptotemporal medial e com o sulco do hipocampo o giro parahipocampal cuja porção anterior se curva em torno do sulco do hipocampo para formar o úncus que é separado do resto do lobo temporal pelo sulco Rinal.

Anteriormente, na face inferior do lobo frontal, existe um sulco em forma de H, o sulco orbital, formando quatro giros: orbital anterior, orbital posterior, orbital lateral e orbital medial.

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posterior, por onde passa o primeiro par de nervos cranianos (olfatório)Medialmente a este se

Nessa face inferior há outro sulco importante, o sulco olfatório, profundo e de direção anterositua o giro reto que faz parte tanto da porção basal quanto da medial.

Superfície Medial do Cérebro

Também chamada inter-hemisférica, apresenta dois importantes sulcos (100% presentes) que são o sulco parieto-occipital e o sulco do corpo caloso ao redor do qual está o giro do cíngulo, sendo que este é delimitado pelo sulco do cíngulo que divide-se em ramo marginal e sulco subparietal. Destacando-se do sulco do cíngulo em direção à margem superior do hemisfério, existe quase sempre o sulco para-central, que delimita com o sulco do cíngulo e seu ramo marginal, o lóbulo Paracentral. O corpo caloso, a maior das comissuras inter- hemisféricas, é composto, de anterior para posterior, de rostro, joelho, corpo e esplênio.

Núcleos da Base e Tálamo

Após a ínsula (substância cinzenta), encontramos a primeira camada de substância branca, chamada de cápsula extrema; depois mais uma camada de substância cinzenta, chamada de claustrum; seguida de mais uma faixa de substância branca, chamada cápsula externa; então chegamos ao lentiforme (putâmen e globo pálido) e depois a cápsula interna, cabeça do caudado e tálamo. A porção anterior da cápsula interna é chamada de braço da cápsula interna, que separa a cabeça do caudado da porção anterior do lentiforme. O joelho da cápsula interna está na direção do forame de Monro. A perna da cápsula interna está entre o tálamo e a porção posterior do lentiforme.

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