Neuroanatomia

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(Parte 5 de 6)

Uma lesão no cerebelo leva a uma diminuição ou dificuldade na atividade motora, e não a uma paralisia, ou seja, perda do movimento.

Localização

O cerebelo está situado acima do forame magno, dorsalmente ao tronco encefálico, formando o teto do IV ventrículo. A parte cranial do teto é formada por uma fina lâmina de substância branca, o véu medular superior, que se prende entre os pedúnculos cerebelares superiores. A parte caudal é formada por uma parte de substância branca do nódulo do cerebelo e o véu medular inferior, que se prende medialmente às bordas laterais do nódulo.

O cerebelo repousa na fossa cerebelar do osso occipital. Está separado do telencéfalo pela tenda do cerebelo, que é uma prega da dura-máter.

O cerebelo está ligado ao tronco encefálico por três grossos feixes de fibras chamados pedúnculos.

O pedúnculo cerebelar superior liga o cerebelo ao mesencéfalo. Ele contém principalmente axônios eferentes e é também chamado de braço conjuntivo. O pedúnculo cerebelar médio liga o cerebelo à ponte, sendo também chamado de braço da ponte. Ele contém somente axônios aferentes. O pedúnculo cerebelar inferior ou corpo restiforme liga o cerebelo ao bulbo, e contém axônios tanto aferentes quanto eferentes.

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Estrutura:

O cerebelo possui uma região central, mediana, chamada vérmis, mais dilatada na face superior, formando uma crista, enquanto que na face inferior do cerebelo, o vérmis afunda-se numa depressão. O vérmis está separado do restante do corpo do cerebelo por dois sulcos. O restante corresponde às porções laterais chamadas hemisférios cerebelares. Superiormente o vérmis não é bem separado dos hemisférios, diferente da porção inferior.

O cerebelo é formado por uma camada de substância cinzenta (formada pelos corpos dos neurônios cerebelares) constituindo o córtex cerebelar. Abaixo do córtex está a substância branca constituída de axônios mielinizados, os quais podem ser aferentes ou eferentes. Eles formam o centro branco medular. Num corte sagital, é possível visualizar bem o formato em arborização da substância branca, o que faz com que o cerebelo seja conhecido como árvore da vida.

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No centro da substância branca estão localizados os 4 pares de núcleos do cerebelo mostrados em corte transversal, sendo eles, do medial para o lateral: núcleo fastigial, globoso e emboliforme (que juntos formam o núcleo interpósito), e o denteado, o maior de todos.

O córtex cerebelar possui vários sulcos transversais que divide sua superfície em pregas, chamadas folhas ou fólios. Os sulcos mais profundos são chamados fissuras que separam as folhas em grupos chamados lóbulos. Esses lóbulos são agrupados em lobos, separados pelas principais fissuras. São elas: a fissura prima, na parte superior que separa o corpo do cerebelo em duas partes desproporcionais: o lobo anterior, que é menor e superior, e o lobo posterior. A fissura pósterolateral, visível na porção inferior, separa o lobo floco-nodular do restante do corpo. Este lobo é formado pelo nódulo, lóbulo do vérmis, ligado ao flóculo, lóbulo do hemisfério. Há também a fissura horizontal, vista na porção posterior do cerebelo.

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Divisões

São 4:

uma divisão anatômica. uma divisão ontogenética (transversal). uma divisão longitudinal. uma divisão filogenética.

Na divisão anatômica, o cerebelo divide-se em lobo superior, lobo médio e lobo posterior. A divisão ontogenética está baseada no desenvolvimento do homem. A 1ª fissura a surgir durante este desenvolvimento é a fissura póstero-lateral , que separa o lobo floco-nodular do restante do corpo. A 2ª fissura é a prima que separa o lobo anterior do lobo posterior.

Além dessa divisão transversal, existe uma divisão longitudinal, proposta recentemente de acordo com estudos das conexões do córtex cerebelar com os núcleos centrais. Nesta, o cerebelo divide-se numa zona medial, uma zona intermédia e uma zona lateral. A zona medial, ímpar, corresponde ao vérmis. De cada lado está a zona intermédia paravermiana. A zona lateral corresponde à maior parte dos hemisférios.

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A última divisão é a filogenética, ou seja, baseada no desenvolvimento do cerebelo desde os seres mais simples até os mais complexos. O cerebelo divide-se em arquicerebelo, paleocerebelo e neocerebelo. Esta divisão é de grande importância para a localização das síndromes cerebelares. O arquicerebelo corresponde ao lobo floco-nodular e é relacionado com o núcleo fastigial, tem como função principal a coordenação do equilíbrio axial, estático e dinâmico. O paleocerebelo corresponde ao lobo anterior, à pirâmide e úvula – região do vérmis – segundo Ângelo Machado e é relacionado com o núcleo interpósito, tem como função o equilíbrio também, mas principalmente com o equilíbrio inferior, dele que partem as eferências para a medula espinhal e a ele que chegam as fibras da medula espinhal. O neocerebelo corresponde ao restante dos hemisférios cerebelares e é relacionado com o núcleo denteado, onde partem as eferências para o córtex cerebral.

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Descrição

O cerebelo ocupa 10% de todo espaço do sistema nervoso central, porém, contem mais de 50% dos neurônios do encéfalo. As fibras aferentes ao cerebelo são 40 vezes mais numerosas do que as fibras dos hemisférios cerebrais. É o órgão que recebe toda a informação da ação motora.

O cerebelo possui no seu córtex algumas camadas. Camada molecular: é a mais externa e formada por células estreladas e células em cesto.

Estas possuem árvore dendrítica grande e ambas são inibitórias. Os axônios das células em cesto formam ramos terminais semelhantes a cestos em torno de 5 à 8 somas de células de Purkinje, recebendo, por isso, esse nome. Essa camada é formada também por fibras paralelas.

Camada das células de Purkinje: localiza-se entre as outras duas, ou seja, é subseqüente à camada molecular. É composta pelas células de Purkinje que são os maiores neurônios do SNC. São piriformes e grandes, sendo dotadas de maciça árvore dendrítica que se ramifica irradiando-se através da camada molecular até a superfície do córtex, e de seus axônios que são as únicas fibras eferentes do córtex cerebelar e que se projetam para os neurônios dos núcleos cerebelares (situados na substância branca do cerebelo) ou saem do cerebelo e terminam nos núcleos vestibulares (situados entre a parte caudal da ponte e rostral do bulbo).

Camada granular: é a mais interna, sendo formada por células granulares e células de Golgi.

As primeiras são as menores células do corpo humano, são extremamente numerosas, possuem vários dendrítos e um axônio que ascende através da camada das células de Purkinje até a camada molecular onde se bifurca para formar as fibras paralelas. Estas fibras irão fazer sinapse com as células de Purkinje. Uma fibra paralela faz, individualmente, sinapse com milhares células de Purkinje, e esta acaba recebendo milhares de fibras paralelas (cerca de 20.0). As células granulares são os únicos neurônios excitatórios do córtex cerebral (excitam as células de Purkinje, estreladas, em cesto e as de Golgi).

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O cerebelo controla a força, a medida, a destreza, a direção dos movimentos voluntários; através dele que aprendemos os atos motores, que automatizamos os atos motores,estes depois passam a ser controlados pelo sistema piramidal, mas é o cerebelo quem faz o aprendizado motor, sendo então considerado o órgão do aprendizado motor.

As informações que chegam se dirigem para os núcleos profundos do cerebelo, o núcleo denteado elabora uma informação, elabora o mecanismo de correção do movimento a fim de tornálo mais adequado, envia a informação para o córtex cerebral do lado oposto, no giro pré-central (área motora), chegando lá, é enviado um comando para o movimento voluntário, que é contralateral (do mesmo lado do hemisfério cerebelar de onde saiu a informação).

O controle cerebelar da coordenação do movimento voluntário é contra-lateral ao hemisfério cerebral.

Conexões aferentes e eferentes: Vias aferentes:

São fibras trepadeiras ou musgosas. As fibras trepadeiras se distribuem a todo o córtex cerebelar e se originam no núcleo olivar inferior. Há uma relação topográfica precisa entre as partes do núcleo olivar inferior e a área cortical cerebelar de término dessas fibras olivo-cerebelares trepadoras. Sabe-se que todos os sistemas aferentes que enviam projeções de fibras musgosas para o cerebelo (somatosensorial, visual, auditivo, vestibular e córtico-ponto-cerebelar) também enviam aferências para o cerebelo por meio das fibras trepadeiras.

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As fibras musgosas são o maior tipo individual de estímulo para o cerebelo, embora, individualmente, influenciem apenas uma pequena área do córtex cerebelar. As fibras musgosas partem da medula (do núcleo de Clarke e do cuneiforme acessório), dos núcleos vestibulares e dos núcleos pontinos. Fibras espino-cerebelares partem do núcleo de Clarke situado na zona intermédia entre C8 e L2 e do cuneiforme acessório. O núcleo de Clarke retransmite para essas fibras informações sensoriais somáticas dos membros inferiores e porções altas do tronco. O núcleo de Clarke originará o tracto espino-cerebelar dorsal que ascende na porção mais posterior do funículo lateral da medula. Este conduz sinais sensoriais originados em receptores proprioceptivos e somáticos que permitem ao cerebelo avaliar o grau de contração nos músculos, a tensão nas cápsulas articulares e tendões, as posições e a velocidade do movimento de partes do corpo. Este núcleo medular também originará o tracto espino-cerebelar ventral que ascende anterolateralmente e conduz impulsos (sinais motores) que permitem ao cerebelo avaliar o grau de atividade no tracto córtico-espinhal. O tracto espinocerebelar ventral chega ao cerebelo através do pedúnculo do cerebelar superior e o espino-cerebelar dorsal através do pedúnculo cerebelar inferior, terminando ambos no córtex do paleocerebelo. O núcleo cuneiforme acessório, localizado rostralmente ao núcleo cuneiforme, envia fibras para o cerebelo, que retransmitem informações sensoriais somáticas oriundas da porção superior do tronco e membros superiores. Essas informações não são relacionadas à percepção (como no caso do núcleo cuneiforme) e sim ao controle dos movimentos.

Fibras vestíbulo-cerebelares são fibras que se originam nos núcleos vestibulares e que conduzem informações originadas na parte vestibular do ouvido interno sobre a posição da cabeça para o arquicerebelo.

Fibras córtico-ponto-cerebelares: os núcleos pontinos retransmitem informações do córtex de todos os lobos cerebrais para o neocerebelo. Os axônios descendentes passam pela cápsula interna e pela base do pedúnculo cerebral para sinaptizar nos núcleos pontinos. Na ponte sofrem uma decussação e penetram no cerebelo através do pedúnculo cerebelar médio.

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As informações que chegam ao cerebelo através das vias eferentes são processadas por este órgão e produzem respostas que influenciarão os neurônios motores da medula. Estas respostas serão conduzidas através das vias eferentes.

Vias eferentes:

As fibras eferentes partem dos núcleos centrais, os quais recebem axônios das células de

Purkinje de cada uma das três zonas longitudinais do córtex cerebelar. Algumas células de Purkinje do arquicerebelo enviam axônios diretamente para os núcleos cerebelares através do pedúnculo inferior. Devido a isso, os núcleos cerebelares são considerados equivalentes anatomicamente aos núcleos cerebelares profundos.

Conexões eferentes da zona medial: os axônios das células de Purkinje da zona medial sinaptizam nos núcleos fastigiais de onde parte o tracto fastígio-bulbar. Este possui dois tipos de fibras: fastígio-vestibulares e fastígio-reticulares. As primeiras sinaptizam nos núcleos vestibulares, onde se origina o tracto vestíbulo-espinhal que conduzirá os impulsos nervosos até os neurônios motores. As fibras fastígio-reticulares terminam na formação reticular de onde os impulsos seguirão através do tracto retículo-espinhal aos neurônios motores. Estes impulsos originados no cerebelo influenciarão os neurônios motores do grupo medial da coluna anterior que controlarão a musculatura axial e proximal dos membros.

Conexões eferentes da zona intermédia: os axônios das células de Purkinje dessa zona sinaptizam no núcleo interpósito que envia fibras para o núcleo rubro e para o tálamo do lado oposto ( núcleo ventrolateral ). Do núcleo rubro, os impulsos cerebelares chegarão aos neurônios motores através do tracto rubro-espinhal. O núcleo ventrolateral do tálamo enviará os impulsos recebidos do cerebelo até as áreas motoras do córtex cerebral (córtex motor primário e córtex prémotor), onde se origina o tracto córtico-espinhal. Este levará os impulsos aos neurônios motores do grupo lateral da coluna anterior da medula, que controlam os músculos distais dos membros.

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Conexões eferentes da zona lateral - os axônios das células de Purkinje dessa zona irão sinaptizar no núcleo denteado. Daí, os impulsos seguirão para o tálamo do lado oposto e daí para as áreas motoras corticais. O tracto córtico espinhal originado nessas áreas agirá sobre a musculatura distal dos membros.

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O cerebelo utiliza todas essas conexões aferentes e eferentes para regular e controlar a função motora.

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Introdução

O sistema nervoso apresenta-se dividido em duas porções: uma situada no paquímero neural ou posterior constituindo o sistema nervoso central (SNC), que engloba o encéfalo e a medula espinhal, e outra situada no paquímero visceral ou anterior constituindo o sistema nervoso periférico (SNP), contendo os nervos e gânglios periféricos.

O neurônio é a unidade funcional do sistema nervoso. Ele é constituído pelo corpo celular, axônio e dendritos. Os axônios e os dendritos, neste sistema, se agrupam em tractos, lemniscos ou fascículos e estão distribuídos em dois grupos: aqueles que levam o impulso ao órgão efetuador, constituindo as vias eferentes, e aqueles que trazem o impulso ao sistema nervoso central, constituindo as vias aferentes.

As fibras eferentes, por exemplo, encontram-se distribuídas em duas classes: somáticas e viscerais. As somáticas vão inervar os músculos esqueléticos, os quais estão sob controle voluntário. Já as viscerais vão compor o chamado sistema nervoso autônomo, responsável pela inervação das glândulas, musculatura lisa e musculatura cardíaca. Os tractos constituídos por fibras eferentes promovem uma comunicação entre os neurônios motores situados no córtex cerebral e os neurônios situados na medula. Esta comunicação pode ser direta: córtex » medula; ou por uma forma indireta: córtex » núcleo da base » medula.

Considerações Gerais

O Sistema Nervoso Central necessita de um mecanismo que o conecte ao Sistema Nervoso

Periférico. Este mecanismo se processa através de vias aferentes e eferentes. As vias aferentes são vias sensitivas e sensoriais, centrípetas, que nascem na periferia, e fornecem todos os tipos de informações aos centros receptores.

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