medicina baseada em evidencia

medicina baseada em evidencia

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Podemos usar também termos livres (não MeSH) junto com os termos MeSH� Construa a fase 1: Fase 1 - diabetes mellitus OR diabetes mellitus type 2 OR diabetes complications�

Para construir a fase 2, selecione também os termos MeSH para a intervenção (diet) seguindo o mesmo procedimento anterior�

Fase 2 - diet OR diet protein-restricted OR diet therapy OR diabetic diet.

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A fase 3 refere-se ao tipo de estudo� Existem filtros criados com o objetivo de se buscar os melhores ensaios clínicos nas diversas bases de dados (HIGGINS; GREEN, 2009)� Há outros filtros disponíveis – Ver em Pubmed (http://w�ncbi�nlm�nih�gov/pubmed/clinical), Systematic Reviews – Sample Results of Systematic Reviews Query – Filters�

Na Cochrane não é necessário utilizar-se o filtro, já que é uma base de dados somente de ensaios clínicos controlados ou revisões sistemáticas�

Podemos utilizar o mesmo filtro criado pela Cochrane na Medline, na Lilacs, e até na Pubmed� Na Pubmed, porém, devemos usar sempre os termos em língua inglesa�

Fase 3 – ((randomized controlled trial [pt]) OR (controlled clinical trial [pt]) OR (randomized [tiab]) OR (placebo [tiab]) OR (clinical trials as topic [mesh: noexp]) OR (randomly [tiab]) OR (trial [ti])) NOT (animals [mh] NOT humans [mh]))�

Na sequência unimos as três fases utilizando o operador booleano AND� Para formar nossa estratégia de busca�

Trata-se de uma busca bastante sensível� Há estudos pertinentes e muitos não� A partir dos títulos e resumos, selecionam-se os estudos potencialmente incluídos� Após a leitura na íntegra dos potencialmente incluídos, faz-se a inclusão dos artigos que interessem�

Há diversos outros sites com fontes de informações com bom nível de evidência que podem ser acessados:

• Revistas: ACP Jornal Club (w�acpjc�org)

• Evidence Based Medicine Journal (http://ebm�bmj�com)

• Clinical evidence (w�clinicalevidence�com)

• CEBM - Centre for evidence based Medicine (w�cebm�net)

Dicas

O Centro Cochrane do Brasil disponibiliza curso on-line sobre revisões sistemáticas.

saiba Mais... SEQUÊNCIA DA BUSCA

A busca dos melhores estudos clínicos deve iniciar pelo topo da pirâmide, ou seja, pelas revisões sistemáticas. Se existem revisões sistemáticas bem feitas e conclusivas sobre o assunto pesquisado, significa que já tenho a resposta a minha questão.

Caso não haja revisão sistemática, deve-se buscar ensaios clínicos randomizados, seguindo a hierarquia da pirâmide de evidências.

3. Avaliação crítica da literatura

Avaliar criticamente os estudos significa discernir sobre a validade dos resultados dos estudos e entender o quanto os possíveis defeitos dos estudos afetam seus resultados�

A avaliação crítica inclui a relevância (importância clínica), a confiabilidade (validade interna) e a aplicação dos resultados na clínica (validade externa)�

De um modo geral, bons estudos apresentam alguns critérios na sua estrutura:

• Título - deve ser informativo, deixando claro o tipo de estudo realizado� Exemplo: “Aparelhos intra-orais, comparados com CPAP, no tratamento da apneia obstrutiva do sono em adultos”;

• Resumo - deve ser claro, informativo e estruturado: composto de Introdução, Método, Resultados e Conclusões;

• Objetivo - pode estar no resumo ou no final da introdução;

• Método: ºQual a pergunta (questão clínica) do autor? ºO desenho do estudo está adequado para responder à questão clínica? ºComo a amostra foi selecionada? Há descrição do tamanho da amostra? ºHá grupo de comparação (controle)?

Glossário

ValidadE intErna: é o grau pelo qual os resultados de um estudo estão corretos para a amostra de pacientes estudados� Relaciona-se à qualidade do delineamento, da condução e da análise da pesquisa (FLETCHER et al., 1996)�

ValidadE ExtErna: (capacidade de generalização): é o grau pelo qual os resultados de uma observação mantêm-se verdadeiros em outras situações� Refere-se à aplicabilidade dos resultados a outros pacientes (FLETCHER et al., 1996)�

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Em ensaios clínicos:

• Como os pacientes foram alocados para os grupos de comparação? Houve randomização? Houve sigilo na alocação dos pacientes?

• Houve seguimento completo dos pacientes ou houve perdas? Em caso de perdas ou desistências, a análise foi por ITT (intenção de tratar)?

• A avaliação dos dados foi cega? Quem coletou os dados? Como?

• Houve mascaramento do pesquisador, paciente ou dos avaliadores?

São indicativos de produção científica adequada: boa descrição do método incluindo randomização, ocultação de alocação, e mascaramento (LAUPACIS et al., 1994; GREENHALGH, 2006)�

Conclusões – devem responder ao objetivo do trabalho e ter coerência com os resultados�

4. Aplicação prática da evidência (decisão clínica)

Com base nas melhores evidências disponíveis, na ausência de evidências de alta qualidade, existem guidelines (guias) criadas por consenso de especialistas no assunto, com o objetivo de uniformizar a assistência, adaptar à realidade local, levando em conta o custo-benefício das intervenções� Os autores buscam focar questões clínicas específicas, através de processos explícitos, visando dar assistência aos clínicos e planejadores de saúde pública (ATALLAH CASTRO, 1998)�

O processo de decisão clínica inclui o uso consciente e honesto das informações disponíveis com a participação do paciente informado� A utilização da Medicina baseada em evidências não garante a certeza dos resultados, mas diminui a possibilidade de maus resultados, aumentando a eficiência profissional (ATALLAH; CASTRO, 1998)�

Referências

ATALLAH, A� N�; CASTRO, A� A� Fundamentos da pesquisa clínica� São Paulo: Lemos Editorial, 1998�

COOK, D� J�; GUYATT, G� H� et al. Clinical recommendations using levels of evidence for antithrombotic agents� Chest, v�108, n�4 Supplement, p�227S� 1995� Disponível em: http:// w�ncbi�nlm�nih�gov/pubmed/7555178?dopt=Abstract&holding=f1000,f1000m,isrctn Acesso em 26/1/2010�

FLETCHER, R�H�; FLETCHER, S�W�; WAGNER, E�H� Epidemiologia clínica: elementos essenciais� Porto Alegre: Artes Médicas, 1996�

GREENHALGH, T� How to read a paper: the basics of evidence-based Medicine� Chichester - UK: Wiley-Blackwell, 2006�

HIGGINS, J� P� T� ; GREEN, S� Cochrane handbook for systematic reviews of interventions� The Cochrane Collaboration. Version 5�0� 2 [Updated September 2009], 2009� Disponível em: w�cochrane-handbook�org� Acesso em 01/1/2010�

KHAN, K� S�; TER RIET, G�, et al� Undertaking systematic reviews of research on effectiveness: CRD’s guidance for those carrying out or commissioning reviews� NHS Centre for Reviews and Dissemination. York: University of York, 2001� Disponível em: http://w�york�ac�uk/ inst/crd/pdf/crdreport4_complete�pdf� Acesso em 26/1/2010�

LAUPACIS, A�; WELLS, G�; et al� Users’ guides to the medical literature: V� How to use an article about prognosis� Jama, v�272, n�3, p�234, 1994� Disponível em: http://w�ncbi�nlm� nih�gov/pubmed/8022043� Acesso em 26/1/2010�

MOHER, D�; SCHULZ, K� F�; et al� The Consort Statement: revised recommendations for improving the quality of reports of parallel group randomized trials� BMC Medical

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Research Methodology, v�1, n�1, p�2� 2001� Disponível em: http://w�ncbi�nlm�nih�gov/ pubmed/1323066?dopt=Abstract� Accessed on 26/1/2010�

POCOCK, S� J�; SIMON, R� Sequential treatment assignment with balancing for prognostic factors in the controlled clinical trial� Biometrics; v�31, n�1, p�103-115, 1975� Disponível em: http://w�ncbi�nlm�nih�gov/pubmed/100130� Acesso em 26/1/2010�

SACKETT, D� L�; ROSENBERG, W�, et al� Evidence based Medicine: what it is and what it isn’t� BMJ, v�312, n�7023, p�71, 1996� Disponível em: http://w�bmj�com/content/312/7023/71� extract� Acesso em 26/1/2010�

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