Tutorial-Preparar-Relatorios de Química-Simplex

Tutorial-Preparar-Relatorios de Química-Simplex

Universidade Estadual do Sudoeste de Bahia

Instrução para Redação do Relatório Simplificado de Química Experimental (SIMPLEX)

Professor: Djalma Menezes de Oliveira (DQE)

Preâmbulo: As instruções para a redação do relatório simplificado não consiste em uma “camisa de força” que impõe um modelo incondicional para se elaborar relatórios. Se o autor do relatório domina as técnicas para conceber um relatório completo, dito stricto sensu, esta instrução é desnecessária. A ABNT na norma NBR 14724:2005 Apresentação de Trabalhos Acadêmicos regulamenta as técnicas relacionadas com a produção de textos acadêmicos como teses, dissertações, relatórios técnicos, etc. Nessa instrução são apresentadas algumas informações úteis para treinar o aluno iniciante na tarefa de redigir relatórios técnicos e científicos direcionados para Química, buscando familiarizá-lo com os termos e cultura da área. Principalmente na redação de tópicos importantes na preparação de artigos científicos como a Parte Experimental e Resultados/Discussão.

TÓPICOS DO SIMPLEX (Campos ou células do formulário)

O SIMPLEX se apresenta na forma de um formulário (anexo) em formato compatível com editores de textos eletrônicos baseados Windows (SIMPLEX.rtf), a exemplo de MSWord ou OppenOffice. Os campos do formulário não têm limite de tamanho, são dinâmicos, apresentarão a dimensão do texto inserido. O SIMPLEX contém, essencialmente, os seguintes tópicos:

Campo 1: Autor Campo 2: Prática Campo 3: Título Campo 4: Objetivos Campo 5: Introdução Campo 6: Materiais e Métodos Campo 7: Resultados/Discussão Campo 8: Conclusões Campo 9: Anexos Campo 10: Referência Bibliográfica

1. Nome(s) do(s) componente(s) - Deve conter o nome completo do aluno participante da aula experimental.

2. Prática - Colocar o número da prática de laboratório desenvolvida, normalmente informado no roteiro de relatórios. Caso o roteiro de aulas práticas não apresente esse número de identificação, o aluno deve colocar o número seqüencial correspondente a quantidade de aulas práticas já ministradas até o momento da confecção do SIMPLEX. 3. Título – Escrever o título do experimento conforme roteiro de aulas práticas.

EXEMPLO: Verificação experimental da Equação de Nernst.

4. Objetivos – Escrever um objetivo é fazer a descrição bem concisa de um experimento que se pretende realizar, qual é o problema a ser resolvido. Essencialmente, consiste em descrever o que se vai fazer, como e qual o resultado esperado após o término dos experimentos e da análise dos dados obtidos. Evidentemente, quem orienta (o professor) a investigação/experimento é que deve definir, claramente, quais são os objetivos do trabalho. Peça sempre ao professor que defina os objetivos e escreva com suas palavras.

EXEMPLO: Verificar experimentalmente a Equação de Nernst através de medição das fem de células eletroquímicas construídas com soluções eletrolíticas de concentrações variadas.

5. Introdução – Importante: Pesquisar e estudar previamente o tema que envolve o problema abordado no experimento usando fontes variadas. Neste campo do relatório, a partir do resumo do material estudado, o aluno deve escrever um texto pequeno sobre a fundamentação ou revisão sucinta da teoria envolvida, visando dar uma justificativa e compreensão do experimento. O texto deve ser conceitual partindo dos aspectos gerais para o específico. Garanta que o texto da Introdução apresente o formalismo mínimo necessário (equações e deduções) e parâmetros com as quais se pretende comparar os resultados obtidos e as previsões. Não faça cópia (Ctrl-C/Ctrl-V) de sites, relatórios antigos, artigos ou livros. Constitui uma prática antiética, facilmente descoberta e que pode se caracterizar como plágio. Anote as referências que contém todas as afirmações que fizer, elas devem ser citadas no campo Referências.

EXEMPLO: A vitamina C (Figura 1), também conhecida como ácido L-ascórbico (L-A), foi isolada pela primeira vez em 1922, pelo pesquisador húngaro Szent-Györgi. Alguns mamíferos como o homem, o macaco e a cobaia, diferentemente da maioria dos animais, não sintetizam a vitamina C, têm que adquiri-la nos alimentos naturais como frutas e verduras. No nosso organismo a vitamina C está relacionada com a formação do tecido conjuntivo e é um excelente antioxidante que pode atuar nas células evitando o envelhecimento precoce provocado pelos temíveis radicais livres. O prêmio Nobel Linus Pauling recomendava o consumo diário de pelo menos três gramas desta vitamina para evitar doenças degenerativas como o câncer, fortalecer o sistema imunológico contra doenças oportunistas e ajudar na recuperação de infecções. O L-A é um açúcar ácido (C6H8O6) com propriedades antioxidantes, uma substância muito usada na indústria de alimentos como conservante. Os dados da literatura mostram que muitas frutas tropicais brasileiras são ótimas fontes naturais de vitamina C.

6. Materiais e Métodos – Primeiro relacione e quantifique todo o material utilizado, procurando ser fiel às especificações e às quantidades realmente utilizadas no experimento. Informar a marca de cada reagente e o seu grau de pureza (PA – para análise, GT – grau técnico, GC - grau cromatográfico, GE – grau espectrométrico, etc.).

Se algum instrumento de análise ou de medida for utilizado no experimento, deve ser apresentado o modelo, a marca, as características técnicas e quais as medidas ou análises foram feitas com cada equipamento individualmente, bem como, as características técnicas relevantes que podem influenciar na qualidade dos dados obtidos.

Materiais e reagentes utilizados Qt Un 1. Solvente n-hexano, PA (P.E. = 69 oC; M = 86,18 g.mol-1), Vetec. 250 mL

2. Acido acético, PA (P.E. = 118,0 ºC; M = 60,05 g.mol-1), Vetec. 50 mL 3. Anidrido acético, PA (P.E. = 140 ºC; M = 102,09 g.mol-1), Vetec, 5 mL

4. Dicromato de sódio dihidratado (P.F. = 357 ºC; M = 297,9 g.mol-1),

Merck. 1,5 g

5. Clorofórmio deuterado, GE (CDCl3), Aldrich 3 mL

6. Os espectros de RMN de 1H e de 13C foram obtidos em um espectrometro Bruker Advance DRX 400 da UFMG, em 400,12 e

100 MHz, respectivamente. As amostras foram diluídas em CDCl3 em tubos ( di =2,5 m x 25,0 m, marca Bruker) próprios para análise por RMN.

Métodologia – Neste campo o aluno deve descrever fielmente os passos desenvolvidos no laboratório para a realização do experimento, mediante as suas anotações feitas no CADERNO DE LABORATÓRIO, quando da realização da aula prática. Na descrição do método, o texto deve ser impessoal e o tempo verbal deve se situar no passado (pretérito). Os procedimentos contidos no roteiro de aula prática é um planejamento do experimento, e o desenvolvimento dos passos operacionais sempre ocorre de modo diferente do planejado, seja pela simples troca de um reagente, seja por readaptações operacionais necessárias à realização do experimento. Os procedimentos do roteiro podem servir apenas como guia para ordenação dos passos efetivamente desenvolvidos. Os procedimentos podem ser resumidos na forma de um esquema gráfico ou fluxograma.

EXEMPLO: O teste químico de Liebermann-Burchard (LB) consistiu em dissolver 1 mg da amostra A em um tubo de ensaio pequeno (di = 0,6 m) com 1 mL de clorofórmio, adicionar 1mL de anidrido acético, agitando bem para misturar, e seguir adicionando a essa mistura 4 gotas de H2SO4 (concentrado), lentamente, cuidando para evitar projeções do líquido para fora do tubo, devido ao vigoroso desprendimento de gás observado. Cessado o desprendimento do gás, foi observado que a mistura adquiriu a coloração violeta permanente.

7. Resultados/Discussão – Nesse campo o aluno deve concentrar a sua atenção devido à grande importância da apresentação dos resultados e da discussão para o sucesso relatório. Os resultados normalmente consistem de números (quantitativos) e de transformações de propriedades observáveis e não mensuráveis, ou mensuráveis, mas não foram medidas intencionalmente (qualitativos). Os dados numéricos brutos, obtidos no experimento e anotados no caderno de laboratório individual, devem ser tratados de modo a constituírem objetos representativos dos fenômenos observados na forma de tabelas, gráficos, esquemas, mapas, linhas de tempo, espectros, imagens, etc. A partir daí, o aluno deverá escrever a interpretação ou a discussão sobre aspectos relevantes apresentados por esses objetos. A análise dos resultados deve ser feita à luz da teoria científica relacionada e por comparação com dados da literatura. Os objetivos formulados no campo 4 devem ser relidos para dirigir a discussão sem perder o foco, assim, evitar dispersões. As figuras, tabelas e gráficos podem ficar inseridas no corpo do texto correspondente a Resultados/Discussão ou colocados no final como anexos.

O volume de destilado, coletado em conjunto com a temperatura de destilação (Figura 2), mostrou que na destilação simples da mistura contendo acetona e água (6:4), a cetona começou a destilar em 58 oC e seguiu liberando acetona pura até aproximadamente 61 oC. A partir dessa temperatura, na faixa de 61,5-98,5 OC, a temperatura aumentou mais rapidamente e o destilado foi coletado como uma mistura de água-acetona, a mistura foi tornando-se mais rica em água com a elevação da temperatura. A destilação de água pura foi obtida na faixa de temperatura entre 98-100 oC. Os volumes das frações obtidas no processo de destilação simples mostraram que apenas o conteúdo de 60% (24 mL) de acetona pura foi efetivamente separado da mistura de partida. A utilização da técnica da destilação fracionada poderia melhorar ainda mais o rendimento dessa separação (VOGUEL, 1987).

8. Conclusão – A conclusão normalmente é obtida após a releitura cuidadosa do relatório preparado até este ponto. Assim, deve-se fazer uma confrontação entre objetivos traçados no experimento, vistos como questões a serem respondidas, e os resultados obtidos. E, então, apresentar, de forma sucinta, os argumentos que mostram que os objetivos (as questões) foram alcançados (respondidas), ou não. Nesta parte, podem caber, quando necessário, comentários com relação à eficácia do método empregado (quando se conhece outro melhor) e/ou sobre as condições experimentais, fazendo comparação com condições consideradas ideais ou mais adequadas ao experimento. Normalmente, a conclusão é um resumo inteligente dos resultados e discussões.

Exemplo de conclusão:

Os resultados apresentados nesse relato mostraram que a técnica clássica de titulação ácidobase foi adequada à dosagem de ácidos orgânicos constituintes do vinagre comercial, limão e refrigerante. Foi observado que os valores das concentrações desses ácidos, obtidos neste experimento, estão compatíveis com os dados da literatura.

9. Anexos

Exemplo de tabela:

Tabela 1 – Quantidades de um sal dissolvida em 50 g de água para obtenção da curva de solubilidade desse sal

Massa do sal (g) Temperatura (oC)

Exemplo de figura:

CHOH CH2

L-ascorbic acid Figura 1 - Estrutura do acido L – ascórbico, vitamina C

Exemplo de gráfico:

o C )

Figura 2 – Curva obtida na destilação simples de uma mistura de água e acetona (6:4)

10. Referência Bibliográfica – As referência devem seguir as normas da ABNT (Ver relatório exemplo e a referência desse documento).

Referência consultada para elaboração do SIMPLEX

OLIVEIRA, A. F.; SILVA, A. F. S.; TENAN, M. A. Redação de Relatórios paraQuímicos. São Carlos: EdUFSCar, UFSCar, 2005.

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