Tintura Mãe (T.M.) apartir da bananeira : parte 2

Tintura Mãe (T.M.) apartir da bananeira : parte 2

(Parte 1 de 4)

As tinturas são considerados medicamentos complexos nos quais os princípios ativos e as substâncias inertes estão associados a outras substâncias, que juntas são possuidoras de ações fisiológicas e terapêuticas. Sua obtenção e por maceração do material farmacêutico (previamente pulverizado) com água. Quase sempre são diáfanas e coloridas sendo por isso então chamadas de tinturas. O processo de maceração, da tintura, consiste em deixar em contato em frasco fechado, durante determinado espaço de tempo e a temperatura ambiente, um farmaco pulverizado ou não, com determinada quantidade de um líquido extrator. Que após uma filtração prévia obtém-se um macerado. Aonde se encerra os princípios medicamentosos solúveis. O principal veículo utilizado em tinturas é o álcool etílico. É ele que vai fazer a extração. Agindo sobre drogas vegetais ou animais pulverizadas. Denominam-se tinturas aquelas então obtidas a partir de material seco, caso contrário serão chamadas de alcoolaturas. Classificação – as tinturas podem ser simples ou compostas, conforme, sejam preparadas com um ou mais fármacos. Existem dois processos gerais na preparação das tinturas: percolação e maceração. A percolação é feita no caso de tinturas simples, de drogas muito ativas, chamadas heróicas, e são sempre preparadas na proporção de uma parte de droga para dez partes de álcool. Nas drogas comuns, não heróicas, a proporção é de uma parte de droga para cinco partes de álcool. Alterações – A lenta oxidação que o álcool diluído sofre com o tempo, origina uma certa acidez, que interfere na estabilidade dos constituintes das tinturas. Além disso dependendo da natureza, os princípios ativos podem sofrer hidrólises ou oxidações enzimáticas, razão pela qual recomenda-se que as tinturas sejam renovadas anualmente e conservadas em recipientes bem fechados, ao abrigo da luz e do calor. Alcoolaturas x Tinturas – como foi dito existem diferenças entre as tinturas e alcoolaturas. As alcoolaturas são tinturas preparadas a partir de plantas frescas. Mantendo-se assim os seus princípios ativos voláteis que no caso de uma dessecação do fármaco se perderiam. As primeiras alcoolaturas foram feitas pelo médico alemão Samuel Hahnemann. E são divididas em simples ou compostas, conforme sejam preparadas com uma ou mais plantas. Sua obtenção é por maceração. As alcoolaturas vêm desaparecendo das farmacopéias pois a impossibilidade de adquirir planta fresca no momento preciso, tem concorrido muito para o seu abandono. Garrafadas ou Tinturas? (Medicina Popular) – garrafada constitui uma combinação de plantas medicinais, cujo veículo é geralmente aguardente ou vinho branco e raramente água, onde podem ser também acrescentados elementos de origem animal e mineral. São remédios quase sempre com finalidades específicas, tais como: garrafada para problemas de rim, de fígado, de coração e assim por diante, visto que as idéias de etiologia e patologia na medicina popular baseiam-se em conhecimentos muito rudimentares. Tanto as plantas medicinais são selecionadas e destacadas as partes que o manipulador julga conter as propriedades medicinais como os componentes de origem animal e mineral. Dentre estes cita-se o pó de chifre raspado, comum em garrafadas, principalmente para verminose. Os elementos que compõem as garrafadas permanecem junto aos veículos todo o tempo em que estiver em preparação e uso. Não se filtram nem coam tais preparações. A escolha da aguardente ou vinho branco ou, eventualmente, água, varia segundo o material a ser empregado. Quando na garrafada a planta fresca predomina, geralmente ela é feita com aguardente. Quando predominam cascas, paus, raízes, mesmo acompanhando plantas frescas, usa-se o vinho. Acontece que a planta fresca contém mais água do que as secas e se o preparado for feito com vinho, cujo teor alcoólico é mais baixo que o da aguardente, o remédio fica ''fraco''. Uns informantes dizem que a escolha depende da doença e do doente, acrescentando ainda, que se a garrafada é para homem, sempre deve ser feita com aguardente. É freqüente o costume de conservar as garrafadas enterradas alguns dias até poderem ser utilizadas. O número de dias varia segundo as determinações de quem as prepara ou indica, os quais podem ser três, sete, nove, geralmente. Observações feitas durante pesquisas de campo referentes às maneiras de preparar garrafada e as respectivas receitas, deixaram evidenciar certas semelhanças quando comparadas com garrafadas de outras regiões brasileiras pesquisadas. Cita-se o exemplo de uma receita para impotência sexual coletada na cidade de São Paulo pela biologista e pesquisadora Mathilde Lisboa Azoubel, em 1983, composta de catuaba, pau-de-resposta, nó-de-cachorro, quina-quina, caatingueira-rasteira, cana-de-macaco. Compare-se com a receita coletada em Recife, que apresenta a seguinte composição: catuaba, boldo-do-brasil, genciana, pau-de-resposta, nó-de-cachorro, cipó-cravo. Entre os curandeiros que dão garrafadas aos doentes na região pesquisada, percebem-se, também semelhanças tanto na maneira de prepará-las como nas receitas. Análise de Extratos e Tinturas Vegetais – extratos e tinturas vegetais podem ser analisados por suas características físicas, como índice de dulçor e amargor, viscosidade, densidade, teor alcoólico, pH, rotação óptica, índice de refração e cromatografia comparativa em camada delgada. Extratos e tinturas são mencionados diversas vezes neste texto, por serem as formas farmacêuticas mais utilizadas, sendo os comentários válidos para qualquer outra forma farmacêutica, especialmente as líquidas. Antes de iniciarmos a caracterização física dos extratos e das tinturas, devemos considerar o aspecto de tais formas importantes para a verificação de falsificações e podem ser facilmente determinados, sem a necessidade de aparelhagem. Como por exemplo, se tivermos uma tintura de Atropa belladona L., elaborada por nós, a adquirimos outra no comércio, com aspecto totalmente diferente ou, às vezes, apenas coloração diferente, com certeza a preparação não foi a mesma; no mínimo, uma é mais concentrada do que a outra, ou líquidos extratores diferentes foram utilizados no processo de extração ou, ainda, o próprio processo de extração pode ter sido diferente, como percolação e maceração. Todas as colocações são feitas, supondo que se trate da mesma espécie vegetal. A caracterização física consta da Farmacopéia Brasileira I, bem como de outras farmacopéias. Nos índices de dulçor e amargor são feitas uma comparação com padrões de sacarose e brucina, respectivamente. Mediante estes valores, poderemos comparar um extrato ou uma tintura adquiridos no comércio com um padrão, verificando ou não sua igualdade, mas não poderemos obter maiores informações por meio destes dados. A determinação de viscosidades, que pode ser realizada por comparação do tempo de escoamento de líquidos - no caso dos extratos com água -, fornecendo dados para a verificação do líquido extrator utilizado, já que cada líquido tem viscosidade diferente e fornecerá, sobretudo, as características da droga utilizada. Uma droga que contém mucilagem, por exemplo, apresentará maior viscosidade do que outras. A quantidade de mucilagem também irá interferir. Se tivermos dois extratos de Malva officinalis L., sendo um padrão, e determinarmos a viscosidade de ambos, no caso o extrato adquirido tenha viscosidade menor, teremos uma indicação de que a quantidade de mucilagem é menor nesta amostra. Como já foi dito, a diferença de viscosidade pode ser devida ao líquido extrator. Dependendo do líquido extrator, poderemos ter uma ou outra substância mais extraída, modificando a composição e, portanto, a viscosidade dos extratos. Todos os fatores citados anteriormente em relação à viscosidade não podem ser separados uns dos outros nesta etapa, sendo, portanto, os valores uma indicação da qualidade do extrato. As considerações sobre a densidade dos extratos, que pode ser realizada por pesagem em picnômetro, são as mesmas para a viscosidade, sendo mais um dado simples de ser determinado, bastante significativo para a qualidade de um extrato ou de uma tintura vegetal. O teor alcoólico é medido após a destilação do líquido extrator, de acordo com a Farmacopéia Brasileira I. A metodologia é diferente, dependendo da presença, ou não, de substâncias voláteis. A importância do teor alcoólico padronizado é evidente, uma vez que as diversas substâncias ativas e não ativas têm solubilidades diferentes em cada droga. Podemos citar, como exemplo, uma tintura de Rhamnus purshiana L., cáscara-sagrada, que contém, como substâncias ativas, glicosídeos antraquinônicos, que têm uma ação laxante bastante drástica. Este grupo de princípios ativos é solúvel em soluções hidroalcoólicas, com teor elevados de álcool. Na Farmacopéia, o líquido extrator utilizado é uma mistura de álcool e água na proporção 2:1. Se a tintura tiver sido elaborada com maior proporção de água, provavelmente estaremos extraindo menor quantidade de glicosídeos antraquinônicos e, ao mesmo tempo, outras substâncias mais polares. O pH é uma característica importante em um extrato vegetal. Podemos citar, como por exemplo, novamente o extrato de Atropa belladona L., que contém alcalóides com ação anticolinérgica e estimulante sobre o sistema nervoso central. Estas substâncias são solúveis em água, quando em meio ácido e solúveis em solventes apolares, quando em meio básico. Dependendo, portanto, do pH e do líquido extrator, poderemos ter precipitação dos alcalóides, que são as substâncias ativas. Índice de refração e rotação óptica também são característicos para cada extrato vegetal, sendo uma maneira fácil de comparação com o padrão. Quando mencionamos "padrão", consideramos o extrato correspondente, elaborado sob condições conhecidas e padronizadas. As características físicas observadas ou determinadas, como citado anteriormente, não fornecerão a quantidade de princípios ativos, mas servem somente como uma indicação de semelhança ou não em relação a um padrão. Até este ponto só foram mencionadas as determinações gerais, isto é, válidas para todos os extratos vegetais, independente da sua composição. Alguns grupos de substâncias ativas podem ser identificados ou mesmo quantificados pelas características físicas, como citado a seguir. Em extratos contendo saponinas, que normalmente são irritantes para pele e mucosas, com ação expectorante, e que têm a propriedade de diminuir a tensão superficial de líquidos, formando emulsões, podemos verificar e quantificar a capacidade de formação de espuma e de hemólise, isto é, de saponinas. Preparações de Tinturas a Partir do Suco da Planta – segundo a Farmacopéia Homeopática Alemã, parágrafo 2, essas preparações também chamadas tinturas mães (TM) são extratos preparados com partes iguais em peso de suco da planta mais álcool etanol 90%, resultando então numa força medicamentosa: 1/2. A massa da planta (suco) e ajuntada com meia parte em pêso de álcool 90%, mistura-se bem, agitando fortemente e guarda-se durante 8-14 dias em maceração em lugar apropriado. Depois de alguns dias filtra-se. Os extratos preparados segundo este parágrafo devem ser completamente claros e refiltrados aqueles que freqüentemente se turvam.

1 BREVE HISTÓRICO DA MUSA (BANANEIRA)

A origem do termo Musa, criado pelo botânico Carl Von Linné, não é muito claro, podendo ser uma derivação da palavra árabe mouz, ou então uma homenagem prestada ao médico do imperador romano

Augusto, chamado Antônio Musa. O gênero Musa faz parte da família Musaceae, da qual estão incluídas outras plantas de características semelhantes à banana.

2 MORFOLOGIA E CLASSIFICAÇÃO

Morfologicamente a bananeira é considerada uma herbácea gigante monocotiledônea. Que não têm caule, sendo que a parte aérea nada mais é que um amontoado de folhas, justapostas e imbricadas de forma compacta e consistente. O caule na verdade é subterrâneo e é chamado também de rizoma. O verdadeiro centro vital da bananeira. É ali que ocorre a formação das folhas, das raízes e das inflorescências. É através deste rizoma (caule subterrâneo) que as bananeiras se reproduzem, pelo sistema de reprodução vegetativa, não apresentando sementes férteis e nem métodos assexuados. O sistema foliar da bananeira é muito desenvolvido, e as particularidades e variações que a mesma varidade apresenta nas diferentes regiões em que é cultivada esta intimidade relacionada com o fornecimento de água. A formação da folhagem é muito dependente da alimentação hídrica. As inflorescências se formam, como vimos, no rizoma, que é o caule subterrâneo. A partir dali percorrem todo o pseudocaule, formado pelas bainhas das folhas, e vão surgir lá em cima dando posteriormente origem aos cachos. Nestas inflorescências, antes do surgimento dos cachos, surgem flores masculinas e femininas. As flores femininas é que vão passar por todas aquelas transformações até darem origem aos cachos de frutas.

3 REPRODUÇÃO E PROPAGAÇÃO

A bananeira possui reprodução assexuada, ou seja, por intermédio de mudas que se originam na gema do rizoma (caule subterrâneo). Estas mudas originadas do rizoma, obviamente, passam por vários estágios, emergindo no solo junto à bananeira mãe. Dependendo do estágio, as mudas recebem diferentes nomes e são classificadas da seguinte maneira: Muda do Rizoma: pedaços do rizoma são retalhados para servirem ao plantio. Chifrinho: nesta fase a muda começou a emergir do solo, encontra-se com 2 a 3 meses de idade e com cerca de 20 a 30 centímetros de altura. Chifre: é chamado o chifrinho mais crescido, com cerca de 5 meses de idade e com 50 a 60 centímetros de altura. Chifrão: quando o chifre se encontra com 7 a 9 meses de idade, apresentando pelo menos uma folha já em seu tamanho normal e as outras estreitas, o pseudocaule apresenta-se cônico. Guarda-Chuva: é aquela muda que já se separando da mãe, possui as folhas perfeitas. Aqui a forma do pseudocaule não é mais cônica e sim cilíndrica. Muda Adulta: nesta fase a planta já está praticamente com a gema em transição, passando do estágio vegetativo para o florífero. Observação: para o plantio devem ser usadas as mudas no estágio de rizoma, chifre e chifrinho.

4 TRATAMENTO E NUTRIÇÃO DA MUDA

O produtor, precisando de mudas para plantio ou para venda, tem de derrubar o bananal e retirar as mudas necessárias. Se a reforma vai ser feita com mudas do próprio bananal, devem ser preparadas e agrupadas em canteiros de ceva, em quantidade suficiente para permitir o plantio de 0,5 ha (mil plantas). Com isso se evita seu transporte a longas distâncias. O local escolhido precisa ser relativamente alto para impedir o empoçamento da água das chuvas, o que viria causar a fermentação das mudas. As mudas do tipo pedaço do rizoma ou ''filhote'' recém-preparadas são mergulhadas durante cinco minutos em solução de inseticida, constituída de 0,2% de Aldrin a 40% PM e depois postas umas ao lado das outras, na mesma posição em que se achavam na planta. Depois disso cobremse as mudas com folhas de bananeira, de modo a impedir que se desidratem e morram. As mudas permanecem no canteiro de ceva por aproximadamente três semanas para que as gemas de brotação se intumesçam e as primeiras raízes se formem. A ceva permite rigorosa seleção e grande uniformidade, pois a muda assim tratada dificilmente morre após o plantio por encharcamento da cova. Após a preparação e retirada das mudas, devem-se exterminar os restos de bananeiras existentes e também as que ainda estão em pé. Essa operação se executa facilmente com uma enxada rotativa, acoplada à tomada de força do trator. Primeiramente, a rotativa é passada a uma profundidade de 5 cm usando-se as enxadas velozes (tipo helicoidal) a 240 rpm, visando apenas destruir os diversos órgãos da planta (raiz, rizoma, pseudocaule, folhas e cachos). Uma segunda passada de enxada rotativa se faz depois de três a quatro dias a uma profundidade de 15 cm e a 100 rpm, completando assim a aração do terreno e a incorporação dos restos da bananeira.

5 FERTILIDADE DO SOLO

A bananeira é muito exigente quanto à fertilidade do solo, com isso pode produzir mal em terrenos pobres em matéria orgânica (as plantas se desenvolvem pouco). Por isso, logo na instalação da cultura, é necessário fazer a adubação orgânica do terreno de plantio. Para isso, uma indicação adequada é a utilização de torta de filtro ou estrume de curral, ou de esterco de aves, aplicados na cova. As raízes da bananeira mostram grande tropismo para as zonas mais fertilizadas. Dirigindo-se vigorosamente para regiões ricas em matéria orgânica, o que demonstra a grande avidez da planta aos nutrientes fornecidos por este sistema de adubação. É perfeitamente possível saber se as condições essenciais do solo estão sendo cumpridas, apenas analisado o sistema radicular da planta da bananeira. Quando as condições são indicadas, observa-se um sistema radicular reto, bem desenvolvido horizontalmente e vigoroso, ao passo que nos solos não apropriados, as raízes mostram-se tortas e curtas, com reduzido desenvolvimento. Em solos não arejados, as raízes respiram mal, e se intoxicam, não cumprindo as funções necessárias de captação de nutrientes e prejudicando assim o desenvolvimento geral da planta. Por isso, é recomendado, nos solos de textura argilosa, que se passe um subsolador nas entre linhas, visando melhorar o arejamento. Assim, entre os terrenos ideais para a formação de um bananal, inclui-se aquele planos de aluvião, encontrados nas margens dos rios. Para o caso das várzeas, recomenda-se aquelas áreas não sujeitas a enchentes e que apresentem um sistema adequado de drenagem. pH: a bananeira é uma planta muito adaptável aos mais diferentes valores de pH, tendo sido comprovada a sua capacidade de produzir em solos de pH na faixa de 4 a 8. No entanto é bom ressaltar que as faixas ótimas são aquelas entre 5.5 e 6.5, uma vez que em faixas de pH muito altas, notadamente acima do índice 8, pode aparecer acentuada redução do tamanho do fruto. Já em faixas de pH abaixo de 4, e a acidez for devida a sais de alumínio hidrolizados, a planta se ressentirá bastante, uma vez que estes compostos são tóxicos às raízes. 6 ADUBAÇÃO EM COBERTURA

Nos bananais em produção, os adubos são aplicados em cobertura, ao redor do ''filho'', após o desbaste e capina. Isto permite à planta nova aproveitar melhor os nutrientes, como também a absorção destes pelas camadas não profundas das raízes da planta mãe. Quando a adubação é feita em torno da bananeira, as mudas surgem desordenadamente, mas, no segundo sistema, quando a adubação acompanha a linha de plantio, o surgimento de novas mudas é mais ordenado.

Figura 01 - Quando a adubação é feita em torno da bananeira, as mudas surgem desordenadamente, mas, no segundo sistema, quando a adubação acompanha a linha de plantio, o surgimento de novas mudas é mais ordenado.

Grande parte da matéria orgânica é devolvida ao solo pelos bananais, uma vez que aproximadamente dois terços da massa vegetal produzida volta ao terceiro, sendo cerca de um terço levado pela colheita. Este material utilizado quase sempre como cobertura morta, que tem a vantagem - nas regiões secas - de favorecer a manutenção da umidade do solo e - nas regiões de intensa precipitação pluviométrica - proteger o solo da erosão.

7 DRENAGEM

A drenagem do solo é realizada quando o lençol freático se encontra em profundidade inferior a 40-60 centímetros. Em solos semi-áridos, por exemplo, a drenagem é indispensável, mesmo que o lençol freático seja mais profundo, quando se trata de solos argilosos ou franco argilosos. Estes tipos de solos são muito ricos em sais de cálcio. E estes sais, nas condições climáticas de temperaturas muito altas, são arrastados até a superfície, aumentando assim sua concentração na terra e salinizando e posteriormente alcalinizando o solo. Este quando só pode ser corrigido pela instalação adequada do sistema de drenagem. Em trabalho editado pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOS), do Ministério do Interior Intitulado ''Bananicultura dos Perímetros Irrigados'', o engenheiro agrônomo Geraldo Magela Campos, fundamentado em trabalhos desenvolvidos pelo Instituto Agronômico de Campinas, fornece um método simples de estabelecimento de rede de drenagem, menos oneroso que os tradicionais: ''Um estudo preliminar sobre a drenagem indicará a necessidade de retificação das aguadas existentes, que funcionarão como valas mestras. Se as aguadas forem muito sinuosas é recomendável a abertura de valas as mais retas possíveis com a retroescavadeira''. A partir disso deve ser traçado um sistema de valas abertas para coletar as águas de todo o bananal e desaguar nas valas mestras. Este sistema primário deverá ter profundidade sempre superior a oitenta centímetros. Um sistema secundário de drenagem (subdrenos) será então instalado. Estas valas começarão nas partes mais altas do terreno e deverão passar por todas as partes baixas para em seguida chegar nas valas primárias. Estas valas terão a largura de um enxadão e a profundidade mínima de 80 centímetros. Este sistema de drenagem é eficiente, e tem ainda a vantagem de não exigir gastos com a conservação de valas, ser implantado a baixo custo e permitir a mecanização posterior de área maior.

8 AS COVAS

Estando o solo preparado e o sistema de drenagem instalado, inicia-se a abertura das covas. Com a finalidade de economizar mão-de-obra, usase o sulcador de cana para sua feitura. Este sendo passado à profundidade de 30 cm, permite abrir aproximadamente vinte covas por minuto. Se não se puder dispor desse implemento fazem-se as covas com brocas ou manualmente nas dimensões de 30 x 30 x 30 cm. Os sulcos são abertos a cada 2,50 m e as mudas de bananeira serão plantadas no seu interior a cada 2 m. A adubação com superfosfato simples se efetua no local da cova, sem contudo realizar sua caldeação com a terra. A fim de evitar o contato direto da muda com o fertilizante, planta-se colocando aquela no fundo do sulco distante um palmo do adubo. Durante o plantio calça-se a muda lateralmente com apenas 5 cm de terra. Igual quantidade é posta sobre o adubo. A cobertura total da muda se processa por ocasião das capinas.

9 CULTIVOS E ADUBAÇÕES

Após quinze dias do plantio é aplicada em cobertura, em círculo distante 30 cm da muda, a primeira dose de sulfato de amônio. Aos vinte, quarenta e sessenta dias do plantio passa-se a enxada rotativa a profundidade de 2 cm e a 240 rpm com a tampa traseira abaixada totalmente. Depois desse terceiro cultivo, o combate no mato pode ser feito com herbicidas de ação residual ou mesmo com enxada rotativa de um microtrator ou ainda com enxada manual, pois o sistema radicular superficial precisa ser protegido.

Figura 2 - Adubação em cobertura, na fase de desenvolvimento do ''filho'' e ''neto''. A destruição e a incorporação do bananal velho ao solo reduz a ação dos herbicidas residuais, devido à ''digestão'' do material vegetal. Os herbicidas de contato podem ser usados desde que se proteja a muda. É de suma importância que o bananal seja mantido permanentemente livre de ervas daninhas. A segunda dose de sulfato de amônio se aplica quando a lavoura completa dois meses, seguindo-se as mesmas recomendações anteriores. Por ocasião do quarto mês os ''filhos'' começam a aparecer, iniciando-se então a operação de desbaste. Apenas o primeiro ''filho'' é conservado, eliminando-se todos os demais. Esse desbaste deve ser feito mensalmente com a ''lurdinha modificada'', cujo rendimento de serviço supera em muito a ferramenta convencional. A retirada das folhas se leva a efeito somente quando estiverem velhas e pendentes junto ao pseudocaule. Nascido o ''filho'', a adubação passa a ser realizada sobre uma superfície de 20 x 40 cm afastada 40 cm daquele. Durante o sexto mês aplicam-se a terceira dose de sulfato de amônio e a primeira de cloreto de potássio. Nessa ocasião as bananeiras já devem ter lançado 60% das suas folhas, o que corresponde a aproximadamente 2 ou 24 folhas. Isto indica que a inflorescência já se formou dentro da bananeira. É a fase da diferenciação floral. Se as bananeiras estiverem atrasadas no seu desenvolvimento, usa-se uréia em vez de sulfato de amônio, objetivando acelerar sua atividade fisiológica. Ao oitavo mês registra-se o aparecimento dos ''netos'' e das primeiras inflorescências. Apenas o ''neto'' que surgiu em primeiro lugar é conservado, independentemente de sua posição. Completando o bananal dez meses de idade, executa-se a segunda e última adubação potássica para atender às exigências da planta ''mãe'' (primeiro ciclo); e, ao mesmo tempo, a primeira de sulfato de amônio mais superfosfato simples, visando satisfazer as necessidades da planta ''filho'' (segundo ciclo) e da planta ''neto'' (terceiro ciclo). Nessa fase os cachos entram em grande desenvolvimento, apresentando bananas gordas, que marcam o início da colheita. Se tiverem realizadas todas as operações corretamente, é possível uma colheita de mais de 95% dos cachos durante o 12º mês do plantio (ou seja, em outubro). Esta se faz com o penado, devendo o operário cortar o pseudocaule o mais alto possível e evitar que o mesmo permaneça ''mamando''. Um segundo operário sustenta o cacho colhido, a fim de impedir que se apóie no solo. Ele transporta o cacho nas costas até a carreta que leva o produto ao galpão de embalagem. Esse transporte também pode ser mecanizado, como é feito em algumas plantações mais modernas, aonde os cachos, dentro das plantações, são embalados com ''plásticos transparentes'' e pendurados em roldanas, sustentadas por cabos, numa espécie de varal de cabos de aço, que levam os cachos de uma forma mais segura e rápida até os galpões evitando-se assim perdas que muitas vezes são provocadas no transporte por carretas. Ao completar quatorze meses o bananal deve estar com a colheita do primeiro cacho totalmente encerrada. Então se processa a diferenciação floral da planta ''filho''. É quando se aplica a última dose de sulfato de amônio e a primeira de cloreto de potássio. Decorridos mais dois meses - no 16º, portanto -, faz-se a última adubação potássica para a planta ''filho'' e uma com uréia para proporcionar maior desenvolvimento da planta ''neto'. Por volta do 18º mês efetiva-se a colheita do segundo cacho do bananal, com suspensão da operação de desbaste. Ao vigésimo mês ocorre a diferenciação floral da planta ''neto'', sendo necessário realizar uma adubação nitrogenada com uréia para manter ativada as reações fisiológicas da planta durante o inverno. Executa-se também uma adubação potássica. Durante o 22º mês do bananal aplicase novamente uréia nas plantas que apresentam atraso no desenvolvimento, com objetivo de reduzir o alongamento do seu ciclo de produção. Em outubro, quando então o bananal completa 24 meses, ele deve estar em franca colheita.

10 UM NOVO BANANAL

O vigor da juventude somente é restaurado na lavoura mediante a implantação de um outro bananal. Para que não haja interrupção na cultura, planta-se o novo em outubro, nas entrelinhas do velho bananal. Com auxílio de uma corrente (ou corda) esticada no centro da entrelinha marcam-se as covas. São abertas individualmente e locadas no centro de cada quatro covas do bananal velho. Uma vez são adubadas com superfosfato simples, misturado com a terra. O desbaste, suspenso após a colheita do segundo cacho, permitiu o desenvolvimento de rebentos que agora são usados como muda. As mudas devem ser retiradas de preferência das covas que já produziram o terceiro cacho, pois isto pode indicar a presença do fator genético para precocidade. Se teve possibilidades de anotar as plantas que, além de produzirem cachos maiores, com frutos mais longos, foram ainda precoces, é bom procurar formar uma quadra com mudas originária delas. Esse trabalho de seleção se torna bastante exeqüível quando a lavoura está em linha e se tem bom senso de observação. Usam-se preferentemente mudas do tipo ''filhote'' com 1.500 a 2 mil g. Na impossibilidade de obter o total de mudas desse tipo para o plantio, lança-se mão do tipo pedaço de rizoma, com peso de 800 a mil g, as quais devem sofrer o processo de ceva. À medida que se preparam as mudas ''filhote'', estas são normalmente plantadas. As do tipo pedaço de rizoma devem ser estaqueadas para evitar seu pisoteamento durante o transporte dos cachos colhidos. Uma vez plantado o novo bananal deve-se por ocasião da colheita rebaixar, ao nível do solo, o pseudocaule da planta ''neto'', assim como todos os seus demais rebentos, que estejam brotados. Executa-se essa operação até o fim de dezembro, quando o valor comercial dos cachos costuma sofrer sensível diminuição. Nessa oportunidade passa-se superficialmente a enxada rotativa como

240 rpm para destruir os restos de bananeira; uma segunda passagem a 15 cm de profundidade e a 100 rpm deixa o terreno bem arado. O uso do subsolador se mostra bastante vantajoso: é passado na linha das antigas bananeiras a profundidade de 40 cm. O novo bananal se beneficia ainda mais se a subsolagem puder ser realizada a maior profundidade. O bananicultor que se disponha a executar corretamente esse programa de reforma periódica deverá colher três cachos em 24 meses, desde - naturalmente - que as condições físicas do terreno sejam próprias para a cultura e que o clima ajude. Dessas três safras, duas - a primeira e a terceira - deverão ser colhidas na ocasião em que os preços são elevados. A segunda será quando as cotações são em geral baixas; mas, como é constituída por cachos com elevado peso, isto compensa em parte o menor valor comercial. Se lá pelo 17º mês (março) após o plantio o agricultor verificar que a formação dos cachos se acha atrasada, poderá optar pelo sacrifício da segunda safra (preço baixo) em benefício da terceira (cotação alta). Para isso corta-se o pseudocaule na altura da roseta foliar, eliminando-se todas as folhas e eventuais inflorescências. Assim o ''neto'' se desenvolve mais rapidamente, garantindo a terceira colheita na época desejada. A perda da segunda safra por deficiência física do solo vem a ser uma boa indicação para o produtor sobre a necessidade de reformar periodicamente seu bananal. A continuidade do programa, aliás, deverá melhorar as qualidades físicas do solo, a ponto de ser possível atingir as três colheitas em 24 meses.

1 CORRETIVOS

Os corretivos do solo empregados geralmente na bananicultura são o calcário dolomítico e o fosfato natural. A calagem dos bananais objetiva insolubilizar o alumínio, impedindo assim seus efeitos negativos na planta, enriquecer o solo com os elementos cálcio e magnésio, corrigir seu pH e melhorar sua estrutura física, etc. A bananeira, necessitando de grandes quantidades de magnésio para um desenvolvimento perfeito, exige que o pó calcário contenha alto teor de óxido de magnésio (mais de 18% de MgO ou 36% de MgCO3). Emprega-se o fosfato natural sempre que os teores de fósforo no solo forem baixos. A melhoria se verifica gradativamente com a continuidade das aplicações. Considerando o fator econômico, não se recomenda aplicar por ano mais de 500 g/m² (5 t/ha) de pó calcário dolomítico ou 200 g/m² (2 t/ha) de fosfato natural. Em face do levantamento de fertilidade realizado pelo IAC no litoral paulista e no Vale do Ribeira, estabeleceram-se índices nutricionais em cálcio e magnésio para a bananeira. Por sua vez, mostra as quantidades por metro quadrado de pó calcário dolomítico necessárias a bom e ótimo suprimentos em cálcio e magnésio, para eliminação do alumínio trocável em solo arenoso e argiloso e para correção da acidez do solo. No tocante à adubação, através dos resultados da análise da terra, temse uma indicação da sua fertilidade. Excetuando-se os casos de níveis muito altos de nutrientes encontrados, pode-se afirmar que a adubação precisará ser feita ininterruptamente. (Todas as vezes que houver necessidade de aplicar doses elevadas de calcário dolomítico - mais de 300 g/m² - recomenda-se fazer nova análise de terra antes do início da adubação do ''filho'' - décimo mês do plantio.)

12 O RENDIMENTO

O banana que tenha sido implantado nessas condições e em local de clima e solo propícios poderá produzir na primeira colheita cachos com peso médio de 20 kg e na segunda e terceira 35 kg. O espaçamento de 2 x 2,50 m, isto é, 5 m² por planta, permite cultivar 2 mil bananeiras por hectare. Nessa base pode-se calcular a produtividade por hectare: na primeira colheita (2 mil x 25 kg), 40 mil kg; na segunda, 70 mil kg; e na terceira, também 70 mil, totalizando 180 mil kg. Admitindo-se perdas eventuais da ordem de 10%, verifica-se que se obtém rendimento de 162 mil kg/ha. Como esse total corresponde ao período de 24 meses, conclui-se que o rendimento anual atinge 81 mil kg/ha, média que nenhum país de bananicultura adiantada tem logrado alcançar. Eis porque a reforma periódica ou novo bananal representa uma verdadeira revolução no seu cultivo.

13 VANTAGENS NA REFORMA PERIÓDICA DO BANANAL

• Recuperação do alinhamento do bananal.

• Menor porcentagem de tombamento de bananeiras pelo afloramento do rizoma, com seu refundamento periódico dispensando o uso de escoras de bambu.

• Busca interrupção no ciclo biológico da broca e também dos demais insetos que causam prejuízos a planta com a conseqüente diminuição de suas populações.

• Possibilidade de aplicação de fertilizantes de acordo com as necessidades fisiológicas da bananeira.

• Programação da primeira e da terceira colheitas na época mais favorável à comercialização.

• Possibilidade da realização da colheita de três cachos a cada 24 meses.

• Produção de alta tonelagem de banana/ha/ano.

• Maior rapidez na obtenção dos resultados com os corretivos empregados.

• Melhoria das condições físicas das primeiras camadas dos solos, arejando os argilosos e compactos e enriquecendo os muito arenosos com matéria orgânica. 14 MUTAÇÃO DA BANANEIRA

A chamada dicotomia do meristema é uma mutação genética que aparece com bastante freqüência na bananeira. No Brasil os cultivares que mais tem apresentado esta mutação são os da Nanica e da São Tomé. Normalmente esta mutação passa despercebida, porque ocorre precocemente nas mudinhas novas e estas acabam sendo suprimidas do desbaste ou então, pura e simplesmente, morrem. Quando ocorre mais tarde a dicotomia do meristema provoca a formação de dois pseudocaules. Ainda neste caso, dificilmente as plantas conseguem sobreviver. A dicotomia mais freqüente é aquela que, originada no caule floral dentro do pseudocaule, provoca a formação de dois cachos. Muitas vezes a mutação segue se repetindo, de modo a formar 4 ou 5 cachos. No que diz respeito à parte feminina da planta ou 1 ou 2 corações, no que se refere à parte masculina. Estes cachos que sofreram dicotomia podem ter um desenvolvimento praticamente normal e se o solo é fértil e as condições gerais de clima e umidade são propícias, todas as flores femininas da planta que sofreu a mutação produzirão frutos normais. Para efeitos de melhoramento, só têm importância no caso da bananeira aquelas mutações que ocorrem muito cedo, em células iniciais que darão origem a uma gema. Estas mutações precoces propiciarão o surgimento de plantas com uma nova característica. Esta característica, então, poderá ser conservada por multiplicação vegetativa, caso seja benéfica. Mutações ocorridas mais tarde não podem ser preservadas porque não é possível o trabalho de enxertia na bananeira, em decorrência de sua própria estrutura botânica. As mutações benéficas, que estão mesmo no cerne e na essência de toda a pesquisa genética, podem ser perfeitamente estudadas e observadas também pelo produtor, de modo a desenvolver copas mais resistentes de cultivares em seu bananal. 15 VARIEDADES DE BANANAS

São praticamente cerca de 180 variedades de bananas no mundo, sendo que no Brasil frutificam cerca de 35 delas. Dentre estas encontram-se bananeiras ornamentais, as industriais e as comestíveis. Entre as ornamentais está a bananeira da Abissínia (Musa ensete), a industrial (Musa textiles) ou Abacá; enquanto as comestíveis podem ser classificadas em: Sub-genero Eumusa (classificação de Linnéu): Musa cavendishü - Nanica, Nanição, Congo e Lacatan. Musa sapientum - São Tomé, Santa Catarina, Ouro, Prata, Branca,

Maçã, Leite, Roxa, Carruverde e Marmelo, entre outras. Musa paradisíaca - Da Terra, Maranhão, Caturra e Anã. Musa corniculata - Pacová. Dentre estas variedades, a de maior plantio comercial é a Musa convendishü, junto as cultivares Nanica e Nanição que têm ótima aceitação tanto fora como dentro do mercado brasileiro.

15.1 BANANEIRAS: BANANAS

Bananeira - pertence à família das Musáceas e, entre as espécies do gênero Musa, interessam-nos as portadoras de frutos édulos, que são as seguintes: Musa Cavendishii Lamb. - é a Banana Baé, também chamada de Banana Anã, na Amazônia; Banana Nanica, na Bahia e em São Paulo; Banana Caturra, no Rio de Janeiro e Distrito Federal; Banana d'água, Banana Cambota, Banana da China, em outros Estados e às vezes ao lado dos nomes primeiramente citados. Planta de pseudocaule forte, pequeno, raramente ultrapassando 2 metros. Folhas grandes, brevemente pecioladas, de tonalidade verdeescuro por cima e verde-mar por baixo. Cachos ou regimes contendo de 6 a 15 verticilos ou pencas, pesando de 25-40 kg, não raro com mais de 200 frutos, indo até o chão. Extremidade terminal do regime com os restos florais. Frutos grandes, ligeiramente arqueados, roliços, de casca delicada, relativamente fina, verde-amarelos quando maduros, de polpa macia, aromática, agradável ao paladar. Espécie predominante nas grandes plantações do Brasil e da América Central. Cresce muito bem nos brejos dos açudes sertanejos. Musa paradisíaca Linn. (Musa paradisíaca Linn. Subsp. Normalis Kuntze.) – pertence a esta espécie a Banana da Terra, Comprida ou Chifre de Boi, conhecida por Pacova na Amazônia e em diversos Estados. O pseudocaule mede 2,50-3,50 m de altura, esverdeado, com manchas escuras na base do pecíolo, tendo este os bordos virados. Folhas de 1,70-2 m de comprimento por 65-72 cm de largura. Regimes pequenos, contendo 4-7 verticilos, com 20-35 frutos, pesando de 7-14 quilogramas. Raque muito comprida, sem restos florais. Fruto de 20-30 cm de comprimento, 5-6 cm de diâmetro, pesando 250-400 grs., tri ou tetraquinado, um pouco arqueado, de casca grossa, amarela, pontuada de preto, quando maduro, sendo a polpa de cor róseo-salmão, dura, pouco açucarada, mas de gosto agradável. Os frutos verdes se comem cozidos, assados e fritos e destas mesmas maneiras e mais ainda crus, quando maduros. A polpa verde desta banana produz uma farinha do mais alto valor nutritivo, excelente à alimentação das crianças, velhos e pessoas debilitadas por doenças graves. Esta farinha é a matalotagem preferida pelos naturais da América Central, nas suas longas viagens. Com ela se faz uma espécie de pão, no México, às vezes misturado com massa de milho.

Alguns botânicos filiam a Pacova à espécie Musa corniculata Lour. Musa sapientum Linn. (Musa paradisíaca Linn. subsp. sapientum Linn.) Kuntze - o pseudocaule mede 2-6 m de altura, verde-amarelado, com listra e manchas escuras, em touceiras bem perfiladas. Folhas grandes, limbo de 1-2 m de comprimento, arredondado nas extremidades, marginado por um filete obscuramente verde-purpurino, com pecíolo curto e espesso, de bordos avermelhados nas margens. O regime muito longo, inclinado, tem uma parte terminal estéril, longamente prolongada. Brácteas e flores estéreis na maioria das vezes caducas. Fruto pequeno, quase reto ou apenas arqueado, cilíndrico ou muito pouco anguloso, de pele fina, polpa delicada, doce, muitas vezes perfumada, comestível em estado natural. Desta espécie fazem parte as seguintes formas ou variedades: Banana Prata Pseudocaule verde claro. Os cachos contêm 6-8 pencas com 50-90 frutos, pentaquinados, de extremidades pontudas, medindo 10-13 cm de comprimento e 3-4 cm de grossura. Casca fina e amarela, quando madura. Polpa branca brilhante na periferia (donde lhe vem a denominação vulgar) e creme clara no centro. Por ser muito resistente aos transportes grosseiros em costas de animais, tem ainda o nome de Banana de Comboeiro. Esta forma não vinga no sertão. Cultiva-se nas serras frescas na zona litorânea. Banana Maçã Planta-se especialmente nos baixios areno-humanosos, onde produz frutos excelentes. Nas serras frescas, nos sítios argilosos, os frutos, com freqüência, apresentam concreções na parte carnosa, que se torna endurecida e desvalorizada. Chamam-se a essas concreções, resultantes de um desequilíbrio fisiológico, de pedras e os frutos por elas afetados - bananas pedradas. Os bananeirais desta variedade, nos municípios cearenses que medeiam entre o litoral e a Serra de Baturité, estão sendo dizimados pela broca, ocasionada pelo rincoforídeo Cosmopolites sordidus Germ. Pseudocaule de tamanho médio, verde-róseo ou verde-amarelo, com manchas castanhas. Folhas com pecíolos róseos. Os cachos têm de 5- 10 verticilios e até mais de 100 frutos, de 10-15 cm de comprimento, roliços, pesando de 100-200 gramas. Os frutos, ao atingirem a maturação, se desprendem facilmente dos verticilios. Casca fina, amarelo-claro na maturação, um tanto ligada à parte carnosa. Polpa branca, macia, sabor doce e agradável, aromática, tendo um quê de maçã. Banana Sapa Variedade rústica, medrando tanto nas terras argilosas como nas arenosas, suportando bem a seca e o vento. Pseudocaule e pecíolos verde-claros. Regime com 4-8 verticilos, frutos grossos e curtos. Os frutos não se desprendem do regime com facilidade. Casca espessa, aderente à polpa, flexível e resistente, amarela na maturação. Polpa doce, macia, pouco saborosa, de cor creme desmaiado. Graças à flexibilidade e resistência da casca, esta banana apresenta a curiosa particularidade de poder ser amassada até que a polpa fique reduzida a uma pasta mole, capaz de ser consumida por sucção. Daí lhe advém o nome de Banana Curuda, evidente corrutela do qualificativo couruda. Come-se também cozida e é excelente para doces. Banana de São Tomé Pseudocaule de porte médio. Cachos grandes, com 6-9 pencas, tendo até 130 frutos, de pedúnculos curtos e resistentes, grossos, de 10-12 cm de comprimento. Casca um tanto espessa, amarela, com laivos esverdeados na maturação. Polpa rósea, aromática e de um paladar especial. Banana Curta e Banana do Paraíso são outros nomes vulgares desta variedade. Há autores que incluem a Banana de São Tomé como variedade de Musa paradisiaca Linn. Banana Roxa O pseudocaule e as folhas têm uma coloração vermelho-castanhoescura. Regime de raque longa e roxa com 5-8 verticilos, podendo apresentar mais de 100 frutos, vermelho-arroxeados quando verdes e bordeaux, se bem maduros. Polpa amarelo-carregada, doce e um pouco suculenta. Banana Pirauá Pseudocaule bem desenvolvido e manchado de castanho-escuro. Cachos grandes, com 100-150 bananas, compridas e algo arqueadas, de casca espessa, resistente, amarela na maturação. Polpa róseoesmaecida, perfumada. A composição química da polpa madura das bananas mais comuns, conforme análises do Laboratório Bromatológico e no Instituto Nacional de Tecnologia, apresenta os seguintes teores médios:

Tabela 1 - Teores médios da composição química da polpa madura das bananas mais comuns Variedades Água Proteínas M. Graxas Açúcar e Amido Celulose

Cinza U. N. ou Cal. %

Banana Baé 75,30 1,30 0,20 2,0 - 0,80 93 Banana Prata 74,80 1,40 0,20 2,50 0,30 0,80 97 Banana Maçã 71,80 1,4 0,25 26,4 0,35 0,72 114 Banana da Terra 6,80 1,60 0,20 29,90 0,85 1,10 128 Banana de S. Tomé 75,0 1,58 0,29 21,80 0,70 0,63 97

Comparada aos mais notáveis alimentos cultivados, a banana destacase de todos no tocante ao volume e valor energético produzidos por unidade de superfície, como se depreende da tabela que se segue:

Tabela 2 - Volume e valor energético produzidos por unidade de superfície

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