apostila de histologia

apostila de histologia

(Parte 1 de 4)

Prof. Cíntia Schneider 1

ESCOLA DE MASSOTERAPIA 51-30668930 w.sogab.com.br

As células: São unidades biológicas que agrupadas com forma e função semelhantes compõe os diferentes tecidos. Podem ser classificadas como:

*Células lábeis: pouco diferenciadas, de curta duração e que não se reproduzem. Após cumprirem suas funções, morrem e são substituídas. Ex: as hemácias, que tem um tempo de vida de 120 dias. *Células estáveis: constituem a grande maioria dentre as numerosas variedades celulares do nosso organismo. São células que se diferenciam durante o desenvolvimento embrionário e depois mantêm um ritmo constante de multiplicação. Podem durar meses ou anos. Ex: as fibras musculares lisas e os diversos tipos de células epiteliais e conjuntivas. *Células permanentes: Duram toda a vida. Atingem alto grau de especialização e por isso, depois de concluída a formação, perdem a capacidade de reprodução. É o que se verifica com as fibras musculares estriadas e com os neurônios. Não há renovação dessas células nos organismo depois do nascimento. Ex: células musculares estriadas esqueléticas, cardíacas e células nervosas.

Histologia é a ciência que estuda os tecidos do corpo humano, sua anatomia microscópica e sua função tecidual.. Este é formado por quatro tipos básicos de tecidos: 1 - Tecido epitelial, Cuja função principal é o revestimento da superfície externa de órgãos como a pele, ou revestimento interno de vísceras ou cavidades do corpo, além de secreção glandular; Chamamos de endotélio, os tecidos que revestem os órgãos internamente, como no útero, o endométrio, e assim sucessivamente em outros órgãos. 2 - Tecido conjuntivo Trata-se de um tecido especializado em preenchimento, apoio, sustentação, reserva energética e proteção; (faz parte deste grupo o tecido adiposo, o tecido ósseo e o tecido cartilaginoso). 3 - Tecido muscular, através de contrações realiza todos os movimentos do corpo, como o peristaltismo intestinal que mobiliza o bolo fecal, quanto os movimentos das pernas quando caminhamos; 4 - Tecido nervoso, que realiza a transmissão de impulsos nervosos, comunicando o meio interno com o ambiente externo. Estes tecidos existem no nosso organismo associados uns aos outros, formando diferentes órgãos e tecidos. Os nossos órgãos são formados por dois componentes: Parênquima: que são as células responsáveis pela função típica do órgão, tecido especifico funcional de uma glândula ou órgão. Estroma: Tecido de sustentação. Com exceção do cérebro e da medula espinhal, o estroma é constituído por tecido conjuntivo. Em geral contém a vascularização e a inervação do órgão. TECIDO EPITELIAL Características: O Tecido Epitelial (TE) possui algumas características essenciais que permitem a sua diferenciação de outros tecidos do corpo. Ocorre uma justaposição das suas células poliédricas. Esta forma pode ser justificada pela pressão exercida por outras células e a ação modeladora do citoesqueleto; a justaposição das células pede ser explicada pela pequena quantidade ou mesmo ausência de matriz extracelular. A grande capacidade de coesão entre as células é outra característica e ocorre devido a especializações de membrana e ao glicocálix. O TE é avascularizado, fazendo da presença de lâmina basal indispensável à sua nutrição. Origem: Pode originar-se dos 3 folhetos embrionários.

• Ectoderme: epitélios de revestimento externos (epiderme, boca, fossas nasais, ânus).

• Endoderme: epitélio de revestimento do tubo digestivo, da árvore respiratória, do fígado e do pâncreas.

• Mesoderme: endotélio (vasos sangüíneos e linfáticos) e mesotélio (revestimento de serosas).

Funções A função de revestimento envolve a de proteção - como a epiderme que protege os órgãos internos de agentes externos - e a de absorção - como é o caso das mucosas. Exerce uma importante função secretora, uma vez que as glândulas são originárias do TE, e são por isto classificadas como Tecido Epitelial Glandular. Além disso, o TE exerce uma função sensorial com os neuroepitélios (ex. retina). Tecido epitelial de revestimento

Forma uma barreira que cobre as superfícies do corpo e o revestimento dos tubos e ductos que se comunicam com a superfície. Também reveste as cavidades corporais, isto é, as cavidades pleural, pericárdica e peritoneal, formando ainda o revestimento do coração, vasos sangüíneos e linfáticos, trato digestivo e geniturinário.

Apresenta diversas funções, dependendo do local em que ocorrem. A epiderme tem como principais funções a proteção contra choques mecânicos e agentes patogênicos e contra a perda excessiva de água. O epitélio que reveste o tubo digestório tem importante função na absorção de alimento e reabsorção de água. No sistema

Prof. Cíntia Schneider 2

ESCOLA DE MASSOTERAPIA 51-30668930 w.sogab.com.br respiratório, ao nível dos alvéolos pulmonares, o epitélio encarrega-se das trocas gasosas. - Pele - É constituída por tecido epitelial (epiderme) e por tecido conjuntivo (derme) que reveste o corpo externamente. - Mucosa - É constituída por tecido epitelial e tecido conjuntivo que reveste internamente cavidades como nariz, boca, estômago etc. O papel da mucosa é dar proteção. - Serosa - É constituída por tecido epitelial e tecido conjuntivo que reveste externamente o coração (pericárdio), os pulmões (pleura) e o intestino (peritônio) Classificação

A classificação dos diferentes tipos de epitélio baseia-se em diversos parâmetros, como a forma da célula e o número de camadas.

Há três tipos básicos de células, cuja nomenclatura se relaciona com a forma celular: células pavimentosas, cúbicas e cilíndricas. Há autores que se referem às células transicionais.

O epitélio de transição é um tipo especial de epitélio restrito ao revestimento das vias urinárias, e suas células variam sua morfologia dependendo do grau de estiramento. Há autores consideram este tipo de epitélio como uma variedade do epitélio pseudoestratificado, onde as células são do tipo transicional.

As células epiteliais podem se dispor em uma única camada (epitélio simples), ou organizar-se em várias camadas, onde a camada mais inferior entra em contato com a membrana basal (epitélio estratificado). No epitélio pseudoestratificado as células epiteliais parecem dispor-se em camadas, mas todas estão em contato com a membrana basal, porém nem todas alcançam a superfície livre.

Além da análise que leva em consideração o número de camadas e o formato celular, os epitélios ainda podem ser classificados observando-se a presença de especializações de superfície livre, como microvilosidades, cílios, estereocílios.

Epitélio estratificado pavimentoso - a epiderme Nossa pele é dividida em três camadas: epiderme, derme e hipoderme. A epiderme é formada por tecido epitelial estratificado pavimentoso. Sua origem embriológica encontra-se na ectoderme, mais precisamente no epiblasto.

É a nossa primeira barreira protetora. As camadas mais externas são mortas, pelo acúmulo de queratina - uma proteína impermeável. A camada germinativa, localizada na base da epiderme, promove a reposição contínua dessas células que morrem e destacam-se.

Na epiderme encontram-se terminações nervosas. Logo, ela também tem a função de receber estímulos do ambiente. Outras estruturas, apesar de terem origem dérmica, ganham o exterior do corpo atravessando a epiderme, como os pêlos, as glândulas sebáceas e as sudoríparas.

No tecido epidérmico encontramos também os melanócitos, células que produzem melanina, pigmento que dá a cor à pele, aos pêlos e cabelos, além de filtrar os raios UV.

Epitélio simples pavimentoso - endotélio O endotélio reveste os capilares, constituindo-se de uma delgada camada celular.

Sendo muito fino, sua resistência é pequena. Contudo, a capacidade de difusão de gases e outras substâncias através do endotélio é muito grande.

Epitélio pseudo-estratificado cilíndrico ou prismático - traquéia Na verdade, o tecido que reveste a traquéia tem apenas uma camada celular. Porém, os núcleos de suas células encontram-se em alturas diferentes, dando a impressão de estratificação (pseudoestratificado).

Existem células secretoras de muco espalhadas por este epitélio. Tais células têm forma de cálice, por isso denominadas caliciformes. O muco tem função de proteção - as impurezas aderem-se a ele.

O epitélio que reveste a traquéia é ciliado: os cílios têm a função de 'varrer' o muco produzido pelas células caliciformes.

Esse conjunto de cílios e muco, além da própria barreira física do epitélio, tem a função de proteger as vias respiratórias.

Epitélio simples cilíndrico ou prismático - intestino Como nos demais casos, este epitélio mostra uma estreita adaptação entre a forma e a função: é simples, facilitando a difusão de substâncias (absorção de alimento).

As membranas plasmáticas das células deste tecido apresentam microvilosidades - especializações que aumentam a superfície de contato entre a célula e o meio externo, aumentando assim, a capacidade de absorção de nutrientes.

Epitélio de transição - bexiga urinária Na bexiga urinária está presente um epitélio que muda de forma conforme o grau de distensão do órgão, por isso denominado epitélio de transição.

Prof. Cíntia Schneider 3

ESCOLA DE MASSOTERAPIA 51-30668930 w.sogab.com.br

Tecido epitelial glandular

É formado por um conjunto de células especializadas cuja função é a produção e liberação de secreção. As células secretoras de uma glândula são conhecidas como parênquima, enquanto que o tecido conjuntivo no interior da glândula e que sustenta as células secretoras, é denominado de estroma. O estroma sustenta também vasos sangüíneos, vasos linfáticos e nervos.

As glândulas originam-se de grupos de células que se multiplicam a partir do epitélio e se aprofundam, formando inicialmente canais ou então cordões. No caso de se formarem canais, suas células mais profundas produzem substâncias que são lançadas na superfície do epitélio, em órgãos internos (glândulas digestivas) ou externamente na pele (glândulas sudoríparas, sebáceas, mamárias). Todas essas glândulas são chamadas exócrinas, justamente pela existência de um canal para eliminar seus produtos.

Quando formam cordões em vez de canais, as glândulas ficam isoladas dos epitélios que as originaram, mergulhadas no interior de outros tecidos. São atravessadas por vasos sangüíneos, e seus produtos são levados diretamente para a corrente sangüínea. Essas glândulas são chamadas endócrinas e seus produtos são os hormônios. A hipófise, a tireóide e as supra-renais são exemplos de glândulas endócrinas. Quanto ao local onde a secreção é lançada, as glândulas podem ser classificadas como:

• Glândulas endócrinas: as glândulas não possuem ductos e sua secreção ganha a corrente sangüínea, onde será distribuída para todo o corpo. A secreção endócrina é a secreção de mensageiros químicos (hormônios), os quais atuam sobre tecidos distantes do local de sua produção.

• Glândulas exócrinas: São aquelas que lançam suas secreções em cavidades ou superfícies do corpo através de canais ou dutos. Glândulas salivares, glândulas mamárias, glândulas sudoríparas, glândulas lacrimais.

• Glândulas mistas: São Aquelas que possuem funções endócrinas e exócrinas.

- Pâncreas: insulina -> sangue (função endócrina) suco pancreático-> intestino delgado (função exócrina)

Secreção dos mensageiros químicos

Em muitos locais do nosso organismo, a comunicação entre as células é mediada pela secreção de um mensageiro químico, que ativam células pela interação com receptores específicos. Segundo alguns autores, tal secreção pode ser de quatro tipos: · a secreção autócrina ocorre quando uma célula secreta um mensageiro químico para atuar em seus próprios receptores, como por exemplo a produção do fator de crescimento epidérmico. · na secreção parácrina os mensageiros químicos atuam sobre células adjacentes, sendo este um modo se ação de muitas células do sistema neuroendócrino difuso. · a secreção endócrina é a secreção de mensageiros químicos (hormônios) para a corrente circulatória, atuando sobre tecidos distantes. · a secreção sináptica se refere à comunicação por contato estrutural direto de um neurônio com a outra por meio de sinapses, estando esta restrita ao sistema nervoso

Prof. Cíntia Schneider 4

ESCOLA DE MASSOTERAPIA 51-30668930 w.sogab.com.br

Há ainda a secreção neuroendócrina, onde o neurônio produz secreção que ganha os vasos sangüíneos para atingir a célula-alvo.

Quanto ao número de células, as glândulas podem ser classificadas como:

Unicelular: a secreção é elaborada apenas por células especializadas ocasionais (por exemplo: células caliciformes muco-secretoras) espalhadas entre outras células não secretoras. Multicelular: a secreção é realizada por um conjunto de células.

Reunindo-se os dois parâmetros acima citados, podemos classificar as glândulas como: 1. glândula endócrina unicelular

2. glândula endócrina multicelular 3. glândula exócrina unicelular

(Parte 1 de 4)

Comentários