Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas

Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas

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Desenvolvimento Social do estado de São Paulo e aos autores de cada texto; esta obra não pode ser usada com finalidades comerciais; a obra não pode ser alterada, transformada ou utilizada para criar outra obra com base nesta; esta obra está licenciada pela licença Creative Commons 2.5 Br (informe-se sobre este licenciamento em http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Duarte, Yeda aparecida de oliveira manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas / Yeda aparecida de oliveira Duarte ; [coordenação geral Áurea eleotério Soares Barroso]. -- São Paulo : Secretaria estadual de assistência e Desenvolvimento Social : Fundação Padre anchieta, 2009.

Bibliografia.

1. administração pública 2. Cidadania 3. envelhecimento 4. idosos - Cuidados 5. Planejamento social 6. Política social 7. Políticas públicas 8. Qualidade de vida 9. Serviço social junto a idosos i. Barroso, Áurea eleotério Soares. i. Título.

Índices para catálogo sistemático: 1. São Paulo : estado : idosos : estado e assistência e desenvolvimento social : Bem-estar social 362.6 2. São Paulo : estado : Plano estadual para a Pessoa idosa- Futuridade : Bem-estar social 362.6

Com esta publicação, destinada aos profissionais que desenvolvem ações com idosos no Estado de São Paulo, o Futuridade dá um passo importante ao disponibilizar recursos para uma atuação cada vez mais qualificada e uma prática baseada em fundamentos éticos e humanos.

Muito nos honra estabelecer esta parceria entre a SeadS e a Fundação Padre Anchieta – TV Cultura, instituição que acumula inúmeros prêmios em sua trajetória, em razão de serviços prestados sempre com qualidade.

Desejo a todos uma boa leitura. Um abraço,

Rita Passos

Secretária Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas

Yeda Aparecida de Oliveira Duarte é professora livre-docente da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), gerontóloga e criadora do primeiro curso de graduação em Gerontologia do Brasil, na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH/USP).

Sumário

Capítulo 1

idosas e de cuidadores de pessoas idosas15
Formadores de cuidadores de pessoas idosas16
I. Quem se quer formar?18
I. Por que se quer ou necessita formar essas pessoas?26
I. Quem será o formador e como se preconiza o ensino?27
IV. O que é necessário ensinar nos cursos de formadores e de cuidadores?30
Cursos de formadores de cuidadores de pessoas idosas37
Cursos de cuidadores de pessoas idosas38

Eixos norteadores para cursos de formadores de cuidadores de pessoas

A construção de uma relação de ajuda41
Primeiros passos42
Características necessárias para construir uma relação de ajuda47
Capacidade de escuta47
Capacidade de clarificar49
Capacidade de respeitar-se e de respeitar o idoso50
Capacidade de ser congruente52
Capacidade de ser empático53
Capacidade de confrontação54

Capítulo 2

Capítulo 3

cuidado com a pessoa idosa58
Atitudes, mitos e estereótipos60

Atitudes, mitos e estereótipos relacionados ao envelhecimento e ao

Facilitando o desenvolvimento de atividades de vida diária: sono e repouso68
O sono como ritmo biológico69
Padrão de sono e suas modificações com o envelhecimento70
Recomendações quanto ao uso de medicamentos para dormir75

Capítulo 4 Sugestões para um sono de melhor qualidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .76

Auxiliando a pessoa idosa em suas atividades cotidianas

Pode-se considerar “saúde” para a pessoa idosa a resultante da interação multidimensional de saúde física e mental, autonomia nas atividades de vida diária, integração social, suporte familiar e independência econômica. Qualquer dessas dimensões, associada a outra ou não, quando comprometida, pode afetar a capacidade do indivíduo de viver de forma autônoma e independente, repercutindo, por consequência, em sua qualidade de vida.

Nesse grupo etário não é rara a ocorrência de múltiplas doenças simultâneas (polimorbidade), em sua maioria de natureza crônica, cujas sequelas podem ocasionar incapacidade ou dificuldade de desempenho das atividades cotidianas, gerando, muitas vezes, quadros de dependência.

a dependência aumenta a demanda por serviços sociais e de saúde. assistir o idoso dependente pode ser uma tarefa fisicamente extenuante, pois em geral implica sobrecarga da família, que costuma ser a prin-

Facilitando o desenvolvimento de atividades de vida diária: alimentação79
Funções dos alimentos81

Capítulo 5

Capítulo 6

higiene, vestimenta e conforto90
Higiene corporal90
As pessoas idosas realmente necessitam de banho diário?93
Princípios gerais para o banho de pessoas idosas96
Produtos para o cuidado com a pele utilizados no banho97
Tipos de banho98
Cuidados durante o banho100
Cuidado com as unhas das mãos e dos pés100
Higiene oral102
Cuidados com o vestuário103

Facilitando o desenvolvimento de atividades de vida diária:

Capítulo 7

administração de medicamentos105
Aspectos gerais da aquisição de medicamentos110
Aspectos gerais da administração de medicamentos1

Facilitando o desenvolvimento de atividades de vida diária:

Capítulo 8

mecanismos corporais, mobilização e transferência115
Movimento humano116
Impacto do envelhecimento nas estruturas ligadas ao movimento humano123
Mecânica corporal125
Aplicação da mecânica corporal127
Mobilização e transporte de pessoas idosas mais dependentes128
Auxílio na movimentação na cama de idosos mais dependentes129
Auxílio no transporte de idosos mais dependentes132

Facilitando o desenvolvimento de atividades de vida diária: Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .135

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AuxiliAndo A pessoA idosA em suAs AtividAdes cotidiAnAs cipal provedora de atenção a idosos portadores de incapacidades. outro fator preocupante é que muitos cuidadores de idosos com dependência também são idosos e, por essa razão, podem ter seu potencial de auxílio reduzido.

ressaltam-se as mudanças que vêm ocorrendo na estrutura e contexto das famílias. No Brasil, a maior parte das que contam com presença de idosos é pequena, com pessoas em etapas do ciclo vital mais avançadas. Soma-se a isso o fato de mais mulheres ocuparem, hoje, a condição de chefe do núcleo familiar e estarem cada vez mais trabalhando fora de casa; tradicionalmente, era delegado a elas o papel de cuidadoras de pessoas doentes ou com mais dependência. essas mudanças têm feito com que diversos idosos com algum grau de dependência não sejam assistidos, podendo sua condição agravar-se. Torna-se, assim, fundamental a criação de mecanismos sociais que garantam esse cuidado.

em vista da situação de desamparo em que se encontram muitos idosos mais dependentes, o treinamento e a disponibilização de pessoas para seu cuidado são urgentes e imprescindíveis. a adequação das políticas públicas no atendimento de tais demandas ainda está aquém da necessidade existente. Perante esse quadro, o desafio que se coloca é formular propostas e ações que equacionem problemas e avancem no esforço de criar uma rede de assistência à população idosa mais vulnerável e fragilizada.

um dos passos nessa construção é o desenvolvimento de um conjunto de informações padronizadas que visem a auxiliar uma capacitação mais homogênea dos cuidadores e, assim, permitir que essa ocupação evolua para profissão, com pessoal bem preparado e numericamente disponível para atender às demandas da sociedade. Diante disso, a Secretaria de assistência e Desenvolvimento Social do estado de São Paulo (Seads), buscando traçar as diretrizes de uma política de atenção à pessoa idosa adequada, elaborou, como uma de suas principais linhas de atuação, um programa de capacitação global destinado a desenvolver mão de obra qualificada para assistir os idosos mais dependentes segundo um eixo de orientação uniforme. esse programa tem por objetivos: Fornecer um “olhar gerontológico” aos profissionais que trabalham • com idosos. orientar os formadores de cuidadores de pessoas idosas e os próprios • cuidadores.

Tal iniciativa vem contribuir para o desenvolvimento de ações planejadas e programadas que visem à construção de uma rede de atenção e cuidados às pessoas idosas que lhes permita envelhecer sem temeridade, com dignidade e respeito.

este material representa parte da concretização de tais ações. Teve por base os trabalhos desenvolvidos nessa área, associados às melhores práticas (evidências). Não tem, no entanto, a intenção de ser um fim em si mesmo; procura apenas fornecer um direcionamento mínimo e mais homogêneo na construção de um cuidado adequado às demandas assistenciais das pessoas idosas. espera-se que seu conteúdo seja analisado e adaptado às realidades de cada região.

A oficina realizada em Blumenau (SC), em maio de 2007, coordenada pela Área Técnica de Saúde da Pessoa idosa e pelo Departamento de Gestão da educação na Saúde (Deges) do ministério da Saúde, tratou especificamente dos cursos de formadores de cuidadores de pessoas idosas e de cuidadores de pessoas idosas. a seguir, faremos uma síntese dos conteúdos trabalhados nessa ocasião.

uma de suas principais discussões versou sobre a necessidade de homogeneizar a formação de formadores, em decorrência das grandes disparidades entre os cursos de graduação na área de saúde no que se refere ao ensino de tópicos relacionados ao envelhecimento (geriatria e gerontologia). Geralmente, os formadores são das áreas de saúde, educação ou serviço social ou estão ligados a elas.

Capítulo 1

Eixos norteadores para cursos de formadores de cuidadores de pessoas idosas e de cuidadores de pessoas idosas

Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas16 eixos norteAdores pArA cursos de formAdores de cuidAdores de pessoAs idosAs e de cuidAdores de pessoAs idosAs embora seja preconizada pela Política Nacional do idoso a introdução de conteúdos específicos nos diferentes currículos de graduação, sabe- -se que isso, ainda hoje, está aquém do necessário.

Na oficina, foi consenso que o formador deve ter conhecimentos básicos sobre envelhecimento populacional e individual (nos amplos aspectos) e sobre cuidados com pessoas idosas com vários níveis de dependência, de diversas culturas e contextos sociais, e, na orientação de cuidadores, adaptar esses conhecimentos às realidades locais, buscando sempre uma construção conjunta e utilizando práticas pedagógicas que problematizem o processo de trabalho do cuidador.

Formadores de cuidadores de pessoas idosas

No que tange a esse grupo, a oficina teve por objetivos: assegurar a formação docente integral dos profissionais envolvidos • nos processos de qualificação/formação, tendo como referência central o significado social da ação educativa no âmbito da saúde pública e, especialmente, na formação do cuidador de idosos.

Constituir um docente crítico, capaz de aprender a aprender, de • trabalhar em equipe, de levar em conta a realidade social para prestar atenção humana de qualidade. estimular práticas de atenção à saúde, voltadas ao fortalecimento • de ações de recuperação, promoção e prevenção, oferecendo cuidado integral e autonomia das pessoas na produção da saúde.

a formação desse profissional deve: levar em conta o contexto sociopolítico, em interface com a assis-• tência social, a saúde, a educação e o meio ambiente. atender às expectativas dos setores envolvidos para mudanças efe-• tivas das práticas de atenção à saúde – ampliação do acesso e da cobertura para a população idosa.

ao final de sua preparação, o formador tem de ser capaz de: Desenvolver ações que busquem a integração entre as equipes de • saúde e a população idosa, considerando as características e as finalidades do trabalho de acompanhamento dos idosos com dependência. realizar, em conjunto com a equipe, atividades de planejamento e • avaliação das ações no âmbito de atuação de cada profissional.

Conduzir ações de promoção social e de proteção e desenvolvimen-• to da cidadania nas áreas social e da saúde.

Para a adequação do conteúdo, devem ser feitas as seguintes perguntas: Quem se quer formar?• Por que se quer ou necessita formar essas pessoas?• Quem será o formador e como se preconiza o ensino? • o que é necessário ensinar nos cursos de formadores e de cuidadores?• a seguir, apresentamos a síntese dos resultados dessas discussões.

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