Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas

Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas

(Parte 3 de 14)

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Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas18 eixos norteAdores pArA cursos de formAdores de cuidAdores de pessoAs idosAs e de cuidAdores de pessoAs idosAs

I. Quem se quer formar?

Cuidadores de pessoas idosas podem ser definidos como as pessoas que cuidam de idosos com dependência, desenvolvendo ações que promovam a melhoria de sua qualidade de vida em relação a si, à família e à sociedade. Suas ações fazem interface principalmente com a saúde, a educação e a assistência social e devem ser pautadas pela solidariedade, compaixão, paciência e equilíbrio emocional.

os cuidadores podem ser familiares, agregados à família ou profissionais (para atuar em domicílio ou em instituições). os requisitos mínimos, os conteúdos e as estratégias de abordagem nos cursos a serem realizados diferem, dependendo do público-alvo.

os cursos para cuidadores familiares destinam-se, de modo geral, a parentes disponíveis para assumir essa função. Pode-se, portanto, lidar com pessoas de diferentes níveis culturais e graus de escolarização. Não é incomum que muitos cuidadores familiares tenham baixa escolaridade ou não sejam alfabetizados. embora isso possa comprometer o cuidado a ser ministrado, bem como a capacidade de absorver os conteúdos previstos, é uma realidade com que se tem de trabalhar.

De modo geral, os cursos para cuidadores familiares têm por objetivos: Fornecer-lhes instrumentos para que cuidem da pessoa ido-• sa sob sua responsabilidade da melhor forma possível.

Facilitar seu dia a dia.• minimizar sua ansiedade na realização desse cuidado, para • o qual não se sentem capazes (em todos os aspectos, incluindo o emocional).

o formador deve lembrar que, em geral, as pessoas não esperam se tornar cuidadoras de seus parentes idosos e não se prepararam para esse fim. Com muita frequência, assumem essa função em circunstâncias mais ou menos repentinas e veem, assim, seu mundo se transformar rapidamente (necessidade de abandonar o trabalho, de realocar horários, de dispor de parte ou de quase toda a vida pessoal; gastos elevados e, quase sempre, nenhuma remuneração pela atividade; baixa valorização e pouco reconhecimento da atividade por outros familiares e pelo próprio idoso assistido; conflitos familiares antes não tão evidentes; pouca ou nenhuma colaboração de outros membros da família).

isso costuma gerar o que se denomina “sofrimento oculto” do cuidador, que é expresso por estresse e sofrimento, angústia, sentimento de culpa (por algumas vezes negligenciar o cuidado ou gritar com a pessoa de quem cuida), ira e agressividade (com o idoso e com a família), embaraço (na presença de outras pessoas, sobretudo com idosos com demência), fadiga física e emocional. essas situações serão mais ou menos acentuadas dependendo da funcionalidade familiar, ou seja, da capacidade da família de se reorganizar diante de tal imprevisto (o de contar com uma pessoa idosa dependente).

Os cuidadores de pessoas idosas devem desenvolver ações que promovam a melhoria de sua qualidade de vida em relação a si, à família e à sociedade.

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Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas20 eixos norteAdores pArA cursos de formAdores de cuidAdores de pessoAs idosAs e de cuidAdores de pessoAs idosAs a outra linha de formação de cuidadores visa à capacitação profissional. atualmente, os cuidadores aparecem na Classificação Brasileira de ocupações (CBo)1 na família 5162 – Cuidadores de crianças, jovens, adultos e idosos.

a ocupação é denominada “Cuidador de idosos” (código 5162-10) e tem como sinônimos “acompanhante de idosos, Cuidador de pessoas idosas e dependentes, Cuidador de idosos domiciliar, Cuidador de idosos institucional, Gero-sitter”.

Sua função primária é:

Cuidar de idosos, a partir de objetivos estabelecidos por instituições especializadas ou responsáveis diretos, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida.

a CBo deixa claro que essa ocupação não integra a família 3222 – Técnicos e auxiliares de enfermagem, minimizando quaisquer dúvidas que possam ser levantadas pelos respectivos conselhos profissionais.

as condições gerais de trabalho são as seguintes:

O trabalho é exercido em domicílios ou instituições cuidadoras [...] de idosos. As atividades são exercidas com alguma forma de supervisão, na condição de trabalho autônomo ou assalariado. Os horários de trabalho são variados: tempo integral, revezamento de turno ou períodos determinados. No caso de cuidadores de indivíduos com alteração de comportamento, estão sujeitos a lidar com situações de agressividade.

a CBo também descreve a formação e experiência dos cuidadores em geral:

Essas ocupações são acessíveis a pessoas com dois anos de experiência em domicílios ou instituições cuidadoras públicas, privadas ou ONGs, em funções supervisionadas de pajem, mãe-substituta ou auxiliar de cuidador, cuidando de pessoas das mais variadas idades. O acesso ao emprego também ocorre por meio de cursos e treinamentos de formação profissional básicos, concomitante ou após a formação mínima, que varia da quarta série do ensino fundamental até o ensino médio. Podem ter acesso os trabalhadores que estão sendo reconvertidos da ocupação de atendentes de enfermagem. No caso de atendimento a indivíduos com elevado grau de dependência, exige-se formação na área de saúde, devendo o profissional ser classificado na função de técnico/auxiliar de enfermagem. A(s) ocupação(ões) elencada(s) nesta família ocupacional demanda(m) formação profissional para efeitos do cálculo do número de aprendizes a serem contratados pelos estabelecimentos, nos termos do artigo 429 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), exceto os casos previstos no art. 10 do Decreto 5.598/2005.

as áreas de atividades e suas especificações envolvem: a) Cuidar da pessoa idosa:

Cuidar da aparência e higiene pessoal. Observar os horários das atividades diárias.

Ajudar no banho, na alimentação, no andar e nas necessidades fisiológicas.

1. Disponível em: <http://w.mtecbo.gov.br>.

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Estar atento às ações da pessoa idosa. Verificar as informações dadas pela pessoa idosa. Informar-se do dia a dia da pessoa idosa no retorno de sua folga. Relatar o dia a dia da pessoa idosa aos responsáveis. Manter o lazer e a recreação no dia a dia. Desestimular a agressividade da pessoa idosa. b) Promover o bem-estar:

Ouvir a pessoa idosa, respeitando sua necessidade individual de falar.

Dar apoio psicológico e emocional.

Ajudar na recuperação da autoestima, dos valores e da afetividade.

Promover momentos de afetividade. Estimular a independência.

Auxiliar e respeitar a pessoa idosa em sua necessidade espiritual e religiosa.

c) Cuidar da alimentação da pessoa idosa:

Participar da elaboração do cardápio. Verificar a despensa. Observar a qualidade e a validade dos alimentos. Fazer as compras conforme lista e cardápio. Preparar a alimentação. Servir a refeição em ambientes e em porções adequadas.

Estimular e controlar a ingestão de líquidos e de alimentos variados.

Reeducar os hábitos alimentares. d) Cuidar da saúde:

Observar temperatura, urina, fezes e vômitos. Controlar e observar a qualidade do sono. Ajudar nas terapias ocupacionais e físicas. Ter cuidados especiais com deficiências e dependências físicas. Manusear adequadamente. Observar alterações físicas. Observar alterações de comportamento. Lidar com comportamentos compulsivos e evitar ferimentos.

Controlar armazenamento, horário e ingestão de medicamentos, em domicílios.

Acompanhar a pessoa idosa em consultas e atendimentos médico-hospitalares.

Relatar a orientação médica aos responsáveis. Seguir a orientação médica. e) Cuidar do ambiente domiciliar e/ou institucional:

Cuidar dos afazeres domésticos. Manter o ambiente organizado e limpo. Promover adequação ambiental.

A CBO descreve a formação e experiência dos cuidadores, detalha suas atividades e lista as competências pessoais.

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Prevenir acidentes. Fazer compras para a casa e para a pessoa idosa. Administrar finanças. Cuidar da roupa e objetos pessoais da pessoa idosa. Preparar o leito de acordo com as necessidades da pessoa idosa. f) Incentivar a cultura e a educação:

Estimular o gosto pela música, dança e esporte. Selecionar jornais, livros e revistas. Ler histórias, textos e jornais para a pessoa idosa. Organizar biblioteca doméstica. g) Acompanhar em passeios, viagens e férias:

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