Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas

Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas

(Parte 4 de 14)

Planejar e fazer passeios. Listar objetos de viagem. Arrumar a bagagem. Preparar a mala de remédios. Preparar documentos e lista de telefones úteis. Preparar alimentação da viagem com antecedência. Acompanhar a pessoa idosa em atividade sociais e culturais.

Como competências pessoais do cuidador, a CBo lista as seguintes: 1. Manter capacidade e preparo físico, emocional e espiritual. 2. Cuidar de sua aparência e higiene pessoal. 3. Demonstrar educação e boas maneiras. 4. Adaptar-se a diferentes estruturas e padrões familiares e comunitários. 5. Respeitar a privacidade da pessoa idosa. 6. Demonstrar sensibilidade e paciência. 7. Saber ouvir. 8. Perceber e suprir carências afetivas. 9. Manter a calma em situações críticas. 10. Demonstrar discrição. 1. Observar e tomar resoluções.

12. Em situações especiais, superar seus limites físicos e emocionais. 13. Manter otimismo em situações adversas. 14. Reconhecer suas limitações e quando e onde procurar ajuda. 15. Demonstrar criatividade. 16. Lidar com a agressividade. 17. Lidar com seus sentimentos negativos e frustrações. 18. Lidar com perdas e mortes. 19. Buscar informações e orientações técnicas. 20. Obedecer a normas e estatutos. 21. Reciclar-se e atualizar-se por meio de encontros, palestras, cursos e seminários. 2. Respeitar a disposição dos objetos da pessoa idosa. 23. Dominar noções primárias de saúde. 24. Dominar técnicas de movimentação para a pessoa idosa não se machucar. 25. Dominar noções de economia e atividade doméstica. 26. Conciliar tempo de trabalho com tempo de folga. 27. Doar-se. 28. Demonstrar honestidade. 29. Conduta moral.

Cabe ressaltar que, como essas informações foram publicadas em 2002, muito se evoluiu na questão dos cuidadores profissionais e será necessária uma revisão de tal descrição.

um dos pontos principais relaciona-se à formação: apenas experiência anterior não deve ser considerada qualificação que exclua a capacitação.

Quanto aos requisitos mínimos, a escolaridade é um tema controverso. especialistas da área de gerontologia preconizam que o cuidador profissional deve ter, pelo menos, o ensino fundamental. Não se aceita

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Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas26 eixos norteAdores pArA cursos de formAdores de cuidAdores de pessoAs idosAs e de cuidAdores de pessoAs idosAs a formação de um cuidador profissional sem escolaridade mínima, diferentemente do cuidador familiar. No projeto do ministério da Saúde, como a formação dos cuidadores no âmbito público ficaria a cargo (mas não exclusivamente) das escolas Técnicas de Saúde, esse requisito se elevaria para o ensino médio, dadas as características das instituições. Como a CBo ainda não foi revista e a ocupação não é regulamentada, esse tópico precisa ser mais bem discutido para que se chegue a um consenso.

I. Por que se quer ou necessita formar essas pessoas?

Sobretudo pelo expressivo crescimento da população idosa, que não tem sido acompanhado por aumento similar do número de cuidadores disponíveis – em vez disso, está decrescendo com o passar do tempo, influenciado pela queda da taxa de fecundidade e pelas composições familiares cada vez menores. os índices de suporte e de dependência são utilizados como indicadores brutos das futuras necessidades de cuidados. Nos estados unidos, em 1980, havia 1 potenciais cuidadores para cada idoso; estima-se que essa média declinará para dez em 2010, para seis em 2030 e para quatro em 2050.

Soma-se a isso a crescente entrada das mulheres no mercado de trabalho, antes as principais cuidadoras de seus parentes idosos. Pesquisas demonstram que as norte-americanas gastam cerca de 17 anos cuidando dos filhos e 18 dos pais e que hoje elas cuidam mais dos pais que dos filhos.

e ainda devem ser consideradas as alterações na dinâmica de estudo e trabalho em muitos países, o que faz com que os idosos passem a viver longe de seus parentes. os filhos podem trabalhar em outros locais, enquanto os pais permanecem em sua cidade natal. estudo norte-americano constatou que pelo menos um terço de todos os filhos adultos mora a pelo menos 30 minutos de distância dos pais.

em grandes centros urbanos, destaque-se também o aumento do índice de violência, levando os filhos a falecer antes de seus pais.

esses fatores mostram que as pessoas idosas podem estar vulneráveis ao “não cuidado” caso apresentem qualquer problema mais incapacitante, pois seus familiares, que, ainda hoje, representam a principal fonte de cuidados, nem sempre estão facilmente disponíveis para atendê-las nessas situações de crise. isso tende a agravar o que seria um pequeno problema, por falta de assistência no tempo adequado, acarretando, muitas vezes, consequências irreparáveis.

É nesse contexto que urge a formação de pessoas habilitadas para cuidar de pessoas idosas, modificando o panorama ora instalado.

I. Quem será o formador e como se preconiza o ensino? o consenso é o de que sejam profissionais de nível universitário das áreas de saúde, educação e serviço social, desde que com conhecimentos gerais de saúde com ênfase no cuidado e específicos de gerontologia. o formador também deve ter ou desenvolver conhecimentos pedagógicos relacionados ao processo de ensino-aprendizagem, descritos sinteticamente a seguir.

Nem sempre a intenção de ensinar é traduzida em efetivação do aprendizado. mesmo com a intenção sincera de ensinar, se o aluno não aprendeu, a meta (apreensão, apropriação do conteúdo por ele) não foi atingida, ou seja, o ensino não ocorreu. a pessoa que recebe uma informação nova tem de ser capaz de repassá-la e, para tanto, precisa apreender a informação, apropriando-se desse conhecimento. Para apreender é necessário agir,

O número de cuidadores disponíveis deve acompanhar o expressivo crescimento da população idosa.

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Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas28 eixos norteAdores pArA cursos de formAdores de cuidAdores de pessoAs idosAs e de cuidAdores de pessoAs idosAs exercitar-se, informar-se, tomar para si, apropriar-se do objeto em estudo. aprender deriva de apreender e significa tomar conhecimento, reter na memória mediante estudo.

o processo de ensino-aprendizagem decorre de ações efetivadas dentro e fora da sala de aula. É imprescindível o envolvimento compartilhado com o conhecimento, que deve possibilitar o “pensar a situação” para que o aluno possa reelaborar as relações dos conteúdos, indo, portanto, além de “o quê?” e “como?”.

Nesse processo, o professor, no caso o formador, prepara e dirige as atividades e ações com base em estratégias selecionadas e leva os alunos a desenvolver processos de mobilização, construção e elaboração da síntese do conhecimento para assim chegarem ao que se chama “compreensão”. Com isso, eles serão capazes de reproduzir o que foi aprendido em qualquer circunstância, pois um processo de reflexão foi estabelecido conjuntamente.

Compreender é aprender o significado de um objeto ou de um acontecimento e visualizá-lo em suas relações com outros objetos e acontecimentos, compondo feixes de relações entrelaçados ou redes (construídas socialmente e em permanente estado de atualização).

o principal desafio é conseguir que os alunos desenvolvam a capacidade de abstração, ou seja, de reconstrução do objeto apreendido pela concepção de noções e princípios independentemente do modelo ou exemplo estudado/apresentado.

isso poderá ser desenvolvido pelo uso de diferentes estratégias. estratégias são ferramentas facilitadoras definidas pelos formadores durante o processo de ensino-aprendizagem para que os alunos se apropriem do conhecimento. exigem de quem as utiliza criatividade, percepção aguçada, vivência pessoal profunda e renovadora, além da capacidade de pôr em prática uma ideia valendo-se da faculdade de dominar o objeto trabalhado.

o formador deve utilizar estratégias que desafiem ou possibilitem que as operações de pensamento sejam despertadas, exercitadas, construídas e flexibilizadas pelas necessárias rupturas por meio da mobilização, da construção e das sínteses – vistas e revistas. lidar com diferentes estratégias, no entanto, não é fácil.

Há predominância da exposição de conteúdos (aulas expositivas e palestras) – estratégia funcional para a passagem de informações e memorização – por ser bem-aceita tanto pelos professores como pelos alunos. os conteúdos são passados prontos, acabados e determinados. outras estratégias têm sido preconizadas na formação de cuidadores, entre elas: aula expositiva dialogada; portfólio; tempestade cerebral (brainstorming); estudo dirigido; fórum de discussão; solução de pro-

O formador pode usar diferentes estratégias para facilitar a apropriação do conhecimento pelos alunos.

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Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas30 eixos norteAdores pArA cursos de formAdores de cuidAdores de pessoAs idosAs e de cuidAdores de pessoAs idosAs blemas; grupos de verbalização e de observação; dramatização; estudos de caso; oficinas de trabalho.

o uso das estratégias requer habilidade, organização, preparação cuidadosa, planejamento compartilhado e mutuamente comprometido com o aluno, que, como sujeito de seu processo de aprendizagem, atuará de maneira ativa.

Para a adequada utilização de estratégias pedagógicas diferenciadas com habilidade, talvez seja necessário que os formadores participem de oficinas pedagógicas, ou seja, grupos em que os professores estudam e trabalham um tema/problema, sob a orientação de um especialista, aliando teoria e prática. Com isso, eles aprenderão a fazer melhor seu trabalho mediante a aplicação e o processamento de conceitos e conhecimentos previamente adquiridos.

IV. O que é necessário ensinar nos cursos de formadores e de cuidadores?

Para o desenvolvimento dos cursos, foram definidos alguns eixos integradores e as competências e habilidades mínimas a eles relacionadas.

Eixo 1 – Interação e comunicação Competências a serem desenvolvidas

No final do curso, o cuidador deverá ser capaz de: Desenvolver ações que estimulem o processo de interação e comu-• nicação entre o idoso, seus familiares e a comunidade.

Compreender/interpretar as mensagens verbais e não verbais do • idoso e se fazer entender.

Promover/fazer a inter-relação entre família-serviços-comunidade • (rede).

Compreender e reconhecer o processo de comunicação do idoso • (verbal e não verbal).

Para atender a esse eixo, no final do curso, o cuidador deverá ter habilidade para:

Estimular a pessoa idosa na manutenção do convívio familiar e social.

Propor atividades que estimulem o uso da linguagem oral e de outras formas de comunicação pela pessoa idosa.

Promover, na família, ambiente favorável à conversação com a pessoa idosa.

Incentivar a socialização da pessoa idosa por meio da participação em grupos, tais como: grupos de acompanhamento terapêutico, de atividades socioculturais, de práticas corporais/físicas e outros.

Identificar redes de apoio na comunidade e estimular a participação da pessoa idosa, conforme orientações do plano de cuidado.

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