Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas

Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas

(Parte 6 de 14)

Alex

A nder r A ths

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Manual dos formadores de cuidadores de pessoas idosas36 eixos norteAdores pArA cursos de formAdores de cuidAdores de pessoAs idosAs e de cuidAdores de pessoAs idosAs

Eixo 5 – Direitos da pessoa idosa Competências a serem desenvolvidas

No final do curso, o cuidador deverá ser capaz de: Conhecer a legislação e os recursos para promover a garantia dos • direitos. identificar espaços de reivindicação dos direitos da pessoa idosa.•

Para atender a esse eixo, no final do curso, o cuidador deverá ter habilidade para:

Identificar as situações que apontem negligência aos direitos da pessoa idosa e promover os encaminhamentos necessários.

Reconhecer e saber utilizar os mecanismos que asseguram os direitos dos idosos como cidadãos.

Garantir o acesso da pessoa idosa a seus direitos legais utilizando os meios e recursos disponíveis.

Divulgar para a pessoa idosa, para seus familiares e para a comunidade a legislação em vigência sobre os direitos dos idosos.

os conteúdos ministrados visam a atender às competências e habilidades a serem desenvolvidas. a carga horária prevista para os cursos é de 160 horas, integrando conteúdos presenciais, não presenciais e atividades práticas.

Com base nessa proposta, a escola de enfermagem da universidade de São Paulo iniciou o desenvolvimento de tais cursos e acrescentou que, para certificação, os participantes deveriam elaborar e executar, em grupos de, no máximo, cinco pessoas, um curso para, no mínimo, dez cuidadores. Só seriam certificados como formadores os que tivessem seus cursos aprovados segundo critérios preestabelecidos e antecipadamente divulgados, após avaliação em todas as fases (planejamento, execução e avaliação).

a seguir, apresentamos uma sugestão de conteúdo mínimo para desenvolvimento dos cursos.

Cursos de formadores de cuidadores de pessoas idosas oficinas pedagógicas – estratégias de ensino-aprendizagem voltadas • ao ensino de adultos envelhecimento da população e da pessoa – aspectos epidemioló-• gicos e psicossociais envelhecimento da população e da pessoa – aspectos sociais• envelhecimento da população e da pessoa – aspectos psicológicos• envelhecimento da população e da pessoa – aspectos biofisioló-• gicos (senescência) aspectos funcionais do envelhecimento humano: autonomia, • dependência e independência a construção e manutenção de uma rede de suporte social e familiar • no transcorrer da vida

Cuidadores: definição, papéis, direitos e deveres (familiar, domici-• liar, institucional, acompanhantes de idosos)

Alex

A nder r A ths

/is t ockpho t o

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Desenvolvimento de uma relação de ajuda• Facilitando o desenvolvimento de atividades de vida diária: nutrição • e alimentação

Facilitando o desenvolvimento de atividades de vida diária: higiene, • vestimenta e conforto

Facilitando o desenvolvimento de atividades de vida diária: mobi-• lização e transferência

Facilitando o desenvolvimento de atividades de vida diária: • locomoção

Facilitando o desenvolvimento de atividades de vida diária: • continência

Cuidando de idosos com distúrbios cognitivos• Prevenindo situações de violência doméstica• atuando em situações de urgência e emergência• auxiliando no final da vida: processo de morrer, morte e luto•

Cursos de cuidadores de pessoas idosas

Princípios da relação de ajuda• mitos, atitudes e estereótipos relacionados ao • envelhecimento aspectos biopsicossociais do envelhecimen-• to do ser humano autonomia, dependência e independên-• cia da pessoa idosa – aspectos conceituais e legais e sua relação com o cuidado

Compreendendo as atividades de vida • diária (aVDs) em suas diferentes dimensões: básicas (aBVDs), − instrumentais (aiVDs) e − avançadas (aaVDs) − organizando o cuidado relacionado ao melhor • desempenho das atividades cotidianas (oficinas) mecanismos corporais − Higiene pessoal e banho − mobilização e transferência − Cuidados com a alimentação − organização dos medicamentos − manejando a incontinência (urinária e fecal) − Sono e repouso − repensando e organizando o dia a dia − Direitos e deveres da pessoa idosa (estatuto do idoso) − mantendo um ambiente saudável• o cuidado da pessoa idosa com comprometimento de memória • (ênfase em demências) entendendo a doença de alzheimer (Da) − a) reagindo ao diagnóstico b) o que acontece depois c) Contando aos familiares e amigos d) Possibilidades e perspectivas de tratamento reorganizando a vida − a) reorganizando o futuro b) Discutindo as possibilidades de cuidado com a família

Cuidando/auxiliando o portador de Da − a) Comunicação b) Higiene e conforto c) Vestimenta d) alimentação e) Programando atividades e exercícios f) incontinência g) Sono e repouso h) reconhecendo sinais e sintomas i) atuando em urgências e emergências

Oficinas pedagógicas fazem parte dos cursos de formadores e de cuidadores.

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Cuidando/auxiliando a família do portador de Da − a) lidando com alterações de comportamento b) lidando com comportamentos agressivos c) Compreendendo e manejando alucinações e delírios d) Perambulação e) Tornando o ambiente seguro f) recebendo visitas g) mantendo a estrutura familiar h) lidando com o luto identificando e atuando em situações de urgência e emergência• Cuidando no final da vida (processo de morrer, morte e luto)• o papel do cuidador – limites e possibilidades• Cuidando do cuidador•

Quando os cuidadores não forem os familiares, é fundamental que os conteúdos sobre a construção de uma relação de ajuda sejam desenvolvidos, pois isso vai constituir-se na base das atividades desses profissionais.

relação de ajuda pode ser entendida como uma ligação profunda e significativa entre a pessoa que ajuda e a que é ajudada, a qual ultrapassa as simples trocas funcionais, mantendo um prisma de crescimento e evolução. Cria vínculos com a execução de atividades de cuidado que tenham por princípio o respeito e a liberdade, ou seja, tenham por finalidade auxiliar a pessoa que é ajudada a restabelecer e manter sua autonomia.

Nesse contexto, entende-se “cuidar” como “ajudar a viver”. esse cuidado pode ser interno

Capítulo 2 A construção de uma relação de ajuda

Annett v A ute ck/is t ockpho t o

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A construção de umA relAção de AjudA ou externo, ou seja, posso ajudar a mim mesmo respondendo pessoalmente pelos cuidados usuais (cuidar-se) ou, ainda, ser ajudado por alguém integral ou parcialmente.

No transcorrer de nossa existência, vivenciamos muitas situações de ajuda, nas quais ora somos ajudados (cuidados), ora nos ajudamos (autocuidado), ora ajudamos (cuidamos) outras pessoas. Compreender isso nos remete a outro conceito, o de “ajuda compartilhada”, que envolve reciprocidade e solidariedade, em que todos necessitam uns dos outros e a troca referente ao cuidado prestado não gera sentimentos de dependência.

aquele que se propõe ajudar precisa ter adquirido experiência pes soal, relacionada ao processo de viver, às diferentes etapas da vida e a diferentes relações sociais em uma convivência com os mais diversos grupos de indivíduos. Nem sempre isso é permitido a algumas pessoas, pois às vezes elas se veem diante de situações de ajuda a outros sem nem sequer terem ultrapassado algumas etapas da vida adulta que lhes possibilitariam conjugar experiência e formação.

este capítulo foi elaborado com o propósito de suscitar reflexões e discussões acerca do que se faz necessário para a construção de uma relação de ajuda, peça fundamental no desenvolvimento, com qualidade, das atividades dos cuidadores. os pressupostos colocados a seguir basearam-se nas considerações de alguns autores sobre a construção de relações de ajuda (Carkhuff, 1977; lazure, 1994; Bérger, 1996; miranda e miranda, 1996).

Primeiros passos a primeira consideração a ser feita é que os cuidadores envolvidos com atividades de ajuda devem desenvolver habilidades específicas. embora sejam elementos fundamentais, não são suficientes apenas o interesse e a boa vontade. Não basta também apenas “saber” ou

“saber fazer” para o desenvolvimento de um “bom” cuidado. É necessário “saber ser” para si mesmo e para a pessoa idosa a quem se destina seu olhar.

Devemos reconhecer que, em muitas ocasiões, ajudamos porque isso nos faz bem, porque nos sentimos especialmente lisonjeados quando sabemos que somos responsáveis pelo bem-estar de alguém ou porque utilizamos esses momentos para fortalecimento próprio, durante o qual, de alguma forma, exercemos nosso “poder” sobre o outro, porque nos consideramos detentores do saber (e, portanto, do poder) perante aqueles que necessitam de nosso auxílio.

Conhecer-se é fundamental. Compreender que muitas das dificuldades que sentimos para lidar com os problemas, medos e sofrimentos das pessoas idosas ocorrem porque, talvez, tenhamos as mesmas dificuldades para lidar com nossos próprios medos e com nosso próprio sofrimento.

M A rk p A p A s /is t ockpho t o

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