Carne Vermelha - Mal de Parkison

Carne Vermelha - Mal de Parkison

PAGINA VIDA COM QUALIDADE

Mês setembro/2005

Lucette Morais CRF/RS 3628

Artigo 1

MAL DE PARKINSON... CARNE VERMELHA?

Um estudo feito por médicos da Universidade Federal de São Paulo em 2003 conseguiu resultados surpreendentes entre pacientes com Mal de Parkinson.

O simples ato de fazer a barba era impossível para o paciente e hoje ele sobe escada, recuperou muito da independência. Pacientes que apresentaram – pela primeira vez na historia médica - uma regressão no Mal de Parkinson. O tratamento, desenvolvido pela Universidade Federal de São Paulo, é simples e barato. Entrevistas com voluntários revelaram que todos comiam muita carne vermelha. E um exame de sangue mostrou que eles tinham deficiência de vitamina B-2, porque o organismo não absorvia essa substância. Foi a pista científica.

A carne vermelha libera no organismo uma substância chamada hemina. O excesso seria eliminado normalmente, em associação com a vitamina. Mas sem a B-2, a hemina leva ferro em excesso para dentro das células, provocando a degeneração. A receita médica foi só cortar a carne vermelha e tomar doses maciças de vitamina B-2. Isso sem abandonar os remédios tradicionais para controlar os sintomas.

Os 31 pacientes do estudo apresentaram melhoras. Quem estava na fase inicial da doença, já não tem mais sintomas e parou até de tomar remédios. Nem os pesquisadores esperavam um resultado

tão bom. "Foi uma surpresa extremamente agradável, porque a nossa expectativa é que a doença viesse apenas a estacionar. E o que verificamos foi que de fato a doença começou a regredir com uma recuperação funcional rápida dos pacientes.", comemorou o neurologista Cícero Galli Coimbra.

Simples, barato e milagroso. Os cientistas estão fazendo imagens de ressonância magnética nos pacientes antes e durante o tratamento, para tentar entender como o cérebro se recupera tão rápido. A substância hemina (liberada pela carne vermelha), quando não encontra vit. B-2 no organismo, provoca a degeneração celular. Mas os autores da pesquisa alertam: os pacientes não devem tomar vitamina B-2 por conta própria porque, em altas doses, ela pode provocar efeitos colaterais.

Artigo 2

ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA – REDUÇÃO DO COLESTEROL

Farmacêutica Lucette Morais CRF/RS 3628

To be or not to be is the question... estudo da Associação Médica Americana revela que dietas pobres em gordura animal tem praticamente o mesmo resultado das medicações para a redução de colesterol LDL no sangue - a famosa dieta vegetariana, rica em fibras e livre de qualquer tipo de gordura animal, reduz de forma significativa o nível de colesterol ruim (LDL) no sangue. Pesquisa publicada no Jornal da Associação Médica Americana (Jama) revela que esse tipo de alimentação é capaz de diminuir a taxa de LDL com praticamente a mesma eficácia de algumas estatinas, que são os medicamentos utilizados para controlar quantidades elevadas do colesterol LDL no sangue dos pacientes.

Segundo os resultados do estudo, a redução do colesterol entre as pessoas vegetarianas foi de 29%, enquanto que os pacientes que usaram os medicamentos conseguiram uma diminuição de 31%. Em um terceiro grupo, que aderiu a uma dieta com pouca quantidade de gordura, a taxa decresceu apenas 8%.

“O resultado obtido pelos vegetarianos é explicado pela forte presença de frutas, legumes e verduras na dieta (ricos em antioxidantes) e pela ausência de gordura animal”, afirma o nutrólogo Daniel Magnoni, do Hospital do Coração (HCor). Segundo o médico, a placa de gordura só se deposita na parede das artérias quando o LDL é oxidado. “Por isso é tão importante consumir substâncias antioxidantes”, diz.

Também num levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em 20 cidades que incluiu São Paulo, constatou que 40% da população tem nível de colesterol entre 200 e 240 miligramas por decilitro de sangue; o patamar ideal é não ultrapassar 200mg/dl. “Apesar de estar acima do recomendado, esse percentual de brasileiros é o que mais pode se beneficiar da dieta como tratamento”, garante Marcus Bolivar Malachias, coordenador do Selo SBC/Funcor de Qualidade de Alimentos. Segundo ele, uma alimentação controlada é capaz de reduzir pelo menos 30% do colesterol, pois o restante é produzido pelo fígado.

O nutrólogo Magnoni, afirma que apesar do bom resultado do estudo americano em relação à dieta, as pessoas não devem deixar de comer carne de uma hora para outra sem substituir por outra fonte de proteína. O nutricionista George Guimarães, da NutriVeg Consultoria - www.nutriveg.com.br, explica que o vegetarianismo causa problemas ao organismo apenas quando mal usado. “Não existe nada de tão essencial à saúde humana que não possa ser encontrado nos vegetais. É só saber quanto deve ser consumido”, garante.

Há três tipos de vegetarianos: os ovo-lacto-vegetarianos, que consomem ovos e laticínios; os lacto-vegetarianos, que ingerem laticínios e os vegetarianos puros, que não comem qualquer produto de origem animal, inclusive mel. Para o nutricionista George Guimarães, é possível substituir a proteína da carne com produtos à base de soja - “Os vegetarianos precisam ficar atentos para o consumo adequado de ferro, vitamina B12 e cálcio, nutrientes que estão presentes nos alimentos de origem animal”.

Artigo 3

A RELAÇÃO ENTRE NUTRIÇÃO E DISTÚRBIOS MENTAIS

Farmacêutica Lucette Morais CRF/RS 3628

Nas crianças, a hiperatividade, a falta de atenção, a dislexia e o comportamento anti-social ou agressivo podem ser manifestações do que elas comem, defende o britânico Neil Ward, do departamento de Química da Universidade de Surrey. Segundo o investigador, algumas crianças podem reagir aos aditivos, conservantes e corantes que se encontram nos produtos alimentares, o que causa alguns problemas comportamentais.

Neil Ward acompanhou vários grupos de crianças nas escolas com o objetivo de descobrir se os distúrbios de comportamento relacionados com químicos se registram em grupos isolados ou se todas as crianças estão em risco. Descobriu que alguns corantes podem levar a reações adversas 30 minutos após o seu consumo, tendo identificado como principais culpados os metais tóxicos, como o chumbo e o alumínio, e os corantes alimentares. As reações a esses químicos incluem perturbações comportamentais ou físicas, como urticária ou cansaço.

No entanto, descobrir uma ligação direta entre certos químicos e problemas de saúde pode ser uma tarefa complicada. São necessários dados científicos para provar que alguns químicos podem causar problemas comportamentais, mas por enquanto cabe apenas aos cientistas provarem isso mesmo.

Grande parte dos médicos e cientistas reconhece que a boa nutrição é o alicerce da saúde física; é estranho que a fundamental importância da nutrição cerebral tenha passado despercebida a muitos. Um motivo especial para se estranhar é que o cérebro, que apesar de deter apenas 2% do peso total de nosso corpo, na verdade usa ao menos 25% de nossas necessidades metabólicas. Em qualquer hipótese, era de se esperar que a nutrição fosse mais importante para o funcionamento do cérebro do que para outros órgãos do corpo humano.

Uma pesquisa no Departamento de Pediatria da University of Calgary no Canadá, por Bonnie Kaplande, fundamentada na teoria que diz que a deficiência de nutrientes (em parte, por determinação genética) mostrou que este pode ser o motivo por trás de certos distúrbios cerebrais e comportamentais. Existem várias linhas de raciocínio para esta pesquisa: o número de distúrbios mentais está aumentando; o conteúdo nutricional dos alimentos está diminuindo; e certas pesquisas mostram melhora nos sintomas cerebrais com a suplementação nutricional.

Os Distúrbios Mentais Estão Aumentando

Os dados atuais sugerem que distúrbios psiquiátricos severos como o transtorno bipolar e a esquizofrenia estão aumentando. Pesquisas epidemiológicas do final do século 19 mostraram uma taxa de prevalência de 1,8 entre 1000 pessoas. Por outro lado, as principais estatísticas norte-americanas nos últimos 20 anos mostram uma prevalência de 15 entre 1000. Quando analisamos uma extensão mais específica da história, comparando pessoas que buscaram tratamento ambulatório para a depressão, a taxa triplicou de 7.3 entre 1000 para 23.3 pessoas em apenas uma década (1987-1997). Também vale notar que muitos estudos mostraram que ao menos um terço da população de rua tem severos distúrbios psiquiátricos, como também uma proporção significativa da população carcerária. O impacto das doenças mentais é enorme. A depressão, claro, é um distúrbio mortal. Num estudo feito na Suíça, mais de 400 pessoas hospitalizadas com distúrbios de humor foram rastreadas 22 anos depois. O índice de mortalidade foi de 76% e as duas causas principais de morte era o suicídio e os distúrbios circulatórios. Nos Estados Unidos, estatísticas recentes mostraram que o suicídio era a décima primeira causa de morte no país.

O Conteúdo Nutritivo dos Alimentos está Diminuindo

Estudos recentes mostram que o conteúdo nutritivo de nosso alimento está diminuindo. O solo nunca antes cultivado na história humana é rico em micronutrientes (vitaminas e minerais). Os anos de uso do solo para a agricultura resulta na depreciação de muitos micronutrientes essenciais. Se alguém quisesse determinar se os sintomas cerebrais estariam de alguma forma associados à ingestão insuficiente de nutrientes, o primeiro passo lógico seria o de avaliar os níveis de nutrientes-chave no soro de pessoas com distúrbios mentais. Há alguns bons estudos realizados nos últimos 80 anos mostrando, por exemplo, que pessoas com esquizofrenia têm níveis significativamente baixos de ferro no soro ou baixos níveis de fluído cérebro-espinhal (FCE) e magnésio no soro.

Inúmeras investigações cientificas dentro da Medicina Ortomolecular, mostram melhora na função cerebral com formulações de múltiplos componentes vitamínicos e minerais, bem como pesquisa sobre componentes individuais. Estes estudos foram feitos em estudantes "normais", residentes em centros de jovens infratores e em pessoas com distúrbios mentais. Esta pesquisa sobre nutrição atua com um grupo muito interdisciplinar - psicólogos experimentais, psiquiatras, cientistas de nutrição, neuro-cientistas e outros cientistas.

Os resultados preliminares na University of Calgary mostram que uma fórmula de multi-compostos é promissora na ajuda a pessoas com significativas alterações de humor, tais como aquelas com transtorno bipolar ou crianças hiperativas e/ou déficit de atenção.

A Pesquisa em Medicina Complementar e Alternativa Entra em Ação

Muita pesquisa ainda precisa ser feita para desvendar este campo fascinante. Quando um indivíduo oriundo de uma família que parece carregar genes de pré-disposição a distúrbios mentais se beneficia clinicamente de suplementos nutricionais, isso pode ser uma pista importante sobre o papel destes genes em determinar as necessidades metabólicas dos canais neurotransmissores do cérebro.

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