Estudo da evolução do mercado siderúrgico em economias de crise

Estudo da evolução do mercado siderúrgico em economias de crise

(Parte 1 de 5)

BRENNO FERREIRA DE SOUZA 2010

Trabalho de Conclusão do Curso submetido como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Administração, no Curso de Graduação em Administração. DCAC/ICHS/UFRRJ.

Orientador: Professor - Msc. Marcelo Sales Ferreira.

Trabalho de Conclusão do Curso submetido como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Administração, no Curso de Administração.

TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO APROVADO EM 27/07/2010

Prof. Msc. Marcelo Sales Ferreira - UFRRJ Orientador

Dr. Silvestre Prado de Souza Neto – UFRRJ Membro

Profª. Msc. Kátia de Almeida – UFRRJ Membro

“Dedico este trabalho ao meu pai,

Ronaldo, que me ensinou a lutar até o fim e a minha mãe, Vania, que nunca acreditou existir um fim! Pois não mediram esforços para me apoiar durante esses anos de graduação.

Acompanharam minhas dificuldades e minhas vitórias. Hoje me torno o homem que eles criaram. E ao amigo amado, Rodrigo

Ramalho (in memorian), que me deixou com saudades, mas com a lembrança de todos os bons momentos ao seu lado.”

À Deus. Aos meus pais e a toda minha família pela compreensão e apoio. Aos professores pela paciência e pelo conhecimento transferido.

anos

Aos amigos de trabalho e de faculdade que estiveram do meu lado durante todos esses

Aos funcionários do CEDERJ e da UFRRJ pela atenção e auxílio nesse período, principalmente no Pólo CEDERJ de Piraí.

À todos os que me ajudaram durante essa importante jornada.

Todos até aqui tiveram uma grande importância na minha formação moral e profissional: Obrigado!

“Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós, faremos menção do nome do Senhor nosso Deus.”

A indústria siderúrgica como um todo, acompanhou a evolução econômica do período

Pós-Guerra até os dias atuais em três etapas: A primeira com o crescimento da economia e da atividade industrial na reconstrução pós-guerra, a segunda com a intensa estagnação do setor devido à desaceleração da economia dos países desenvolvidos, principais demandantes do produto siderúrgico, e a terceira pela reestruturação e desenvolvimento tecnológico do setor, principalmente com as privatizações, e em virtude do novo modelo econômico mundial, dos mercados globalizados, e da ascensão de economias emergentes. Então, foi apresentado o mercado siderúrgico mundial, o mercado nacional, sua segmentação, sua cadeia produtiva e suas séries históricas de produção e consumo, com a estimativa para os anos de 2010 à 2012, permitindo o estudo do comportamento da economia do aço nos contextos das principais crises econômicas e políticas, mundiais e nacionais desde a Primeira Crise do Petróleo em 1973 a Crise que abalou o mundo em 2008, revelando as fortes influências das variáveis micro e macroeconômicas na produção e consumo do aço e proporcionando uma contextualização histórica da economia voltada para a indústria siderúrgica. E finalmente, um estudo e análise de sua variação diante desse contexto, servindo de diferencial estratégico à essas indústrias na quantificação de oferta e demanda em virtude de ambientes de crises futuros.

Palavras-chave: Mercado Siderúrgico, Economia, Aço, Crises.

The siderurgical industry as a whole, followed the economic evolution of the Postwar period until the current days in three stages: First with the growth of the economy and the industrial activity in the reconstruction the postwar period, second with the intense stagnation of the sector due to deceleration of the economy of countries the developed, main plaintiffs of the siderurgical product, and the third for the reorganization and technological development of the sector, mainly with the privatizations, and in virtue of the new world-wide economic model, the global markets, and the ascension of emergent economies. Then, it was presented world-wide the steel market, the national market, its segmentation, its chain productive and its historical series of production and consumption, with the estimate for the years of 2010 until 2012, allowing to the study of the behavior of the steel economy in the contexts of the main economic crisis and politics, world-wide and national since the First Crisis of the Oil in 1973 until the Crisis that shook the world in 2008, disclosing to the strong influences of the micron and macroeconomic ones in the steel production and consume, and providing an steel economy historical evolution. Finally, a study and analysis of its variation ahead of this history, serving like a strategical differential to these industries in the quantification of offers and demand in future time of crisis.

Key words: Siderurgical Market, Economy, Steel, Crisis.

1. Introdução10
1.1. Contextualização do Tema10
1.2. Objetivos do Estudo1
1.2.1. Objetivos Gerais1
1.2.2. Objetivos Específicos12
1.3. Justificativas12
2. METODOLOGIA13
3. O MERCADO SIDERÚRGICO14
3.1. A Siderurgia Mundial14
3.2. A Indústria Siderúrgica Brasileira16
3.2.1. A Cadeia Produtiva Minero-Metalúrgica17
3.2.2. O Consumo Nacional de Aço18
SIDERÚRGICO21
4.1. A Economia Durante a Primeira Crise do Petróleo – 197321
4.1.1. A Origem da Crise do Petróleo21
4.1.2. A Crise do Petróleo em 19732
4.1.3. A Crise do Petróleo no Brasil23
4.2. A Economia Durante a Segunda Crise do Petróleo – 197925
4.2.1. O Efeito da Segunda Crise do Petróleo na Economia Nacional26
4.3. A Economia Após a Queda do Muro de Berlim - 198928
4.3.1. A Guerra Fria28
4.3.2. A Economia Pós-Guerra29
4.3.3. A Economia Brasileira no Período de 1986 a 199531
4.3.3.1. O Plano Cruzado - 198631

4. AS PRINCIPAIS CRISES MUNDIAIS QUE AFETARAM O MERCADO 4.3.3.2. O Plano Bresser e o Plano Verão ................................................................. 3

4.3.3.4. O Plano Real35
4.4. O Contexto Econômico Mundial (1998-2007)38
4.4.1. A Crise da Rússia – 199838
4.4.2. A Internacionalização da China40
4.5. A Economia Nacional no Período de 1997 a 200742
4.5.1. A Economia Nacional na Fase Pós Real42
4.5.2. O Contexto Nacional no Crescimento Mundial dos últimos anos4
4.6. A Crise Mundial de 200846
4.6.1. Os Efeitos da Recessão Mundial na Economia Brasileira50
Considerações finais53

1. INTRODUÇÃO

1.1. Contextualização do Tema

A Siderurgia, uma das principais representantes das indústrias de bens de capital, é um tema de grande interesse, justificado pelo fato de ser um dos principais ramos da economia nacional, principalmente no fornecimento de insumos para infra-estrutura, e para outros ramos que são indicadores da situação econômica: construção civil, indústria automobilística, indústria de utilidades domésticas e comerciais, além de bens de capital, máquinas e equipamentos.

Portanto, a indústria do aço se apresenta como objeto de estudos em um contexto de variáveis relevantes para seu crescimento como a expansão dos mercados internos, abertura crescente da economia, novos acordos de comércio e integração, avanços tecnológicos contínuos, com melhoria na qualidade, produtividade e competitividade entre os materiais, exigências sociais e ambientais crescentes e disponibilidade de serviços de logística adequados.

Neste cenário, segundo o Instituto Brasileiro de Siderurgia (2008), apresentam-se à siderurgia brasileira, inúmeros desafios como: a maior competição no mercado interno, com permanente adequação dos preços, a adequação a novas exigências ambientais, a crescente competição com materiais sucedâneos e substitutos do aço, a superação de barreiras de acesso a mercados externos, a atualização tecnológica permanente, o desenvolvimento de métodos gerenciais e de relações do trabalho ajustados a novas demandas da sociedade e do mercado, o aprimoramento de mecanismos de defesa contra práticas de comércio desleal e a maior disseminação de informações quanto à importância do aço e da siderurgia brasileira. Mas também apresentam correspondentes oportunidades como o desenvolvimento de novos mercados, o enobrecimento da mistura de produtos, o crescimento das exportações e redução de barreiras de acesso a mercados, a parceria com segmentos das cadeias produtivas para aumento de competitividade e maior agregação de valor no país, a melhoria da competitividade associada a avanços nas reformas estruturais do País e redução do “Custo Brasil”, o crescimento da demanda de aço pelo aumento da renda, dos investimentos e, por conseqüência, do consumo “per capita” de aço e a expansão da capacidade de produção do parque siderúrgico.

Para entender o efeito das variações econômicas nesse segmento em especial, apresentamos o mercado siderúrgico nacional e mundial através das mudanças estruturais evolvidas durante seus períodos distintos de evolução apresentados desde o período pós-guerra, até o período no qual os recursos estatais se esgotaram, e o crescimento exigiu a privatização no setor, promovendo uma reforma tecnológica, e um aumento na produção e consumo do aço, com novos produtos e possibilidades de aplicação e adequação. Por isso, pesquisamos a variação de sua produção mundial em séries históricas, e para o mercado nacional, estudamos seu consumo e sua segmentação, como principais atividades industriais demandantes por esse produto.

Após o entendimento do mercado siderúrgico, sua cadeia produtiva e seus principais consumidores, foi necessária a pesquisa das principais crises e eventos que afetaram a economia mundial, sendo as mais relevantes: a Primeira Crise do Petróleo (1973), a Segunda Crise do Petróleo (1979), a Queda do Muro de Berlim (1989), a Crise da Rússia (1998), a Abertura Econômica da China (2001) e a Crise Mundial de 2008. No âmbito nacional, além da repercussão desses eventos mundiais, estudamos os efeitos das crises dos diversos planos econômicos e diferentes governos na economia nacional.

1.2. Objetivos do Estudo

Este trabalho analisa a variação da produção e do consumo siderúrgico através das diversas crises econômicas que afetaram a economia mundial no período pós-guerra até os dias atuais. Para isso, foi estudada cada crise mundial, seu efeito nas economias do mundo, sua repercussão nacional, e finalmente, seu efeito no mercado do aço, através das variações de volumes produzidos e consumidos ao longo desses anos.

Através dessa contextualização, e das séries históricas obtidas, estudamos o consumo aparente do aço no Brasil, com o objetivo para o trabalho de entender quais grandes setores que afetaram e ainda afetam a indústria siderúrgica nacional. E também na esfera mundial, como as crises e variáveis micro e macroeconômicas como políticas governamentais, agentes reguladores, consumo, crédito, Produto Interno Bruto, inflação, desemprego, disponibilidade de crédito entre outros afetam a produção e consumo através da variação dos volumes ofertados e demandados, respectivamente.

Sendo assim, o problema de pesquisa em que esse estudo se baseia é o seguinte: A influência das crises econômicas mundiais e dos planos econômicos nacionais na produção e consumo do aço.

1.2.2. Objetivos Específicos i) Identificar os efeitos das principais crises econômicas, nacionais e internacionais, no mercado de aço. i) Apresentar a evolução histórica e os principais marcos da indústria de aço no Brasil e no mundo.

1.3. Justificativas

A escolha do tema foi baseada na vivência profissional em uma indústria siderúrgica em um momento no qual a produção e o volume de vendas foram afetados pela crise econômica mundial de 2008.

Decidiu-se então, pesquisar e analisar a influência das crises anteriores no mercado do aço, a duração e o valor percentual das quedas nesse segmento, de maneira a conhecer as principais variáveis econômicas que o afetou, e através desses dados, possibilitar a empresa uma atuação de maneira estratégica através de projeções futuras e planos de negócios para a venda do produto siderúrgico no mercado nacional e sua produção no mercado mundial.

2. METODOLOGIA

Como metodologia utilizada para este trabalho, foi adotada uma abordagem mista, com o levantamento e análise bibliográfica dos principais eventos econômicos históricos que possam estar associados à evolução do mercado siderúrgico e através destes, organizamos a evolução histórica da produção e consumo de aço, através de dados recebidos de instituições nacionais e internacionais de siderurgia de análise do mercado siderúrgico, analisando seu comportamento aos eventos econômicos estudados.

Segundo Reis (2006), levantamento bibliográfico é o estudo exploratório da bibliografia concernente ao tema e ao objeto de estudo no universo da área de conhecimento de formação do aluno, que visa familiarizar o aluno com o tema escolhido, fornecer os elementos para determinar os conceitos da pesquisa, definir corretamente o estudo e esclarecer seu significado específico. Assim, o método é utilizado para que o pesquisador encontre o objeto de estudo a ser explorado no desenvolvimento do trabalho monográfico.

Quanto ao objetivo, foi desenvolvida uma questão geral sobre a evolução do mercado siderúrgico e o estudo desses eventos econômicos, quer sejam crises ou planos nacionais, definindo o tema e o período a ser estudado, demarcando as questões problemas da pesquisa.

3. O MERCADO SIDERÚRGICO

3.1. A Siderurgia Mundial

A siderurgia mundial se divide em três períodos de evolução distintos. Andrade et al (2001) afirma que o primeiro corresponde ao período pós-guerra até a década de 70, onde houve enorme desenvolvimento, assim como ocorreu com outros setores da economia. Entre 1945 e 1979, a taxa média anual de crescimento da produção mundial de aço bruto foi cerca de 5%. A reconstrução de tudo aquilo perdido na guerra impulsionou as atividades industriais, favorecendo alguns países no rápido desenvolvimento de suas economias. Assim, houve um grande crescimento da siderurgia nos países desenvolvidos e também em alguns países em desenvolvimento, que como o Brasil, implantaram e expandiram sua siderurgia no âmbito nacional. Nesse período, a siderurgia mundial era predominantemente estatal: o índice de estatização da produção de aço atingiu 75% em 1980.

O segundo período, na década de 80, caracteriza-se pela estagnação do setor com produção em torno de 700 milhões de t/ano, e pela desaceleração do crescimento das economias desenvolvidas, influenciando o comportamento da demanda de aço. Esse estágio, onde a oferta de aço aumentava, com os preços em queda, caracterizou-se também pela intensificação do uso de sucedâneos como o alumínio, o plástico e a cerâmica, ameaçando a hegemonia do aço.

As estatais tinham limitações para completar sua capacidade, criando elas próprias, barreiras para seu crescimento. Influenciado por questões e decisões políticas, o controle do governo reduzia a velocidade de resposta e a liberdade das siderúrgicas em relação às exigências do mercado e às mudanças do ambiente. De maneira geral, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias de produtos e processos realizados pelas empresas foram deficientes. Muitas delas tornaram-se lentas, desatualizadas ou até mesmo obsoletas tecnologicamente, pouco racionalizadas e pouco eficientes em custo, pois muitas vezes eram protegidas por mercados fechados. As indústrias estatais de aço eram a própria necessidade de reestruturação e agilização da siderurgia mundial, em processo de estagnação.

Por último, o terceiro período, iniciado em 1988 e que se mantém até os dias atuais, caracterizou-se pela reestruturação, com profundas e constantes transformações do setor. Impulsionado pelas idéias de abertura e globalização dos mercados, iniciou-se um grande processo de privatização na siderurgia mundial. Esse movimento, que pode ser considerado como ponto de partida para a reestruturação, ocorreu ao longo de toda a década de 90 até os dias atuais de forma constante e intensa. Isso é constatado através da variação da participação estatal na produção mundial de aço: Em 1990 as estatais eram responsáveis por 60% da produção mundial, em 1994 atingiu 40% e atualmente restam menos de 20% nas mãos do estado, com grande concentração na Rússia, Ucrânia e China.

Figura 1: Série Histórica da Produção Mundial de Aço. Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS).

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