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Etnia: conjunto de indivíduos que apresentam idênticos caracteres físicos e culturais. Força de trabalho: conjunto de faculdades físicas e mentais que habilitam um homem a realizar qualquer atividade produtora de riqueza.

Custo de criação: ou de formação do indivíduo correspondente à quantidade gasta à criação e formação de uma criança até que ela se torne um produtor. Aculturação: termo sociológico que se refere ao conjunto dos fenômenos determinados pelo contato de grupos de indivíduos de culturas diferentes.

Assimilação: interpretação e fusão de culturas. Enquistamento: relativo à formação de "quistos raciais" e culturais, dificuldade em assimilar culturas.

Latifúndio: propriedade rural de grande dimensão geralmente inexplorada ou indevidamente explorada. Minifúndio: propriedade rural de pequenas proporções, geralmente explorada através da agricultura de subsistência. Policultura: sistema agrícola que se baseia no cultivo de vários produtos simultaneamente, em diferentes espaços. Expropriar: retirar alguma coisa de alguém, roubar.

Grileiro: aquele que procura apossar-se de terras alheias mediante escrituras falsas. Arrendatário: aquele que arrenda uma propriedade ou parte desta, mediante um certo preço e tempo.

Posseiro: que se estabelece em terras de alguém com o intuito de produzir para sua subsistência e seu grupo. Parceiro: tipo de exploração indireta da terra onde se estipula a porcentagem para divisão dos lucros.

Fatores favoráveis à imigração

Entre os vários fatores favoráveis à imigração, podemos citar os seguintes: ò grande extensão do território e escassez de população; òdesenvolvimento da cultura cafeeira no Planalto Paulista, que passou a exigir numerosa mão-de obra; ò dificuldades em se obter escravos africanos após a extinção do tráfico (1850); ò abolição da escravatura (13/5/1888); ò custeio dos gastos de transporte do imigrante pelo governo; ò crise econômica na Itália, Alemanha e Espanha, caracterizada pelo desemprego, estimulando o fluxo imigratório para o Brasil.

Fatores desfavoráveis à imigração

Entre os fatores desfavoráveis, podemos citar os seguintes: ò tropicalidade do país, em contraste com os países de emigração, que são, em geral, de clima temperado; ò falta de uma firme política de colonização e imigração; ò falta de garantias para os que aqui chegavam como imigrantes; ò obrigatoriedade, por parte do imigrante, de pagar o financiamento da viagem.

Alterações na década da 30

A partir da década de 1930, diminuiu acentuadamente a entrada de imigrantes, devido a vários fatores: ò tendência a evitar saídas de indivíduos, por parte dos países emigratórios; ò melhoria das condições sociais dos povos europeus; ò crise da Bolsa de Nova Iorque, com a conseqüente crise econômica no Brasil (1930); òmedidas constitucionais de 1934 e 1937, que estabeleceram a cota de imigração, isto é, sópoderiam entrar no país 2% de cada nacionalidade dos imigrantes que haviam entrado entre 1884 e 1934; òmedidas legais com o intuito de fazer uma seleção profissional (80% dos imigrantes que entravam a cada ano deveriam ser agricultores e permanecer um mínimo de 4 anos na lavoura); ò seleção de caráter social:ò última Guerra Mundial.

Durante a Segunda Guema Mundial, praticamente, paralisou-se a imigração, tendo entrado apenas 18.500 imigrantes no país.

Fatores que motiveram a imigração para o sudeste e sul ò natureza climática dessas regiões, por terem favorecido a instalação dos europeus; ò desenvolvimento da cultura cafeeira, principalmente em São Paulo; ò colonização de povoamento, desenvolvida no Sul do país principalmente; ò desenvolvimento econômico ocorrido anós 1850.

Conseqüências desta imigração ò formação das pequenas e médias propriedades rurais; ò introdução de novas formas de produção rural; ò introdução de novos vegetais na agricultura; ò composição étnica com predominância de brancos. Grupos de imigrantes

1. Suíços de língua alemã

Foram os primeiros imigrantes chegados ao Brasil (1819). Fixaram-se no Rio de Janeiro, fundando a cidade de Nova Friburgo. Esta colonização não deu o resultado esperado, principalmente por falta de meios de comunicação e transporte. Mesmo assim, foi esta a primeira colônia de imigrantes não-portugueses, organizada e subvencionada pelo governo.

2. Alemães Começararam a chegar a partir de 1824. Radicaram-se principalmente no Rio Grande do Sul, fundando São

Leopoldo, Novo Hamburgo, Gramado e Canela, e em Santa Catarina (Vale do Itajaí), onde fundaram Blumenau, Brusque, Itajaí e, no litoral de Santa Catarina, Joinville. Fixaram-se, também, nas proximidades de São Paulo (Santo Amaro), Rio de Janeiro e Espírito Santo (Colatina).

Em São Paulo, na região de Limeira, em 1852, um plantador de café, o senador Vergueiro, transferiu 80 famílias de camponeses alemães para a sua Fazenda Ibicaha. Depois, outros fazendeiros fizeram o mesmo.

Por meio do sistema de colônias de povoamento e utilizando o sistema de trabalho familiar, os alemães difundiram, no Sul do país, a policultura em pequenas propriedades e a "indústria doméstica".

A influência dos alemães é principalmente notada em Santa Catarina, onde encontramos construções, hábitos alimentares e outros aspectos típicos da cultura germânica.

Em 1970, o total de imigrantes alemães era de aproximadamente 260 mil, sendo 38% em São Paulo, 17% no Rio rrande do Sul e 12% em Santa Catarina.

A integração cultural dos alemães foi bastante difícil principalmente pela grande diferença entre ambas as culturas. Após a Segunda Guerra Mundial, o governo brasileiro tomou medidas no sentido de integrá-los definitivamente ao nosso padrão cultural, evitando a formação de novos "quistos raciais" em que viviam até há pouco tempo.

3. Eslavos

Começaram a chegar a partir de 1875, sendo oriundos da Polônia, Rússia Branca e Ucrânia. Fixaram-se notadamente, no Paraná, onde também criaram uma paisagem cultural própria (Curitiba, Ponta Grossa e Castro), mas também estão localizados no Rio Grande do Sul.

O principal núcleo polonês é o de Ivaí, no Paraná. Embora em menor número, os eslavos apresentaram certas dificuldades à integraçâo cultural (língua, costumes etc.); dedicaram-se ao extrativismo da madeira, serrarias e agricultura.

4. Turcos e árabes

Popularmente conhecidos turcos, compreendem os sírios, libaneses, árabes palestinos. Estes povos apresentam vários traços culturais em comum: lingua, religião etc.

A sua grande imigração para o Brasil ocorreu entre 1860 e 1870, prolongando-se até 1890. Neste período, foram para a Amazônia, atraídos pela economia da borracha em ascensão; outros dirigiram-se para as diversas cidades brasileiras. Já nessa época, dedicavam-se ao comércio, sendo bastante conhecida a figura do "turcomascate".

Após 1890, a entrada desses imigrantes continuou em número menor, tendo havido, nos últimos anos, um recrudescimento.

Localizaram-se mais nas cidades grandes, dedicando-se ao comércio e a outras atividades culturais e industriais.

Como a Síria e o Líbano estiveram sob o domínio da Turquia, esses imigrantes eram registrados no Brasil como turcos.

5. Japoneses

São imigrantes cuja presença no país é das mais recentes: o primeiro grupo chegou em 1908. 0 período de maior entrada foi entre os anos de 1924 e 1934. São provenientes de áreas rurais do Japão. Localizaram-se em duas zonas, no Sul e no Norte do país.

Para o Sul, desde o início, vieram os contingentes mais numerosos; localizaram-se no Vale do Ribeira de

Iguape, Vale do Paraíba, Alta Paulista, Alta Sorocabana, Noroeste e Norte do Paraná. Localizaram-se também no Mato Grosso do Sul.

Trabalhando como assalariados nas fazendas de café ou de algodão, como pequenos proprietários ou organizados em cooperativas, encontramos os imigrantes japoneses dedicando-se com afinco ao cultivo dos mais diferentes vegetais.

Em São Paulo, são encontrados: ò na região de Marília, Bastos e Tupã, dedicando-se ao cultivo do algodão, à sericultura e a outras culturas; ò no Vale do Ribeira de Iguape, destacando-se a cidade de Registro, onde introduziram o cultivo do chá; ò no Vale dó Paraíba do Sul, onde desenvolveram, nas áreas alagadiças, a rizicultura; ò nos arredores de São Paulo, onde se estabeleceram em pequenas propriedades, formando o chamado "cinturão verde".

No norte do país, localizam-se nas proximidades da extinta ferrovia Belém-Bragança e no Vale Médio do Rio

Amazonas; dedicaram-se à cultura da pimenta-do-reino e da juta, realizando cultura de várzea. Chegaram a essa zona a partir de 1924, mas só após 1951 o seu número se tomou importante.

Embora de forma geral dediquem-se a atividades agrícolas, atualmente são encontrados em cidades nas áreas urbanas, exercendo as mais diversas atividades.

A integração cultural destes imigrantes foi bastante difícil, pela grande diferença entre as culturas. Porém, nos últimos anos, tem-se tornado mais efetiva esta integração, devido aos esforços dispensados por parte do governo brasileiro, evitando a formação dos "quistos raciais".

Em 1970, haviam entrado 240 mil japoneses, sendo que aproximadamente 85% encontram-se no Estado de São Paulo, 12% no Paraná e 3% no Pará.

6. Italianos

Dentre os imigrantes aportados no Brasil, os italianos ocupam o 2° lugar, vindo após os portugueses.

O período áureo da imigração italiana foi de 1887 a 1914, embora tivessem vindo desde o início do processo migratório brasileiro.

São provenientes de quase toda a Itália, destacando-se, porém, algumas regiões: Lombardia, Veneza, Gênova. Calábria, Piemonte.

Estes imigrantes localizaram-se na parte centro-norte do Rio Grande do Sul. Fundaram cidades como Caxias do Sul, Garibaldi, Bento Gonçalves, Flores da Cunha e Farroupilha. Nestas áreas deram início à vinicultura, notadamente instalando-se em pequenas propriedades.

Em Santa Catarina, também a sua atividade principal foi a agricultura, ao lado de indústrias domésticas.

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