A química e o ato de educar

A química e o ato de educar

UFRPE – Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Departamento de Química.

Licenciatura Plena em Química.

Disciplina: Fundamentos Históricos Filosóficos Sociológicos da Educação.

Professora: Maria Aparecida.

Alunos:

Merielle Arruda.

Roberto Carlos.

Verificação de Aprendizagem

Junho, 2010.

  1. A química e o ato de educar

Segundo Libâneo, “educar é conduzir, modificar. Para tanto, o educador precisa-se valer do “ato pedagógico”, ou seja, “atividades sistemáticas de interação entre seres sociais, configuradas por ações sobre sujeitos ou grupos de sujeitos, visando provocar mudanças que os tornem elementos ativos dessa própria ação exercida”. Admite-se, por tanto, três pilares que permitem a existência do ato pedagógico : o agente (alguém), a mensagem ( conteúdos) e o educando (aluno).

Assim, os pensadores da educação defendem que educar é um processo de vida e não uma mera preparação para a vida. Sendo assim, há de se “ressignificar” os processos didáticos, de modo que, através deles, possa a vida fazer parte do cotidiano educativo. Essa “ressignificação” passa primeiramente pelos conceitos que se tem a respeito de educação e a quem, ou a quê, ela se destina. Para isso, há de se ter “uma visão mais significativa e ampla do mundo em que vivemos: seus conceitos, sua utopia, e o tipo de cidadão que ele (o mundo), precisa para enriquecê-lo, transformá-lo e pensá-lo de forma mais crítica, criativa e amorosa” (FREIRE, 1996 p. 147).

Não se pode simplesmente determinar que a escola deva formar um cidadão para atuar no mundo do trabalho, ou no mundo político, ou no mundo intelectual. A escola deve pensar numa formação que todos deveriam ter, independente do papel social e econômico virá a ter no futuro.

A partir deste raciocínio, o ensino de química precisa ser abordado, visando transformar o modo de pensar do aluno para que ele desenvolva habilidades questionadoras assumindo uma postura crítica perante os valores que forem propostos. Devem-se priorizar os conhecimentos e habilidades que permitam ao aluno o domínio teórico da disciplina, iniciativa em buscar respostas às questões levantadas, processando novas informações e a relação entre o ensino de química em sala de aula e seu ambiente de convívio, visando a “práxis” entre a teoria e a prática.

    1. Desenvolvendo o ato de educar no ensino de sais solúveis e insolúveis em água.

Para a maioria dos alunos de ensino médio estudar química pode não ser uma tarefa prazerosa. Ao estudar os sais solúveis e insolúveis em solução aquosa o aluno se vê obrigado a decorar ou memorizar de maneira compulsória os diferentes elementos e o modo como se comportam. Assim, não percebemos o ato de educar como “instância mediadora”, pois não “há uma relação de reciprocidade entre o indivíduo e a sociedade” (ARANHA, 2000 p. 51).

Entretanto, devemos lembrar que o aluno é o agente da aprendizagem e o professor deve assumir a função de orientador/facilitador dessa aprendizagem, para tanto é necessário alguns instrumentos que ajudem facilitar esse processo. O professor pode organizar os cátions e os ânions que compõem os sais em uma tabela que facilite o aprendizado dos alunos conforme o exemplo abaixo:

Tabela 1 – sais solúveis e insolúveis.

A aplicabilidade dos sais solúveis e insolúveis no cotidiano dos alunos deve ser explorada para despertar o interesse e permitir o surgimento de questionamentos que fomentem o desejo pela pesquisa e, portanto, a devida aprendizagem. Para tanto, o professor poderá utilizar sais simples do dia a dia dos alunos a fim de demonstrar a confirmação das teses estudadas.

Tomemos por exemplo o sal de cozinha utilizado como condimento para a preparação de alimentos. Ao adicionarmos o sal de cozinha em água teremos uma solução aquosa de sal e água. Segundo as literaturas teremos a seguinte reação:

NaCl(s) + H2O Na+ + Cl- + H2O

Figura 1 – ilustração da solução aquosa de sal de cozinha.

Visualmente os alunos perceberão que o sal é totalmente dissolvido em água não sendo possível visualizá-lo. Assim, o professor poderá relacionar o fato com o conteúdo proposto ressaltando que houve uma dissociação do cátion Na+ e do ânion Cl- eainda fazer uma ressalva ao fenômeno, denominando-o como mistura homogênea (onde não se podem visualizar as fases).

Portanto, estas estratégias simples mostram que é possível tratar a química na perspectiva do ato de educar. O professor de química deverá estar sempre atento ao fator motivação que é aquele que faz com que queiramos aprender ou saber algo. Sem essa motivação, “provavelmente não se convence alguém a mudar um comportamento, uma postura, ou adquirir um novo conhecimento” (FREIRE, 1996 p. 178). O professor neste caso tem um papel fundamental, já que ele pode proporcionar em suas aulas situações motivadoras, relacionando aos conhecimentos que seus alunos já possuem, através de diferentes estratégias sistêmicas, seqüenciais e combinatórias.

  1. PARTE DE MERIELLE

  1. A química e o envolvimento dos alunos

Conforme já discutido no item 1, é de responsabilidade do professor promover a práxis entre a teoria e a prática, adequando o conteúdo ao cotidiano dos alunos a fim de fomentar o questionamento e por fim formar um individuo crítico. No ensino de química não é diferente. Por ser uma ciência de base experimental o professor poderá sempre valer-se de situações-problemas ou experimentos que necessitem de aparelhagem simples e que possibilitem aos alunos a visualização dos fenômenos e, portanto, se envolverem e obterem bom desempenho.

Tomaremos como exemplo o conteúdo de pilhas discutido no ensino médio. Este conteúdo é um exemplo claro da aplicabilidade dos conceitos de reações de oxido-redução e pode ser explorado pelo professor de química através da confecção de uma pilha de limão em sala de aula. Tal experimento não apresenta nenhum risco envolvido no processo ou qualquer tipo de aparelhagem laboratorial que esteja fora da realidade dos alunos. Vejamos como se pode elaborar uma aula de pilhas e reportar-se aos conteúdos de oxido-redução de maneira dinâmica e participativa:

- Objetivo:

Confeccionar pilhas utilizando limões verificar a tensão fornecida a um LED. Além disso, descrever as reações de oxido-redução envolvidas no processo.

Materiais

2 limões

1 voltímetro

2 pedaços de cobre

1 LED (pequena lâmpada)

2 pregos de zinco ou pedaços de zinco

4 pedaços de fio fino

Tabela 2 – materiais para a prática.

- Procedimentos:

  1. Enfiar a uma moeda ou pedaço de cobre em cada limão;

  2. Enfiar um prego ou pedaço de zinco em cada limão;

  3. Com a ajuda do multímetro e auxilio do professor, verificar a tensão fornecida pela pilha;

  4. Com a ajuda do colega, segurar os dois pedaços de fio nas extremidades do cobre e do zinco

  5. Pegue o LED e coloque na ponta decapada dos fios e verifique se ele ascende.

  6. Associar as pilhas de limão em série e verificar o que acontece com a tensão usando o multímetro com auxilio do professor.

Os procedimentos deverão ser realizados conforme as figuras abaixo:

Figura 1 Figura 2 Figura 3 figura 4

- Resultado e discussões do experimento:

Ao confeccionar a pilha, o multímetro mostra tensão de aproximadamente 1,0V, que segundo Usberco e Salvador, é a tensão padrão para uma pilha de cobre e zinco. O limão serve como “ponte salina” utilizada para confeccionar a pilha em laboratório. Assim, podemos escrever as reações do fenômeno:

Figura 5

Visualmente podemos observar o Zinco sendo consumido. Isso acontece devido a oxidação sofrida pelo Zinco durante o fornecimento de tensão elétrica. Os elétrons saem do zinco e migram através do fio para o pedaço de cobre fornecendo corrente elétrica que permite que o LED ascenda. Em contraste, observa-se visualmente o aumento do pedaço de cobre devido a sua redução constatada nas equações químicas que características da pilha a base de limão.

Ao associar as pilhas em série, percebe-se um aumento da tensão. Isto se dá pelo somatório da tensão fornecida pelas duas pilhas. Isso fará com que o brilho do LED fique ainda mais intenso.

- Conclusões:

O experimento possibilita o entendimento mais completo do conceito de reações redox, bem como a introdução de um novo conceito: Eletroquímica. Percebe-se através da construção da pilha como as reações químicas espontâneas são utilizadas para produzir energia elétrica e como elas são aplicadas. Pode-se perceber como os elétrons se comportam na reação. Observa-se também a importância da associação de pilhas e quanto elas são significativas para o nosso cotidiano, como uso de carregadores, controles remotos, rádios, baterias de carro e de celular, entre outras aplicações.

- Resultados esperados pelo professor:

Através do experimento os alunos se concentrarão na atividade e conseguirão relacionar a teoria e a prática. A aula prática irá aguçar o sentido visual de todos; permitirá que o desenrolar da aula não seja enfadonho ou cansativo.

O professor poderá esperar um envolvimento em massa do grupo; deverá atuar apenas na organização dos eventos e discussão das idéias. Com toda a certeza irão surgir dúvidas que, através da exposição teórica, poderão ser respondidas. O professor terá ainda em mãos a oportunidade de fomentar a pesquisa propondo outras possíveis alternativas para a confecção de pilhas artesanais.

Portanto, podemos estar certo que a dinâmica da aula será produtiva e não uma mera exposição de idéias, que, ao consumida, provavelmente tornar-se-ão “palavras ao vento”. Os alunos perceberão que a química não é uma coisa complicada, executada somente por químicos especializados e laboratórios com aparelhagem cara e sofisticada. Pelo contrario, ela está sempre presente no nosso dia-a-dia.

Referências Bibliográficas

  • FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 18 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

  • VEIGA, Ilma A (org). Técnicas de Ensino: Por que não?. São Paulo: Papirus, 1991.

  • ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996. 2 ed.

  • AMARAL, Luciano do; Trabalhos práticos de química. São Paulo. Livraria Nobel,1966; Volume 2.

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