Projeto Avaliação Comportamental de Tubarão lixa em Cativeiro

Projeto Avaliação Comportamental de Tubarão lixa em Cativeiro

Ministério da Educação

Universidade Federal Rural de Pernambuco Departamento de Zootecnia

Relatório Final

Docente da UFRPE: Dr. Fernando de Figueiredo Porto Neto ( Orientador do Projeto)

Discente: Camila Guedes Valadares (Graduanda em Zootecnia)

Recife Fevereiro, 2011

Identificação

•Pesquisador Responsável: Camila Guedes Valadares

•Endereço: Rua Amaro soares de Andrade, Piedade Jaboatão dos Guararapes, PE. •Dados Acadêmicos: Graduando do 8º periodo do Curso de Zootecnia e 4º

Período do curso de Licenciatura em Ciências Agrícolas na Universidade Federal Rural de Pernambuco.

• Email:mila85_guedes@hotmail.com

•Orientador: Fernando de Figueiredo Porto Neto

•Dados Acadêmicos: Professor Adjunto do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal Rural de Pernambuco •Área de conhecimento: Zootecnia

•Instituição onde foi realizada a pesquisa: Horto dois Irmãos

•Setor: Oceanário

Introdução

A espécie Ginglymostoma cirratum, popularmente conhecido como

Tubarão-lixa, apresenta-se inserido na maioria dos zoológicos no mundo na demonstração dos ambientes marinhos. Estes são escolhidos, dentre os tubarões, pela docilidade que a espécie possui (Szpilman, 2004 (2).

Em Zoológicos sustentáveis, a alimentação dos animais em cativeiro tende a ser mais aproximada da ocorrida em ambiente natural visando sempre o equilíbrio nutricional e bem estar (Del-Claro, 2000). A nutrição e comportamento animal dos tubarões criados no ambiente de cativeiro sempre é alvo de estudos e pesquisas, realizando técnicas específicas para cada espécie, e visando a idéia de que as espécies de tubarões se distinguem uma das outras em adaptações aos meios artificiais (Dowkins, 1989).

A vida em cativeiro pode acarretar modificações no comportamento desses animais, haja vista que a maioria deles já nasce no aprisionamento racional. A comparação destes com outros que vivem em ambientes naturais fornecem diferentes condutas (Gonzales, 2006; Szpilman, 2004 (1).

Uma das modificações do comportamento, e com conseqüência na biologia da espécie, é o fechamento das fendas branquiais, que ficam coladas por causa do estresse do animal. Isso compromete a respiração e alimentação do animal.

Este fato já vem sendo notado no Parque Dois Irmãos, Pernambuco, comprometendo não só o comportamento animal, as a manutenção desta espécie no zoológico (Figura 1), que é um forte atrativo para visitação pública.

Outro fator importante a ser analisado com este trabalho seria a relação do animal com a área ocupada dentro do aquário. Resultados mais apurados seriam de grande valia, para que em abordagens futuras este tipo de animal fosse colocado em cativeiro em área e volume compatíveis com suas dimensões, além de necessidades de locomoção/movimentação. A Figura 2 mostra a relação atual entre o tamanho do animal no zoológico em Dois Irmãos, e a área do fundo do tanque.

Estes são apenas algumas das lacunas existentes atualmente para o tubarão-lixa em cativeiro, sendo o comportamento, manejo (temperatura da água, salinidade, pH, luminosidade, etc.), nutrição, reprodução, longevidade, sobrevivência, dentre outros, fatores ainda poucos entendidos.

Vale ressaltar, que depois dos incidentes de ataques de tubarão na costa

Pernambucana, muitas pessoas procuram respostas e informações sobre as espécies de tubarão, e o tubarão-lixa, mesmo inofensivo ao ser humano, representa uma ótima oportunidade para informar a população sobre a biologia e a vida dos tubarões, representando também a visitação pública do Oceanário, uma fonte de recursos financeiros para o zoológico.

Assim, a realização deste projeto pretende atingir um melhoramento nas práticas de manejo, bem como na avaliação da utilização do animal como objeto de educação ambiental. A observação da inter-relação entre tubarão e presa, as mudanças de comportamento, são pontos a ser destacados nesta pesquisa.

Os estudos etológicos são partes integrantes na manutenção de uma vida saudável, visando o bem estar do animal. Os tubarões criados em cativeiro fornecem aos zoológicos, práticas corretas na elaboração de projetos e manejo racional deste grupo de animais, além de publicações referentes ao tema, atentando para a carência de pesquisas relacionadas.

De acordo com o exposto acima, este trabalho tem caráter pioneiro no

Nordeste do Brasil, sendo importante para a manutenção e sustentabilidade da atividade de exposição pública deste tipo de fauna em zoológicos, como o de Dois Irmãos.

Resultados sobre o comportamento desta espécie não só ajudariam na manutenção de aquários, como também serviriam de importante fonte de informação sobre o comportamento do animal em cativeiro, e sem dúvida contribuiria para a sobrevivência da espécie em nosso litoral, em possíveis projetos futuros de reintrodução em ambiente natural.

Material e métodos

O presente trabalho foi realizado nas instalações do Parque Estadual Dois Irmãos no período de Março à Outubro de 2010.

O Parque Estadual Dois Irmãos localiza-se na região metropolitana do

Recife no Estado de Pernambuco. Apresenta uma área de 384,42 hectares, sendo 14 hectares de zoológico. O Oceanário encontra-se inserido nas instalações do parque, composto de uma seleção de espécies marinhas. O Animal a ser estudado compõe parte desses espécimes.

Os materiais utilizados para o trabalho foram fichas de campo, câmera fotográfica, além de materiais como lápis, caneta e trena.

No primeiro momento do trabalho foram coletados dados do animal fornecidos pelos funcionários da instituição, como idade, medidas biométricas, dias de alimentação, dentre outros. O recinto do animal foi devidamente medido e desenhado para resultar no mapa do recinto (Figura 1); instrumento necessário para esse tipo de observação.

O método utilizado na avaliação do animal foi o de animal focal. Este método consiste em avaliar (com registros) todas as ações do indivíduo em um determinado intervalo de tempo. Para a realização do método foi necessário a formulação de um etograma, conforme tabela 1, com todos os comportamentos apresentados pelo animal durante o período de observação. Este período de observação livre ocorreu nos três primeiros meses do trabalho, conforme Del-claro [2], aplicando o método de observação de todas as ocorrências.

Depois da elaboração do etograma, foi determinado o período de observações por dia. Sendo a coleta de dados realizada por duas horas, divididas em observações de cinco minutos com descanso de igual período. Assim totalizavam por dia cinqüenta minutos de observação.

No que se refere ao tempo total de observações, compreenderam 150 minutos, resultando em 312 comportamentos.

Resultados

De acordo com os dados coletados, podemos analisá-lo conforme as categorias descritas no etograma (Gráfico 1).

Na categoria atividades físicas, foram avaliadas as que o animal desempenhou por esforço físico. Podemos destacar a posição em que o animal fica com postura parada e sua parte ventral toca o solo, mas sua cabeça encontra-se suspensa. O animal executou este comportamento 18% do total de eventos realizado. Esta posição, de acordo com Szpilman, trata-se de uma postura realizada pelo animal como armadilha para outros peixes e moluscos pequenos, que procuram esse espaço para abrigo e caem na emboscada [1]. Verificamos que na realidade do animal, até o presente momento, este não desempenha esta posição com essa finalidade. O aquário que o tubarão-lixa está acondicionado possui espécies de peixes litorâneos, onde o animal não apresenta interesse em predá-los.

Continuando na mesma categoria, podemos destacar a atividade de deslocamento nadar, executada em 24% das atividades. O espécime utiliza todo o aquário para realizar este evento.

Eventos como MLC, MCO e PC são efetuados no total das atividades em 3%, 5% e 4% respectivamente. Os eventos MLC e MCO são realizados quando o animal é tocado por outras espécies de peixes ou quando inicia a atividade de deslocamento nadar. O movimento PC ocorre quando a espécie contorna o aquário, ou muda de direção.

As estereotipias foram detectadas, como virar os olhos ou abrir a boca, totalizando 2% e 3% respectivamente, sem apresentar motivos aparentes. Podemos ressaltar que a coleta dos dados foi realizada em dias anteriores e posteriores de muito movimento na instituição de visitantes. Podemos atribuir esses eventos ao estresse que o animal sofre em dias movimentados, além do cativeiro.

Produção Bibliográfica gerada

C. ; CUSTODIO, L. R. ; SILVA, G. LAVALIAÇÃO COMPORTAMENTAL

• VALADARES, C. G. ; PORTO NETO, F. F. ; ZANOTTI, A. P. ; LIMA, N. DO TUBARÃO-LIXA (Ginglymostoma cirratum) EM CATIVEIRO. In: X Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão- JEPEX 2010, 2010, Recife. X Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão, 2010.

Referências Bibliográficas

Del-Claro, K. Comportamento Animal: Uma introdução à ecologia comportamental. Ed. Conceito. 2000.

Dowkins, M. S. Explicando O Comportamento Animal. Ed Manole Ltd. São Paulo,1 989.

Gonzales, M.M.B. Censo sul-americano de elasmobrânquios em cativeiro: tubarões eraias como recursos para pesquisa e educação. Pan-American Journal of Aquatic Sciences. 2006.

Szpilman, M. Peixes marinhos- Guia Prática de Identificação. Ed. Aqualittera e Mauad Editora. Rio de janeiro, 2004 (1).

Szpilman, M. Tubarões no Brasil – Guia Prática de Identificação. Ed. Aqualittera e Mauad Editora. Rio de janeiro, 2004 (2).

Anexos Figura 1: Mapa do Recinto, com suas divisões.

Tabela 1: Etograma; descrição dos comportamento realizado pelo Ginglymostoma cirratum de Cativeiro.

Comportamento Sigla Nº eventos Compotamentos Sigla Nº Eventos Atividades Físicas Esteriotipias

Movimentos laterais com a cabeça MLC15Virar olho direitoVOD4

Movimento lateral com o corpoMLCO26Virar olho esquerdoVOE102

Movimento em UMUFenda branquial colada.1º par direiro FBCD1 0

Parado com peitoral tocando o solo e cabeça suspensa

MPP88Fenda branquial colada.1º par esquerdo FBCE1 0

Apoiar a parte ventral da cabeça em algum objeto do aquario 0Fenda branquial colada.2º par direiro FBCD2 0

Deslocar corais com o dorso da cabeça

DCC0Fenda branquial colada.2º par esquerdo FBCE2 0

Movimento ponta cabeçaPC18Fenda branquial colada.3º par direiro FBCD3 0

Parado com parte dorsal do corpo sobre o solo

PAV57Fenda branquial colada.3º par esquerdo FBCE3 0

Parado com nadadeiras suspendendo o corpo

PNSC2Fenda branquial colada.4º par direiro FBCD4 0

Levantar cabeçaLC15Fenda branquial colada.4º par esquerdo FBCE4 0

Descer ao soloDS16Fenda branquial colada.5º par direiro FBCD5 0

SubirSU5Fenda branquial colada.5º par esquerdo FBCE5 0

Nadar NL116Abrir boca esteriorizando a membrana bucal AB 13

Subir a superficieSS1 Alimentação Aprender alimento A 0 Perseguir PresaPP0 TOTAL DE OCORRENCIAS478

Gráfico 1- Porcentagem dos eventos comportamentais

MLC MLCO MU MPP ACO DCC PC PAV PNSC LC DS SU NLSS AP VOD VOE FBCD1 FBCE1 FBCD2 FBCE2 FBCD3 FBCE3 FBCD4 FBCE4 FBCD5 FBCE5 AB

Figura 2 e 3: Imagens de fendas branqueais de tubarão-lixa no aquário do zoológico em Dois Irmãos. Note que nem todas as fendas estão abertas durante o processo de respiração do animal.

Figura 4:Tubarão lixa no aquário do Oceanário.

Comentários