Sistematização da assistência de enfermagem no pré-natal

Sistematização da assistência de enfermagem no pré-natal

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Anatomia da gravidez

Vasos sangüíneos Ocorre uma importante redução da resistência vascular periférica.

Volume sanguíneo

Aumenta consideravelmente durante a gravidez (cerca de 20%).

• A hipervolemia inicia-se no primeiro trimestre, a partir da 6º a 8º semana, aumenta rapidamente no segundo, diminui a velocidade de aumento no terceiro trimestre e estabiliza em torno das 32-34 semanas

O aumento do volume sanguíneo resulta do aumento de: plasma (40 a 50%) e da massa eritrocitária (30 a 3%). • A hemodiluição (anemia fisiológica) ocorre porque o aumento da massa eritrocitária é menor que a expansão plasmática. • A contagem de leucócitos aumenta durante o 2º trimestre e atinge seu pico no

3º.

• A contagem de plaquetas diminui ligeiramente, provavelmente devido à hemodiluição e aumento de consumo.

• Aumento de vários fatores da coagulação: fibrinogênio (fator I) e, em menor grau, os fatores I (protrombina), VI (pro-convertina), fator VII (fator antihemofílico), IX (fator de Christmas) e X (fator de Stuart) – diminuindo a chance de sangramento e aumentando a sua vulnerabilidade à trombose.

Pressão arterial

A pressão arterial sistémica diminui ligeiramente durante a gravidez, logo desde as primeiras semanas. A pressão arterial sistólica varia pouco, mas a diastólica reduz-se 5 a 10mmHg entre as 12 e 26 semanas. Ao aproximar-se o termo, é habitual os valores de pressão arterial regressarem aos níveis observados antes da gravidez.

-sentada – mais alta

Obs.: verificar sempre no mesmo braço e com a mulher na mesma posição pois ocorrem variações: -DL – mais baixa

Pressão venosa- A pressão venosa da metade superior do corpo não sofre alterações significativas durante a gravidez, mas, nas extremidades inferiores, aumenta significativamente, sobretudo na posição supina, ortostática e sentada.

12 Hipotensão ortostática

Ocorre redução excessiva da pressão arterial ao adotar-se a posição vertical, o que provoca uma diminuição do fluxo sanguíneo ao cérebro podendo levar ao desmaio.

Síndrome da Hipotensão Supina: na posição supina (decúbito dorsal), a veia cava inferior e aorta abdominal ficam comprimidas pelo útero gravídico, ocorrendo redução do retorno venoso, do débito cardíaco, acarretando hipotensão acompanhada por tonteira (lipotimia ou lipotímia), desfalecimeto, palidez, taquicardia, sudorese e náusea. Orientação – manter gestante em decúbito lateral, preferencialmente esquerdo.

Débito cardíaco

É o produto do volume de ejeção pela freqüência cardíaca. Ele aumenta cerca de 40% durante a gravidez, atingindo um valor máximo às 20-24 semanas e torna-se muito sensível a alterações posturais. Esta sensibilidade aumenta ao longo da gravidez visto que o útero comprime a veia cava inferior, diminuindo o retorno venoso.

Metabolismo do Ferro

Apesar da absorção do ferro estar elevada durante a gestação, a quantidade de ferro absorvido pela dieta, junto com a mobilização do ferro estocado, seria insuficiente em geral para suprir a demanda imposta pelo processo gravídico.

Anemia Ferropriva em gestantes

Ocorre devido ao aumento das necessidades do mineral decorrente da rápida expansão da massa celular vermelha e pelo crescimento acentuado dos tecidos.

Conseqüências: > risco de morbidade e mortalidade fetal e materna; > risco ao parto prematuro e baixo peso ao nascer, (infecções e mortalidade infantil). Efeitos mais

Para refletir: Se DC = Vm x FC e a PA = DC x RP porque a pressão arterial da gestante cai? pronunciados nas gestante adolescente – associada ao expressivo aumento da demanda do ferro (crescimento físico, desenvolvimento do feto e lactação).

Sistema Respiratório

Alterações anatômicas

• No início da gravidez, ocorre dilatação capilar ao longo da árvore respiratória, levando a edema da nasofaringe, laringe, traquéia e brônquios. Por esta razão, a voz modifica-se e a respiração pelo nariz torna-se mais difícil. •O útero aumenta de volume, o diafragma

desloca-se cerca de 4 cm superiormente e a grade torácica é deslocada superior e lateralmente e a medida que a gestação avança a respiração torácica substitui a abdominal. •A gestante respira mais profundamente – aumentando o volume corrente •Freqüência respiratória ligeiramente maior.

Sistema Urinário

Alterações morfológicas

As mudanças na estrutura renal são resultantes da atividade hormonal (estrogênio e progesterona), da pressão exercida pelo útero aumentando e do aumento do volume de sangue.

• Pelve renal e ureteres – dilatação a partir da 10ª semana – levando a estase urinária – aumentando a suscetibilidade à ITU. • Polaciúria – início e final da gestação

Alterações funcionais

• O tempo de filtração glomerular e o fluxo de plasma renal aumentam no início da gravidez.

• A função renal é mais eficiente na posição de decúbito lateral e menos da supina – o DL amplia a perfusão renal, aumenta a eliminação urinária e diminui edema. • Reabsorção tubular prejudicada – podendo ocorrer glicosúria – aumenta risco para

Sistema Gastrointestinal

•Apetite – oscila

•Náuseas com ou sem vômitos – qualquer hora do dia, mais freqüentes no período matutino – desaparece no final do primeiro trimestre. •Perversões do apetite – pica ou malácia (gelo, argila ou goma)

•Boca – epúlide – gengivas hiperêmicas, esponjosas e edemaciadas, com tendência a sangramento (ação estrogênica) • Ptialismo

•Deslocamento do estômago para cima alargando o hiato do diafragma –

•Pela ação da progesterona a atividade peristáltica e o tono diminuem, provocando a regurgitação esofágica, esvaziamento gástrico lento, podendo levar à indigestão ácida ou azia (pirose) e a constipação intestinal. •Desconforto abdominal: pressão ou peso pélvico, tensão dos ligamentos redondos, flatulência, distensão, cólicas intestinais ou contrações uterinas. •Aumento do fluxo sanguíneo na pelve, aumentando pressão venosa, contribuindo para o aparecimento de hemorróidas.

Sistema Endócrino

Hormônios da gravidez

Gonadotrofina coriónica humana (hCG) - Secretada pelo sinciciotrofoblasto e pode ser detectada no sangue ou urina 9 dias após a concepção.

Funções: manter o corpo lúteo além da sua duração habitual, estimular a síntese de relaxina e inibe a secreção hipofisária de LH.

Progesterona - É o hormônio mais diretamente responsável pela instalação e manutenção do feto na cavidade uterina.

Funções: estimular a secreção de nutrientes pela trompa de Falópio e glândulas endometriais por forma a manter o zigoto; manter a decídua uterina, inibir as contrações uterinas, estimular o desenvolvimento dos sacos alveolares mamários, inibir respostas imunológicas maternas a antígenos fetais e estimular o centro respiratório da grávida, aumentando a ventilação.

A placenta começa a sintetizar progesterona por volta 6ª semana e na 12ª semana segrega quantidades suficientes para substituir o corpo lúteo.

Estrogênios - A produção de estrógenos (estradiol, estrona e estriol) aumenta na gravidez.

Funções: estimular o crescimento contínuo do miométrio uterino e o desenvolvimento do sistema ductal mamário, do qual se desenvolverão os alvéolos, aumentar a síntese de progesterona.

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