Sistematização da assistência de enfermagem no pré-natal

Sistematização da assistência de enfermagem no pré-natal

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Cerca de 600 mil mulheres morrem no mundo por complicações da gravidez, parto e puerpério. Quase todas estas mortes ocorrem nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, entre estes o Brasil (LACAVA e BARROS, 2002 apud ALVIM et al., 2007). Muitas destas mortes são preveníveis com uma adequada assistência ao pré-natal e ao parto.

No Brasil, a causa mais freqüente de mortalidade materna incide sobre as complicações da doença hipertensiva específica da gravidez. Este fato aponta para a baixa cobertura, ou baixa qualidade da assistência pré-natal (ALVIM et al., 2007).

O Ministério da Saúde (MS), com o objetivo de melhorar e humanizar a assistência no período gravídico-puerperal tem responsabilizado os serviços de saúde por:

•Prestar acompanhamento adequado do parto e puerpério, •Receber a mulher e o recém-nascido com dignidade e,

•Adotar práticas humanizadas e seguras.

Atendendo a estes pressupostos, a assistência pré-natal deve ser organizada para atender às reais necessidades da população de gestantes, utilizando conhecimentos técnico-científicos, com meios e recursos adequados e disponíveis.

Assistência Pré-natal

É o conjunto de ações realizado durante o período gravídico, com vistas a um atendimento global da sua saúde, de maneira individualizada, procurando sempre a qualidade e resolutividade.

A gravidez gera uma série de alterações anatômicas, fisiológicas e bioquímicas no organismo materno, que resultam em sinais e sintomas próprios. Alguns despertam apenas curiosidade, outros podem causar sintomas desagradáveis. Cabe ao pré-natalista dar orientações, encaminhamentos, apoiando-a e tranqüilizando-a quando necessário, para que a gravidez transcorra de maneira agradável.

O período da gestação é uma fase em que a mulher não só aprende sobre si mesma, mas também vivencia ansiedade, desamparo e expectativa, pois, nessa ocasião, ela passa por um período de adaptação física e psicológica a uma situação que altera profundamente todo o seu esquema corporal (VIÇOSA, 1997).

O principal objetivo da atenção pré-natal e puerperal é acolher a mulher desde o início da gravidez, assegurando, no fim da gestação, o nascimento de uma criança saudável e a garantia do bem-estar materno e neonatal (BRASIL, 2005, p.10).

A Participação da(o) Enfermeira(o) na Assistência Pré-natal

Com a implantação do PAISM na década de 80, houve um grande estímulo à participação da(o) enfermeira(o) nas ações de saúde da mulher, especialmente na assistência pré-natal (ALVIM et al., 2007).

De acordo com o Decreto número 94.406/87 e o MS, o pré-natal de baixo risco pode ser inteiramente acompanhado pela(o) enfermeira(o).

Está na Lei número 7.498 de 25 de julho de 1986 (que dispõe sobre a regulamentação do exercício de enfermagem): compete ao(à) enfermeiro(a) a realização de consulta de enfermagem e a prescrição da assistência de enfermagem e, enquanto integrante da equipe de saúde está capacitado legalmente para desenvolver as ações de:

Prescrever medicamentos, desde que estabelecidos em Programas de Saúde

Pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde;

Oferecer assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera e realizar atividades de educação em saúde.

A Consulta no Pré-Natal

O MS propõe ao Enfermeiro os seguintes tópicos:

• Orientar as mulheres e família sobre a importância do pré-natal, amamentação, vacinação, preparo para o parto, etc.

• Realizar consulta de pré-natal de gestação de baixo risco.

• Solicitar exames de rotina e orientar tratamento, conforme protocolo do serviço.

• Encaminhar gestantes identificadas como de risco para o médico.

• Realizar atividades com grupos de gestantes, grupos de sala de espera.

• Fornecer o cartão de gestante, devidamente atualizado a cada consulta.

2 • Realizar a coleta de exame citopatológico (preventivo).

Objetivos da Primeira Consulta de Enfermagem no Pré-Natal

•Acolher a gestante respeitando sua condição emocional em relação à atual gestação,

•Esclarecer suas dúvidas, medos, angústias ou simplesmente curiosidade em relação a este novo momento em sua vida;

•Identificar e classificar os riscos;

•Confirmar o diagnóstico de gravidez;

•Estimular a gestante a aderir ao pré natal;

•Promover a educação para saúde estimulando o auto cuidado.

Primeira Consulta

•Para o histórico de enfermagem utilizar instrumento próprio (Apêndice A);

•Levantamento de prontuário antes de a gestante entrar no consultório – avaliar: realidade socioeconômica, condições de moradia, composição familiar e antecedentes;

•Esclarecer a gestante que seu acompanhante poderá participar de seu atendimento, se o desejar;

•Calcular idade gestacional (em semanas) - A idade gestacional é calculada pelos obstetras, baseada no primeiro dia da última menstruação (DUM), ou seja, cerca de duas semanas antes da ovulação e fecundação ou quase três semanas antes da nidação de ovo. Para os embriologistas, o cálculo da idade gestacional baseia-se no momento da ovulação ou fecundação, realizando a contagem da idade gestacional em dias ou semanas, como os obstetras. Na obstetrícia fazemos a conta a partir da DUM. Soma-se os dias, divide-se por 7 (Nº de dias na semana) e obtém-se a idade gestacional em semanas.

•Calcular-se a data provável do parto (DPP) através da regra de Naegele, adicionando-se sete dias a data do primeiro dia da última menstruação e somando nove aos meses (ou subtraindo-se três meses se o mês da última menstruação for maior que três).

•Exemplo:13/02/2010 – DPP é 20/1/2010.

•Outro exemplo: 28/10/2009 – DDP = 04/08/2010. •Levantar as expectativas da gestante com relação ao atendimento;

•Identificar as experiências anteriores;

•Utilização da Sistematização de Assistência de Enfermagem (SAE): entrevista com preenchimento da ficha obstétrica; Realização do exame físico geral e específico;

Registro dos achados, diagnósticos ou levantamento de enfermagem;

Prescrição de enfermagem ou plano de cuidado

•Preencher o cartão da gestante.

Exames Solicitados

Solicitar:

•Hemograma,

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