Sistematização da assistência de enfermagem no pré-natal

Sistematização da assistência de enfermagem no pré-natal

(Parte 7 de 9)

1.A observação de níveis tensionais iguais ou maiores que 140 mmHg de pressão sistólica, e iguais ou maiores que 90 mmHg de pressão diastólica, mantidos em duas ocasiões e resguardado intervalo de quatro horas entre as medidas. Esse conceito é mais simples e preciso; 2.O aumento de 30 mmHg ou mais na pressão sistólica (máxima) e/ou de 15 mmHg ou mais na pressão diastólica (mínima), em relação aos níveis tensionais prégestacionais e/ou conhecidos até a 16ª semana de gestação. É um conceito que foi muito utilizado no passado e ainda é utilizado por alguns, entretanto apresenta alto índice de falso positivo, sendo melhor utilizado como sinal de alerta e para agendamento de controles mais próximos; 3.A presença de pressão arterial diastólica ≥ 110 mmHg em uma única oportunidade ou aferição.

Importância da verificação de edemas na gestante Essa verificação tem por finalidade detectar a ocorrência de edemas patológicos.

Técnica:

●Orientar a gestante a permanecer em decúbito dorsal ou sentada, sem meias;

●pressionar a pele na altura do tornozelo (região perimaleolar) e na perna no nível do terço médio, face anterior (região pré-tibial);

●para avaliar a região sacra, posicionar a gestante em decúbito lateral ou sentada;

●pressionar a pele, por alguns segundos, na região sacra com o dedo polegar.

Ao constatar edema de tornozelo, sem hipertensão ou aumento súbito associado, devemos verificar se este edema não está relacionado à postura, final do dia, temperatura ou ao tipo de calçado utilizado pela gestante.

Cabe lembrar que, edema limitado aos membros inferiores com hipertensão ou aumento de peso requer encaminhamento dessa gestante para avaliação médica, sempre com a orientação de que ela faça repouso em decúbito lateral esquerdo, que promove a descompressão da veia cava.

Ao concluir o exame físico geral, proceder o exame físico obstétrico. Explicando para a gestante e acompanhante a finalidade de cada procedimento.

Exame físico específico (gineco-obstétrico) O Manual técnico Pré-natal e puerpério: assistência qualificada e humanizada

(BRASIL, 2005) sugere o seguinte roteiro:

exame clínico das mamas (ECM); palpação obstétrica;

medida da altura uterina;

ausculta dos batimentos cardíacos fetais (com sonar, após 12 semanas, e com estetoscópio de Pinard, após 20 semanas); inspeção dos genitais externos;

exame especular e toque vaginal de acordo com a necessidade, orientados pela história e queixas da paciente, e quando for realizada coleta de material para exame colpocitológico; o exame físico das adolescentes deverá seguir as orientações do Manual de Organização de Serviços para a Saúde dos Adolescentes.

Exame clínico de mamas Durante a gestação e amamentação, também podem ser identificadas alterações, que devem seguir conduta específica, segundo as recomendações do INCA.

Enquanto realiza o exame clinico de mamas a(o) enfermeira(o) deve aproveitar o momento para realizar atividade de educação em saúde, abordando orientações sobre o preparo das mamas para a amamentação, a importância do o aleitamento materno, principalmente se for adolescente.

Nos casos em que a amamentação estiver contra-indicada – portadoras de

HIV/HTLV –, orientar a mulher quanto à inibição da lactação (mecânica e/ou química) e para a aquisição de fórmula infantil.

Palpação obstétrica A palpação obstétrica, feita principalmente no terceiro trimestre, tem por finalidade identificar a situação e apresentação fetal.

A palpação obstétrica deve ser realizada antes da medida da altura uterina. Ela deve iniciar-se pela delimitação do fundo uterino, bem como de todo o contorno da superfície uterina (esse procedimento reduz o risco de erro da medida da altura uterina). A identificação da situação e da apresentação fetal é feita por meio da palpação obstétrica, procurando identificar os pólos cefálico e pélvico e o dorso fetal, facilmente identificados a partir do terceiro trimestre. Pode-se, ainda, estimar a quantidade de líquido amniótico.

Manobra de Leopold

A técnica de palpação da Escola Alemã, sistematizada por Leopold-Selheim , tem por finalidade a identificação da situação e a apresentação fetal por meio de palpação obstétrica e, é realizada em quatro tempos consecutivos, procurando localizar os pólos cefálico, pélvico e o dorso fetal. Durante este procedimento a(o) enfermeira (o) deve estar atento em não expor a gestante desnecessariamente. O instrumento para a realização dessa manobra é a mão do examinador. Ela deverá estar aquecida, relaxada e sensível ao tocar o abdome da gestante.

1.A primeira manobra determina a altura do útero e a sua relação com os pontos de referência no abdome materno: sínfise púbica, cicatriz umbilical e rebordos costais.

2.A segunda manobra realiza o diagnóstico da posição fetal em: longitudinal (a mais comum), oblíqua e transversa.

3.A terceira manobra realiza o diagnóstico da apresentação fetal que é o pólo fetal (cefálico ou pélvico).

Atenção: a situação transversa e a apresentação pélvica em final de gestação podem significar risco no parto. Nesses casos devemos referir a gestante para parto hospitalar.

4.A quarta manobra determina a altura do pólo cefálico e o seu grau de flexão e deflexão.

Após a realização da Manobra de Leopold, verificamos os Batimentos Cárdio-Fetais (BCF).

O momento da palpação deverá ser dividido com a gestante e acompanhante, promovendo a interação da família com o filho.

Ausculta dos batimentos cardíacos fetais É feita com o objetivo de constatar a cada consulta a presença, o ritmo, a freqüência e a normalidade dos batimentos cardíacos fetais (BCF). A frequencia cardíaca fetal é considerada normal quando oscila entre entre 120 e 160 batimentos por minuto.

A ausculta pode ser feita com estetoscópio de Pinard ou com detector fetal Sonar- Doppler. Técnica de ausculta com estetoscópio de Pinard:

●Posicionar a gestante em decúbito dorsal, com o abdômen descoberto;

●Identificar o dorso fetal. Além de realizar a palpação, deve-se perguntar à gestante em qual lado ela sente mais os movimentos fetais; o dorso estará no lado oposto;

●Segurar o estetoscópio de Pinard pelo tubo, encostando a extremidade de abertura mais ampla no local previamente identificado como correspondente ao dorso fetal. Quando disponível, utilizar o sonnardopler;

●Encostar o pavilhão da orelha na outra extremidade do estetoscópio;

●Fazer, com a cabeça, leve pressão sobre o estetoscópio e só então retirar a mão que segura o tubo;

●Procurar o ponto de melhor ausculta dos BCF na região do dorso fetal;

●Controlar o pulso da gestante para certificar-se de que os batimentos ouvidos são os do feto, já que as freqüências são diferentes;

●Contar os batimentos cardíacos fetais por um minuto, observando sua frequência e ritmo;

●Registrar os BCF na ficha perinatal e no cartão da gestante;

●Avaliar resultados da ausculta dos BCF (Quadro 4 do manual técnico: Pré-natal e puerpério: assistência qualificada e humanizada, p.60).

A percepção materna e a constatação objetiva de movimentos fetais, além do crescimento uterino, são sinais de boa vitalidade fetal. Após contração uterina, movimentação fetal ou estímulo mecânico sobre o útero, aumento transitório na freqüência cardíaca fetal é sinal de boa vitalidade (BRASIL, 2005).

Mensuração da altura uterina

Técnica: ●Posicionar a gestante em decúbito dorsal, com o abdome descoberto.

●Delimitar o bordo superior da sínfise púbica e o fundo uterino.

●Fixar a extremidade inicial (0 cm) da fita métrica bordo superior da sínfise púbica e deslizar a mesma entre os dedos indicador e médio do examinador. ●Proceder à leitura quando a borda cubital da mão atingir o fundo uterino.

●Verificar a circunferência uterina com a fita ao redor do abdome da gestante, na altura da cicatriz umbilical. ●Anotar a medida em centímetros, na ficha perinatal e no cartão da gestante.

Devemos estar atentos à compatibilidade dos valores obtidos, determinação do tamanho do feto e da quantidade de líquido amniótico.

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