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Consumer Care Nilson Oliveira Gonçalves Pita atenção farmacêutica

Apoio:

NilsoN oliveirA GoNçAlves PitA

Mestre em Produção e Controle de Medicamentos pela USP / Professor Universitário atuando em faculdades de farmácia da PUCC, Unicastelo, UNICSUL e São Camilo / Professor de Curso de Pós-Graduação em Farmácia Magistral pela UNIPAM-MG e EQUILIBRA-PR /

Coordenador de Curso de Pós-Graduação do Senac-SP / Professor de cursos na área de medicamentos para instituições e associações do varejo farmacêutico, tais como: Sincofarma,

Aprofar e Pharo / Colunista Fixo da Revista Guia de Farmácia /Consultor Farmacêutico.

Agradecimentos:

Coordenação: José lupoli Jr.

Gustavo Godoy, Rogério Franco, Marcial Guimarães, Márcia Santos, José Lupoli, Cibele Quirino, Lígia Favoretto, Renata Castro, Ângela Viel, Débora Mendonça, Érika Finatti, Mauro Souza, Carlos Papai, Marcelo Kilhian e Leandro Furini

P681Manual de atenção farmacêutica / Nilson Oliveira
Gonçalves Pita. - 1. ed. - São Paulo : Price Ed., 2008.
24p. : il. ; 21cm. – (Programa de desenvolvimento do
varejo ; v. 2)
ISBN 978-85-61607-01-2

Pita, Nilson Oliveira Gonçalves.

I. Título. I. Série.
CDD 362.1782

1. Polítca farmacêutica. 2. Serviços farmacêuticos.

sobre o PDv 10

O Programa de Desenvolvimento do varejo – PDv 10 é um programa de capacitação para profissionais do varejo farmacêutico. Por meio de fascículos encartados no Guia da Farmácia e do acesso a um ambiente restrito na internet (w.pdv10.com.br), oferece um conteúdo alinhado com as melhores e mais modernas técnicas e práticas do mercado, elaborado por consultores com relevante formação e experiência profissional no setor varejista. Ao concluir o programa, o aluno tem os conhecimentos atestados pelo Certificado de Gestão do varejo PDv 10.

Podem participar do PDv 10 profissionais do varejo farmacêutico com o segundo grau completo, assinantes ou não do Guia da Farmácia, desde que se cadastrem no site para ter acesso ao download dos materiais, às avaliações e aos certificados.

Para saber mais, acesse w.pdv10.com.br. Faça seu cadastro no site e aproveite essa grande oportunidade de deixar o seu PDV nota 10!

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Tudo na história da humanidade acontece em ciclos e a profissão farmacêutica não foge destas condições naturais. Além disso, nos primórdios dessa profissão o contato personalizado era a principal – ou até mesmo a única – ferramenta de que o farmacêutico dispunha para auxiliar seus clientes. Hoje está disponível um verdadeiro arsenal de guerra quando falamos em medicamentos. Entretanto, devido à distância dos clientes, este arsenal acaba por trazer inúmeros problemas, como a automedicação e as intoxicações.

Mas ainda é possível se acreditar que os profissionais deste setor, especificamente os farmacêuticos, tenham condições e motivações para reverter este momento fatídico, no qual muitas vezes os clientes são levados a buscar somente preço e, infelizmente, a se esquecerem da figura do nobre farmacêutico e de seus serviços. Por outro lado, os clientes estão cada vez mais informados e exigentes, e, nesse momento, surge a nossa oportunidade de encantá-los e oferecer-lhes o melhor, ou seja, a condição de orientação quanto ao uso adequado dos medicamentos.

Portanto, é importante juntar forças e mostrar que, embora produtos, descontos e belas estruturas físicas sejam desejáveis, o indispensável é que o medicamento cumpra o seu papel – tenha o efeito desejado – e, para isso, a Assistência e a Atenção Farmacêutica exercem um papel ímpar na valorização da vida.

Definições06

sumário

Atenção Farmacêutica10

Implantação do Serviço de

questionários10
Infra-estrutura física10
Gestão do serviço12
Fluxo de serviços12

Elaboração de dois

paciente12
Avaliação2

Processo de cuidado do Prefácio

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DefiNições

A legislação vigente será descrita como importante definição para o bom aproveitamento do módulo de Atenção Farmacêutica.

Legislações utilizadas: ü Lei no 5.991, de 17 de dezembro de 1973. ü Resolução no 328, de 2 de julho de 1999. ü Resolução CFF no 357, de 20 de abril de 2001. ü Resolução RDC no 173, de 08 de julho de 2003.

AssistêNCiA fArmACêutiCA: é o conjunto de ações e serviços desempenhados pelo farmacêutico ou sob sua supervisão, que visam a assegurar a assistência integral, a promoção, a proteção e a recuperação da saúde do indivíduo; é completada pela atenção farmacêutica.

AteNção fArmACêutiCA: é um conceito de prática profissional no qual o paciente é o principal beneficiário das ações do farmacêutico. A atenção é o compêndio das atitudes, dos comportamentos, dos compromissos, das inquietudes, dos valores éticos, das funções, dos conhecimentos, das responsabilidades e das habilidades do farmacêutico na prestação da farmacoterapia, com o objetivo de alcançar resultados terapêuticos definidos, na saúde e na qualidade de vida do paciente.

AutomeDiCAção resPoNsável: é o uso de medicamentos não prescritos sob a orientação e o acompanhamento do farmacêutico.

CertifiCADo De reGulAriDADe: É um documento com valor de certidão, expedido pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF), com valor probante de ausência de impedimento ou suspeição do profissional farmacêutico, para que este possa exercer a direção técnica do estabelecimento, ou responsabilidade técnica em caso de substituição ao titular, sem prejuízo dos termos dos artigos 19 a 21, da Lei Federal no 3.820/60.

CorrelAto: substância, produto, aparelho ou acessório, cujo uso ou aplicação esteja ligado à defesa e à proteção da saúde individual ou coletiva, à higiene pessoal ou de ambientes, ou a fins diagnósticos e analíticos, cosméticos, perfumaria e produtos de higiene pessoal e, ainda, produtos óticos, de acústica médica, odontológicos, dietéticos e veterinários.

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DeNomiNAção Comum brAsileirA (DCb): denominação do fármaco ou princípio farmacologicamente ativo aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

DeNomiNAção Comum iNterNACioNAl (DCi): denominação do fármaco ou princípio farmacologicamente ativo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

DisPeNsAção: ato do farmacêutico de orientação e fornecimento de medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos ao usuário, a título remunerado ou não.

DroGAriA: estabelecimento de dispensação e comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos em suas embalagens originais.

esPeCiAliDADe fArmACêutiCA: produto oriundo da indústria farmacêutica com registro na Anvisa e disponível no mercado.

8 • PDV 10 • 2008 fArmáCiA: estabelecimento de prestação de serviços farmacêuticos de interesse público e ou privado, ou articulado ao Sistema Único de Saúde (SUS), destinado a prestar assistência farmacêutica e orientação sanitária individual ou coletiva, na qual se processe a manipulação e ou a dispensação de produtos e correlatos com finalidades profilática, curativa, paliativa, estética ou para fins de diagnósticos.

fármACo: é a substância que promove a ação da droga, o seu princípio ativo.

fArmACoviGilâNCiA: identificação e avaliação dos efeitos, agudos ou crônicos, dos riscos do uso dos tratamentos farmacológicos no conjunto da população ou em grupos de pacientes expostos a tratamentos específicos.

formulário terAPêutiCo NACioNAl: documento que reúne os medicamentos disponíveis no Brasil e que apresenta informações farmacológicas destinadas a promover o uso efetivo, seguro e econômico.

fórmulAs iNfANtis DestiNADAs A lACteNtes: são produtos que devem ser nutricionalmente adequados para proporcionar o crescimento e o desenvolvimento normal dos lactentes.

frACioNAmeNto: subdivisão de um medicamento em frações menores a partir da sua embalagem original, sem o rompimento do invólucro primário e mantendo os seus dados de identificação.

meDiCAmeNto: produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidades profilática, curativa ou paliativa, ou para fins de diagnóstico.

meDiCAmeNtos De CoNtrole esPeCiAl: são medicamentos, como entorpecentes e psicotrópicos, relacionados pela Anvisa e capazes de causar dependência física ou psíquica.

meDiCAmeNtos De uso CoNtíNuo: são aqueles empregados no tratamento de doenças crônicas e ou degenerativas, utilizados continuamente.

meDiCAmeNtos esseNCiAis: são medicamentos considerados básicos e indispensáveis para atender à maioria dos problemas de saúde da população.

2008 • PDV 10 • 9 meDiCAmeNtos Não PresCritos (over the CouNter [otC] ou meDiCAmeNto iseNto De PresCrição [mPi]): são aqueles cuja dispensação não requer prescrição por profissional habilitado.

meDiCAmeNtos órfãos: são medicamentos utilizados em doenças raras, cuja dispensação atende a casos específicos.

meDiCAmeNtos tArJADos: são aqueles cujo uso requer a prescrição por profissional habilitado e que apresentam, em sua embalagem, uma tarja (vermelha ou preta) indicativa desta necessidade.

NotifiCAção De reCeitA: é um documento padronizado, acompanhado de receita, destinado à notificação da prescrição de substâncias e de medicamentos sujeitos a controle especial.

reCeitA: prescrição de medicamento, contendo orientação de uso para o paciente, efetuada por profissional legalmente habilitado.

suPervisão fArmACêutiCA: constitui a supervisão, no estabelecimento, efetuada pelo farmacêutico responsável técnico ou seu farmacêutico substituto.

10 • PDV 10 • 2008 imPlANtAção Do serviço De AteNção fArmACêutiCA

Para a implantação do Serviço de Atenção Farmacêutica é recomendável que se faça uma avaliação do perfil da clientela que freqüenta a drogaria ou a farmácia e que se observe as orientações contidas na legislação vigente. A Resolução CFF no 357, de 20 de abril de 2001, é bastante objetiva neste sentido e facilita o desenvolvimento de planejamento firmado em uma regra clara que diz o que pode ser oferecido e o que não se deve oferecer. É importante que se protocole o Serviço ou leve ao conhecimento da Vigilância Sanitária Municipal e do CRF, com o objetivo de obter aval para sua realização, ficando amparado pelos órgãos regulamentadores do setor.

Em qualquer região podem ser encontrados clientes com problemas de hipertensão, diabetes e deficiências respiratórias ou cardiovascular, mas não é recomendável começar o serviço com todas as especialidades ao mesmo tempo, sem antes quantificar a demanda que vai gerar. Então a sugestão é elaborar questionários para obter informações sobre os clientes e, a partir destas, fazer um planejamento.

elAborAção De Dois questioNários

Elaborar um questionário direcionado para aos colaboradores da drogaria ou farmácia, a fim de se saber o perfil dos clientes atendidos e quais seriam os mais necessitados de orientações (Anexo I). E fazer outro direcionado aos clientes, buscando informações, como: patologias que possuem, medicamentos que utilizam, hábitos alimentares, entre outras. (Anexo I).

Com base nas informações obtidas, estabelecer um planejamento inicial construindo um cronograma de implantação do serviço.

iNfrA-estruturA físiCA

É importante ter um local reservado, separado da sala de aplicação ou de inalação, para se realizar a Atenção Farmacêutica. Este deve conter um quadro visível com informações sobre o farmacêutico responsável e o seu substituto, assim como o certificado de regularidade técnica, licença de funcionamento e também um cartaz ou quadro com a seguinte informação:

Esta não é uma consulta médica, Mas um serviço de atenção farmacêutica! Não se automedique, nem aceite indicação de medicamentos para regulação de pressão arterial. Consulte antes o seu médico! São previstas, pela legislação descrita anteriormente, prestações de serviços, como verificações de pressão arterial e de temperatura, além de testes fisiológicos, desde que sejam realizados pelo farmacêutico em local adequa-

2008 • PDV 10 • 1 do e com equipamentos devidamente aferidos e certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (InMetro) e pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem). E estejam em local devidamente sanitizado e à parte da sala de aplicação.

A sala de Atenção Farmacêutica deve ser equipada com: • Agenda de marcação de horários.

• Água e copos descartáveis.

• Aparelho de telefone.

• Armário para livros.

• Arquivo para guardar informações da Atenção Farmacêutica.

• Cadeiras e mesa que comportem um(a) farmacêutico(a), o cliente e seu

• acompanhante.

• Calculadora simples.

• Microcomputador com acesso à Internet e impressora.

• Estetoscópio e esfigmomanômetro aneróide.

• Glicosímetro e fitas reagentes.

• Termômetro clínico.

• Lixeira de pedal com tampa.

• Coletor para material perfurocortante.

• Material de escritório.

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Gestão Do serviço

Para gerir o serviço, é necessário o seguinte quadro de pessoal: • Farmacêutico Responsável e ou co-responsável: profissional devidamente habilitado para prestar o serviço de Atenção Farmacêutica.

• Gerência e balconistas: profissionais treinados para as atribuições e facilitadores da execução dos serviços de Atenção Farmacêutica.

fluxo De serviços

Para garantir que o fluxo de serviços aconteça de maneira adequada são necessários os seguintes procedimentos:

Agendamento dos clientes: identificados os clientes que fazem parte do grupo a ser trabalhado, informá-los a respeito do serviço a ser prestado, agendar o atendimento (Anexo I) em horário adequado para ambas as partes e solicitar que tragam todos os medicamentos que já utilizam, acompanhados das receitas e das orientações médicas. Entregar o cartão de agendamento que deverão trazer a cada consulta (Anexo IV).

É importante que o cliente saiba previamente o que vai acontecer nesta consulta farmacêutica, se necessário faça um folder para divulgar o serviço e quais são os clientes que serão primeiramente atendidos. Ressaltar ao cliente que o atendimento é diferenciado e sigiloso.

Documentação e arquivo dos atendimentos: quando iniciar o serviço com o cliente, preencher uma ficha de avaliação inicial (Anexo V), com o máximo de informações possível, e arquivá-la. Sempre que o cliente retornar, esta ficha deverá estar disponível para a consulta. É importante ter esta ficha impressa, mesmo que esteja arquivada no microcomputador.

Orientações e dados fornecidos ao cliente: a cada consulta farmacêutica, o cliente deve receber orientações por escrito. Estas informações devem ser arquivadas no histórico do cliente, na drogaria ou farmácia, para manter a continuidade do atendimento (Anexo VI), e complementadas pela verificação da pressão arterial e da glicemia.

ProCesso De CuiDADo Do PACieNte

Existem clientes que acumulam patologias, são atendidos por médicos de especialidades diferentes e, conseqüentemente, utilizam vários medicamentos. Muitas vezes, eles nunca receberam orientação farmacoterapêutica. Portanto, durante a consulta farmacêutica é recomendado que se reúna todos os medicamentos dos quais o cliente faz uso e o oriente sobre qual a melhor forma de usá-los. Nesse momento, o farmacêutico deve realizar um estudo sobre a interação medicamentosa, – fármaco x fármaco e fármaco x alimentos.

2008 • PDV 10 • 13

Essas informações devem ser transmitidas ao cliente, que deve ser orientado a levá-las nas próximas consultas médicas, servindo de ferramenta de auxílio ao profissional médico.

AvAliAção fArmACoterAPêutiCA iNiCiAl

O primeiro contato com o cliente é muito importante, pois é nesse momento que o serviço pode ser divulgado em todos os seus detalhes e ressaltar o quanto às informações que ele vai receber serão úteis para seu dia-a-dia.

Na avaliação farmacoterapêutica inicial, devem ser levantadas todas as informações possíveis a respeito do cliente, como: quais são os medicamentos que utiliza, suas patologias e os exames clínicos que já realizou, além dos tipos de exercícios físicos que costuma praticar e dos hábitos alimentares que possui. Mas o principal é verificar todas as possibilidades de problemas recorrentes dos medicamentos utilizados.

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