Causalidade e Determinação o Problema do desencadeamento los psicanálise

Causalidade e Determinação o Problema do desencadeamento los psicanálise

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Causalidade e determinação: o problema do desencadeamento em psicanálise

São Paulo 2008

Causalidade e determinação: o problema do desencadeamento em psicanálise

Tese apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutor em Psicologia. Área de concentração: Psicologia Clínica Orientador: Prof. Dr. Christian Ingo Lenz Dunker

São Paulo 2008

Catalogação na publicação

Serviço de Biblioteca e Documentação Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo

Gianesi, Ana Paula Lacôrte.

Causalidade e determinação: o problema do desencadeamento em psicanálise / Ana Paula Lacôrte Gianesi; orientador Christian Ingo Lenz Dunker. --São Paulo, 2008. 291 p. Tese (Doutorado – Programa de Pós-Graduação em Psicologia.

Área de Concentração: Psicologia Clínica) – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

1. Psicanálise 2. Noção de Causalidade 3. Ansiedade 4. Fantasia 5. Sintomas I. Título.

iv FOLHA DE APROVAÇÃO

Ana Paula Lacôrte Gianesi

Causalidade e determinação: o problema do desencadeamento em psicanálise

Aprovado em:

Prof. Dr
Prof. Dr
Prof. Dr
Prof. Dr
Prof. Dr

Tese apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutor em Psicologia. Área de concentração: Psicologia Clínica.

Para Ronaldo, José e Francisco, pois o amor possui causas que a própria razão desconhece...

Ao Luiz Carlos Nogueira, in memorian, que inicialmente me orientou neste trabalho. Atribuo meu “giro lacaniano” ao encontro que tive com suas transmissões, em 2000. Aquele foi um encontro com efeito de corte. Ouví-lo indicou-me um caminho e acompanhá-lo precipitou em mim uma decisão. Seguir as veredas lacanianas, isto operou marcas, evidenciou um antes e um depois em minha trajetória e, claro, não foi sem conseqüências para a minha clínica. Verifico que suas palavras permanecem e ressoam fortemente nas trilheiras psicanalíticas que, decididamente, continuo a percorrer. Se sua ausência exigiume um trabalho de luto, foi-me possível transformar a perda em causa e, inclusive, realizar esta tese.

Ao Prof. Dr. Gilberto Safra, pela atenção nos momentos em que estive “sem orientador”.

Ao Christian Dunker, por quem tive, então, o privilégio de ser orientada. Agradeço-lhe pela leitura sempre atenta, crítica e rigorosa, por me acompanhar de maneira generosa nos diversos momentos que atravessei, por me mostrar, de modo peculiar, ser possível o estabelecimento de uma parceria em um trabalho acadêmico e por me auxiliar a bem conduzir as delicadas relações entre universidade e psicanálise.

À Helena Bicalho, que de perto me acompanhou e que, com bastante delicadeza, indicou-me caminhos fundamentais para a tessitura dessa tese. Suas preciosas pontuações sobre lógica, em meu exame de qualificação, modificaram o destino de algumas passagens em minha escrita.

Ao Raul Pacheco que, em meu exame de qualificação, a um só tempo, sugeriu uma nova estrutura para este texto e me despertou de uma espécie de “equívoco político”. Isso, preciso dizer-lhe, com muita justeza e clareza.

À Michele Faria, pelas ricas supervisões que ressoam neste trabalho.

À Dominique Fingermann, por sua escuta e por seu gesto, que analiticamente me conduziram do desencadeamento até a causa.

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À querida Ana Laura Prates Pacheco, importante interlocutora, com cujos textos tanto dialoguei na confecção desta tese.

Aos amigos queridos Juliana, Mauricio, Maria Lívia, Ana Laura, já mencionada, Marcelo e

Sergio, por estarmos juntos nos momentos difíceis que sucederam o falecimento de Luiz Carlos Nogueira, em outubro de 2003. Há época, Juliana, Maria Lívia, Marcelo e eu formamos um cartel, que sustentou nosso esforço de pesquisa e, particularmente, fez-me deslizar até a causa. Esses amigos, somados ao Christian, como mais um, foram, mais uma vez, fundamentais as minhas realizações. E, depois, preciso sublinhar, brindaria também os tantos outros momentos preciosos que partilhamos.

Aos amigos e colegas do grupo de orientação: Marcelo, já mencionado, Paulo, Leandro, Abenon e ao meu marido Ronaldo, por pontuações e discussões que contribuíram bastante para este trabalho. Neste mesmo sentido, agradeço também à Letícia, à Fátima e ao Ivan.

Às coordenadoras do PROMUD, Patrícia Hochgraf e Silvia Brasiliano, pelos espaços abertos e pelo tempo concedido para o início deste trabalho.

encontros, após alguns descaminhos

À Miriam Debieux, minha orientadora no mestrado, por nos possibilitar bons e importantes

À Flávia Trocoli, pela leitura atenta e pela precisa revisão deste texto.

À Daniela e à Anita, à Helô e à Ilana, por toda a ajuda com as línguas estrangeiras.

À Ilana, amiga querida, com quem as relações entre tempo e espaço mostram-se bastante peculiares. No tempo, o encontro seguinte parece sempre ser sucedâneo daquele ocorrido ontem. Os “cafés”, nem sempre regados à café, os interesses comuns, as boas risadas, os bons filmes, enfim, pontos que fazem com que ela esteja presente e bem perto, mesmo tão longe.

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À Helô, por sua preciosa amizade, que permanece tão importante e há tempos habita meu cotidiano. Agradecer-lhe me faz retroagir ao nosso lugar de descobertas: Chico Buarque, o “pensamento do mundo”, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, a dança, o “Lula lá”, os choros, os risos, a escola, o colégio, a faculdade. Pois é, falar sobre ela me trás a impressão de que uma parte daquilo que muda na gente, muda cuidadosamente. Tanto disso ainda esta aqui, mas de maneira tão diferente.

Aos queridos amigos Ricardo e Marine. Ao Ricardo, por sua “leitura poética do mundo”, que ele tantas vezes deixa surgir, comumente em nossos encontros gastronômicos, regados à vinho e outros itens com teores alcoólicos um pouco mais elevados. À Marine, por fazer de sua honestidade e transparência, também beleza e poesia. Ao querido Tomás, por trazer tanta alegria a nossa casa e, particularmente, à Alice, que sobremaneira me inspirou nos momentos finais deste trabalho.

Aos queridos Valéria, Clayton e João, por tanta alegria (e comidas deliciosas) aos nossos finais de tarde, finais de semana e viagens de férias.

Aos amigos queridos Marcelo (já mencionado) e Karina, pelas ricas interlocuções e pelas gostosas conversas acompanhadas pelo som quase constante da doce voz de nossos pequenos. Obrigada Marina, sua presença traz delicadeza aos nossos encontros.

À Lygia, amiga querida e companheira de trabalho desde os tempos do HC, passando pelas intempéries da Uninove. Agradeço-lhe por cada palavra de incentivo que ouvi você dizer. Tocam-me sua generosidade, doçura e vivacidade, que agora, com o lindo Tom, aguçaram-se mais ainda.

juntosà Nina.

À Malú querida, amiga e parceira de supervisão, por suas contribuições de toda sorte. Pelas veredas que se iniciaram ainda na faculdade: nossa inesquecível viagem, Roma, Nice, “Cem anos de solidão”, o parque de diversões, um tempo longe, o reencontro, a psicanálise, nossos filhos brincando À Neide e à Sebastiana, pela presença sábia e pelo cuidado carinhoso dedicado aos meus filhos.

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Ricardo, enfim, a toda essa gente que se fez família e, sublinho, família querida

À Dilza, por sua presença amorosa. E também à Adalgisa e ao Edu, afinal, sem o ‘mutirão’ que fizeram, eu não teria tido o tempo necessário para essa escrita. A minha preciosa cunhada Pri e ao musical

Aos meus saudosos avós, Octávio e Niette, por me introduzirem no “mundo das letras”.

Aos meus pais, Paulo e Regina, por tudo aquilo que me transmitiram. A minha mãe, por me oferecer, com tranqüilidade e desde cedo, espaços tão fundamentais. Ao meu pai, que, com sua exatidão, logo me mostrou que as retas fazem curvas. Também, é claro, pela particular afeição que testemunho dedicarem aos netos. Ao meu querido irmão, Gui, por todos esses anos juntos e à querida Deda. E, por fim, agradeço por estarem tão presentes nestes tempos em que o “mutirão família” fez-se necessário.

cotia”, “pintar e bordar”ah, certamente, só assim eu pude bordar!

Aos meus filhos, José e Francisco, “partos participantes” do tempo deste trabalho, por despertarem em mim um amor que eu mesma não sabia ser possível e que, então, fez meu coração, “menor que o mundo”, crescer muito. E, também, por me proporcionarem escansões fundamentais ao escape de uma produção desvitalizada. Poder “bater palminhas”, deixá-los “escrever nomes”, ouvir “Pé com pé”, o “Cocoricó”, assistir ao “Peter Pan”, trocar a fralda, fazer e dar a mamadeira, brincar de “corre

Àquele que sobremodo causou em mim uma série daquilo que, verdadeiramente, chamo amor: de seu princípio clandestino, guardo os segredos e, do momento em que se legalizou, até os dias atuais, experimento nossas tantas invenções para além da lei. Obrigada Rô, por apostar nas diversas escolhas que partilhamos e por sustentar comigo um desejo. Por estarmos tão perto nesta bela e nova empreitada com nossos filhos. E, igualmente, por mostrar-se criativo mesmo em situações não tão simples, como estas, que envolveram momentos de concluir.

GIANESI, A.P.L. Causalidade e determinação: o problema do desencadeamento em psicanálise, 2008. Tese (Doutorado) - Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

Este trabalho versa sobre o problema do desencadeamento para a psicanálise e toma por fio condutor alguns casos freudianos. O tema sublinhado foi concebido como um ponto clínico fundamental, que remete o psicanalista tanto à questão diagnóstica quanto à investigação etiológica. Neste sentido, destacamos que o surgimento de sintomas e do surto psicótico mereceu particular atenção ao longo de nossas linhas. Verificamos que, depois de Freud, a presença de uma conversão histérica ou de um delírio paranóico logo indicava uma direção para o tratamento e também indagava a psicanálise acerca das causas precipitadoras de tais quadros. Pois bem, sobretudo nos intrigou a pesquisa sobre as dimensões causais de um desencadeamento. Para realizá-la seguimos primeiro Freud e sua complexa teoria da causalidade psíquica e depois Jacques Lacan, que, de maneira peculiar, soube destacar o inédito freudiano e postular uma noção de causalidade que designamos como própria à psicanálise e pertinente ao desencadeamento.

Palavras-chave: 1. Psicanálise 2. Noção de Causalidade 3. Ansiedade 4. Fantasia 5. Sintomas.

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