Introdução à  Saude Publica e Epidemiologia

Introdução à Saude Publica e Epidemiologia

(Parte 7 de 11)

Que conclusões podemos estabelecer sobre o conceito de saúde? E sobre a doença na comunidade?

3. A lista de tarefas que se segue, corresponde às actividades d senhor Jotajota no centro de saúde. Distinga aquelas inerentes à resolução de problemas de saúde individual das que incluem o diagnóstico e manejo de problemas das pessoas na comunidade. a. Diagnóstico e tratamento de pacientes; b. Administração de vacinas; c. Orientação de palestras de educação sanitária; d. Condução de consultas pré‐natais; e. Assistência aos partos; f. Cuidados especiais de doentes com tuberculose e lepra; g. Detecção de epidemias de doenças na área que serve; h. Condução de inquéritos para detectar pessoas com doença, mas que não estão a beneficiar de assistência médica.

4. Ao lado de cada uma das tarefas efectuadas no centro de saúde sede de Xikhelene, listadas abaixo, marque com um tique (9) aquelas que pertencem ao trabalho clínico ou ao trabalho de saúde da comunidade

Medicina clínicaSaúde da Comunidade (a). Tratar uma mulher grávida com malária

(b). Conduzir um inquérito sobre surdez entre crianças em idade escolar

(c). Orientar palestras sobre vacinação (d). Aconselhar uma jovem sobre saúde sexual e HIV

(e). Fazer um diagnóstico numa paciente com tosse e febre

(f). Organizar brigadas móveis de vacinação (g). Tratar uma paciente com fratura (h). Fazer diagnóstico de apendicite (i). Conduzir um inquérito sobre anemia numa cidade

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TAREFA 2 Introdução à epidemiologia

Trabalho original do CRDS (Elaborado pelo Dr. Aurélio GOMES) m 1981 houve um número desusado de casos de paraparésia espástica na comunidade que ele serve, o que pôs a comunidade em pânico. Segundo os "mais velhos", a doença tinha-se instalado porque os mais novos já não respeitavam certas tradições ancestrais, e isso tinha sido punido pelos espíritos dos antepassados. No Centro de Saúde, discutiam-se as razões desta "epidemia de pólio".

Um grupo de epidemiologistas do MISAU fez um estudo científico da situação e concluiu que afinal a "epidemia de pólio" não era mais do que um surto epidémico de Konzo ou "neuropatia tropical". Os epidemiologistas identificaram que a causa era o consumo de mandioca amarga que continha um alto teor de tiocianato (SCN). A mandioca tinha sido introduzida em Nampula por volta do século XVIII, e que por razões que deviam ser objecto de mais estudos, tinha sido consumida por grande parte dos membros da comunidade. Meses depois, o Sr ZACARIAS foi escolhido para frequentar um curso de Epidemiologia. Durante a discussão dos temas do trabalho prático que cada estudante devia realizar durante o curso, o Sr ZACARIAS informou que pretendia estudar a relação entre epidemia de Konzo ("neuropatia tropical"), com a colonização Portuguesa 5 séculos atrás. Segundo ele, a colonização tinha introduzido novos hábitos nutricionais, os quais eram responsáveis pelo Konzo. O facilitador achou o problema interessante, mas perguntou, se este for o caso, porque não tinha acontecido nenhum caso no tempo colonial. Explicou que tal estudo não estava no âmbito da Epidemiologia. A resposta não agradou ao Sr. ZACARIAS porque entendia que se este era um problema interessante, tinha de haver um meio cientificamente comprovado para responder ao problema. Assim, esclarecido mas não convencido, o Sr ZACARIAS dirigiu-se à biblioteca para saber porque tal problema não se enquadrava no âmbito da Epidemiologia.

Depois de estudar os apontamentos do Texto de Formação 1 (em separado), cada participante deverá responder às perguntas seguintes:

¾ Como você define a epidemiologia?; ¾ Como a abordagem epidemiológica em saúde pública se distingue da abordagem clínica? ¾ Quais os principais marcos históricos da epidemiologia?

¾ Quais as características chave e usos da epidemiologia descritiva? E da analítica?

¾ O que quer dizer tríade epidemiológica? Descreva as características de cada um dos constituintes. ¾ Que aplicações primárias de epidemiologia na prática de saúde pública conhece?

¾ Como define caso esporádico, endemia, surto epidémico, epidemia e pandemia?

¾ Acha que a situação acima descrita representa uma preocupação de foro epidemiológico? Justifique.

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TAREFA 3 Elementos e mecanismos de propagação de doenças transmissíveis

Trabalho original do CRDS (Elaborado pela Dra. Rosa Marlene MANJATE e Revisto pelo Dr Francisco MBOFANA) ogo após o seu regresso de Muchochonono o recentemente nomeado Director Provincial da Mozolândia, o Dr. Foquisso, deparou‐se com uma outra emergência, do Director Serviço Distrital de Saúde de Malovane, um distirito remoto com fracas vias de acesso mas um dos mais densamente povoados da província. A informação que chegara a dois dias atrás na província via rádio da DPCCN, o médico do distrito informava a província de um núnero crescente de casos clínícos e óbitos por uma doença que se caracterizava na maior parte dos casos por ínicio súbito com um quadro clínico que fazia suspeitar uma epidemia de Meningite Meningocócica.

O médico distrital estava muito preocupado porque, a dois anos atrás antes de ter sido transferido da província onde trabalhara, tinha passado por uma situação semelhante e devido a por pouca experiência que tinha na altura levou algum tempo para perceber que estava perante uma epidemia, para puder tomar as medidas correctas e informar à DPS. Daí que na sua mensagem solicitava a presença do DPS, o mais urgente possível, para juntos discutirem a melhor estratégia de controlo da suposta epidemia.

O DPS acabava de regressar duma outra situação em que no meio de muita confusão teve que dar orientações bem precisas para se controlar uma epidemia de peste. Infelizmente a situação se repetia, bem preferia que esta epidemia fosse igual a outra mas não, segundo a informação o quadro era diferente. Com a experiência e os conhecimentos que tinha obtido anteriormente sabia que nas epidemias o controlo do hospedeiro era importante mas neste caso qual era o hospedeiro? Na peste havia o problema dos vectores. Devia‐se controlar as pulgas com pulverizações e neste caso o que se devia fazer? Depois de muito pensar em outras possibilidades de transmissão desta doença, o DPS não tomou nenhuma decisão, precisava de ir consultar uma vez mais a literatura para ver mais aspectos relacionados com as vias de transmissão, porta de entrada, porta de saída e classificação de fontes de infecção para entender os mecanismos de transmissão do agente etiológico da meningite.

O Dr. Foquisso convicto de que a chave para a solução deste problema estava relaccionada com a identificação das fontes de infecção, das vias de transmissão, porta de saída, porta de entrada

Introdução à Epidemiologia e Saúde Pública Pg. 24 decidiu convocar um encontro do seu colectivo técnico para discutir o caso antes de ele partir para Malovane com as soluções para o DDS.

Os membros mais antigos e experientes, uma vez mais, ficaram muito satisfeitos com esta atitude do director e colaboraram activamente. Na sua opinião quais foram os aspectos que abordaram e que enriqueceram os conhecimentos do DPS?

Tendo em conta o problema apresentado, cada aluno deverá considerar os aspectos seguintes: a) Cadeia epidemiológica: a. Elementos da cadeia epidemilógica e sua utilidade nas doenças transmissíveis; b) Fontes de Infecção; c) Classificação das fontes de Infecção: Doentes, Portadores Comunicantes, Reservatórios; d) Vias de eliminação dos microorganismos patogénicos; e) Vias de transmissão dos microorganismos patogénicos; f) Portas de eliminação ou saída do agente; g) Portas de entrada no novo hospedeiro.

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TAREFA 4 Investigação de tuberculose na sua cidade

Trabalho original da UCM (tradução e revisão por Prof. Doutor Baltazar Chilundo e Prof. Doutor César Palha de Sousa)

A) A equipa de pesquisa do Departamento de Saúde da Comunidade da UEM pretende investigar o efeito dos contactos domésticos com tuberculose pulmonar no risco de transmissão de tuberculose na cidade de Maputo. Eles decidem proceder através dum estudo do tipo caso‐controlo. Enquanto escreviam o protocolo de pesquisa, eles discutiram uma série de aspectos: (i) Neste estudo qual será a exposição e qual será o desfecho; (i) o que são casos? (iv) o que são controlos? (v) seria o ODDS Ratio (Razão dos contrários, Produtos cruzados) a medida apropriada para comparar a frequência do factor de risco de interesse em casos e controlos?

B) A mesma equipa de investigadores também estava interessada em saber se ao dar Isoniazida (INH) às pessoas que acabavam de receber tratamento para tuberculose era eficaz na redução da taxa de recorrência da tuberculose em Maputo, uma cidade que todos sabemos que tem uma prevalência de HIV elevadíssima (acima dos 20%). Para estudar este fenómeno, eles decidiram fazer um ensaio randomizado controlado, recrutando pessoas que acabavam de terminar tratamento de tuberculose. Participantes foram randomizados para receber INH (grupo de intervenção) ou placebo (grupo de controlo) durante 12 meses depois do término do tratamento de tuberculose. Todos participantes foram seguidos para determinar a incidência cumulativa da tuberculose nos grupos de intervenção e de controlo. 1) Os investigadores encontraram que o risco relativo para tuberculose recorrente entre as pessoas

HIV‐positivo comparado com os pacientes HIV‐negativo foi de 10.7 (IC 95% 1.4‐81.6). Como tu interpretarias este valor de risco relativo? Como interpretas o Intervalo de confiança? 2) Entre os participantes HIV‐positivo, o risco relativo de TB foi de 0.18 (IC 95%0.04‐0.83) para aqueles que tomaram INH comparados com aqueles que não tomaram. Como tu interpretarias este valor de risco relativo? Como interpretas o Intervalo de confiança? 3) Entre os participantes HIV‐positivo, o Risco Relativo para a morte foi de 0.93 (IC 95% 0.51‐1.65) entre aqueles que tomaram INH comparados com aqueles que não tomaram. Como tu interpretarias este valor de risco relativo? Como interpretas o Intervalo de confiança?

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TAREFA 5 Investigação de surto

Trabalho original da UCM (tradução e revisão por Dra. Fátima Cuembelo e Prof. Doutor Baltazar Chilundo)

m grupo de soldados mancebos recentemente recrutados e colocados no quartel de Boane como candidatos a pertencer a uma unidade de guarda‐fronteiras estava a fazer um treino que incluía marchar para cima e para baixo das montanhas nas redondezas.

A marcha começou no dia 22 Julho 2009 pela tarde, todos os soldados encontraram‐se num lugar chamado Mafuaine, ao lado de um cristal claro e um rio fresco. Depois disso, os soldados entraram em grupos pequenos para locais diferentes, e alguns desses locais tinham pequenos lagos.

Toda a comida consumida tinha sido individualmente empacotada e pasteurizada como parte das regras dói exército. Contra regulamentos estabelecidos, a água não tratada dos lagos e rios foi bebida.

No dia seguinte todos estavam de volta para o forte dos quartéis comendo a comida habitual.

A unidade consistiu de 122 soldados (chamados guarda‐fronteiras) dos quais 100 participaram na marcha. Outra unidade, com 25 soldados, compartilhou os quartéis e a cantina com a unidade remanescente dos guarda‐fronteiras.

Na tarde do dia 23 de Julho alguns soldados começaram a sentir‐se indispostos, apresentando diarreia e febre. Depois de estabelecer uma definição epidemiológica do caso com base nos sintomas manifestados pelos primeiros soldados que se sentiram doentes, o médico chefe do quartel foi capaz de confirmar que 81 soldados que estavam na marcha e um da unidade dos guarda‐fronteiras que não foi para a marcha, desenvolveram a doença gastrointestinal febril enquanto que nenhum soldado fora da unidade dos guarda‐fronteiras desenvolveu a doença durante aquele período.

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