SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMMATERNO – INFANTIL

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMMATERNO – INFANTIL

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Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE – sendo atividade privativa do Enfermeiro, utiliza método e estratégia de trabalho científico para a identificação das situações de saúde/doença, subsidiando a prescrição e implementação de ações de Assistência de Enfermagem que possam contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação em saúde do indivíduo, família e comunidade; Considerando a institucionalização do SAE como a prática de um processo de trabalho adequado às necessidades da comunidade e como modelo assistencial a ser aplicado em todas as áreas de assistência à saúde pelo Enfermeiro; Considerando que a implementação do SAE constitui, efetivamente, na melhoria da qualidade da Assistência de Enfermagem; Decide:

Artigo 1°. Ao Enfermeiro incumbe: t- privativamente A implantação, planejamento, organização, execução e avaliação do processo de enfermagem, que compreende as seguintes etapas:

Consulta de Enfermagem Compreende o histórico ( entrevista ), exame físico, diagnóstico, prescrição e evolução de enfermagem.Para a implantação da assistência de enfermagem ,devem ser considerados os aspectos essenciais em cada uma das etapas, conforme descriminados a seguir:

Artigo 3°. A implementação do SAE, considerando-se a necessidade de ocorrer, previamente, a organização dos Serviços de Enfermagem, obedecerá aos seguintes prazos a seguir:

– Até 30.07.2000: a todos os pacientes considerados graves/críticos e de UTI (adulto, infantil e neo-natal) e um mínimo percentual de 10 à 20 % a ser determinado pelo Enfermeiro, nos casos de Assistência Domiciliar – Home Care – e Ambulatórios, considerando-se a incidência epidemiológica e ou cadastro epidemiológico associado aos níveis de riscos envolvidos;

– Até 30.07.2001 :a todos os pacientes internados ou assistidos (casos de Ambulatórios, Assistência Domiciliar – Home Care – )

Artigo 4°. A implementação do SAE nas Unidades de Saúde Pública deverá obedecer aos seguintes prazos a seguir:

– Até 30.07.2000 : ao paciente portador de Doença crônico-degenerativa, Doença transmissível sexual ou não, Gestantes de risco, e aos enquadrados dentro do programa de imunização, em todos os postos de saúde, dentro de um percentual de 10 a 20 % a ser determinado pelo Enfermeiro, considerando-se a incidência epidemiológica e ou cadastro epidemiológico associado aos níveis de riscos envolvidos;

– Até 30.07.2001 : a todo o paciente portador de Doença crônico degenerativa, Doença transmissível sexual ou não, Gestantes de risco, e aos enquadrados dentro do programa de imunização, em todos os postos de saúde;

Artigo 5°. A implementação do SAE deverá ser registrada formalmente no prontuário do paciente/cliente, devendo ser composta por:

– Histórico de Enfermagem – Exame Físico

– Prescrição da Assistência de Enfermagem

– Evolução da Assistência de Enfermagem

– Relatório de Enfermagem

Parágrafo único: nos casos de Assistência Domiciliar – Home Care –, este prontuário deverá permanecer junto ao paciente/cliente assistido, de acordo com o disposto no Código de Defesa do Consumidor.

Artigo 6°. Os casos omissos no presente ato decisório serão resolvidos pelo COREN-SP.

Artigo 7°. A presente decisão entrará em vigor após homologação pelo COFEN e devida publicação no órgão de Imprensa Oficial do Conselho. São Paulo, 19 de outubro de 1999.

Ruth Miranda de Camargo Leifert Presidente

Decisão homologada pelo Conselho Federal de Enfermagem através da DECISÃO COFEN 001/2000 de 04 de janeiro de 2000.

Assistência de Enfermagem ao Pré-Natal AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO DE ENFERMAGEM NA GESTAÇÃO

Manual de Enfermagem w.ids-saude.org.brlenfermagem Autoras: Soma Maria Junqueira Vasconcellos de Oliveira, Emília Saito Enfermeiras, Prol’. W. da Escola de Enfermagem, L1SP

Objetivos

Subsidiar a assistência de enfermagem à gestante e identificar riscos materno e fetal durante a gravidez.

A gravidez e o parto constituem-se em eventos essencialmente fisiológicos na vida da mulher. No entanto, caracterizam-se por provocar variadas e profundas alterações físicas e emocionais na mulher, o que requer um acompanhamento contínuo por parte da família e dos profissionais de saúde.

A avaliação de risco não é uma medida a ser utilizada uma única vez, mas um procedimento continuado ao longo da gestação e do trabalho de parto. A qualquer momento complicações precoces podem tornar-se aparentes, induzindo a decisão de encaminhar a mãe a um nível mais complexo de assistência.

Assistência pré-natal

É competência da equipe de saúde acolher a gestante e a família desde o primeiro contato na unidade de saúde ou na própria comunidade. O termo acolhimento deve ser considerado na abordagem da grávida como o significado que a gestação tem para ela e sua família, uma vez que é nessa fase que se inicia o desenvolvimento do vínculo afetivo com o novo ser.

Nesse sentido, devem ser valorizadas as emoções, os sentimentos e as histórias relatadas pela mulher e seu parceiro de forma a individualizar e a contextualizar a assistência pré-natal. Para tanto, recomenda-se utilizar estratégias, como a escuta aberta, sem julgamentos e sem preconceitos, e o diálogo franco, permitindo à mulher falar de sua intimidade com segurança, expressar sua dúvidas e necessidades, possibilitando, assim, o estabelecimento e o fortalecimento do vínculo profissional-cliente.

Item a: Quando a DUM é conhecida: 1) somar sete dias ao primeiro dia da última menstruação e adicionar nove meses ao mês em que ocorreu a última menstruação, ou 2) uso do calendário: contar o número de semanas a partir do 1° dia da DUM para se obter a IG atual em cada consulta, e a DPP corresponde ao final da 40a semana.

Item b: Quando a DUM é desconhecida; se o período foi no início, meio ou fim do mês, considerar como DUM os dias 5, 15 e 25, respectivamente; proceder então, à utilização de um dos métodos descritos no item a.

Considera-se sinal de certeza da gravidez, a ausculta dos batimentos cardíacos fetais (BCF) pelo Sonar-Doppler a partir da 10’ semana e com o uso do estetoscópio de Pinard a partir da 18-20a semana, sendo que nos primeiros meses, localiza-se logo acima da sínfise púbica.

Primeira consulta

Ela deve ocorrer o mais precocemente possível e pode ser realizada na unidade básica de saúde ou por meio da visita domiciliar. Nesta consulta, deve ser efetuado um plano de acompanhamento da gravidez, obedecendo o intervalo de quatro semanas até a 32” semana de gravidez; duas semanas da 32’ à 36’ semana e, semanalmente após a 36a semana.

Nessa ocasião, deve-se realizar a anamnese da gestante com o levantamento de dados, conforme roteiro proposto pelo Ministério da Saúde, que segue:

História clínica • Identificação (idade, cor, naturalidade, procedência e endereço atual).

• Dados socioeconômicos (grau de instrução, profissão/ocupação, situação conjugal, número e idade de dependentes, renda familiar per capita, pessoas da família que participam da força de trabalho, condições de moradia e condições de saneamento). Motivos da consulta (assinalar se foi encaminhada ou se procurou diretamente a unidade, se existir alguma queixa, registrá-la).

• Antecedentes familiares (especial atenção à hipertensão arterial, diabetes, doenças congênitas, gemelaridade, câncer de mama, hanseníase, tuberculose eoutros, anotar a doença e grau de parentesco).

• Antecedentes pessoais (especial atenção à hipertensão arterial, diabetes, cardiopatias, doenças renais crônicas, anemia, transfusões de sangue, doenças neuropsíquicas, herpes e rubéola, alergias, hanseníase, tuberculose e cirurgias, registrando o tipo e a data).

• Antecedentes ginecológicos (ciclos menstruais: duração, intervalo e regularidade; uso de métodos anticoncepcionais: quais, por quanto tempo e motivo do abandono; infertilidade e esterilidade, anotar tratamento; doença sexualmente transmissível, incluir o parceiro; mamas: alteração e tratamento; última data de realização de Papanicolau). Sexualidade (início da atividade sexual; desejo sexual; orgasmo; dispareunia; prática sexual nesta gestação ou nas anteriores; número de parceiros).

• Antecedentes obstétricos (número de gestações, incluindo abortos, gravidez ectópica e mola hidatiforme; números, tipos, indicações e local de ocorrência dos partos; números e tipos de abortamentos se foi feita curetagem; número de filhos vivos; idade na primeira gestação; intervalo interpartal; número e intercorrências dos recém-nascidos; intercorrências nas gestações, partos e puerpérios anteriores; história de aleitamento anterior).

• Gestação atual (data do primeiro dia/mês/ano da DUM, anotar certeza ou dúvida; calcular DPP; data da percepção dos primeiros movimentos fetais; sinais e sintomas da gestação; uso de medicamentos, fumo, álcool e drogas; planejamento da gravidez; esforço físico intenso, exposição a agentes químicos e físicos nocivos pela atividade ocupacional)

Exame físico

– Geral (avaliar peso e estado nutricional da gestante; verificar a estatura;determinar a freqüência cardíaca, pressão arterial e temperatura; inspecionar pele emucosa; palpar a tireóide e gânglios inguinais; e prosseguir obedecendo a seqüência céfalo-caudal).

• Específico: gineco-obstétrico (exame de mamas; medida da altura uterina; realizar manobra de palpação (vide a técnica descrita no capítulo “avaliação e intervenção de enfermagem no parto normal sem intercorrências”); ausculta dos batimentos cardíacos fetais (BCF); inspeção dos genitais externos e internos, através do exame especular e eventual coleta de material para exame colpocitológico, caso a última avaliação exceda um ano; toque vaginal).

Avaliação do peso e estado nutricional da gestante

Caso a gestante conheça seu peso pré-gravídico, o aumento de peso poderá ser controlado tomando como referência os valores do gráfico de curva de peso/idade gestacional do cartão da gestante proposto pelo Ministério da Saúde. Conhecendo a semana de gestação diminui-se do peso atual da gestante, o peso pré-gravídico, obtendose o aumento de peso para essa IG. O valor será registrado no gráfico mencionado acima. O limite normal máximo é o percentil 90 e o mínimo 25. Quando o valor do aumento de peso for maior que o percentil 90 ou se estiver abaixo do percentil 25, considera-se casos anormais, devendo a gestante ser encaminhada para consulta médica, devido à possibilidade de caracterizar alto risco. Se a gestante não souber seu peso pré-gravídico, pode-se controlar o aumento de peso por semana, aceitando como normal um aumento médio de 400 g por semana no segundo trimestre e de 300 g no terceiro.

Medida da Altura Uterina

1) posicionar a gestante em decúbito dorsal, com abdome descoberto; 2) delimitar a borda superior da sínfise púbica e o fundo uterino; 3) fixar a extremidade inicial (0 cm) da fita métrica na borda superior da sínfise púbica passando a mesma entre os dedos indicador e médio. Proceder à leitura quando a borda cubital da mão atingir a região do fundo uterino; 4) anotar a medida na curva de altura uterinalidade gestacional contida no cartão da gestante e demais impressos, se existirem (figuras 1 e 2).

O acompanhamento pré-natal deve contar com o apoio laboratorial da unidade básica de saúde para a realização da dosagem de hemoglobina; grupo sangüíneo e o fator Rh, e se este for negativo, o teste de Coombs Indireto; sorologia para sífilis; glicemia em jejum; exame sumário de urina (Tipo I); colpocitologia oncótica e teste antì HIV.

Em relação às consultas subseqüentes, seguir Roteiro preconizado pelo Ministério da Saúde:

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