SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMMATERNO – INFANTIL

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMMATERNO – INFANTIL

(Parte 3 de 8)

• Revisão dos dados da ficha da gestante e anamnese atual; • Cálculo e anotação da IG;

• Controle do calendário de vacinação antitetânica: a primeira dose deve ser precoce; a segunda, 60 dias depois da primeira (tentando respeitar o limite de 20 dias antes da DPP) e a terceira, 60 dias após da segunda;

• Exame físico geral e gineco-obstétrico: determinar o peso; calcular o ganho de peso e anotar no gráfico; verificar pressão arterial; inspecionar pele e mucosa, atentar para a presença de edema; avaliar mamas; palpar e medir altura uterina; auscultar BCF; realizar toque vaginal e outros exames, se necessário;

• Interpretação de exames laboratoriais e solicitação de outros, se necessário;

• Realizar ações e práticas educativas (individual ou em grupo);

• Agendamento de consultas subseqüentes.

A gestação constitui-se em uma fase propícia ao desenvolvimento de ações educativas voltadas à manutenção da saúde. Estas ações podem ser desenvolvidas individualmente, nos casos de atendimento domiciliar, mas nas situações de acompanhamento pré-natal nas unidades básicas de saúde, a enfermeira deve considerar o desenvolvimento de orientações em grupo por facilitar a troca de experiência. Os temas a serem abordados nessas ocasiões, em geral, referem-se aos cuidados com as mamas, vestuário, higiene corporal, exercícios físicos e atividade sexual, entre outros.

Cuidados com as mamas: a gestante que pretende amamentar deve fortalecer os mamilos por meio de exposição ao sol, iniciando com breves períodos de 5 minutos, aumentando progressivamente o tempo de exposição para até 15 minutos por dia: pela manhã e no final de tarde. Os mamilos quando poucos salientes devem ser massageados diariamente, por meio de apreensão desde a sua base, com os dedos de uma das mãos, tracionando-o levemente. A contenção e sustentação das mamas é importante para evitar desconforto.

Higiene corporal: a gravidez não contra-indica o banho diário e as demais medidas de higiene, entretanto, deve-se evitar as duchas vaginais, exceto quando haja infecção do trato vaginal que necessite desse tratamento.

Atividade sexual: depende do casal, podendo ser mantida durante toda a gravidez, exceto na presença de sangramento vaginal, particularmente em mulheres com história de abortamentos anteriores, ameaça de parto prematuro e multíparas com colo uterino permeável, pois favorece a rotura das membranas amnióticas.

Queixas mais freqüentes na gravidez e condutas

1. Náuseas, vômitos e tonturas (sintomas comuns no início da gestação): a) orientar a gestante para fracionar dieta (seis refeições leves ao dia); frituras, gorduras e alimentos com odores fortes ou desagradáveis, líquidos nas refeições e ingerir alimentos sólidos pela manhã antes de se levantar; b) encaminhar para consulta médica em casos de vômitos freqüentes.

2. Pirose (azia): orientar para evitar frituras e fumo, além da ingestão de café, chá preto, mates, doces, álcool; fracionar a dieta e ingerir leite frio. Se necessário, encaminhar ao médico.

3. Dor abdominal, cólicas ou lombalgias: a) certificar-se de que não sejam contrações uterinas, se elas forem de breve duração e poucas, recomenda-se repouso e Buscopan simples por não representar risco de parto prematuro; b) uso de cinta, se existir flacidez de parede abdominal; c) aplicação de calor local e fazer massagem; d) exercícios diários para tonificar e manter a força muscular; e) evitar usar sapato de salto muito alto; f) dormir em colchão firme; g) corrigir postura.

4. Cefaléia: a causa mais comum é a tensão emocional; a) afastar a possibilidade de préeclâmpsia após 20 semanas de gestação; b) conversar com a gestante sobre tensões e medos; c) encaminhar para avaliação médica, caso persista a queixa.

5. Edema: quando limitado aos tornozelos decorre da pressão da veia cava inferior pelo útero, principalmente no final da gravidez; orientar para manter repouso em decúbito lateral ou com os MI elevados. Na presença de edema generalizado ou de face e mãos estar alerta para a possibilidade de pré-eclâmpsia; adotando dieta hipossódica e repouso; e nos casos de associação com cefaléia e aumento de pressão arterial, encaminhar para avaliação médica.

6. Flatulência e constipação intestinal: a) adotar dieta rica em resíduos (frutas cítricas, verduras, mamão, ameixa e cereais integrais); b) aumentar a ingestão de líquidos; c) evitar alimentos de alta fermentação (repolho, couve, ovo, feijão, leite e açúcar); d) encorajar exercícios e caminhadas.

7. Corrimento vaginal: a) explicar que o aumento de fluxo vaginal é comum e normal na gestação; b) não há necessidade de cremes vaginais desde que não haja diagnóstico de infecção vaginal; c) agendar consulta médica se ocorrer leucorréia de cor amarelada, esverdeada ou com odor fétido, ou caso haja prurido.

8. Queixas urinárias: a) explicar que o aumento do número de micções é comum no início e final da gravidez; b) agendar consulta médica, caso exista dor ao urinar ou hematúria, com ou sem febre.

9. Varizes: a) evitar ficar de pé por tempo prolongado e repousar elevando os MI; b) recomendar o uso de meias elásticas.

10. Cãimbras: a) orientar a gestante ficar de pé e descalça em superfície fria; b) massagear o músculo contraído e aplicar calor local.

Intercorréncias e complicações na gestação

A hemorragia vaginal é um dos sinais de várias intercorrências e complicações da gestação, sendo que pode ocorrer desde o seu início até o final. Na primeira metade da gestação, o sangramento é, geralmente, devido ao aborto e à prenhez ectópica.

O aborto é a perda ou a interrupção antes da 20-22a semana; dito precoce quando ocorre até a 15a semana e tardio, entre a 13a e 22a semana de gravidez. O diagnóstico é feito através da perda sangüínea e queixa de cólicas no abdome inferior e/ou dor lombar. A caracterização do quadro doloroso é importante para identificar ameaça de aborto (sangramento vaginal, colo uterino impérvio e ausência de contrações uterinas dolorosas) ou aborto inevitável.

A prenhez ectópica é a implantação e o desenvolvimento do ovo fora da cavidade uterina. O seu diagnóstico baseia-se na avaliação clínica. Ao ocorrer o rompimento do saco ovular e/ou da tuba, é acompanhado de dor abdominal aguda, tontura, vertigens e, eventualmente, choque hemorrágico, além de caracterizar uma urgência. A conduta é geralmente cirúrgica.

Nos casos de aborto e prenhez ectópica, a primeira providência é encaminhar a gestante para um serviço que tenha possibilidade de realizar ultra-sonografia e avaliação médica. A urgência desse encaminhamento está na dependência da avaliação do quadro clínico da mulher pelo profissional.

Outra patologia comum durante a gravidez é a hipertensão arterial, que consiste no aumento de 30 mmHg na pressão sistólica e 15 mmHg na diastólica, quando se conhecem os níveis pressóricos anteriores à 20a semana de gravidez, ou pressão arterial maior ou igual a 140x90 mmHg. É identificada pela tríade hipertensão arterial, proteinúria (+ ou mais em amostra isolada ou acima de 300 mg em 24 horas) e edema, principalmente de mão e face, de aparecimento súbito; sendo denominada de préeclâmpsia. A ocorrência da crise convulsiva e/ou coma, caracteriza a eclãmpsia.

Os fatores de risco da pré-eclâmpsia são antecedentes familiares e pessoais de préeclâmpsia/ eclâmpsia; a primeira gestação; gestação gemelar; diabetes; hipertensão arterial crônica; nefropatia; lúpus e mudança de parceiro. A conduta a ser estabelecida deve considerar a idade gestacional e a gravidade do quadro, podendo ser o acompanhamento ambulatorial ou com a gestante internada, portanto, requer uma avaliação médica. Considera-se pré-eclâmpsia grave, quando presente um ou mais dos seguintes critérios: pressão arterial diastólica maior ou igual a 110 mmHg; proteinúria igual ou maior a 2 g/I em 24 horas; dor epigástrica, oligúria (menor que 500m1/dia ou 15 ml/hora), cefaléia, escotoma e alteração de comportamento.

A hipertensão arterial na gravidez tem graves repercussões sobre o feto, sendo necessário, pois, avaliar a sua vitalidade através da contagem dos seus movimentos. Deve-se orientar a gestante, a partir da 28a semana, a contar os movimentos fetais durante uma hora, uma vez ao dia, associando com o almoço ou o jantar. Considera-se normal, acima de 12 movimentos fetais/hora; e são sinais de alarme (que requer encaminhamento), valores menores que 12 movimentos fetais/hora em duas tomadas sucessivas ou redução em 50% dos movimentos fetais em relação à medida anterior.

A gravidez pode não evoluir até o período aprazado pelo desencadeamento das contrações uterinas na freqüência de 2 em 10 minutos; acompanhada de esvaecimento do colo e dilatação cervical maior que 2 cm, no período entre 2 e 37ª semana, caracterizando o trabalho de parto prematuro.

Outra possibilidade é a gestação prolongada, quando a idade gestacional ultrapassa 40 semanas.

Assim, para diagnóstico certo, considerar a possibilidade de erro por irregularidade menstrual, uso de anticoncepcional hormonal e lactação. Nos casos de gestação com IG acima de 42 semanas, confirmada pela ultra-sonografia precoce, é indicada a interrupção da gestação, devendo ser encaminhada para instituição hospitalar. Quando a IG está entre 40 e 41 6/7 semanas, avaliar a vitalidade fetal através da contagem dos movimentos fetais descritos anteriormente; nos casos de normalidade, aguardar o trabalho de parto e quando alterada, encaminhar para a maternidade.

Na segunda metade da gravidez, a hemorragia também pode ocorrer, devendo-se fazer o diagnóstico diferencial entre placenta prévia e descolamento prematuro de placenta.

O sinal principal da placenta prévia é o sangramento vaginal indolor de início súbito, vermelho vivo, em geral em pequena quantidade, sendo episódico, recorrente e progressivo. Não se verifica alteração do volume ou tõnus uterino ao exame obstétrico.

A conduta na placenta prévia depende da vitalidade do feto, localização da placenta, quantidade do sangramento vaginal e idade gestacional. Assim, torna-se necessário 0 encaminhamento para um serviço que disponha de exame ultra-sonográfico (que possibilita o diagnóstico de certeza e a localização da placenta) e avaliação médica para uma eventual conduta intervencionista.

O descolamento prematuro da placenta é a separação intempestiva e prematura da placenta do seu sítio de implantação, após a 20’ semana de gestação. Geralmente, a sua ocorrência deve-se a um traumatismo.

O diagnóstico é realizado através do exame clínico e da anamnese. Nas formas graves evidenciase a dor localizada, repentina e intensa, em geral no fundo uterino, hipertonia seguida de perda sangüínea. Quadros iniciais podem dificultar o diagnóstico e devem ser valorizados.

O encaminhamento para um serviço torna-se necessário devido aos riscos maternos, que podem ser desde a hipotensão arterial até o choque hipovolëmico, e fetais, de anormalidade na ritmicidade e/ou freqüência dos batimentos cardíacos até o óbito fetal, caracterizando uma urgência.

Outra intercorrëncia da gravidez é a rotura da bolsa amniótica antes da instalação do trabalho de parto (ocorrência de, pelo menos, duas contrações uterinas em 10 minutos), denominada de amniorrexe prematura. O diagnóstico baseia-se na informação sobre perda de líquido amniótico súbita e em grande quantidade ou em pequena quantidade e recorrente. A conduta clínica implica na vigilância de parâmetros indicadores de infecção. Na confirmação do quadro infeccioso, recomenda-se a interrupção da gravidez, devendo ser encaminhada ao hospital. Na ausência de sinais de infecção, encaminhar também para o serviço que disponha de um especialista para avaliação e conduta.

Bibliografia

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Assistência ao parto normal: um guia prático. Relatório de um grupo técnico. Genebra, 1996.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Assistência pré-natal. 3a.ed. Brasília, 2000. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Gestação de alto risco. 3a.ed. Brasília, 2000.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Urgências e emergências maternas. Brasília, 2000.

Manual de Enfermagem w.ids-saude.org.br/enfermagem

Autoras: Isília Aparecida Silva, Enfermeira, Professora Associada Escola de Enfermagem L’SP: Amélia Fumiko Iaimura. Enfermeira. Prolèss<xa T)utcxa Escola da Fn/ànnagem USP.

Assistência à mulher no período puerperal

Conceito: O puerpério é considerado o período do ciclo grávido-puerperal em que o organismo materno retorna a suas condições pré-gravídicas e é caracterizado pelas regressões das modificações locais e sistêmicas que foram provocadas pela gravidez. O seu início se dá logo após a expulsão total da placenta e das membranas e tem a duração de cerca de seis semanas.

Puerpério imediato: inicia logo após a saída da placenta e dura aproximadamente duas horas.

Puerpério mediato: desde o puerpério imediato até o 10° dia, em que ocorre a regressão das modificações nos órgãos genitais, ocasião em que deve ocorrer a Visita Domiciliar da enfermeira.

Por volta do 10° dia o útero já regrediu em seu tamanho e se encontra na cavidade pélvica. A loquiação (produto originário principalmente da ferida placentária, descarnação e sangue), apresenta-se em quantidade moderada para escassa e amarelada.

(Parte 3 de 8)

Comentários