SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMMATERNO – INFANTIL

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMMATERNO – INFANTIL

(Parte 4 de 8)

A partir desse período instala-se o puerpério tardio, que se estende do 11° dia até o reinicio dos ciclos menstruais em mulheres que não estão lactando. Para aquelas que mantêm a lactação, o período pode variar de seis a oito semanas, período no qual, a loquiação se torna progressivamente serosa ou branca.

Exame físico da puérpera: A assistência de qualidade à puérpera não deve prescindir do exame físico geral e específico cuidadoso e coleta de informações para o planejamento das ações da equipe.

Exame físico geral Sinais vitais

Pulso: no período mediato, o pulso deve estar na freqüência normal, anotar freqüência e características do pulso (cheio, fino, rítmico, arrítmico).

Temperatura: deve manter-se em níveis normais. Caso a puérpera apresente temperatura acima de 37° C, observar fatores ambientais, tais como agasalho em demasia, ambientes não-ventilados. Descartandose esses fatores, investigar condições de mamas que podem estar cheias ou ingurgitadas, ou então infecção que na puérpera mais freqüentemente se instala em útero, mamas, trato urinário e respiratório.

Pressão arterial: Verificar a pressão arterial em decúbito lateral D. Deve estar em níveis normais até o 5° dia pós-parto.

Exame físico específico:

Exame das mamas: Mamilos verificar: a) o tipo (protruso, plano, umbilicado) em casos de mamilos não protrusos observar como está ocorrendo a amamentação e indicar exercícios de protrusão mamilar e, b) observar as condições de mamilo como presença de lesões, feridas, escoriações, bolhas e sangramento, a sucção do RN e as condições de amamentação descritas a seguir.

Sinais de ingurgitamento: palpar as mamas e verificar pontos ou regiões endurecidas que podem estar doloridas ou não. Nesses casos, se houver dificuldade de drenagem do leite, deve-se massagear com as pontas dos dedos em um movimento de vibração sobre as regiões afetadas e então ordenhar a mama, de preferência manualmente, até o ponto em que a mulher referir alívio dos sintomas.

Verificação da involução uterina: no período até por volta de 10 dias pós-parto, o útero apresenta-se localizado na região intra-pélvica, sendo possível palpar o fundo uterino, que deve estar contraído.

Verificação das condições de cicatrização da ferida cirúrgica [Episiorrafia ou incisão abdominal]

Verificação do aspecto e quantidade da loguiação. Considera-se aspectos quanto à cor, odor e quantidade, segundo já características já descritas.

Aleitamento materno

A amamentação não é uma resultante exclusivamente biológica, ela envolve as emoções da mulher e sua forma de encarar essa experiência em sua vida. As diversas dimensões da mulher, expressas no desempenho dos diferentes papéis que esta assume em seu contexto social, também são elementos que interferem em sua tomada de decisão quanto ao rumo da amamentação.

Entre as intercorrências principais desse período, encontram-se o ingurgitamento mamário e as lesões de papila mamária.

Ingurgitamento mamário

A congestão das mamas pode ocorrer por esvaziamento infreqüente ou inadequado das mamas, ou por inibição do reflexo de ejeção do leite. As mamas apresentam-se volumosas, com temperatura acima do normal, freqüentemente sensíveis ao toque.

Prevenção

Manter freqüência de mamadas: Estimular a sucção do recém-nascido com freqüência e continuadamente para esvaziamento ritmado das mamas.

Esvaziamento das mamas após as mamadas: Após as mamadas, as mamas deverão ser inspecionadas por palpação de toda a sua área e em caso da nutriz sentir que há leite excedente, este poderá ser ordenhado manualmente ou, se ela desejar, com o auxílio de uma bomba tira-leite de sua preferência.

Uso de sutiãs: O uso de sutiãs que mantenha as mamas firmes, e em posição anatômica, favorece o posicionamento dos duetos e livre trânsito do leite para sua ejeção. Os muito apertados, com costuras ou detalhes que pressionam alguma região da mama, podem ocasionar pressão e obstrução de duetos favorecendo ingurgitamento daquela área.

Cuidados com a mama ingurgitada

Uma vez constatado o ingurgitamento, a conduta para promover sua remissão consiste em ordenha do leite residual. No entanto, a ordenha deve ser precedida por massagens que facilitarão o fluxo do leite e sua evasão.

A massagem pode ser realizada por um vibrador elétrico ou por movimentos que imitem a vibração desse aparelho; ela deve ser feita em toda a área ingurgitada, iniciando-se na região areolar e, depois, até a base da mama, antes da mamada, nos casos em que a tensão da mama é muito grande e provoca tensão da aréola com aplanamento do mamilo, o que compromete a apreensão do conjunto mamilo areolar pelo recémnascido.

Nessa situação aconselha-se a ordenha da aréola até o ponto em que esta e o mamilo tornem-se flexíveis para favorecer a pega do lactente; após a mamada, então, a mama deve ser massageada e ordenhada para o esvaziamento do leite residual.

Manutenção da integridade da papila mamária

Embora as lesões de papila, por si, representem uma das intercorrências mais comuns e importantes, elas estão, freqüentemente, associadas ao ingurgitamento mamário, como causa ou conseqüência desse. Em alguns casos, sua presença inibe o desejo materno de amamentar por provocar dores no momento da sucção, levando ao estresse e diminuindo a disponibilidade da mãe amamentar, influindo na freqüência das mamadas.

Por outro lado, a mama ingurgitada não oferece condições adequadas para a apreensão do recém-nascido, propiciando a pega “malfeita” que, por sua vez, leva ao aparecimento das lesões em seus graus variados, tais como: escoriações, rachaduras e fissuras.

Estimular a apreensão adequada do conjunto mamilo areolar, pelo recém-nascido

• A boca do recém-nascido deve estar bem aberta, voltada de frente para o mamilo materno, com a língua posicionada por baixo do mamilo, de forma a acolhê-lo sobre a mesma;

• lábios abocanhando grande parte da aréola;

• queixo encostado na mama;

• tórax e ventre do RN de encontro ao ventre e peito materno.

• expor os mamilos ao sol duas vezes ao dia nos horários da manhã e tarde; evitar o uso de sabões e sabonetes diretamente nos mamilos e aréola;

• lavar com água corrente antes e após as mamadas;

• evitar a retirada brusca do mamilo da boca do bebé - para interromper a mamada a mãe poderá pressionar a rima bucal do recém-nascido esperando este abrir a boca e largar o mamilo.

Ordenha manual

Tem por objetivo imitar a pega e sucção realizadas pelo lactente, não oferecendo pressão sobre os mamilos e nem causando danos ao tecido papilar.

É realizada colocando-se os dedos indicador e polegar na borda areolar, sendo que o polegar fica na borda areolar da face inferior da mama e o indicador na borda areolar da face superior da mama; pressionar delicadamente o polegar e o indicador a fim de comprimir os seios lactíferos retroareolares; repetir o procedimento, mudando a posição de pega da aréola, de modo que todas as ampolas lactíferas sejam drenadas.

Uma das maneiras de se prevenir as lesões de papila e o ingurgitamento é promover condições para que a mamada seja confortável e prazerosa tanto para a mãe como para o bebê.

Avaliação da mamada

Indicadores O que observar

1. Posição materna Qualquer que seja a posição, sentada, deitada, a mãe deve sentìrse confortável e segura para manter o bebê em seus braços pelo tempo que se estender a mamada

2. Posição do recém-nascido A criança deverá ficar com o seu corpo voltado para o corpo da nascido mãe, tendo o tórax e o abdômen de frente para o peito materno, de forma que o seu rosto esteja de frente para a mama e a boca na nível e de frente ao mamilo; apoiar o lactente com auxílio de travesseiro ou almofada; manter os apoios do braço e mãos maternas nos ombros e quadril da criança; manter a curvatura natural do corpo do bebê, deixando-o livre para movimentar pernas, braços e cabeça

3. As mamas deverão Antes de cada mamada, caso a mama apresente tensão e/ou estar macias e os sinais de ingurgitamento, principalmente na região areolar, esta mamilos flexíveis área deverá ser ordenhada para diminuir a tensão e tornar os mamilos flexíveis para facilitar a apreensão do conjunto mamiloareolar pelo lactente

4. Padrão de busca e Estimular a abertura da boca do lactente para que este abocanhe a apreensão do recém conjunto mamilo areolar; observar o posicionamento da língua do nascido recém nascido; o posicionamento dos lábios e aconchego do queixo/ mama; estimular a manutenção da apreensão

5. Freqüência e ritmo A sucção do recém-nascido ao perto se dá em uma média de de sucção 2/seg, entrecortada por pausas ocasionais; quando o bebê está mamando adequadamente, ele não apresenta encovamento de bochecha e mantém o lábio colado ao seio materno

6. Sinais de Choro alto e contínuo, movimentos de pernas, braços e laterais da irritabilidade do bebé cabeça, denunciam algum desconforto ou irritação da criança que podem estar sendo provocados por uma posição inadequada no colo materno, por roupas apertadas eu desconfortáveis, por odores fortes, seja perfume de roupas ou pele muito próximas ao rosto da criança, odores da transpiração ou outro tipo de cheiro não suportado pela criança. Observar obstrução nasal.

7. Comportamento Além do ambiente calmo, o mais importante é a mãe manter-se materno calma e disponível para a amamentar. Mães ansiosas, nervosas, temerosas, ou ainda, com pouco tempo de amamentar para realizar outras tarefas, em geral passam esse sentimento para bebé, que por sua vez manifesta irritação e dificuldade de acalmar-se ao seio, interferindo no sucesso da amamentação

Bibliografia

(Parte 4 de 8)

Comentários