SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMMATERNO – INFANTIL

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMMATERNO – INFANTIL

(Parte 7 de 8)

Na fase do histórico, os dados são inicialmente coletados a partir de uma gama de fontes e, então, validados. Em seguida, o enfermeiro aplica o raciocínio e começa a procurar os padrões nos dados do histórico. Os grupamentos e os padrões que o enfermeiro identifica possuem características definidoras, as quais constituem os critérios clínicos ou achados do histórico que sustentam (validam) a presença de uma categoria diagnóstica. Os critérios clínicos são sinais e sintomas objetivos ou subjetivos, agrupamentos de sinais e sintomas, ou fatores de risco. As múltiplas características definidoras que resultam dos dados do histórico sustentam o diagnóstico de enfermagem (Carpenito, 1995, 1997).

Os diagnósticos de enfermagem exigem que o enfermeiro utilize uma base de conhecimentos e de experiência, analise e interprete os dados, aplique o raciocínio diagnóstico e selecione o termo diagnóstico apropriado para a necessidade do cliente (Collier e colaboradores, 1996). É importante rever os dados do histórico, para identificar as necessidades do cliente, e não focalizar apenas os problemas de saúde dele.

Identificação das Necessidades do Cliente

Para identificar as necessidades do cliente, o enfermeiro deve determinar primeiramente quais são os problemas de saúde do cliente e se são problemas reais ou potenciais. O problema real de saúde é o percebido ou vivenciado pelo cliente, como uma ruptura no sono relacionada a um ambiente barulhento. O risco para o problema de saúde é identificado, quando o enfermeiro faz um julgamento clínico de que o indivíduo, ou a família ou a comunidade, está mais vulnerável para o desenvolvimento de um problema que os outros em situação idêntica ou similar (Carpenito, 1997).

Formulação do Diagnóstico de Enfermagem

Quando os padrões e agrupamentos dos dados são selecionados e as necessidades do cliente identificadas, o enfermeiro fica pronto para formular os diagnósticos de enfermagem.

A NANDA identificou cinco tipos de diagnóstico de enfermagem.

1. O diagnóstico de enfermarem real é um julgamento clinicamente validado pela presença das principais características definidoras. A presença deste diagnóstico indica que dados suficientes do histórico estão presentes para estabelecer o diagnóstico de enfermagem (Collier e colaboradores, 1996).

2. O diagnóstico de enfermagem de risco descreve as respostas humanas às condições de saúde / processos de vida que podem desenvolver-se em um indivíduo, família ou comunidade vulneráveis (NANDA, 1999).

3. O diagnóstico de enfermagem possível descreve um problema suspeito, para o qual os dados atuais e disponíveis são insuficientes para validar o problema (Collier e colaboradores, 1996).

4. O diagnóstico sindrõmico é um termo diagnóstico fornecido para um agrupamento distinto de diagnósticos de enfermagem que, com freqüência, aparecem em conjunto e apresentam um quadro clínico (NANDA, 1999; Collier e colaboradores, 1996).

5. O diagnóstico de enfermagem de bem-estar é um julgamento clínico sobre um indivíduo, grupo ou comunidade em transição de um nível específico de bem-estar para um nível mais elevado de bem-estar (NANDA, 1996).

Adaptação prejudicada Dor crônica Amamentação eficaz Eliminação traqueobrônquica ineficaz Amamentação ineficaz Eliminação urinária alterada Amamentação Interrompida Estratégia de resolução comunitária: Angustia Espiritual (angustia do espírito humano) ineficazes. ineficazes

Estratégias de resolução familiar: potencial

Ansiedade para crescimento= Ansiedade, morte Estratégias defensivas de resolução Baixa auto-estima: crônica Estratégia ineficazes de resolução familiar Baixa auto-estima: situacional comprometedoras Capacidade de transferência prejudicada Estratégias ineficazes de resolução Comportamento infantil desorganizado familiar: incapacitantes Comportamentos de busca de saúde Estratégias ineficazes de resolução (especificar) individual Comunicação verbal prejudicada Excesso de volume de líquidos Conflito de papel parental Fadiga Conflito decisional (especificar) Fracasso em prosperar, adulto Confusão aguda Gerenciamento eficaz do regime Confusão crônica terapêutico: indivíduo constipação Gerenciamento ineficaz do regime Constipação colônica terapêutico: comunidade Constipação percebida Gerenciamento ineficaz do regime Crescimento e desenvolvimento alterados terapêutico: família Deambulação prejudicada Gerenciamento ineficaz do regime Déficit de autocuidado, alimentação terapêutico: indivíduo

Déficit de autocuidado, higiene intima Gerenciamento prejudicado da Déficit de conhecimento (especificar) manutenção domiciliar Déficit de lazer Hipertermia Déficit do volume de líquidos Hipotermia Déficit no autocuidado, banho e higiene Impotência Déficit no autocuidado, vestir-se/arrumar-se Incapacidade de manter a ventilação Deglutição prejudicada espontânea Dentição alterada Incontinência de urgência Desempenho de papel alterado Incontinência intestinal Desesperança Incontinência por estresse Diarréia Incontinência total Disfunção na reação de pesar Incontinência urinária funcional Disfunção sexual incontinência urinária reflexa Disreflexia Integridade da pele prejudicada Distúrbio da auto-estima Integridade tissular prejudicada Distúrbio da identidade pessoal Interação social prejudicada Distúrbio da imagem corporal Intolerância a atividade Distúrbio do campo de energia Isolamento social Distúrbio no padrão de sono Manutenção da saúde alterada Dor Medo

Memória prejudicada Risco de automutilação Menor capacidade adaptativa intracraniana Risco de comportamento infantil desorgani’ Menor débito cardíaco Risco de crescimento alterado Mobilidade em cadeira de rodas prejudicada Risco de déficit de volume de líquidos Mobilidade física prejudicada Risco de desenvolvimento alterado Mobilidade no leito prejudicada Risco de desequilíbrio do volume de líquid= Mucosa oral alterada Risco de disfunção neurovascular periféric= Náusea Risco de disreflexia autonômica . Negação Risco de envenenamento Negligência unilateral Risco de incontinência urinária por estress= Nutrição alterada: ingestão maior do que as Risco de infecção Necessidades corporais Risco de injúria Nutrição alterada: ingestão menor do que as Risco de injúria no posicionamento Necessidades corporais perioperatório = Nutrição alterada: risco de ingestão maior do Risco de integridade da pele prejudicada que as necessidades corporais

Risco de intolerância à atividade Padrão ineficaz de alimentação do lactente Risco de paternidade ou maternidade alter= Padrão respiratório ineficaz . Risco de resposta de alergia ao látex Padrões de sexualidade alterados Risco de síndrome do desuso Paternidade ou maternidade alterada Risco de síndrome pós-trauma Perfusão tissular alterada (especificar o tipo) Risco de solidão (renal, cerebral, cardiopulmonar, gastrintestinal, Risco de sufocação periférica) Risco de temperatura corporal alterada Pesar crônico Risco de tensão do papel de cuidador Potencial para promoção de comportamento Risco de trauma infantil organizado Risco de violência: direcionada a si próprio Potencial para promoção de estratégias de Risco de violência: direcionada aos outros’ resolução comunitária

Risco para constipação Potencial para promoção do bem-estar Senso-percepção alterada (especificar) (vi= espiritual auditiva, cinestésica, gustativa, tátil, olfa~

Privação do sono Síndrome da interpretação ambiental Processos de pensamento alterados comprome= Processos familiares alterados Síndrome de relocação do estresse Processos familiares alterados: alcoolismo Síndrome do trauma de estupro Proteção alterada Síndrome do trauma de estupro: reação Reação de pesar antecipada comp_ Recuperação cirúrgica retardada Síndrome do trauma de estupro: reação Recusa (especificar) silenciosa Resposta alérgica ao látex Síndrome pós-trauma Resposta disfuncional ao desmame ventilatório Tensão do papel de cuidador retenção urinária Termorregulação ineficaz

Risco de alteração no vínculo pais/recém-nato/

Troca de gases prejudicada - filho

Risco de angústia espiritual = Risco de aspiração

Fontes de Erro de Diagnóstico

O processo diagnóstico não é isento de erro. No processo diagnóstico, o enfermeiro deve se fundamentar em quatro áreas. Em primeiro lugar, deve existir uma base de dados do histórico. Em segundo lugar, o enfermeiro deve analisar e interpretar estes dados. Em terceiro lugar, os dados devem ser agrupados em grupos significativos. Por fim, o enfermeiro deve identificar os problemas do cliente que resultam na identificação do termo diagnóstico. Cada uma destas quatro áreas é uma fonte potencial de erro diagnóstico, o que pode alterar os resultados de saúde do cliente.

1. Coleta – Falta de conhecimento ou competência

– Dados inexatos

– Dados ausentes

– Desorganização

2. Interpretação – Interpretação incorreta dos indícios

– Falha em considerar os indícios conflitantes

– Utilização de quantidade insuficiente de indícios

– Utilização de dados inválidos ou não-confiáveis

– Falha em considerar as influências culturais ou estágio do desenvolvimento

3. Agrupamento – Agrupamento insuficiente de indícios

– Fechamento prematuro ou precoce

– Agrupamento incorreto

4. Rotulação – Seleção de termo diagnóstico errado

– A condição consiste em um problema de colaboração

– Falha em validar o diagnóstico de enfermagem com o cliente

– Falha em buscar orientação

Planejamento do Cuidado de Enfermagem

O planejamento é uma categoria de comportamentos de enfermagem em que as metas centradas no cliente e os resultados esperados são estabelecidos, e as prescrições de enfermagem selecionadas, para atingir as metas e resultados do cuidado.

Prioridades

Depois de formular os diagnósticos de enfermagem específicos, o enfermeiro deve utilizar as competências de raciocínio critico para estabelecer as prioridades para os diagnósticos do cliente, classificando-os em ordem de importância. As prioridades são estabelecidas para ajudar o enfermeiro a prever e seqüenciar as prescrições de enfermagem, quando 0 cliente apresenta múltiplos problemas ou alterações (Carpenito, 1997).

Estabelecer prioridades não é apenas uma questão de numerar os diagnósticos de enfermagem com base na gravidade ou importância fisiológica. Obviamente, as necessidades fisiológicas básicas devem ser abordadas em primeiro lugar; entretanto, alguns clientes podem ter necessidade socioculturais ou psicológicas que apresentam maior prioridade que as necessidades fisiológicas não-emergenciais. Assim, a seleção de prioridade é o método que o enfermeiro e o cliente utilizam para classificarem conjunto os diagnósticos na ordem de importância, fundamentados nos desejos, necessidades e segurança do cliente.

A hierarquia das necessidades de Maslow (1970) pode ser um método útil para designar as prioridades. A hierarquia das necessidades humanas dispõe as necessidades básicas em cinco níveis de prioridade. O nível mais básico, ou primeiro, consiste nas necessidades fisiológicas, como ar, água e alimento. O segundo nível engloba a segurança e as necessidades de segurança, o que abrange a segurança física e psicológica. O terceiro nível contém as necessidades de amor e de gregarismo, tais como amizade, relacionamentos sociais e amor sexual. O quarto nível compreende a estima e as necessidades de auto-estima, o que envolve autoconfiança, utilidade, realização e autovalorização. O nível final é a necessidade de auto-realização, o estado de alcançar plenamente o próprio potencial e ter a capacidade de solucionar os problemas e lidar, de forma realista, com as situações de vida. O cuidado de enfermagem compreende ajudar os clientes, e, com freqüência, as famílias, a satisfazer a estas necessidades.

As prioridades são classificadas como altas, intermediárias ou baixas, dependendo da urgência do problema, natureza do tratamento indicado e interações entre os diagnósticos de enfermagem.

– Prioridade Alta: são os diagnósticos que quando não tratados, podem resultarem risco para o cliente ou para outros devem receber a maior prioridade (Gordon, 1994). As altas prioridades podem ocorrer nas dimensões psicológica e fisiológica, devendo o enfermeiro evitar classificar apenas os diagnósticos de enfermagem fisiológicos como de alta prioridade.

– Prioridade Intermediária: envolvem as demandas do cliente não-emergenciais e que não comportam risco de vida.

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