Floresta fossilizada do Tocantins

Floresta fossilizada do Tocantins

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FLORESTA FOSSILIZADA DO TOCANTINS: uma flora preservada por milhões de anos

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FLORESTA FOSSILIZADA DO TOCANTINS: uma flora preservada por milhões de anos

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Floresta fossilizada do Tocantins : uma flora
preservada por milhões de anos / Rosiney Araújo
Martins, Marcondes Lima da Costa, Marlene Silva
de Moraes. – Natal, RN : Editora IFRN, 2010.
120 p. : il.
ISBN 978-85-89571-73-9
Inclui glossário.

M386f Martins, Rosiney Araújo.

Vegetais fossilizados. I. Costa, Marcondes Lima da

1. Flora. 2. Floresta fossilizada - Tocantins. 3. jI. Moraes, Marlene Silva de. I. Título.

CDU 581.9

PREFÁCIO07
APRESENTAÇÃO09
INTRODUÇÃO1
CAPÍTULO 113
AS FLORESTAS AO LONGO DO TEMPO13
1.1 O TEMPO GEOLÓGICO18
1.2 EVOLUÇÃO DAS PLANTAS E A PRESERVAÇÃO
COMO FÓSSEIS2
1.3 FLORESTAS FOSSILIZADAS NO MUNDO28
1.4 A BACIA DO PARNAÍBA29
CAPÍTULO 2…………………………………………………39
ESTUDOS ANALÍTICOS39
2.1 ATIVIDADE DE CAMPO40
2.2 TRABALHOS DE LABORATÓRIO41
CAPÍTULO 35
OCORRÊNCIA GEOLÓGICA DOS TRONCOS VEGETAIS FOSSILIZADOS

SUMÁRIO 5

CAPÍTULO 461
MORFOANATOMIA DOS VEGETAIS FOSSILIZADOS61
4.1 CAULES61
4.2 RAÍZES74
4.3 FOLHAS75
CAPÍTULO 579

MINERALOGIA E COMPOSIÇÃO QUÍMICA......................79

5.1 SUCESSÃO LITOLÓGICA SEDIMENTAR79
5.2 VEGETAIS FOSSILIZADOS81
5.3 ÍNDICEORDEM - DESORDEM (GRAU DE
CRISTALINIDADE) DO QUARTZO8
FOSSILIZADOS94
CAPÍTULO 6103

5.4 TEXTURAS CRISTALINAS DOS VEGETAIS

PEDRA DE FOGO103

A FOSSILIZAÇÃO DE VEGETAIS DA FORMAÇÃO REFERÊNCIAS.................................................................. 109

O livro Floresta fossilizada do Tocantins: uma flora preservada por milhões de anos, surgiu a partir de uma dissertação de mestrado desenvolvida pela primeira autora, Rosiney Araújo Martins orientada pelos professores Marcondes Lima da Costa e Marlene Silva de Moraes. Esta obra apresenta de maneira muito interessante informações sobre o material fossilífero existente no Estado do Tocantins, na forma de troncos petrificados, encaixados nas rochas sedimentares que constituem a Formação Pedra de Fogo, do Permiano da Bacia Sedimentar do Parnaiba.

A propósito, meu primeiro contato com esse material fossilífero ocorreu na década de 1980, quando realizava trabalhos de exploração geoquímica para a Petrobrás Mineração S/APetromisa, tendo como alvo esta formação geológica na região da cidade de Carolina, no Estado do Maranhão.

As informações apresentadas no livro são distribuídas de forma clara e bastante objetiva, que proporciona ao leitor a oportunidade de conhecer temas, como a distribuição geográfica dos principais biomas atuais do planeta terra; as técnicas analíticas as quais o material fossilífero e as rochas encaixantes foram submetidos, como método de pesquisa, para a identificação mineral e composição química; o modo de ocorrência geológica das partes vegetais fossilizadas; além dos processos naturais aos quais estes troncos petrificados estiveram sujeitos para serem preservados, como hoje são encontrados.

Os autores também apresentam detalhada descrição da morfoanatomia dos orgãos vegetais fossilizados bem como a classificação taxonômica. O livro está organizado em seis capítulos, com ilustrações que facilitam o entendimento das descrições referentes aos temas abordados.

Floresta fossilizada do Tocantins: uma flora preservada por milhões de anos, talvez seja o primeiro livro no Brasil que pela forma de abordagem do tema, embora simples, é de interesse não só científico, mas também daqueles leitores que desejam conhecer um pouco mais das coisas do nosso país.

Henrique Diniz Farias de Almeida (Geólogo)

O presente livro, ainda que modesto, vem preencher uma lacuna enorme que ainda teima em existir sobre o conhecimento da grande riqueza fossilífera que se estende por todo Brasil. A idéia deste trabalho surgiu há quase duas décadas, quando se pensava mais sobre o seu potencial mineral-gemológico e na sua importância para a museologia, até porque era um material objeto de saques e vandalismos exacerbados, em que o País perdia um grande patrimônio geológico-paleontológico. Ele se concretizou a partir de uma dissertação de mestrado da primeira autora, Rosiney Araújo Martins, sob orientação dos professores Marcondes Lima da Costa e Marlene Silva de Moraes. O desenvolvimento do trabalho contou com árduo trabalho de campo, que incluiu mapeamento e coleta de amostras que foram descritas, selecionadas e preparadas para as diversas análises. Foram empregadas as mais modernas técnicas de mineralogia e geoquímica que permitiram obter uma grande quantidade de dados analíticos que proporcionaram não somente caracterizar os materiais fossilíferos, como entender o processo de fossilização que os atingiu e, desta forma, permitiu a sua preservação até os nossos tempos, e somente assim nos foi possível conhecê-los. Com esses estudos, podemos hoje contemplar e admirar com maior estupefação esta enorme e pujante floresta que desabrochou e soçobrou na História Geológica do Permiano do Brasil. Na verdade, esse tesouro paleontológico foi um marco em quase todas as terras emersas da superfície de nosso Planeta naquele período geológico. Fósseis de vegetais silicificados semelhantes aos encontrados na bacia do Parnaíba se estendem por muitas regiões da face da Terra. Nossas terras não estavam sozinhas; e a vida naquela época ocupava enormes áreas territoriais. E isto é fantástico! É fácil, assim, entender que a Terra não é um sistema estático e imutável, muito pelo contrário, é altamente dinâmico, tanto relativo aos seres vivos quanto aos sem vida, como as rochas, os minerais e até os vivos que foram substituídos por minerais. Se hoje presenciamos e vivenciamos mudanças, por vezes drásticas, que ocorrem na superfície da Terra, geradas na sua superfície ou como consequência de forças interiores, essas mesmas transformações, em escalas graduais a catastróficas, ocorreram no passado recente e distante de nosso Planeta. Mas no passado distante, a espécie humana ainda não habitava a Terra e, portanto, não pôde presenciá-las.

Acreditamos que o presente livro poderá se constituir em uma fonte de aprendizado e de conhecimento para os nossos estudantes de ciências do ensino médio ao superior, até mesmo como fonte de aprofundamento do saber para os seus mestresprofessores, e porque não para aqueles outros interessados em ampliar os seus horizontes de ciências, cultura e lazer-turismo. Finalmente, para que perpetuemos este patrimônio no seu local natural e ainda em um ou mais belos museus de história natural do Permiano no Brasil. Que tal o Museu Psaronius e Tietea!!!

Marcondes Lima da Costa

A publicação desta obra foi motivada pelo desejo de divulgar junto à sociedade em geral os estudos da pesquisa acadêmica intitulada “Fósseis de vegetais da Formação Pedra de Fogo: aspectos taxonômicos, mineralogia e composição química”, apresentada como dissertação de mestrado da primeira autora. O texto original foi adequado para uma linguagem acessível tanto para a clientela da rede tecnológica de ensino como para aqueles que se interessam por temas das Geociências. O tema central da obra são os fósseis de vegetais da floresta fossilizada do Estado do Tocantins, um verdadeiro monumento natural presente no território brasileiro e os conteúdos podem ser trabalhados em diferentes cursos dos Institutos Federais distribuídos no Brasil, tais como, Geologia, Mineração, Turismo, Química, Geografia e também em disciplinas básicas dos níveis médio e superior. O livro é dividido em seis capítulos e finaliza com um glossário.

O capítulo 1 é uma fundamentação teórica sobre as florestas ao longo do tempo de existência da Terra e mostra que as floras atuais tiveram ancestrais que viveram e foram extintos em diferentes momentos da história do planeta. É apresentada a dinâmica das placas tectônicas e a influência dos seus movimentos na disseminação e extinção de seres vivos no decorrer do Tempo Geológico, apresentado em suas subdivisões denominadas éons, eras e períodos. A evolução das plantas é apresentada em conjunto com os processos de fossilização que permitiram a preservação de fósseis distribuídos em diferentes partes do mundo, destacando a floresta fossilizada do Tocantins e o gênero Psaronius, que se destaca na Formação Pedra de Fogo da Bacia do Parnaíba.

No capítulo 2 é apresentada a área onde foi realizada a etapa de campo e as técnicas analíticas adotadas para os estudos morfoanatômicos (descrições macroscópica, com estereomicroscópio e microscópio petrográfico), mineralógicos (microscopia óptica, microscopia eletrônica de varredura, difração de raios-X e espectroscopia de absorção no infravermelho) e químicos (análises por microsonda eletrônica e para determinação de Carbono e Nitrogênio elementar). Apresenta-se um resumo do princípio de funcionamento de cada método analítico e as especificidades e os equipamentos utilizados nas análises das amostras selecionadas para os estudos.

O capítulo 3 apresenta a ocorrência e distribuição dos vegetais fossilizados na área de estudo, localizada nos arredores de Bielândia no Tocantins. São apresentados aspectos fisiográficos e geológicos do local, incluindo a identificação e a descrição geral das rochas onde os fósseis ocorrem associados.

O capítulo 4 é dedicado aos estudos morfoanatômicos e mostra a nitidez de preservação da estrutura da madeira, permitindo classificar os fósseis de acordo com as seis grandes classes taxonômicas. É ilustrado com fotografias dos mesmos e dos detalhes da estrutura da madeira visualizadas ao estereomicroscópio e microscópio óptico que, associadas com as formas externas dos vegetais, permitiram a identificação de tecidos como parênquima, xilema e floema. O capítulo é encerrado com a classificação taxonômica das amostras analisadas.

No capítulo 5 são reportados os estudos mineralógicos realizados nos fósseis e nas rochas nas quais os mesmos ocorrem associado. São identificadas e descritas as diferentes fases mineralógicas geradas no processo de fossilização da madeira. Além dos constituintes minerais presentes são apresentados dados sobre o índice de ordem-desordem (grau de cristalinidade do quartzo) e suas variações de acordo com a idade da fossilização. O arranjo e distribuição das diferentes fases mineralógicas ao longo dos tecidos identificados são ilustrados com fotomicrografias com destaque para o quartzo e sua variedade calcedônia. No final do capitulo são apresentados os resultados das análises químicas.

O capítulo 6 apresenta considerações sobre as condições que propiciaram a fossilização da flora permiana da Formação Pedra de Fogo à luz de modelos já propostos na literatura científica. São apresentadas as condições ambientais e geológicas atuantes na área durante o Período Permiano e os prováveis eventos que permitiram que o processo de fossilização, por permineralização em sílica, preservasse a flora desenvolvida nesse período geológico.

CAPÍTULO 1 AS FLORESTAS AO LONGO DO TEMPO

Os diferentes biomas distribuídos no globo terrestre representam ecossistemas com climas característicos e vegetação típica correspondente. Ao se fazer uma viagem panorâmica das paisagens mundiais, certamente as vegetações representam os elementos naturais que mais se destacam visualmente e dividem a flora mundial em vegetações diversas com destaque para as florestas (Figura 1.1).

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