Relatório Prática de Campo de Geologia Geral

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ESTUDO GEOLÓGICO DA FOLHA SB.2-Z-B (XAMBIOÁ)

Trabalho apresentado à disciplina PRÁTICA DE CAMPO DE GEOLOGIA GERAL do Curso de Graduação em Geologia da Universidade Federal do Pará, como avaliação parcial da disciplina.

Profa. Dra. Valéria Pinheiro.

“Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para a fogueira”. TOLSTOI, Leon

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1 INTRODUÇÃO 1.1 OBJETIVO 1.2 LOCALIZAÇÃO E ACESSO 1.3 ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS 1.4 ASPECTOS FISIOGRÁFICOS 1.4.1 Clima 1.4.2 Solos 1.4.3 Vegetação 1.4.4 Hidrografia

2 ATIVIDADES E MÉTODOS 2.1 ATIVIDADES PRELIMINARES

2.2 TRABALHO DE CAMPO 2.3 TRABALHO COMPILATÓRIO

3 GEOLOGIA REGIONAL 3.1 ARCABOUÇO TECTÔNICO

3.2 DOMÍNIOS GEOMORFOLÓGICOS 3.3 LITOESTRATIGRAFIA 3.3.1 Bacia do Parnaíba 3.3.2 Faixa Orogênica Araguaia-Tocantins 3.3.3 Área do Cráton do Guaporé 3.4 DIAGNÓSTICO GEOECONÔMICO 3.5 EVOLUÇÃO GEOLÓGICA

4 GEOLOGIA LOCAL 4.1 DESCRIÇÃO DAS UNIDADES

4.2 INTERPRETAÇÃO DOS DADOS 4.3 CORRELAÇÃO COM A GEOLOGIA REGIONAL

5 CONCLUSÃO 6 RECOMENDAÇÕES 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 8 ANEXOS

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1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho trata do estudo geológico da Folha SB.2-Z-B (Xambioá), Estado do Tocantins, região norte do Brasil, realizado por alunos do curso de Geologia da Universidade Federal do Pará, como peça indispensável da unidade curricular Prática de Campo de Geologia Geral. Nele é apresentado o resultado dos estudos de campo, distribuídos e organizados em capítulos.

1.1 OBJETIVO

O objetivo desse trabalho consiste, essencialmente, em praticar os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula, ao longo da disciplina Geologia Geral e a partir dessa visão, acompanhados pela Professora Valéria Pinheiro e do monitor Di Alexandre descrever de forma detalhada todos os pontos ou afloramentos de rochas visitados durante a prática de campo, fotografar, identificar minerais, compreender seus aspectos geológicos, compreender eventos que ocorreram no passado, coletar amostras de rochas para uma análise mais criteriosa e, além disso, registrar o trajeto realizado.

Não menos importante que o objetivo anterior é a oportunidade que esse trabalho nos proporciona de ampliar nossos conhecimentos sobre Geologia Geral, o que nos ajudará entender melhor e com maior facilidade as próximas disciplinas de conhecimento geológico.

Como a referida região já havia sido objeto de estudo de pesquisadores, concluímos que esses conhecimentos nos serão de grande utilidade, portanto, tornou-se mais um objetivo buscar o máximo de informações possíveis sobre a região em outras fontes de conhecimento.

1.2 LOCALIZAÇÃO E ACESSO

A região que foi selecionada como área de estudo para a realização da Prática de

Campo de Geologia Geral encontra-se situada na região norte/noroeste do estado do Tocantins, mais precisamente ao longo da BR-153 e de estradas estaduais e vicinais que cortam a porção sudeste do município de Xambioá, que está localizado cerca de 507 km de Palmas e aproximadamente 160 km da cidade de Marabá (Figura 1.1). Na área destacam-se as rodovias pavimentadas BR-230 (Rodovia Transamazônica) e BR-153 (São Domingos do Araguaia-Palmas). Partindo-se das rodovias estadual e federal existe uma boa rede de estradas municipais e vicinais. A escolha dessa área deve-se à variabilidade de tipos de rochas e dos registros dos eventos geológicos que ocorreram no passado e que podem ser percebidos na paisagem contemporânea com a ajuda dos conhecimentos adquiridos em sala de aula.

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O acesso por terra, a partir de Marabá, pode ser efetuado pela BR-230, no sentido

Marabá-Araguatins, até as proximidades da cidade de São Domingos do Araguaia; a partir daí o acesso será pela BR-153 (passando pela travessia de balsa no rio Tocantins, entre São Geraldo do Araguaia e Xambioá) até a cidade de Xambioá. Estradas vicinais e rodovias estaduais facilitam o acesso para os locais de estudo da Prática de Campo.

Na área destacam-se as rodovias pavimentadas BR-230 (Rodovia Transamazônica) e

BR-153 (São Domingos do Araguaia-Palmas). Partindo das rodovias estadual e federal há uma quantidade expressiva de estradas municipais e vicinais. O transporte fluvial restringe-se a pequenas embarcações que trafegam pelo rio Tocantins. O transporte aéreo limita-se à operação de táxis-aéreos, sendo as pistas de pouso de leito natural, com exceção de Araguaína e Marabá, que contém aeroportos de boa estrutura.

Figura 1.1: Localização e cobertura cartográfica da Folha Xambioá. FONTE: Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

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1.3 ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS

O Município de Xambioá fica a aproximadamente 500 quilômetros de Palmas, capital de Tocantins. É conhecido principalmente pela exuberância de suas praias, o tradicional carnaval de rua e por ter sido palco da guerrilha do Araguaia. Nasceu em 1959, quando a descoberta de garimpo de cristal-de-rocha atraiu muitas pessoas para povoar a região. O nome é referência a uma tribo local e significa pássaro preto veloz. Segundo o censo de 2010, realizado pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística a população é de aproximadamente 1.484 habitantes, destes, a maioria são descendentes de nortistas e nordestinos. A cidade conta com 15 escolas de Ensino Fundamental, 01 Pré-escola e 03 escolas de Ensino Médio. Na área da saúde possui 01 hospital estadual e 01 municipal, além de 04 hospitais do setor privado. Xambioá possui duas agências bancárias, sendo uma do Banco do Brasil e outra da Caixa Econômica Federal, além de uma agência de Correios. A economia é baseada na Agricultura de subsistência, pecuária e pesca no rio Araguaia, sendo que o turismo começa a exercer sua influência nesta área. As principais atrações turísticas estão nas praias da Ilha de Campo e do Murici, todas com largas extensões de areia branca, além do bar flutuante conhecido como Titanic. Diversas outras ilhas e praias podem ser encontradas ao longo do rio, mas é na Ilha do Murici, que a prefeitura monta mais estrutura para atender a população na temporada de praias. A cidade possui ainda diversos balneários e cachoeiras. As corredeiras de Xambioá compreendem uma área de 6 km de águas velozes, sendo um belo atrativo para quem gosta de esportes radicais. Poção do Noleto, balneário Poção, Balneário Paraíso, Chapada e Cachoeira da Cascata são atrações à parte para quem aprecia belas paisagens naturais exóticas.

Produto Interno Bruto (PIB) a preço de mercado e Produto Interno Bruto per capita: 2002 2003 2004 2005 PIB (1000 R$) 36.640 45.326 50.056 58.726 PIB - per capita anual (R$) 3.027 3.692 4.055 4.651 Fonte: IBGE/ SEPLAN-TO/DPI

1.4 ASPECTOS FISIOGRÁFICOS

A Folha Xambioá está inserida numa área de clima do tipo Aw, contransição para Am, segundo a classificação de Köeppen (1948), O clima Aw, predominante na parte leste, apresenta as seguintes características: duas estações bem distintas, verão úmido (outubro a abril) e inverno seco bem acentuado (maio a setembro); temperaturas, média mínima e

Relatório da Prática de Campo de Geologia Geral - Página 7 máxima anual entre, respectivamente, 13°C e 14°C e, 35°C e 36°C (Estação de Araguaína, dados de 1985 a 1989); e índice pluviométrico médio anual entre 1.548 m (estações Xambioá e Ananás, dados de 1969 a 1987) e 1.795 m (Estação Piraquê, dados de 1974 a 1987). O clima Am, que prevalece na parte oeste, distingue-se por exibir uma estação chuvosa mais prolongada, com índice pluviométrico médio anual superior a 2.0 m (Estação Marabá), e uma estação seca de pequena duração junho a agosto e temperatura média mínima superior a 24°C. Segundo Veloso et al. (1974), 80% da área encontrava-se coberta de floresta tropical densa e aberta. O cerrado, no extremo-leste da folha, perfazia pouco mais de 5%, e uma faixa de transição cerrado/floresta ocupava o restante. Atualmente, grande parte da cobertura original foi eliminada, notadamente nas margens da rodovia PA-150, cedendo lugar às extensas pastagens.

1.4.1 Clima

O clima predominante no Estado do Tocantins é Tropical, caracterizado por uma estação chuvosa - de outubro a abril - e outra seca - de maio a setembro. É condicionado essencialmente pela sua ampla extensão latitudinal e pelo relevo de altitude gradual e crescente de norte a sul, que variam desde as grandes planícies fluviais até as plataformas e cabeceiras elevadas entre 200 a 600 metros, especialmente pelo relevo mais acidentado, acima de 600 metros de altitude Sul.

Estiro em vista as curvas térmicas sempre positivas, fornecidas pelas estações meteorológicas dispostas na região, identificou-se para área a região climática quente, a qual esta caracterizada por possuir o clima térmico nas partes baixas e mesotérmico nas áreas elevadas onde as temperaturas são suavizadas pela altitude. Assim é que, de acordo com as curvas térmicas de GAUSSEN foi possível dividi-la em duas sub-regiões climáticas: a xeroquimenica e a sua transição para a Xerotérica.

O Clima Xeroquimênico é um clima tropical de monção, com um período seco no inverno, onde os dias são relativamente curtos e o um período úmido bastante acentuado com chuvas torrenciais no verão. Neste caso os dias são mais longos.

Nesta sub-região climática estão incluídas as estações meteorológicas de Conceição do

Araguaia, Carolina e Imperatriz e Marabá na direção leste-oeste, áreas estas onde a temperatura média do mês mais frio se encontra inferior a 20°C, o que condiciona uma variação termoxeraquimênica atenuada.

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O Clima xeroquimênico em transição para o xerotérico tem como característica principal um período seco, na primavera, quando os dias são ligeiramente mais longos que os de inverno; e uma época de chuva torrenciais no fim do verão.

Esta sub-região climática esta representada pela estação de Altamira onde aparece a média do mês mais frio superior a 25°C, um período seco de 3,5 meses e a precipitação pluviométrica, em relação a Marabá, é mais elevada.

1.4.2 Solos

Segundo Rosatelli et al (1974), há na região em estudo as seguintes classes de solo: Latossolo Amarelo - Trata-se de solos ácidos e fortemente ácidos, de boa drenagem, permeáveis, de baixa fertilidade natural e de baixa saturação de bases. O teor de argila no perfil pode variar muito, diferenciando solos com textura argilosa e muito argilosa. Apresentam perfis friáveis, bastantes porosos, com estruturas pouco desenvolvidas, variando sua textura de acordo com sua situação topográfica e com o material de origem, sedimentos do terciário e do Cretáceo.

Estão disposto, de uma maneira geral, em relevo plano os de textura muito argilosa e em relevo suave ondulado a ondulado os de textura argilosa;

Latossolo Vermelho-Amarelo - São solos profundos, com relação textural em torno de 1,0, fertilidade natural baixa e saturação de bases também baixa, com coloração variando de bruno a bruno amarelado, nos matizes 10YR e 7.5YR no horizonte A e bruno forte a vermelho-amarelado, principalmente no matriz 7.5YR, no horizonte B;

São fasados em textura média e argilosa, os primeiros com teor de argila de 15 a 35% e os últimos como teor de argila superior a 35% e possuem perfil do tipo A, B e C, friável, bastante poroso, permeável, com estrutura pouco desenvolvida e são encontrados em relevo plano ou suave ondulado, sob vegetação de floresta e de cerrado;

Latossolo roxo - Estes solos possuem estrutura maciça muito porosa, consistência muito frável e pequena diferenciação morfológica entre os seus horizontes.

Morfologicamente o latossolo roxo se avermelha ao latossolo vermelho escuro, entretanto, difere na coloração. A diferença de coloração se deve a que o latossolo roxo geralmente e de formação “ínsito”, pela intemperização das rochas básicas que possui mineral rico em ferro, e por latossolo vermelho escuro de sua origem.

Eles são encontrados geralmente na posição sudeste das áreas e desenvolvidos sobre rochas básicas e ultrabásicas associadas a filitos e xistos;

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Podzólico Vermelho-Amarelo - Os Podzólicos Vermelho-Amarelos são solos ácidos, bem desenvolvidos, que possuem um horizonte A fraco (ócrico) e um horizonte B argílico. Eles têm fertilidade baixa e de textura argilosa, que apresentam sequência de horizontes do tipo A, B e C, cuja espessura não excede a 200 cm, e com pronunciada diferenciação entre o A e B. Relativamente, em menor proporção, são encontrados solos de fertilidade média e alta e solos de textura média (percentagem de argila entre 15 e 35%);

Solos concrecionários Lateríticos Indiscriminados - Não oferece interesse agrícola e engloba tanto solos com textural, com B latossólico e mesmo litólicos. Ocupa relevo suave ondulado a forte ondulado sob vegetação de cerrado ou floresta e possuem boa distribuição de poros e uma estrutura em blocos subangulares mascarada pelas concreções lateríticas;

Solos Aluviais - São solos predominantemente minerais, de formação recente a partir da deposição de sedimentos arrastados pelas águas. Sua composição e granulometria apresentam-se de forma bastante heterogênea, estando a natureza das camadas estreitamente relacionadas com o tipo dos sedimentos depositados.

1.4.3 Vegetação

A vegetação da folha Xambioá encontra-se na parte norte do estado do Tocantins. Ela é uma área de transição, pois se encontra entre dois biomas, à floresta amazônica e a caatinga. A porção oeste da folha é recoberta em sua maioria por dois tipos de florestas, à floresta aberta que incluem as formações latifoliadas e a mista; e a floresta Tropical, não esquecendo de uma porção norte recoberta pela floresta do cocais. A porção do extremo leste por sua vez é recoberta pelo cerrado que incluem as formações do cerradão, campo cerrado, parque e por fim a formação de contato, caracterizando uma vegetação bastante variada.

Floresta Aberta: Este tipo de vegetação é considerado como uma área de transição entre a floresta amazônica e as regiões extra-amazônicas. Nessas regiões, a fitomassa e o fitovolume, e por conseqüência o recobrimento, vão diminuindo gradativamente de densidade, advindo daí seu nome. Ocorre em regiões com mais de 60 dias secos por ano e, sobretudo em áreas de relevo acidentado. Freqüentemente caracterizam a transição entre o cerradão e a floresta ombrófila densa. Essa formação esta desposta em uma parte muito grande e diversificada da folha, sua maior ocorrência é a porção central dela;

Floresta tropical: Características de regiões cuja temperatura é permanentemente quente com chuvas superiores a um total de 1500 m anual. Apresenta muitas espécies vegetais de grande valor econômico como as madeiras-de-lei, destacando-se o Mogno e o

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Pau-Brasil. Essa formação esta desposta em varias regiões da folha, inclusive na região onde foi feita a Pratica de Campo, sua maior ocorrência esta também na porção central da folha.

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