Doenças Sanguíneas

O sangue é um dos três componentes básicos do sistema circulatório, sendo que os demais são o coração e os vasos sanguíneo. O sangue se encarrega do transporte e regulação do organismo humano. Nele encontramos o plasma sanguíneo, responsável por 66% de seu volume, além das  hemácias, dos leucócitos e das plaquetas, responsáveis por aproximadamente 33% de sua composição.

Os glóbulos vermelhos, também conhecidos como hemácias ou eritrócitos, transportam o oxigênio e o gás carbônico por todo o corpo.  Essas células duram aproximadamente 120 dias, após isso, são repostas pela medula óssea.

O glóbulos brancos, também chamados de leucócitos, são responsáveis pela defesa de nosso corpo. Eles protegem nosso organismo contra a invasão de microorganismos indesejados (vírus, bactérias e fungos).

As plaquetas são fragmentos de células, presentes no sangue, que realizam a coagulação, evitando assim sua perda excessiva de sangue (hemorragia). Elas geralmente agem quando os vasos sanguíneos sofrem danos. Um exemplo  simples é o caso de uma picada de agulha, onde observa-se uma pequena e ligeira perda de sangue que logo é estancada, isto ocorre graças ao tampão plaquetário.

A anemia é a diminuição do número de glóbulos vermelhos ou de seu conteúdo (hemoglobina), da produção de glóbulos vermelhos e também ocorre quando há destruição exagerada . Os valores normais para a concentração de hemoglobina sanguínea é de 13g∕dL para homens, 12 g ∕dL para mulheres e 11 g ∕dL para gestantes e crianças entre 6 meses e 6 anos.

É uma grave consequência da desnutrição. A principal causa de anemia é a deficiência de ferro (anemia ferropriva), substância básica na formação da hemoglobina. Pode também ocorrer na deficiência de vitamina B12, de cobre e de zinco. Crianças, gestantes, lactantes (mulheres que estão amamentando), meninas adolescentes e mulheres adultas em fase de reprodução são os grupos mais afetados pela doença, muito embora homens -adolescentes e adultos- e os idosos também possam ser afetados por ela.

Qualquer condição passível de comprometer a produção ou de aumentar a taxa de destruição ou de perda dos glóbulos vermelhos pode resultar em anemia, se a medula óssea não conseguir compensar a perda dos glóbulos vermelhos, ou mesmo um aumento das necessidades de ferro, como ocorre em crianças durante períodos de crescimento acelerado ou em mulheres durante a gestação e amamentação.

Estima-se que 90% das anemias sejam causadas pela deficiência de ferro.O Ferro é um nutriente essencial para a vida e atua principalmente na síntese (fabricação) das células vermelhas do sangue e no transporte do oxigênio para todas as células do corpo.

Nas crianças a principal causa de anemia ferropriva é o aumento da demanda de ferro e sua ingestão insuficiente, que ocorre mais freqüentemente nos bebês em aleitamento artificial ou após os seis meses de idade mesmo naqueles que recebem aleitamento materno.

Já nos adultos a causa mais comum de anemia ferropriva é a perda crônica de sangue, nos homens, mais freqüentemente, pelo trato gastrintestinal e nas mulheres, pelo sangramento menstrual. A causa da anemia deve ser sempre investigada, pois a perda de sangue pode ser desde de uma causa benigna, como por exemplo, o uso de aspirina, até uma causa maligna, como um câncer no intestino.

Os sinais e sintomas da carência de ferro são inespecíficos, necessitando-se de exames de sangue laboratoriais para que seja confirmado o diagnóstico de anemia ferropriva.

A carência de ferro, mesmo antes de suas manifestações hematológicas, provoca um acometimento sistêmico com repercussões na imunidade e resistência a infecções, na capacidade para o trabalho e no desenvolvimento neuropsicomotor. O resultado indesejável da deficiência de ferro na infância poderá repercutir negativamente no desenvolvimento escolar e, tardiamente, na inserção do indivíduo no mercado de trabalho.

A melhor arma para a prevenção da anemia ferropriva é, sem dúvida, uma alimentação bem variada, rica em alimentos que naturalmente possuem ferro e os enriquecidos ou fortificados com o nutriente.

As melhores fontes naturais de ferro são os alimentos de origem animal – fígado e carne de qualquer animal – por possuírem um tipo de ferro melhor aproveitado pelo nosso organismo.

Entre os alimentos de origem vegetal, destacam-se as leguminosas (feijão, grão-de-bico, fava, lentilha, ervilha), os grãos integrais ou enriquecidos, nozes, castanhas, rapadura, açúcar mascavo e as hortaliças (couve, agrião, taioba, salsa). Existem também disponíveis no mercado alimentos enriquecidos com ferro como farinhas de trigo e milho, cereais matinais, entre outros. Para uma melhor absorção do ferro presente nesses alimentos é recomendado o consumo de alimentos com alto teor de vitamina C como a acerola, abacaxi, goiaba, kiwi, laranja, limão, pimentão, repolho e tomate, na mesma refeição. O consumo de alguns alimentos deve ser evitado na mesma refeição ou logo após, como o chá, café, pois atrapalham a absorção do ferro.

Outra forma eficaz de prevenir a anemia ferropriva, além da dieta adequada, é o uso do ferro profilático. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o uso de 1mg ∕Kg ∕dia de ferro elementar desde o início do desmame até o término do segundo ano de vida para os recém-nascidos nascidos a termo, e 2mg ∕Kg ∕dia, a partir do 30o dia de vida, por 2 meses para os recém-nascidos prematuros ou de baixo peso e, depois, inicia-se o esquema proposto para as crianças a termo. As mulheres grávidas também devem fazer uso profilaxia da anemia ferropriva a partir da 16o semana de gravidez através da ingestão de 30 a 40 mg de ferro elementar, que corresponde a 200 mg de sulfato ferroso por dia.

Uma vez instalada a anemia ferropriva, deve-se corrigir o déficit e repor os estoques de ferro através do uso de ferro medicamentoso e, em caso de perda crônica de sangue, identificar e tratar a causa. O sulfato ferroso é o sal mais bem indicado por sua boa absorção e baixo custo.

Para as crianças, a dose de ferro para o tratamento é de 3 mg ∕Kg ∕dia. Embora a melhora clínica e a normalização das concentrações de glóbulos vermelhos e de hemoglobina ocorram precocemente com a reposição de ferro, a dose terapêutica deve ser mantida por 3 a 4 meses para a reposição dos estoques de ferro. Alguns cuidados devem ser tomados para maximizar a absorção do ferro, como a sua ingestão 30 a 60 minutos antes das refeições, não diluir o medicamento em nenhum líquido e ingerir suco de frutas cítricas após o uso do medicamento.

Para os adultos a dose terapêutica é de 60mg de ferro elementar, o que corresponde a um comprimido de 300mg de sulfato ferroso.

O sulfato ferroso pode trazer alguns inconvenientes com o seu uso como náuseas, indisgetão, constipação e diarréia que, em geral, são proporcionais a quantidade de ferro ingerida. Pode-se tentar solucionar esse problema através de um aumento gradativo das doses e do escalonamento nas doses ao longo do dia. Caso essas medidas não resolvam, pode-se substituir o sulfato ferroso pelo gliconato ferroso, entretanto, devido ao seu menor conteúdo de ferro elementar exige um tratamento mais prolongado.

Os principais tipos de anemia são:

• Anemia da carência de ferro (anemia ferropriva)• Anemia das carências de vitamina B12 (anemia perniciosa) e de ácido fólico• Anemia das doenças crônicas• Anemias por defeitos genéticos:- anemia falciforme- talassemias- esferocitose- deficiência de glicose-6-fosfato-desidrogenase• Anemias por destruição periférica aos eritrócitos:- malária- anemias hemolíticas auto-imunes- anemia por fragmentação dos eritrócitos• Anemias decorrentes de doenças da medula óssea:- anemia aplástica- leucemias e tumores na medula

Sintomas

Na anemia aguda, causada pela perda súbita de sangue ou pela destruição aguda dos glóbulos vermelhos, a falta de volume no sistema circulatório é mais importante que a falta de hemoglobina. Os sinais e sintomas mais proeminentes consistem em queda da pressão arterial devido à diminuição do volume sanguíneo total, com tonteira e desmaio subseqüentes, taquicardia e palpitação, sudorese, ansiedade, agitação, fraqueza generalizada e possivelmente uma diminuição da função mental.

Na anemia crônica, o volume sanguíneo total está normal, mas ocorre uma diminuição dos glóbulos vermelhos e hemoglobina. A falta de hemoglobina causa descoramento do sangue, com palidez do paciente, e falta de oxigênio em todos os órgãos, com os sinais clínicos decorrentes desta alteração. Hipócrates no ano 400 a.C. já havia descrito os sinais da anemia: "palidez e fraqueza devem-se à corrupção do sangue".

Portanto, os principais sinais e sintomas são: fadiga generalizada, anorexia (falta de apetite), palidez de pele e mucosas (parte interna do olho, gengivas), menor disposição para o trabalho, dificuldade de aprendizagem nas crianças, apatia (crianças muito "paradas").

Os sintomas pioram com a atividade física e aumentam quanto menor o nível de hemoglobina. Com níveis de hemoglobina entre 9 e 11 g ∕dL estão presentes os sintomas como irritabilidade, indisposição e dor de cabeça, entre 6 e 9 há aceleração dos batimentos cardíacos, falta de ar e cansaço aos mínimos esforços; e quando a concentração de hemoglobina chega a valores abaixo 6g ∕dL ocorrem os sintomas acima mesmo em repouso.

Anemia pode virar leucemia? No geral, não. Porém, poucos casos podem ser desenvolver a partir do que os médicos conhecem como "síndromes mielodisplásicas", que são um pouco mais complexas. Sua origem está ligada as alterações nas células-tronco da medula óssea, que sofrem algumas mutações genéticas e por isso passam a funcionar desorganizadamente. Esses tipos de anemias são raros e, eventualmente, podem se transformar em leucemia.

A leucemia é uma neoplasia, ou seja, um tumor das células produtoras de sangue na medula óssea. Não tem uma única causa e sim uma conjunção de fatores desenvolvidos ao longo da vida. Estes fatores podem ser ambientais, como é o caso da exposição a altas doses de radiação gama, uso de quimioterápicos para tratamento de outras doenças ou até fatores genéticos.

Leucemia é caracterizada pela produção excessiva de células brancas anormais, superpovoando a medula óssea. A infiltração da medula óssea resulta na diminuição da produção e funcionamento de células sanguíneas normais. Dependendo do tipo, a doença pode se espalhar para os nódulos linfáticos, baço, fígado, sistema nervoso central e outros órgãos e tecidos, causando inchaço na área afetada.

Danos à medula óssea resultam na falta de plaquetas no sangue, as quais são importantes para o processo de coagulação. Isso significa que pessoas com leucemia podem sangrar excessivamente. As células brancas do sangue, que estão envolvidas no combate a agentes patogênicos, podem ficar suprimidas ou sem função, colocando o paciente sob risco de infecções.

Já a deficiência de células vermelhas ocasiona anemia, a qual pode causar falta de ar e fadiga. Pode ocorrer dor nos ossos ou articulações por causa da extensão do câncer a essas áreas. Dor de cabeça e vômito podem indicar que o câncer disseminou-se até o sistema nervoso central. Em alguns tipos de leucemia pode os nódulos linfáticos podem ficar dilatados. Todos esses sintomas podem também ser atribuídos a outras doenças. Para o diagnóstico é preciso fazer teste de sangue e biópsia da medula óssea.

A Leucemia é dividida clinicamente e patologicamente nas formas aguda e crônica.* Leucemia aguda é caracterizada pele crescimento rápido de células sanguíneas imaturas. Esse apinhamento torna a medula óssea incapaz de produzir células sanguíneas saudáveis. A forma aguda de leucemia pode ocorrer em crianças e adultos jovens, O tratamento imediato é necessário na leucemia aguda devido à rápida progressão e acúmulo de células malignas, as quais entram na corrente sanguínea e se espalham para outras partes do corpo. Se não houver tratamento, o paciente morrerá em alguns meses ou até semanas.* Leucemias crônicas são distinguidas pelo acúmulo de células sanguíneas relativamente maduras porém ainda assim anormais. Geralmente levando meses ou anos para progredir, as células brancas anormais são produzidas numa taxa bem maior que as normais. Leucemia crônica geralmente ocorre em pessoas idosas, mas pode afetar qualquer faixa etária. Enquanto a leucemia aguda deve ser tratada imediatamente, a forma crônica alguma vezes é monitorada por algum tempo antes do tratamento, para assegurar a eficiência máxima da terapia.

Ainda, as doenças são classificadas de acordo com o tipo de células anormais mais encontradas no sangue. Quando a leucemia afeta as células linfócitas, é chamada de linfóide. Já quando as células mielóides são afetadas, a doença é chamada leucemia mielóide. Dentro destas duas categorias pode-se caraterizar quatro tipos de leucemia:* Leucemia linfóide aguda é a mais comum em crianças pequenas. Ela também afeta adultos, especialmente os de mais de 65 anos.* Leucemia mielóide aguda ocorre mais em adultos do que em crianças.* Leucemia linfóide crônica afeta mais adultos acima de 55 anos de idade. Algumas vezes ocorre em adultos jovens, mas quase nunca em crianças.* Leucemia mielóide crônica ocorre principalmente em adultos. Um número muito pequeno de crianças é afetado.

Uma vez que a leucemia é uma doença complexa, usar mais de um tipo de tratamento pode ser benéfico. Combinar terapias pode complementar e elevar os efeitos de cada uma. Por exemplo, pacientes recebendo transplante de célula tronco podem passar por quimioterapia ou radioterapia para preparar o corpo às novas células. Procedendo ao tratamento é necessária uma avaliação da condição física do paciente e do seu estado metabólico: medidas antropométricas, hemograma, mielograma, LCR, provas de função hepática e renal, culturas de secreção e raios X de tórax. “Alto–risco” - presença de leucocitose acima de 100.000/mm³, infiltração tímica e envolvimento do SNC.“Risco-padrão” (85% dos pacientes) - ausência das características mencionadas e idade: 2-10 anos. A determinação do risco é importante porque permite prever a evolução do tratamento.O tratamento fisioterápico e de grande importância visando determinar a melhor prevenção de incapacidades, assim como estabelecer estratégias de autocuidado e incremento nas atividades de vida diária. Exercícios regulares são necessários no sentido de se evitar o enrijecimento articular, e para maximizar a força muscular o maior tempo possível (FERREIRA, 2003).Em geral são utilizadas quatro fases de tratamento para a LLA. Na primeira fase, terapia de indução a remissão, na qual é utilizada quimioterapia para eliminar a maior quantidade possível de células leucêmicas e fazer com que o câncer passe para a remissão. Na segunda fase, denominada profilaxia do sistema nervoso central (SNC), é uma terapia preventiva em que são administradas quimioterapia sistêmica em doses elevadas, quimioterapia intratecal ou ambas no sistema nervoso central (SNC) para eliminar as células leucêmicas lá existentes, ou para prevenir a aparição de células cancerosas no cérebro ou na medula espinhal, ainda que não se tenha detectado câncer nestes órgãos. Também pode ser administrada radioterapia no cérebro, além da quimioterapia, com esta mesma finalidade. A profilaxia da SNC é comumente administrada em conjunto com a terapia de consolidação / intensificação. Uma vez que o paciente entre em remissão e não haja sinais de leucemia, é administrada uma segunda fase de tratamento chamada terapia de consolidação, ou de intensificação. Nesta terapia é utilizada quimioterapia em doses elevadas, com a finalidade de eliminar qualquer célula leucêmica restante.   Na quarta fase do tratamento, a terapia de manutenção, é administrada quimioterapia durante vários anos para manter o paciente em remissão.   O tratamento por etapas acima descrito dependerá do grupo de prognóstico detectado, seu estado, sua idade e a contagem sanguínea efetuada no momento do diagnóstico (WAKSMAN E ABRAMOVICI, 2003). A leucemia é uma doença grave sendo necessário um rápido tratamento para minimizar as consequências da doença.O tratamento fisioterápico e de grande importância visando a melhor prevenção de incapacidades, estabelece estratégias de auto-cuidado e incremento nas atividades de vida diária.Sendo feita também uma minuciosa avaliação do paciente (determinação do risco)O tratamento deve ser com equipe multidisciplinar proporcionando para o paciente o tratamento mais adequado para cada caso visando atingir a cura causando o menor dano possível ao paciente.

REFERÊNCIAS FIGUEIRA, F.; ALVES, J. E MAGGI. R.; DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO EM PEDIATRIA - 3ª ed, SÃO PAULO, 2002.ABRAMOVICI, S. E WAKSMAN, R.; PEDIATRIA: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO, 1º ed, Cultura medica, 2003.FERREIRA, J.; PEDIATRIA: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO, 2º ed, Rio Grande do Sul, Artmed, 2003.NELSON, BEHRMAN, R. E KLIEGMAN, R.; PRINCÍPIOS DE PEDIATRIA, 4º ed, São Paulo, Guanabara Koogan, 2000.

www.copacabanarunners.net/leucemia.html, acessado em 04 de maio de 2010 às 15:13..

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