Criptococose

Criptococose

  • Curso: Biomedicina

  • Alunos: André Verstappen

  • Turma: BM3MA

CRIPTOCOCOSE: DOENÇA PARASITÁRIA SILENCIOSA NO MUNDO

Belém

2011

CONCEITO

Criptococose (torulose, blastomicose européia,doença de Busse-Buschke) é uma micose de natureza sistêmica de porta de entrada inalatória causada por fungos do complexo Cryptococcus, atualmente com duas espécies distintas do ponto de vista clínico e epidemiológico.

  • Criptococose oportunista, cosmopolita, associada a condições de imunodepressão celular, causada predominantemente por Cryptococcus Neoformans.

  • Cryptococose primária de hospedeiro aparentemente imunocompetente, endêmica em áreas tropicais e subtropicais causadas predominantemente por Cryptococose Gatti

HISTÓRICO

Em 1895,Sanfelice isolou do suco de frutas deterioradas uma levedura que denominou sacchalomyes neoformans.Inocolou culturas dessa levedura em diversos animais,conseguindo produzir em vários deles processos patológicos tido como verdadeiros blastomas.

O primeiro caso de infecção criptococócica em seres humanos, entretanto,já havia sido relatado por Busse e Buchke em 1894,quando isolaram de periostite crônica da tíbia essa levedura denominou de Sacharomyces hominis.Somente em 1982,Nino deu ao fungo a denominaçao de Cryptococcus Neoformans.

ETIOLOGIA

Apresenta uma fase sexuada, na qual a reprodução ocorre após conjunção de duas cepas compatíveis, o que possibilita a grande diversidade genética.Nesse caso forma-se um pseudomicelio( que são hinfas longas com septos) que dá origem a bacilos(estruturas não septadas) e a bacidiosporos, de cuja germinação podem oroginar-se células leveduriformes.Nessas células ocorre a reproduçao assexuada, por meio de brotamento único ou duplo e raramente múltiplos.Essa fase leveduriforme é habitualmente encontrada na doença humana ou animal.Apresentam como estrutura esférica ou globosa, com 3 à 8 um de diâmetro, geralmente com uma cápsula espessa de material mucopolissacarídeo, cápsula essa relacionada a capacidade invasiva ou patogênica do fungo. A cápsula é composta por polímeros

de manose, xilose,ácido glicorânico e glucana , estes e outros açúcares podem ser responsáveis pelo aparecimento de anticorpos protetores em experimentação com animais.O Cryptococcus Neoformans pode ser dividido em duas variedades e cinco sorotipos, utilizando-se testes de aglutinação e imunoflorenscência, características em meios de cultura e pelo sequênciamento dos nucleotídeos do genes do RNA ribossomal. As variedades são denominadas Neoformans sorotipo A,D AD e Gatti do tipo BeC.

EPIDEMIOLOGIA

O Criptococos neoformans tem distribuição universal, ocorrendo nas regiões de clima temperado e frio, em áreas urbanas, nas fontes ambientais, como solos contaminados com excretas de aves (pombos e morcegos). Nas fezes de pombo pode haver concentração de até 107 fungos/ grama. Ocorre principalmente em pacientes imunodeprimidos.

O Criptococos gatti é encontrada principalmente nas regiões tropicais e subtropicais, em áreas rurais, semente de eucaliptos calmadulences que são estruturas encontradas nas flores das árvores. Funcionam como hospedeiro para o fungo, pode ser também encontradas em troncos ocos de árvores e colméia de vespa. Acometem em maior proporção os imunocompetentes.

A criptococose ocorre mais freqüentemente em homens, aproximadamente (70% dos casos), e em adultos, a maioria entre 30 e 60 anos sendo raro o grupo pediátrico.

O criptococos é encontrado no mundo todo, em diversos tipos de solos e em tecidos, secreções e excreções dos animais e do próprio homem. Alguns estudos valorizam o encontro em habitat de pombo. As fezes dessa ave funcionam como um meio de cultura fértil para o crescimento do fungo, pois são ricas em bases nitrogenadas, nutriente importante para o patógeno . As fezes velhas contém maior concentração do fungo dos que as eliminadas recentemente. No entanto o pombo, raramente se infecta, provavelmente por ser a sua temperatura corpórea elevada, podendo inibir o crescimento do fungo. Não há contágio inter-humano e vem aumentando em freqüência em decorrência do grande número de casos de indivíduos imunossuprimidos.

A associação com imunossupressão, ou seja, o caráter oportunista existe e esta relacionado ao comprometimento da imunidade celular, podendo acometer pacientes com linfomas, leucemias crônicas, diabetes, AIDS e etc. Nos casos de AIDS, é considerada a terceira ou quarta infecção oportunista, em freqüência e causa importante de morte. Há informações de que 6% a 10% dos pacientes com AIDS desenvolvem neurocriptococose.

A raridade da criptococose em crianças com AIDS é outra faceta inexplicável dessa micose e vem reforçar a hipótese de que nos adultos o que ocorre é a reativação, e não a infecção primária. Entre os casos de AIDS nos EUA, 6% tem meningite criptococócica. Em São Paulo foram atendidos 72 casos novos de AIDS com meningite criptococócica.

A mortalidade da doença é elevada, mesmo com o tratamento disponível, e, nos casos de cura são freqüentes as seqüelas neurológicas. Na AIDS a letalidade é maior. A recrudescência é grande nos co-infectados, após o tratamento, necessitando terapêutica de manutenção.

MANIFESTAÇÃO CLÍNICAS – SINAIS E SINTOMAS

Ambas causam meningoencefalite, de evolução grave e fatal acompanhada ou não, de lesão pulmonar evidente, fungemia e focos secundários para a pele, ossos, rins, supra-renal, entre outros

Dores no peito, dor de cabeça, tosse, febre, hemoptise, massa granulomatosa (nódulos únicos ou múltiplos nos raios-X), fraqueza, sudorese noturna, confusão mental e alteração na visão.

Os sintomas característicos dessa enfermidade podem ser divididos em quatro principais síndromes, que podem estar associadas ou isoladas em um mesmo indivíduo:

  • Síndrome respiratória: estão presentes estertores respiratórios corrimentos nasais (mucopurulento, seroso ou sanguinolento), dispnéia inspiratória e espirros. Esta síndrome ocorre mais freqüentemente em felinos domésticos, sendo observada nesses animais a formação de massas firmes ou pólipos no tecido subcutâneo, especialmente na região nasal (“nariz de palhaço”), os cães podem apresentar tosse.

  • Síndrome neurológica: o sistema nervoso central e os olhos são os mais afetados. Esta síndrome manifesta-se nos cães sob a forma de meningoencefalite, sendo que os sintomas dependem do local da lesão. Geralmente, observa-se depressão, desorientação, vocalização, diminuição da consciência, ataxia, andar em círculos, espasmos, parestesia, paraplegia, convulsões, anisocória, dilatação da pupila, diminuição da visão, cegueira, surdez e perda de olfato.

  • Síndrome ocular: os sinais clínicos mais observados são uveíte anterior, coriorrenite granulomatosa, hemorragia da retina, edema papilar, neurite óptica, midríase, fotofobia, blefarospasmo, opacidade da córnea, edema inflamatório da íris e/ou hifema e cegueira.

  • Síndrome cutânea: ocorre especialmente nos felinos, sendo que as lesões de pele encontram-se, principalmente, na cabeça e pescoço desses animais. Essas lesões correspondem a ulcerações, que podem ser no focinho, na língua, no palato, na gengiva, nos lábios e nas patas.

TRANSMISSÃO

A infecção natural ocorre por inalação de propágulos presentes no meio ambiente sobre a forma de leveduras desidratadas, de tamanhos reduzidos, ou sobre a forma de basiodosporos produzidos no ciclo sexuados, resistentes as condições ambientais, apontados como prováveis propágulos infectantes. No entanto até o momento a fase sexuada só foi produzida in vitro, seja por limitações do método usado, seja por evento errático, ainda não foi demonstrada em natureza.

Microfococos relacionados a habitat de aves, morcegos, madeira em decomposição, poeira domiciliar, e outros animais, onde a concentração estável de matéria orgânica podem representar fontes ambientais potenciais para infecção. Distúrbios desses ambientes podem precipitar ou aumentar a dispersão aérea de propago infectante. Em pacientes imunodeprimidos (AIDS) o agente causador da doença foi encontrado apresentando um risco aumentado de adquirir criptococose. Até o momento não houve comprovação de surto ou epidemia por Cryptococose neoformans, mas com relação à variedade de Cryptococose Gattii, há evidências recentes de surtos ou epidemias em animais e humanos, possam ocorrer.

Após o evento pulmonar inicial a infecção evolui como quadro regressivo e formação de eventuais focos extrapulmonares, de estrutura tecidual granulomatosa nos hospedeiros normais. Focos residuais de infecções latentes podem reativar anos após, por ocasião de condições de imunodepressão celular. Teste intradérmicos para inquéritos populacionais não são utilizados devido à inexistência de antígenos adequados, mas já existem evidências iniciais, através de estudo sorológico de anticorpos, de que a infecção possa ocorrer desde a infância.

DIAGNÓSTICO

Para o diagnóstico há necessidade da pesquisa do Cryptococcus Neoformans em material suspeito (escarro, líquor, sangue, fragmentos de tecidos obtido por biopsia, lavado bronco alveolar e aspirados de medula óssea, gânglios ou tumorações) essa pesquisa pode ser feita a fresco ou apóscolorações especiais que ressaltam a cápsula do fungo, no entanto a pesquisa direta negativa, principalmente no liquor, não exclui o diagnóstico. Nos espécimes obtidos por biopsia ou aspirados, as colorações habituais mostram o microorganismo com halo incolor que corresponde à cápsula; as colorações pelos métodos PAS, mucicarmim e compostos de prata ressaltam a cápsula mucopolissacarídica.

Existem ainda testes sorológicos ou em líquor, tais como: aglutinação com partículas de látex sensibilizadas, imunofluorescência indireta, fixação do complemento hemaglutinação e imunoenzimático. Entretanto todos podem apresentar reações cruzadas com outras micoses, mais recentemente a técnica de reação em cadeia de polimerase (PCR) também começou a ser empregada no diagnóstico dessa doença. Outra técnica que pode ser empregada para pesquisa de antígenos em tecido é a imunohistoquímica.

A reação intradérmica com antígenos no fungo pode ter importância em estudos epidemiológicos.No exame de ressonância nuclear magnética ou tomografia computadorizada do crânio em pacientes com meningite criptococócica os achados são compatíveis com a normalidade ou a alterações inespecíficas como atrofia cortical e dilatação ventricular.

ESTATÍTICA DA DOENÇA

PRINCIPAIS INFECÇÕES FÚNGICAS EM TRANSPLANTE DE RIMHá poucos estudos disponíveis envolvendo casuísticas significativas sobre a ocorrência de infecção fúngica invasiva em transplante renal, em 2001, descreveram 656 episódios de infecção fúngica em pacientes submetidos a transplante renal em vários centros médicos dos EUA, durante o período de 1994 a 1997. Nesse estudo, dentre outras micoses encontradas temos em destaque a criptococose (8,5%).

No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, foi realizado em estudo em, na qual foram descritos 82 episódios de infecção fúngica em pacientes submetidos a transplante renal. Nessa casuística, candidíase foi responsável por 39% dos casos, criptococose por 29,2%,

Considerando os achados das duas publicações anteriores, destacam-se como as principais micoses em transplante renal candidíase, criptococose, aspergilose, histoplasmose, zigomicose e paracoccidioidomicose.

TRATAMENTO

O tratamento da criptococose deve levar em conta a apresentação clínica da doença, a presença e o tipo de imunossupressão e as drogas disponíveis. Na forma pulmonar, o simples achado do agente em individuo assintomático não é indicado para o uso de drogas.

A presença de imunossupressão deve levar a análise da possibilidade de tratamento da doença de base ou da redução ou suspensão de drogas imunossupressoras, principalmente corticosteróides.

Quanto as drogas empregadas, pode-se utilizar da anfotericina B. Nos casos de AIDS com meningite criptococócica, a terapêutica de indução deve ser iniciada com anfotericina B,.

Na pneumonia criptococócica o flucanozol, droga bem tolerada.O itraconazol pode ser alternativa ao fluconazol na terapêutica de manutenção, embora seja menos efetivo. Na meningite criptococócica, o tratamento da hipertensão, para diminuir essa pressão indica-se punções lombares diárias, com retirada de volume liquorico que reduza a pressão inicial em 50%. Nos casos refratários, indica-se as derivações liquóricas. Essas manobras, além de diminuírem a pressão intracraniana, possibilitam a remoção de polissacarídeos do fungo.

FATORES DE RISCO

A criptococose irá depender muito do organismo do hospedeiro, e do ambiente, sendo assim, a proliferação de pombos (principal), pacientes imunodeprimidos (AIDS), com alto uso de corticóides, com linfomas, desnutrição severa, submetidos a transplantes, com infecções das vias aéreas, com leucemias, álcool e tabagismo.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO

Até o momento, não existem medidas específicas, a não ser atividades sócio educativas com relação de risco de infecção. Como o fungo é encontrado no solo, frutos, leite de vaca, excretas etc. os cuidados gerais de higiene são importantes na profilaxia da doença, embora medidas especiais devam ser relacionadas a fim de evitar a proliferação de pombos (principal transmissor de doença), como diminuir o alimento, água e os abrigos, visando reduzir a sua população. Os locais com acúmulos de fezes devem ser umidificados para que os fungos possam ser removidos com segurança evitando a dispersão por aerossóis.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- Dinâmica das doenças infecciosas e parasitárias vol.1

autor:José Rodrigues Coura.

http://www.canalciencia.ipict.br

http://www.infoescola.com/doencas/criptococose

http://mgar.com.br/zoonoses

http://amecs.com.br

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