Manual de Coleta de Sangue Venoso

Manual de Coleta de Sangue Venoso

(Parte 7 de 15)

Balancear os tubos para minimizar o risco de quebra. Os tubos devem ser agrupados de acordo com o tipo, por exemplo: tubos com o mesmo volume de aspiração, tubos de tamanhos iguais, tubos de vidro com tubos de vidro, tubos com o mesmo tipo de tampa ou rolha de proteção, tubos com gel com outros do mesmo tipo, e tubos de plástico com tubos de plástico.

A RCF (Força Centrífuga Relativa) refere-se à regulagem da aceleração da centrífuga (rpm), usando-se qualquer uma das seguintes equações:

Os tempos recomendados baseiam-se em processos normais de coagulação. Pacientes portadores de coagulopatias ou submetidos à terapia com anticoagulantes requerem um tempo maior para esta etapa da fase pré-analítica.

•Tubos coletados com volume de sangue inferior ao preconizado alteram a relação sangue/ativador de coágulo, resultando na formação de fibrina.

•O intervalo necessário para a retração do coágulo deve ser respeitado antes da centrifugação, para evitar a potencial formação de fibrina.

Onde “r”, expressa em cm, é a distância radial do centro do rotor da centrífuga à base do tubo (raio). O quadro 4 fornece a velocidade e tempo de centrifugação recomendados:

Tubo contendo fibrina

(Tubos para obtenção de soro)TEMPO DE COAGULAÇÃO (minutos)

Sem ativador de coágulo (tampa vermelha*)60

Com ativador de coágulo(tampa vermelha*) 30

Com gel separador e ativador de coágulo (tampa amarela)30

* Cores de tampas dos tubos de coleta a vácuo conforme ISO 6710.2

QUADRO 3:

rpm =RCF x 105 1,12 x r

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Tempo e Rotação para Centrifugação da Amostra

* Valores referentes aos tubos BD Vacutainer RCF = Força Centrífuga Relativa , g = gravidade

** Tubos de citrato devem ser centrifugados a uma velocidade e tempo para consistentemente produzir o plasma pobre em plaquetas (contagem de plaquetas < 10.0/mL) de acordo com normas do NCCLS

A relação velocidade/tempo pode variar de um fornecedor para outro; por exemplo, alguns tubos com gel separador podem ser centrifugados em tempos reduzidos, aproximadamente 4 a 5 minutos, aumentando a produtividade e otimizando a rotina laboratorial. O laboratório deve consultar seu fornecedor sobre as recomendações de centrifugação.

Os tubos não devem ser re-centrifugados após a formação da barreira. As barreiras têm maior estabilidade quando os tubos são centrifugados em centrífugas horizontais (caçamba de ângulo móvel) não refrigeradas, do que em centrífugas de ângulo fixo.

Recomenda-se aguardar sempre até que a centrífuga pare completamente, antes de tentar retirar os tubos. Não usar o freio da centrífuga com o intuito de interromper a centrifugação dos tubos; esta brusca interrupção, além de hemólise (veja item 4.5.2), pode deslocar o gel separador.

O plasma e o soro dos tubos sem gel devem ser removidos da camada celular em até 2 horas após a coleta da amostra.

O soro ou plasma separado está pronto para ser usado. Os tubos podem ser colocados diretamente na bandeja (rack) do equipamento, ou o soro/plasma pode ser pipetado para uma cubeta do equipamento. Alguns equipamentos pipetam a amostra diretamente do tubo primário. Observar as instruções do fabricante do equipamento.

Recomenda-se que cada serviço estabeleça sua política de armazenamento de materiais biológicos.

Armazenando amostras

Alguns parâmetros necessitam ser transportados e centrifugados sob refrigeração para a manutenção da estabilidade, tais como: amônia, catecolaminas, paratormônio, ácido láctico.

Outros necessitam de proteção contra a ação da luz (bilirrubina, beta-caroteno, vitamina B12, ácido fólico).

TUBOS RCF (g) TEMPO(min) Tubos de vidro com gel separador e ativador de coágulo

Tubos de plástico com gel separador e ativador de coágulo

Tubos com gel separador e anticoagulante Todos os tubos sem gel Tubos de citrato **

< 1300QUADRO 4: 10

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Atenção: Tubos com gel separador não podem ser centrifugados em baixas temperaturas, uma vez que as propriedades de fluxo do gel relacionam-se com a temperatura. A formação da barreira de gel pode ser comprometida caso o tubo seja resfriado antes ou durante a centrifugação. Para otimizar o fluxo e evitar aquecimento, ajustar as centrífugas refrigeradas a 25o C ( 77o F).

Diferentes graus de Icterícia

O quadro 5 relaciona os raios do braço da centrífuga (em centímetros) com a velocidade necessária, para se obter a força “g” adequada :

A coleta em tubos com anticoagulante citrato requer aspiração correta do volume de sangue. A aspiração parcial pode induzir uma falsa trombocitopenia. Este fenômeno resulta da ativação plaquetária induzida pelo volume maior do “espaço morto” formado entre o sangue e a tampa que veda o tubo

Boas práticas - lembrete

Como usar o quadro acima: *Consulte o fornecedor sobre as recomendações de centrifugação.

Tubos com gel separador de 1300 a 2000g*Rcf= 1,118 x 10, sendo R: distância em cm; N: RPM

RAIO ( cm)

CÁCULO DE RPM QUADRO 5:

Exemplo de como usar o quadro acima: Suponha que o fabricante dos produtos para coleta de sangue a vácuo recomende que a centrifugação do tubo seja feita a 1.300 g. Para transformar “g” em “rpm” devemos medir o raio da centrífuga usada pelo laboratório. O raio é medido em centímetros, usando-se uma régua comum. Esta medida se dá, do ponto central da centrífuga de ângulo móvel até o fundo do tubo (base da caçapa). O valor em “rpm” é o ponto de intersecção das duas medidas (g e raio) no quadro acima.

Ex. raio da centrífuga = 15 cm Velocidade de centrifugação = 1300 g = 2794 rpm

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4.8Recomendação da Seqüência dos Tubos a Vácuo na Coleta de Sangue Venoso de Acordo com a NCCLS

Existe uma possibilidade pequena de contaminação com aditivos de um tubo para outro, durante a troca de tubos, no momento da coleta de sangue. Por isso, foi estabelecida pela NCCLS uma ordem de coleta.

Esta contaminação pode ocorrer numa coleta de sangue venoso quando:

•Na coleta de sangue a vácuo, o sangue do paciente entra no tubo e se mistura ao ativador de coágulo ou anticoagulante, podendo contaminar a agulha distal, (recoberta pela manga de borracha da agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo), quando a mesma penetra a rolha do tubo.

•Na coleta com seringa e agulha, pelo contato da ponta da seringa com o anticoagulante ou ativador de coágulo na parede do tubo, quando da dispensação do sangue dentro do tubo.

Ilustração sobre contaminação da agulha de coleta múltipla no momento da coleta

Foto sobre contaminação do bico da seringa no momento da transferência do sangue para o tubo

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