A correlação entre ética ambiental, percepção e gestão de riscos

A correlação entre ética ambiental, percepção e gestão de riscos

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JUNHO / 2011102 REVISTA PROTEÇÃO

A correlação entre ética ambiental, percepção e gestão de riscos Visão ampliada

Riscos são todos os insucessos ocorridos em uma determinada fase ou época e não de todo esperados. A partir dessa primeira abordagem, iremos estabelecer uma correlação entre os métodos tradi-

Antonio Fernando de Araújo Navarro Pereira - Engenheiro Civil e de Segurança do Trabalho, especialista em Gestão de Riscos, mestre em Saúde e Meio Ambiente e doutor em Engenharia Civil com ênfase em Gestão de Meio Ambiente. navarro@vm.uff.br

Gilson Brito Alves Lima - Professor da Universidade Federal Fluminense gbal@gmail.com

Antonio Fernando de Araújo Navarro Pereira e Gilson Brito Alves Lima cionais de gestão de riscos, com base em pesquisa, coleta de dados, análise, percepção de sentimentos, medos, informação anterior e comprometimento de pessoas e questões baseadas na ética ambiental.

Pretende-se correlacionar a eficácia das duas formas de avaliação e consolidá-las por meio da interpretação de que não basta somente informar as pessoas sobre os riscos, inerentes ao meio e à atividade desenvolvida. Deve-se levar em consideração também, a sensação de segurança ou insegurança e as questões ético-ambientais envolvidas.

As técnicas de gestão de riscos têm evoluído com a incorporação de conceitos adotados em programas de qualidade e em confia- bilidade de processos, assim como evoluem as técnicas de avaliação de riscos, com novos softwares e conceitos de percepção de riscos. As técnicas de gerenciamento trabalham com números, evidências e prognósticos, ao passo que a percepção trabalha com o sentimento das pessoas.

As técnicas e conceitos relacionados à gestão de riscos foram introduzidos com o objetivo de avaliar prematuramente os riscos, por meio da aplicação de conceitos físico-matemáticos. Com a proximidade dos riscos a áreas povoadas e a interação entre populações vizinhas e empreendimentos, passou-se a valorizar a percepção de riscos pelas pessoas no entorno do empreendimento.

Grandes projetos de Engenharia sempre alteraram fundamentalmente o meio ambiente, como no caso de usinas hidrelétricas, portos, túneis, pontes, indústri-

JUNHO / 2011104 REVISTA PROTEÇÃO as frente aos riscos, às vezes não palpáveis ou percebíveis somente com técnicas de avaliação com estatísticas, confiabilidade, análise de situações, pesquisas em bancos de dados, com o objetivo de definir medidas preventivas ou mitigadoras. Algumas vezes, a falta de percepção é fruto da conivência de uma população à mercê das incertezas da vida ou sem muitas opções. Ou seja, as pessoas sabiam que aquilo não era bom para elas mas aceitavam o fato pacificamente. Nesses casos, apresentar elementos convincentes com base em formulações matemáticas da consequência de determinado risco representava a sentença de morte do gestor do risco.

INTUITOINTUITOINTUITOINTUITOINTUITO O objetivo principal foi avaliar, dentro de condições normais, a eficácia de alguns métodos empregados no processo de gestão de riscos, enfocando meio ambiente e sua degradação. Em muitas circunstâncias, mais vale a segurança sentida pelas pessoas frente aos riscos, do que seu convencimento por outro caminho que não o de sua própria percepção. Muitas vezes, a segurança sentida não é a segurança adequada ao momento. Muitos profissionais que atuam em SST já tiveram a oportunidade de presenciar a permanência de profissionais gabaritados em situações ou atos perigosos. Quando questionados sobre sua própria segurança, os empregados respondiam: “Eu tenho mais de 20 anos de experiência nessa área” ou então “É só um estantinho e já vai estar tudo pronto”. A escolha dos riscos aos quais se deve dar atenção não é simplesmente o reflexo de preocupações com a proteção da saúde, da segurança e do ambiente. Essa escolha reflete também outros aspectos, como as crenças da sociedade acerca de valores, instituições sociais, natureza, justiça e moral, sendo estes determinantes na superestimação ou subestimação de riscos.

Um ponto que cabe ser destacado é a importância que os sujeitos dão aos riscos e seus reflexos quanto às questões ambientais. Quase sempre as prioridades das pessoas não obedecem à mesma cronologia das prioridades das empresas, principalmente se aquelas estiverem diretamente envolvidas com os resultados das implantações dos empreendimentos. Ou seja, se as pessoas percebem que podem vir a se beneficiar com a implantação dos empreendimentos, costumam as químicas e petroquímicas, mineradoras. Algumas vezes, os empreendimentos chegam primeiro e as populações chegam depois devido a oferta de empregos e facilidades geradas pelo poder púbico, pela proximidade de rodovias, aeroportos e portos. Em outros casos, os empreendimentos vêm depois, atrás de facilidades geradas pelos governos e pela disponibilidade de mão-de-obra. Assim como os grandes empreendimentos, o licenciamento para a construção de casas em encostas também podem afetar o meio.

Muitos empreendimentos são implantados sem a devida preocupação com as pessoas e o meio ambiente e acabam virando notícia em jornais por acidentes ambientais ou outros problemas gerados por sua atividade. Uma indústria de papel em Minas Gerais teve rompida uma barreira de uma lagoa de rejeitos, causando danos ecológicos e comprometendo o abastecimento de água de cidades, incluindo o Rio de Janeiro. O inusitado é que os atuais donos afirmaram que ao adquirir a indústria, as bacias já existiam, como se não fossem responsáveis por seus passivos ambientais.

HOLÍSTICAHOLÍSTICAHOLÍSTICAHOLÍSTICAHOLÍSTICA No livro “Correntes da Ética Ambiental”, Marcelo Luiz Pelizzoli comenta que “Falar em ambiente é falar em pessoas e suas relações, ou seja, falar em ética, o que por sua vez não é apenas falar em normas morais e comportamentos, mas em formas de conhecimento (que são sempre relações), visões de mundo, daí a cosmologia, a ontologia e a antropologia envolvidas, a saber, visões de sentido do mundo ou universo, do ser, da essência e do que é humano e ético”. O mesmo autor, ao abordar as perspectivas gerais da ótica holística, afirma que o ponto de partida comum é a crítica ao modelo civilizatório que se baseia na noção de progresso material e desenvolvimento econômico nos moldes da modernidade científica e industrial, que desconsidera as consequências ao ser humano e à natureza, em termos de desequilíbrio e perda de interligação com aspectos fundamentais da vida. Novamente, entram em choque as ações dos seres humanos em sua busca incessante pela modernidade e os gravames abandonados nos colos dos indivíduos que co-habitam os mesmos espaços. Mais uma vez, cabe a reflexão sobre o futuro. Projetos de hoje têm que levar em consideração o amanhã, como não muito distante.

O planejamento e a administração não podem mais suprimir a base ambiental e o modus civilizatório, assim como não poderão mais prescindir de uma ética de futuro. Não é mais possível, como enfatizou o agrônomo e ecologista brasileiro José Lutzenberger, vivermos como se fôssemos à última geração. As éticas anteriores não contemplaram a dinâmica de mutação e a exclusão inerente à sociedade tecnoindustrial. Tem seus parâmetros inócuos e, muitas vezes, trazem em seu bojo disposições profundas dos riscos da razão instrumental e egológica hegemônica. São, por vezes, éticas individualizadas, que não conseguem pensar os sujeitos e os objetos não-humanos, pensar em longo prazo, ou ainda pensar a globalização econômica como ela se impõe hoje.

PRESERPRESERPRESERPRESERPRESERVVVVVAÇÃOAÇÃOAÇÃOAÇÃOAÇÃO O que se observa é que as questões relacionadas à preservação do meio ambiente ou à adoção de mecanismos seguros de prevenção de riscos são ou foram passados para trás, em detrimento da pressa em se iniciar as atividades ou de questões financeiras, principalmente de obtenção de financiamentos de bancos públicos a juros fortemente subsidiados. Muitos problemas causados pelas indústrias foram encerrados sem qualquer solução, porque era melhor ter como vizinha uma indústria poluente gerando mão-de-obra para a família toda, do que um ambiente limpo com pessoas desempregadas, ou tendo que se deslocar dezenas de quilômetros por uma oportunidade de emprego. De outra feita, era muito melhor ter um grande empreendimento próximo à residência, proporcionando mais segurança e infraestrutura urbana, do que tê-la por longe. Diz-se na gíria: ruim com ela, pior sem ela.

Por exemplo, em uma obra tradicional de construção de edifícios é nítido que há desperdícios. Esta percepção vem dos caminhões que saem das obras carregados de entulhos (resíduos) e das caçambas estacionadas nas calçadas. Chegou-se a estimar que os níveis de perdas ultrapassava a 5% do valor do empreendimento. Esse percentual não incluía os custos para a remediação ambiental, prejudicada pelo lançamento de produtos nocivos ao ambiente.

A primeira questão que sobressai é a da importância da percepção das pesso-

REVISTA PROTEÇÃO 105JUNHO / 2011 relegar a um plano inferior suas preocupações com outros aspectos que não o de sua contratação ou de seus familiares. Assim, não adianta querer envolvê-los em questões mais técnicas sobre os possíveis problemas, já que sua preocupação naquele momento é apenas a empregabilidade.

O enfoque das técnicas de avaliação sempre foi avaliar projetos e processos com vistas à identificação dos riscos, para seu posterior tratamento. Recentemente, foi incluída nesse rol de técnicas a avaliação do consumidor quanto a sua percepção de risco. Um aspecto importante é avaliar o que pode ocorrer de errado em um projeto, sistema ou equipamento, que venha a causar perdas. Outro aspecto é a avaliação sob a ótica dos consumidores ou dos usuários. Especificamente na avaliação de impactos ambientais, espera-se que os moradores da circunvizinhança do empreendimento também possam opinar sobre as questões que dizem respeito à contaminação ambiental, antes mesmo de virem a ser afetados por essa.

VVVVVARIAÇÕESARIAÇÕESARIAÇÕESARIAÇÕESARIAÇÕES Um exemplo clássico da percepção de riscos, digamos assim, intuitivo, é o de um martelo. Isoladamente essa ferramenta não apresenta qualquer tipo de risco e nem é motivo de preocupações, como por exemplo, o martelo em uma caixa de ferramentas ou sobre uma bancada de trabalho. Todavia, na mão de uma criança pode vir a representar um risco. Uma mãe, ao ver seu filho com menos de dois anos andar pela casa com um martelo na mão tem a reação imediata de tirar o objeto do filho por perceber que pode ocorrer algo de ruim. O mesmo pensamento pode não ocorrer a um pai, que pode até querer entregar um prego para que o filho possa pregar sobre uma tábua. Se forem tios ou avós, podem até achar graça da criança andando pela casa com martelo, em vez de andar com um brinquedo.

A percepção dos riscos pode variar de acordo com momento econômico, nível de cultura e de informação, interesses envolvidos, aspectos familiares, entre outros fatores. Se há necessidade de construir um depósito de lixo em determinada localidade, e se houver tratamento adequado, esse projeto poderá ser fonte de emprego para desempregados, ou uma fonte de riscos para famílias estruturadas financeiramente que não dependam da existência desse para sua subsistência.

Outro aspecto interessante a ser observado é estrutura de família. Um rapaz solteiro que vive sozinho poderá ter uma reação frente os riscos bem diferente do que se fosse casado, e mais diferente ainda se tiver filhos pequenos. O mesmo ocorre com famílias com filhos pequenos. A preocupação das mães principalmente, torna-se maior quando esses são pequenos.

METODOLOGIAMETODOLOGIAMETODOLOGIAMETODOLOGIAMETODOLOGIA A gestão de riscos (Risk Management) pode ser entendida como um conjunto de técnicas de abordagem, com vistas à análise qualitativa e quantitativa dos eventos, a fim de identificar, avaliar e tratar os riscos emergenciais ou latentes, capazes de provocar perdas financeiras, pessoais, patrimoniais e de responsabilidades civis. As técnicas de gestão de riscos, quando bem empregadas, transformam-se em elemento de antecipação ou previsão de um cenário de perdas futuras.

Por meio da gestão de riscos é possível estudar procedimentos que promovem a redução do número de ocorrências ou da extensão das perdas, fatores importantíssimos para a mensuração das taxas de riscos. O processo ou conjunto de tecnologias empregadas possibilita o surgimento

JUNHO / 2011106 REVISTA PROTEÇÃO de meios de atenuação de perdas que ameaçam o patrimônio da empresa, reduzindo sua severidade ou gravidade. De certa forma, ao se controlar perdas e, por conseguinte, reduzir parte dos custos variáveis, estar-se-á aumentando o nível de produtividade. Todavia, sob o enfoque do consumidor ou da população sob risco, o conceito está voltado para a sensação de segurança. É importante saber o quão seguras se encontram a empresa e a população. Se a população não se achar segura, o empreendimento deve preocupar-se em empregar técnicas específicas que a convençam do contrário.

Nessa apresentação, vê-se que a utilização das técnicas de gestão de riscos está mais voltada para a empresa em si e seus riscos. Quando se volta o foco da atenção para terceiros, vislumbra-se a questão da responsabilidade civil daí advinda. Tam- bém deve ser ressaltado que o uso de suas técnicas se dá mais na fase do estabelecimento das premissas básicas de projeto, do que na implantação. Trata-se de uma fase com pouca reverberação de opiniões, ou seja, a portas fechadas, quando se avaliam prós e contras.

CONCEITOSCONCEITOSCONCEITOSCONCEITOSCONCEITOS A gerência de riscos surgiu como técnica em 1963 nos Estados Unidos, com a publicação do livro “Risk Management in the Business Enterprise” de Robert Mehr e Bob Hedges. Seguramente, uma das fontes de consulta dos autores foi um trabalho de Henry Fayol, divulgado na França em 1916. A origem da gerência de riscos é a mesma da administração de empresas, que por sua vez conduziu aos processos de qualidade e produtividade. O conceito de risco é amplo. Risco não é somente aquilo que está para acontecer ou aquilo que se tem receio de que aconteça em determinado momento. E- xemplificando:

- Hoje teremos o risco de um temporal, levem os seus casacos, não cheguem tarde da noite;

- Há risco de vocês serem assaltados, portanto não cheguem tarde, nem andem por ruas escuras;

- Se vocês não estudarem, correrão o risco de não tirarem boas notas;

- Não empreste dinheiro para seu amigo, porque ele está desempregado e há risco de você perder o amigo ao cobrá-lo;

- Não tente consertar o chuveiro para não ter o risco de levar um choque.

Para cada exemplo acima citado, a palavra “risco” tem significado diferente. Não chegar junto com o temporal apresenta o inconveniente, e não o risco da pessoa se molhar. No caso do assalto, efetivamente há um risco de perda monetária ou de danos à vida ou à saúde. Nas provas, a pessoa pode ser reprovada. O único risco, que não é aquele objeto da análise é o da perda financeira de ter que repetir o ano letivo ou ter o dissabor do constrangimento pessoal. Finalmente, no caso do chuveiro, o risco envolve a vida da própria pessoa. Se essa estiver sobre um piso molhado poderá sofrer um choque mortal.

A palavra “risco” dá margem a uma série de interpretações. Contudo, está sempre associada, em qualquer caso, a um insucesso, um perigo, uma perda ou um dano. Dentro do enfoque escolhido, de correlacionar os processos de avaliação metodológica com a avaliação empírica, torna-se importante apresentar algumas considerações sobre o que vem a ser um risco, como ele se materializa e como pode ser avaliado, através de processos metodológicos.

Riscos são todos os fatos, situações, bens ou atividades sujeitas a perdas ou danos. Para fins de estudos podem ser classificados em voluntários, acidentais e aleatórios. Confira o Quadro 1, Classificação dos riscos.

SITUAÇÕESSITUAÇÕESSITUAÇÕESSITUAÇÕESSITUAÇÕES Para ser capaz de gerar danos, um risco materializa-se em função de um infindável número de situações. No projeto de se lançar uma sonda espacial para fora do sistema solar a fim de estudar corpos ce-

REVISTA PROTEÇÃO 107JUNHO / 2011 lestes, para que o empreendimento tenha êxito, deve-se aguardar o alinhamento dos planetas, o que só ocorre a intervalos de tempo definidos. Assim, é possível aproveitar ao máximo as forças de atração dos astros para aumento da velocidade da espaçonave, e mesmo assim, não se tem total certeza do sucesso da missão. É o que se chama de imponderável.

A gestão de riscos avalia o imponderável. Chega-se a determinar, por intermédio de técnicas de avaliação de riscos, qual a probabilidade de sucesso e fracasso. Para modelos de análise mais simples, consegue-se descobrir os prováveis fatores causadores do insucesso. Assim, elaboram-se previsões com elevado percentual de acertos. Algumas técnicas de Estudos de Confiabilidade de Processos apresentam resultados bem próximos de 100% de acerto.

O risco ou evento, contra o qual se está elaborando um plano de prevenção ou eliminação de perdas, deve atender a algumas particularidades para ser enquadrado como tal. Deverá ser futuro, incerto, possível, independente da vontade das partes, conduzir a perdas mensuráveis. Um risco presente não é um risco, e sim um fato consumado. Um risco certo também não é um risco, pois já se sabe quando e de que forma irá ocorrer. Um risco impossível também não é um risco, já que não gerará qualquer tipo de perda ou dano.

Por exemplo, não se pode falar em incêndio em uma caixa d'água, porque simplesmente, principalmente quando essa está cheia de líquido, não apresenta condições para um incêndio. Todavia, podese falar em um dano elétrico no motor de acionamento da bomba que esteja próxima da caixa d'água. Um risco que dependa de um dos sujeitos para ser iniciado também não é um risco. Lógico que há exceções, como no caso de uma pessoa sem total domínio das faculdades mentais. Finalmente, um risco que não gere nenhuma perda e nenhum dano também não pode ser entendido como risco.

ETETETETETAPAPAPAPAPASASASASAS Procura-se entender como e por que esse risco se manifesta, sua periodicidade, frequência e extensão das perdas, para reduzir a severidade dos prejuízos. Buscam-se ainda meios de reduzir a extensão das perdas a outros ambientes, locais ou equipamentos, com o emprego de mecanismos de proteção, confinando as conse- quências dos eventos.

A função da gestão de riscos é reduzir perdas e minimizar os seus efeitos. Isso quer dizer que se assume a existência de perdas em todos os processos industriais, como um fato perfeitamente natural. Entretanto, por meio de técnicas como inspeções e análises, procura-se evitar que perdas venham a ocorrer com frequência ou reduzir seus efeitos, limitando-as a valores aceitáveis ou dentro do perfil estipulado pela empresa em seus orçamentos anuais.

Não existe um método único de gestão de riscos ou uma metodologia padrão. Costuma-se confrontar os procedimentos em vigor com procedimentos-padrão para aquele tipo de etapa, analisando as possíveis alterações existentes, através de um amplo conhecimento das várias etapas da atividade analisada. A gestão de riscos é um processo contínuo de busca de defeitos ou quase-defeitos, com vistas à prevenção. Esses defeitos são chamados riscos. Risco é uma chance de perda e provavelmente, o mais importante degrau no processo de identificação e gerenciamento das perdas.

Com as informações obtidas por intermédio da aplicação das várias técnicas adotadas na gestão de riscos e o emprego de metodologias específicas pode-se também quantificar riscos. A partir do momento que se qualifica e quantifica um risco tem-se a sua real magnitude ou sua expressão matemática.

A qualificação é a identificação do tipo de risco. Trata-se de um risco de incêndio, de explosão, de danos elétricos, ou de contaminação ambiental, etc. A quantificação é a determinação do valor da perda, expressa em percentual do valor dos bens ou em valores absolutos ou do tamanho do prejuízo futuro. O risco, se ocorrer, poderá gerar uma perda que irá afetar 48% do patrimônio da indústria. A perda potencial é de cerca de 500 mil reais. No tocante a questões ambientais, há que se considerar os danos diretos, consequentes e indiretos. Os danos diretos podem ser avaliados com certa precisão, e para os demais, é preciso saber as características do empreendimento, da região e da população atingida.

TÉCNICASTÉCNICASTÉCNICASTÉCNICASTÉCNICAS As técnicas empregadas nos estudos de gestão de riscos podem variar de acordo com os objetivos inicialmente propostos

JUNHO / 2011108 REVISTA PROTEÇÃO

MEIO AMBIENTE para a análise das situações como:

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