O MÉDICO DA FAMÍLIA

O MÉDICO DA FAMÍLIA

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Fortaleza, 2008

Anamaria Cavalcante e Silva

Helena Maria Barbosa Carvalho

Jocileide Sales Campos Tales Coelho Sampaio

Sociedade Cearense de Pediatria Associação Cearense de Medicina de Família e Comunidade

Medicina de Família e Comunidade Saúde da Criança e do Adolescente

© 2008 Copyright by Anamaria Cavalcante e Silva, Helena Maria Barbosa Carvalho, Jocileide Sales Campos e Tales Coelho Sampaio Impresso no Brasil / Printed in Brazil Todos os direitos reservados

Designer Gráfico Roberto Santos

Projeto Gráfico e Capa Angela Barros e Marcos Silveira

Ficha catalográfica Carmem Araújo

Tiragem 200 exemplares

Impressão

Gráfica e Editora LCR Ltda.

Rua Israel Bezerra, 633 – Dionísio Torres – CEP 60.135-460

Fortaleza - Ceará

Telefone: 85 3272.7844 - Fax: 85 3272.6069 e-mail: atendimento@graficalcr.com.br

Livro do médico de família / organizadores Anamaria Cavalcante e Silva, Helena Maria Barbosa Carvalho, Jocileide Sales Campos, Tales Coelho Sampaio; autores Maria Gurgel de Magalhães et al – Fortaleza : Gráfica LCR v. p. 562 ISBN - 978-85-86627-73-6 Conteúdo: Tomo I. Medicina de família e comunidade – saúde da criança e do adolescente.

1. Medicina de Família. 2. Medicina de Família e Comunidade. 3. Saúde da Criança. 4. Saúde do Adolescente. I. Silva, Anamaria Cavalcante e. I. Campos, Jocileide Sales. II. Carvalho, Helena Maria Barbosa. IV. Título: Medicina de família e comunidade - saúde da criança e do adolescente.

CDD – 610.696

Este livro é dedicado:

Ao Médico de Família, porque necessita aprimorar a percepção desta nova prática.

À Família, porque“é a instituição mais antiga e be-

néfica da humanidade. Antecede a Sociedade e o Estado. Tem por origem e modelo a relação de amor e união entre as pessoas...”

D. Luciano Mendes

Organizadores

Álvaro Jorge Madeiro leite Pediatra. Mestre em Epidemiologia Clínica pela Escola Paulista de Medicina / UNIFESP. Doutor em Pediatria pela Escola Paulista de Medicina / UNIFESP. Professor Adjunto da Faculdade de Medicina da UFC.

anaMaria CavalCante e Silva Pediatra. Mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará. Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Professora Titular da Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte e Faculdade de Medicina Christus. Presidente da Sociedade Cearense de Pediatria.

antônio Carlile Holanda lavor Médico Sanitarista. Ex-professor da Universidade de Brasília. Docente da Escola de Saúde Pública do Ceará.

gilSon de alMeida Holanda Psiquiatra. Especialista em Psiquiatria pela PUCRS. Mestre em Saúde Pública pelo Istituto Superiore di Sanità, Roma, Itália. Doutorando em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Diretor da Escola de Saúde Pública do Ceará.

Helena Maria BarBoSa CarvalHo Pediatra. Neonatologista. Mestre em Saúde da Criança e Adolescente pela Universidade Estadual do Ceará. Doutoranda em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Professora da Faculdade de Medicina Christus.

JoCileide SaleS CaMpoS Pediatra. Mestre em Saúde Pública pelo Istituto Superiore di Sanità, Roma, Itália. Doutoranda em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Professora da Faculdade de Medicina Christus. Presidente do Departamento Científico de Cuidados Primários da Sociedade Brasileira de Pediatria.

JoSé eduilton girão Médico. Especialista em Clínica Médica pela AMB / CFM. Membro da Academia Cearense de Medicina. Membro e Fallow da American College of Physicians. Membro do Comitê de Clinica Médica da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará. Membro da Câmara Técnica de Clínica Médica do Conselho Regional de Medicina do Ceará.

liduina de alBuquerque r. e SouSa Ginecobstetra. Especialista em ultrasonografia ginecológica. Preceptora de Residência Médica em Ginecobstetrícia do Hospital Geral Dr. César Cals. Mestranda em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Ceará.

taleS CoelHo SaMpaio Médico de Família e Comunidade. Especialista em Medicina de Família e Comunidade. Pós-graduado em Saúde da Família, Saúde do Idoso, Geriatria e Medicina de Família e Comunidade. Presidente da Associação Cearense de Medicina de Família e Comunidade.

verôniCa Said de CaStro Pediatra. Especialista em Perinatologia e Saúde Reprodutiva. Mestre em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Ceará.

anaMaria CavalCante e Silva Pediatra. Mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará. Doutora em Pediatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Professora Titular da Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte e Faculdade Medicina Christus. Presidente da Sociedade Cearense de Pediatria.

Helena Maria BarBoSa CarvalHo Pediatra Neonatologista. Mestre em Saúde da Criança e Adolescente pela Universidade Estadual do Ceará. Doutoranda em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Professora da Faculdade de Medicina Christus.

JoCileide SaleS CaMpoS Pediatra. Mestre em Saúde Pública pelo Istituto Superiore di Sanità, Roma, Itália. Doutoranda em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Professora da Faculdade de Medicina Christus. Presidente do Departamento Científico de Cuidados Primários da Sociedade Brasileira de Pediatria.

taleS CoelHo SaMpaio Médico de Família e Comunidade. Especialista em Medicina de Família e Comunidade. Pós-graduado em Saúde da Família, Saúde do Idoso, Geriatria e Medicina de Família e Comunidade. Presidente da Associação Cearense de Medicina de Família e Comunidade.

Comissão Editorial

Prefácio

Atenção Primária, Medicina de Família e Comunidade

Paulo Marchiori Buss*

A Atenção Primária à Saúde (APS) teve seu apogeu político no final da década de 70, quando foi consagrada como estratégia fundamental para que o mundo alcançasse ‘Saúde para Todos no Ano 2000’ (SPT2000).

Na XXXI Assembléia Mundial da Saúde

(MAS) de 1976, o então cinquentão médico dinamarquês Halfdan Mahler, recém eleito Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), preocupado com o caminho da tecnificação crescente com reduzidos resultados que tomavam os sistemas de saúde do mundo, e entusiasmado com o que vira em viagem à China, com os ‘médicos de pés descalços’, convenceu os países membros a apoiarem o lançamento do lema SPT2000 e a convocarem uma conferência mundial para discutir a forma de alcançar tal desiderato.

Com o UNICEF, a OMS convocou então a I Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde para realizar-se dois anos depois (1978), em Alma Ata, no Cazaquistão, à época uma das repúblicas da URSS.

Mais de 130 paises, cerca de 3000 delegados e 67 organizações não-governamentais internacionais acorrerram ao evento (estranhamente o Brasil esteve ausente da Conferência), no qual a APS é consagrada como a estratégia para alcançar SPT2000. A APS que então foi aprovada tinha características ‘abrangentes’. Recomendava a adoção de um conjunto de oito ‘elementos essenciais’: educação dirigida aos problemas de saúde prevalentes e métodos para sua prevenção e controle; promoção do suprimento de alimentos e nutrição adequada; abastecimento de água e saneamento básico apropriados; atenção materno-infantil, incluindo o planejamento familiar; imunização contra as principais doenças infecciosas; prevenção e controle de doenças endêmicas; tratamento apropriado de doenças comuns e acidentes; e distribuição de medicamentos básicos. Mas, além disso, preconizava a ‘ação intersetorial de enfrentamento dos determinantes sociais e ambientais da saúde’.

Neste sentido, a Declaração de Alma-Ata especificava que a APS ‘envolve não só o setor de saúde, como também todos os setores e aspectos relacionados ao desenvolvimento nacional e da comunidade, especialmente agricultura, criação de animais, alimentação, indústria, educação, habitação, serviço público, comunicação, dentre outros setores; e presume a coordenação de esforços entre todos esses setores’.

Contudo, tais recomendações raramente foram convertidas em políticas eficazes; rapidamente uma versão em menor escala da atenção primária à saúde, a ‘atenção primária seletiva’, disseminouse. Esta enfatizava um pequeno número de intervenções de alta relação custo-benefício e atribuía menor importância à dimensão social. O exemplo mais representativo desta tendência foi a estratégia GOBI (Growth monitoring [monitoramento do crescimento], Oral rehydration [hidratação oral], Breastfeeding [aleitamento] e Immunization [Imunização]), dentro da ‘revolução pela sobrevivência das crianças’, proposta pelo UNICEF.

SPT2000, a Conferência de Alma Ata e a estratégia de APS constituem-se num dos momentos mais significativos da saúde pública mundial, na segunda metade do século X e exerceram enorme influência em quase todos os sistemas de saúde do mundo. Também no Brasil, certamente, onde diversas experiências de APS desenvolvem-se mais ou menos ao mesmo tem-po, com destaque para os casos de Montes Claros, Médico Pediatra e Sanitarista. Professor Titular da Escola Nacional de Saúde Pública. Presidente da Fundação Oswaldo Cruz e

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