manual para avaliação de atividade fisica

manual para avaliação de atividade fisica

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Manual para

Avaliação de Atividade Física

Departamento de saúde e serviços humanos dos EUA Centros para o controle e a prevenção de doenças

Manual para

Avaliação de Atividade

Física

Departamento de saúde e serviços humanos dos EUA

Centros para o controle e a prevenção de doenças

Centro nacional dos EUA para prevenção de doenças crônicas e promoção da saúde

Esta publicação foi produzida pelo

National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion - Centers for Disease Control and Prevention

Centers for Disease Control and Prevention

(Centros para o controle e a prevenção de doenças) Julie L. Gerberding, MD, MPH, Diretor

National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion

(Centro nacional dos EUA para prevenção de doenças crônicas e promoção da saúde) Janet L. Collins, PhD, Diretor

Division of Nutrition and Physical Activity

(Divisão de nutrição e atividade física) William H. Dietz, MD, PhD e Diretor

Technical Information and Editorial Services Branch

(Departamento de informação técnica e serviços editoriais)

Christine Fralish, MLIS, Diretora Linda Elsner, Redatora

Compilado por

Sarah Levin, MS, PhD Nancy E. Hood

Para obter mais informações, entre em contato com:

Division of Nutrition and Physical Activity 4770 Buford Highway N.E.

Mailstop K-46

Atlanta, GA 30041-3717. EUA. Tel.: +770 488-5692

Esta publicação pode ser obtida na Internet em http://www.cdc.gov/nccdphp/dnpa

Citação sugerida U.S. Department of Health and Human Services. Physical Activity Evaluation Handbook. Atlanta, GA. EUA.

U.S. Department of Health and Human Services, Centers for Disease Control and Prevention; 2002.

As informações sobre sites de organizações não-governamentais (ONGs) na Internet são fornecidas exclusivamente como um serviço para os nossos usuários.

Tais informações não representam nenhum endosso dessas organizações por parte do CDC. O CDC não se responsabiliza pelo conteúdo de tais sites.

Prefácio

A atividade física reduz o risco de várias doenças crônicas não-transmissíveis, pode ser associada com baixa morbidade e baixa mortalidade, além de melhorar as condições funcionais e a qualidade de vida.

A ratificação da Estratégia Global da Organização Mundial de Saúde para Alimentação, Atividade Física e Saúde pela Assembléia de Saúde Mundial em Maio de 2004, enfatiza o fato de que a inatividade física é um grande problema de saúde pública, tanto nos países desenvolvidos, quanto nos países em desenvolvimento.

Muitos países da América Latina já reconheceram que o aumento do nível de atividade física em suas populações deve ser um tema prioritário em saúde pública. No entanto, poucos países desenvolveram programas nacionais para a promoção da atividade física.

Vários programas comunitários inovadores vêm surgindo na região. Entretanto, poucos foram devida e cuidadosamente avaliados e, um número ainda menor de programas, foi documentado em literatura científica Existe uma grande necessidade de compartilhamento de informações sobre os aspectos práticos da implementação de programas e sobre o desenho/desenvolvimento e avaliação de intervenções em comunidades.

A avaliação de programas atuais, assim como de iniciativas futuras são importante fonte de informações para profissionais da saúde (secretários de saúde, administradores públicos, médicos, enfermeiras, agentes de saúde, etc…) sobre quais são as melhores formas de desenvolver e implementar programas de atividade física.

Em Novembro de 2003 um painel internacional de especialistas no desenvolvimento e avaliação de programas de atividade física, tanto em comunidades locais como nacionais, se reuniu no Rio de Janeiro - Brasil, a convite do Centro de Colaboração para Promoção da Atividade Física e Saúde da OMS (Organização Mundial de Saúde) e do CDC (Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos).

Outros patrocinadores do workshop foram: CELAFISCS (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul), Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Colégio Americano de Medicina Esportiva e o Agita Mundo.

O workshop teve quatro objetivos principais: 1. Estabelecer as bases para a produção de um manual para avaliação de programas de atividade física. 2. Revisar e adaptar o Manual do CDC para Avaliação de Atividade Física para ser utilizado na América Latina. 3. Chamar a atenção e direcionar esforços da comunidade internacional em saúde pública, para avaliação de intervenções em atividade física. 4. Desenvolver diretrizes para avaliação de programas, assim como outros produtos que sejam claramente orientados para aplicações nas Américas.

Manual para Avaliação de Atividade Física

Este Manual – Manual para Avaliação de Atividade Física – foi revisado e atualizado com o objetivo de abordar os primeiros dois objetivos.

O arquivo Recomendações para Avaliação de Intervenções em Atividade Física – Rio de Janeiro (incluido como apêndice 3 ) visa abordar os objetivos 3 e 4.

Durante o workshop, foram apresentados quatro estudos de caso sobre programas de promoção da atividade física considerados bem elaborados em comunidades da Argentina, Brasil, Colômbia e México.

Cada um deles apresenta uma descrição prática de como os investigadores seguiram os 6 passos sugeridos pelo guia de avaliação. Devido a limitações de espaço, somente os estudos de caso do Brasil e da Colômbia puderam ser incluídos nesta edição do manual.

Conforme aprendemos nos estudos de caso e durante o workshop, as 6 etapas (passoa-passo) do guia podem auxiliar no planejamento, monitoramento e avaliação, mas não precisam necessariamente ser aplicadas nesta ordem. Do ponto de vista prático, os passos podem ser seguidos em uma ordem diferente ou até mesmo simultaneamente.

O Manual para Avaliação de Atividade Física descreve as experiências do programa de avaliação, as reflexões feitas pelos participantes do workshop, além de lições específicas aprendidas através dos estudos de caso do Agita Galera e do Muévete Bogotá. Este processo de avaliação parece ser uma ótima ferramenta a ser usada como guia no planejamento e avaliação de programas no contexto da América Latina, e nos proporciona uma planilha básica que pode ser usada por investigadores para facilitar o compartilhamento de suas experiências.

Esperamos que a publicação do Manual para Avaliação de Atividade Física em Português e Espanhol e a adição de novos estudos de casos na América Latina, facilitem a disseminação do seu uso e aplicação.

Em nome dos membros do workshop, gostariamos de desejar-lhes muita sorte nos seus esforços para promoção da atividade física e espero que este manual possa contribuir para um planejamento eficaz de suas intervenções, um melhor entendimento dos processos e resultados de um programa e uma boa avaliação prática.

Agradecimentos especiais aos participantes do workshop pela sua valiosa contribuição para este manual. Uma lista dos participantes e de suas instituições e afiliações pode ser encontrada no Apêndice A - Recomendações para Avaliação de Intervenções em Atividade Física – Rio de Janeiro.

Thomas Schmid Michael Pratt

Agradecimentos

Muitas pessoas contribuíram para a elaboração deste Manual para Avaliação de Atividade Física nas versões em Espanhol e Português.

Agradecimentos especiais à equipe do Muévete Bogotá e sua coordenadora Rocio Gámez, do Instituto Distrital para Recreação e Esporte da Prefeitura de Bogotá, e à Diana Parra Perez, do CDC, que editaram e desenvolveram o estudo de caso Muévete Bogotá. Ao Victor e Sandra Matsudo, Douglas Andrade, Erinaldo Andrade, John Librett e Mario Bracco que contribuiram e desenvolveram o estudo de caso Agita Galera.

Agradecimentos à Jennifer Grubb, Sara Martin, Michael Pratt, Tom Schmid, Andrea Neiman e Gregory Heath pela contribuição na revisão e preparação do estudo de caso Muévete Bogotá. À Maria de Fátima, Markus Nahas, Sandra Matsudo e Jesus Soares, os quais proporcionaram valiosa ajuda editorial na publicação em português. Um agradecimento especial à Erika Ruiz por sua minuciosa revisão da edição em espanhol e à Clemencia Mejia e Juan Manuel Sarmiento pela assistência editorial.

Agradecimentos ao os membros do Rio Workshop, que contribuíram na Avaliação da Resolução-Rio e deram valiosa orientação no desenvolvimento dos estudos de caso. Os membros participantes do Rio Workshop estão listados abaixo:

Douglas Andrade, MPH CELAFISCSSãoPaulo,BrasilãoPaulo,Brasilo Paulo, Brasil
Erinaldo Andrade, MPH CELAFISCSSãoPaulo,BrasilãoPaulo,Brasilo Paulo, Brasil
Timóteo Araújo, MS CELAFISCSSãoPaulo,BrasilãoPaulo,Brasilo Paulo, Brasil
Hamadi Benaziza, MPH OMSGenebra, Suiça
David Buchner, MD CDCAtlanta,USA
MD, Ph.D. OPS/OMS Washington, USA
Igor Glasunov, MD Univ. de MoscouMoscou, Rússia
Mary Hall, MPH CDCAtlanta, USA
John Librett, Ph.DCDC Atlanta, USA
Jay Maddock, Ph.DUniv. de Havai Honolulu, USA
Victor Matsudo, MD, Ph.D. CELAFISCSSãoPaulo,BrasilãoPaulo,Brasilo Paulo, Brasil
David McQueen, Ph.D. CDCAtlanta, USA

Participantes do Encontro Lucimar Coser Cannon, Rocío Gámez, RD IDRD/ Muévete Bogotá Bogotá, Colômbia Enrique Jacoby, MD, MPH OPS/OMS Washington, USA Mustafa Khogali, MD Univ America Beirute, Líbano de Beirute Sandra Matsudo, MD, Ph.D. CELAFISCS SãoPaulo,BrasilãoPaulo,Brasilo Paulo, Brasil Markus Nahas, Ph.D. Univ. de Florianópolis Florianópolis, Brasil

Andrea Neiman, MPH CDCAtlanta, USA
Michael Pratt, MD, MPH CDCAtlanta, USA

Manual para Avaliação de Atividade Física Art Quinney, Ph.D. Univ. de Alberta Edmonton, Canadá Ligia Salazar, MD, Ph.D. Universidad del Valle San Fernando,

Jim Sallis, Ph.DSan Diego State Univ. San Diego, USA
Art Salmon, Ed.DParticipACTION Toronto, Canadá
Tom Schmid, Ph.DCDC Atlanta, USA
Marcela Telles, RD CELAFISCSSãoPaulo,BrasilãoPaulo,Brasilo Paulo, Brasil

Cali, Colômbia Elena Subirats, MS PROESA México Gabriel Tarducci, Ph.D. Univ. Nacional La Plata, Argentina de La Plata Jim Whitehead ACSM Indianapolis, USA

Introdução8
Seis etapas para avaliação de programas de atividade física1
Etapa 1: Obter a participação das partes interessadas1
Etapa 2: Descrever ou elaborar o plano do programa15
Etapa 3: Focalizar a avaliação2
Etapa 4: Coletar provas fidedignas25
Etapa 5: Fundamentar as conclusões31
Etapa 6: Assegurar a aplicação e compartilhar as lições aprendidas34
Apêndices38

Índice

seis etapas e avaliação de programas38

Apêndice 1: Padrões para a avaliação de programas e como aplicá-los nas

(Guia para a assistência preventiva na comunidade)41
Apêndice 3: Teorias e modelos usados na promoção da atividade física43
Apêndice 4: Como redigir objetivos SMART46
Apêndice 5: Indicadores e recursos para avaliação quantitativa48
Apêndice 6: Estudos de casos ilustrativos52

Apêndice 2: Recomendações—Guide to Community Preventive Services Apêndice 7: OManifestoParaAvaliaçáodeAtividadeFísicaO Manifesto Para Avaliaçáo de Atividade Física .................................................................82

Manual para Avaliação de Atividade Física

Introdução

O reconhecimento da importância da atividade física atingiu um novo patamar nos EUA. De fato, a atividade física foi recentemente mencionada como um dos 10 principais indicadores de saúde em Healthy People 20101. Consequentemente, a necessidade de avaliação dos programas de atividade física é mais premente do que nunca.

Por quê?

É necessário avaliarmos os programas de atividade física para sabermos qual foi o progresso obtido, ver para onde estamos caminhando e de onde partimos, comunicar o que aprendemos aos nossos colegas, não duplicar desnecessariamente o uso dos recursos financeiros para um mesmo fim, e melhorar nossos programas, pois, em última instância, somos responsáveis por prestar contas.

A avaliação do programa pode ser utilizada para:

• Exercer influência nos formuladores de políticas e patrocinadores dos programas. • Capacitar a comunidade e obter sua participação.

• Comunicar a outras comunidades o que funciona e o que não funciona.

• Garantir os recursos financeiros e a sustentabilidade.

A avaliação do programa pode ser levada a cabo seguindo estas seis etapas principais:

• Obter a participação das principais pessoas interessadas. • Descrever ou elaborar o programa

• Focalizar a avaliação.

• Coletar provas fidedignas.

• Fundamentar as conclusões.

• Assegurar a aplicação e compartilhar as lições aprendidas.

O que é uma avaliação?

Uma avaliação consiste em um “exame e a avaliação sistemáticos das características de uma iniciativa e de seus efeitos, a fim de obter informação que possa ser utilizada por quem tem interesse em melhorá-la ou torná-la mais eficaz”.2

1 US Department of Health and Human Services. Healthy People 2010. 2nd edition. With Understanding and

Improving Health and Objectives for Improving Health. 2 vols. Washington, DC: Government Printing Office; 2000. 2 WHOEuropeanWorkingGrouponHealthPromotionEvaluation.WHO European Working Group on Health Promotion Evaluation. Health Promotion Evaluation: Recommendations to Policymakers. Copenhagen: World Health Organization; 1998.

A diferença principal entre a avaliação de um programa e uma pesquisa básica é que o objetivo principal da avaliação não é acrescentar novas informações a um conjunto de conhecimentos já existente, mas, sim, descobrir como melhorar o programa. Outras diferenças são:

• A avaliação é controlada pelas partes interessadas (stakeholders) em vez de ser elaborada estritamente pelo pesquisador. • As etapas de uma avaliação são muito distintas das etapas de uma pesquisa básica.

• Os padrões da avaliação incluem: utilidade, viabilidade, exatidão e imparcialidade, com prioridade na validade interna e externa.

• A avaliação pondera o mérito, o valor e a importância, em vez de enfatizar associações.

• Pela própria forma em que é elaborada, a avaliação é holística e flexível, adaptandose à mudanças e circunstâncias inesperadas; não é rigidamente controlada. • Os métodos usados em uma avaliação são tanto quantitativos quanto qualitativos.

• A avaliação é contínua; não se restringe a um cronograma específico.

• O escopo da avaliação é amplo, de modo a possibilitar a integração; não há centralização rígida.

• As conclusões de uma avaliação dependem de valores definidos por acordo mútuo ou especificamente declarados pelas partes interessadas; os valores não são ignorados.

• A aplicação dos dados é indispensável, não apenas para aumentar o conhecimento e contribuir para a melhoria de programas semelhantes através de sua publicação, mas, também, para aumentar a efetividade do programa ou melhorá-lo.

Como?

Em 1999 o CDC publicou Framework for Program Evaluation in Public Health, disponível na Internet, no site http:///w.cdc.gov/epo/mmwr/preview/mmwrhtml/ rr4811a1.htm)3. Esta publicação descreve seis etapas para a avaliação de programas: obter a participação das partes interessadas, descrever o programa, focalizar o projeto de avaliação, recolher evidências confiáveis, justificar as conclusões e asssegurar o uso e compartilhar as lições aprendidas.

Este manual utiliza o Framework for Program Evaluation in Public Health, seu suplemento: An Evaluation Framework for Community Health Programs,4 e Promoting Physical Activity: A Guide for Community Action 5como fontes principais para descrever estas seis etapas e a forma pela qual se relacionam à avaliação de programas de atividade física.

3 CentersforDiseaseControlandPrevention.FrameworkforProgramEvaluationinPublicHealth.Centers for Disease Control and Prevention. Framework for Program Evaluation in Public Health. MMWR 1999; 48(No R-1). 4 TheCenterfortheAdvancementofCommunityBasedPublicHealth.The Center for the Advancement of Community Based Public Health. An Evaluation Framework for Community

Health Programs. Durham, NC: The Center for the Advancement of Community Based Public Health; 2000. 5 USDepartmentofHealthandHumanServices.US Department of Health and Human Services. Promoting Physical Activity: A Guide for Community Action. Atlanta, GA: US Department of Health and Human Services. Centers for Disease Control and Prevention; 1999.

Introdução

Manual para Avaliação de Atividade Física

Algumas características únicas deste manual:

Incentivamos nossos leitores a não se restringirem ao modo de pensar convencional na elaboração de seus planos de avaliação.

Apresentamos alguns exemplos do programa “KidsWalk-to- School” (programa para incentivar crianças a caminharem até a escola como atividade física) para ilustrar os principais pontos. O “KidsWalk-to-School” do CDC é um programa comunitário que tem como objetivo aumentar as oportunidades diárias de atividade física, incentivando as crianças a irem e voltarem a pé da escola, em grupos ou acompanhadas por adultos.

Fornecemos uma folha de exercícios que pode ser fotocopiada e utilizada para ajudar o leitor a realizar cada etapa do programa de atividade física.

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