TCC PÓS-GRADUAÇÃO: A BÍBLIA E OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO

TCC PÓS-GRADUAÇÃO: A BÍBLIA E OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO

(Parte 1 de 6)

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F AEL

FACULDADE EDUCACIONAL DA LAPA

CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM METODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA

A BÍBLIA E OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO

Marco Antonio Silva

CURITIBA-PR

2010

M ARCO ANTONIO SILVA

A BÍBLIA E OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Pós-Graduação em Metodologia do Ensino de História e Geografia pela Faculdade Educacional da Lapa, como requisito parcial para obtenção do Grau de Especialista.

Prof. Ricardo - Orientador

CURITIBA-PR

2010

A BÍBLIA E OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO

Por

Marco Antonio Silva

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado com nota _____ como requisito parcial para a obtenção do grau de Especialista em Metodologia do Ensino de História e Geografia pela Faculdade da Lapa, sido julgado pela Banca Examinadora formada pelos professores:

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Presidente: Prof. Nome, titulação – Orientador

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Membro: Prof. Nome, titulação

Curitiba, ..... de ..... de 2010

DECLARAÇÃO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE

Através deste instrumento, isento meu Orientador e a Banca Examinadora de qualquer responsabilidade sobre o aporte ideológico conferido ao presente trabalho.

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MARCO ANTONIO SILVA

R ESUMO

A partir de 1947, o mundo teve a oportunidade de confirmar, de uma vez por todas, a veracidade que há nas Escrituras Sagradas. Afinal de contas, foi neste ano que foram descobertos manuscritos bíblicos antiqüíssimos datados de até quase meio milênio antes da era cristã. Com isto, deu-se aberto uma série de questionamentos feitos tanto por céticos como por crentes também. Perguntas tais como: Seriam esses manuscritos, de fato, tão antigos quanto se afirmava? Quem os teria escrito? Se alguns deles eram, realmente, porções das Escrituras Sagradas (e de fato o eram) tão antigas como se supunha, que resultados trariam para a interpretação da Bíblia que temos hoje em mãos? Quantos erros cometidos pelos inúmeros copistas intermediários das Escrituras viriam à luz, com o surgimento dessas cópias muito mais antigas? E, em conseqüência disto tudo, quanto da teologia encontrada nas atuais cópias da Bíblia Sagrada teria de ser alterado com as correções que se fizessem necessárias? Será que todas nos chegaram tais quais saíram da pena dos autores sagrados?

A resposta é bem simples. Mesmo com toda a influencia do tempo, já que é um período de aproximadamente 1500 à 3000 anos desde as primeiras cópias que se tem dos manuscritos até a invenção do prelo (séc. XV), Deus preservou de todo erro os originais sagrados. É verdade que há algumas partes que não estão iguais, e essas são pouquíssimas partes mesmo. Um exemplo claro disto é Apocalipse 22:14. Porém, das quase 20 mil linhas que compõem o Novo Testamento, apenas 40 permanecem dúbias quanto ao seu original. Logo, 99,5% do texto é criticamente confiável, e somente 0,5% deixa uma dúvida no ar. Com isto, em minha opinião, para Deus bastava apenas conservar inalterada a substância do depósito da fé contido nos livros sagrados. “A ordem dos fatores não altera o produto!” Mas mesmo assim, Ele o permanece quase que intacto.

Palavras-chave: Deus, Bíblia, Velho Testamento, Novo Testamento, Bíblia Hebraica, Septuaginta (LXX), Vulgata, massoretas, copistas, essênios e manuscritos.

SUMÁRIO

CAPÍTULO I

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  1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................

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    1. Problemática ........................................................................................................

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    1. Objetivos ...............................................................................................................

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      1. Objetivo Geral ....................................................................................................

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      1. Objetivos Específicos .........................................................................................

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    1. Justificativa ..........................................................................................................

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    1. Metodologia ..........................................................................................................

10

    1. Estrutura do Trabalho ........................................................................................

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CAPÍTULO II

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  1. OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO E A BÍBLIA .....................................

11

    1. As Bíblias Modernas ............................................................................................

12

    1. O Pentateuco e Jó ................................................................................................

15

    1. A Bíblia Hebraica ................................................................................................

18

    1. A Septuaginta .......................................................................................................

21

    1. A Vulgata ..............................................................................................................

24

    1. As Bíblias Hebraicas Modernas .........................................................................

27

    1. As Bíblias de Até 1947 .........................................................................................

30

    1. Os Essênios ...........................................................................................................

32

CAPÍTULO III

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  1. PODEMOS AINDA CRER NA BÍBLIA? ............................................................

35

    1. O Achado ..............................................................................................................

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    1. Quem Guardou os Textos? .................................................................................

41

    1. Especulações e Sensacionalismo .........................................................................

42

    1. Podemos então Confiar na Bíblia? .....................................................................

43

    1. Maximalismo versus minimalismo .....................................................................

45

    1. Os Rumos do Debate Atual .................................................................................

49

CAPÍTULO IV

52

  1. CONCLUSÃO .........................................................................................................

52

APÊNDICE .......................................................................................................................

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REFERÊNCIAS ...............................................................................................................

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CAPÍTULO I

  1. INTRODUÇÃO

No fim da década de quarenta, o mundo foi abalado pelas manchetes dos jornais com a notícia de que haviam sido descobertos manuscritos bíblicos antiqüíssimos, provindo, segundo alguns, de até quase meio milênio antes da era cristã.

Houve grande expectativa na época, quando céticos e crentes aguardavam com interesse a tradução daquelas descobertas, fazendo-se freqüentemente inúmeras perguntas sobre o caso: Seriam esses manuscritos, de fato, tão antigos quanto se afirmava? Quem os teria escrito? Se alguns deles eram, realmente, porções das Escrituras Sagradas (e de fato o eram) tão antigas como se supunha, que resultados trariam para a interpretação da Bíblia que temos hoje em mãos? Qual dos dois grupos o dos crentes ou o dos descrentes no Livro Sagrado, teria sua fé e argumentação confirmadas? Quantos erros cometidos pelos inúmeros copistas intermediários das Escrituras viriam à luz, com o surgimento dessas cópias muito mais antigas? E, em conseqüência disto tudo, quanto da teologia encontrada nas atuais cópias da Bíblia Sagrada teria de ser alterado com as correções que se fizessem necessárias?

    1. PROBLEMÁTICA

Na Encíclica Providentissimus, Leão XIII escreveu que “todos os Padres e Doutores tiveram a firmíssima persuasão de que as Escrituras Sagradas, quais saíram das penas dos autores sagrados, são inteiramente isentas de qualquer erro”. Contudo, depois de citarem essas palavras, podemos fazer uma indagação a respeito: Será que todas nos chegaram tais ‘quais saíram da pena dos autores sagrados’?

    1. OBJETIVOS

      1. Objetivo Geral

No longo período de 1500 - 3000 anos, desde as primeiras cópias até a invenção do prelo (séc. XV), era moralmente impossível que dois exemplares de um mesmo livro, ao menos os mais extensos, fossem exatamente iguais, e Deus, que preservou de todo erro os originais dos livros sagrados, não quis obrigar-Se a milhares de milagres que seriam necessários para que se conservassem intactas as cópias. Com isto nosso objetivo geral é verificar se foi conservado e inalterado a substância do depósito da fé contido nos livros sagrados.

      1. Objetivos Específicos

Verificar em cada uma das fontes bíblicas (as bíblias modernas, a bíblia hebraica, a septuaginta, a vulgata, as bíblias de até 1947 e os essênios) se há evidências em favor da exatidão das cópias da Bíblia que possuímos.

Quem teria guardado os textos? Descobrindo quem o guardou, descobrimos de onde vieram.

As especulações e o sensacionalismo comprometeram a história do cristianismo?

Quais seriam os rumos do debate atual?

É interessante, e mesmo fascinante, fazer uma recapitulação da história desses manuscritos, para cuja preservação concorreu tanto o zelo religioso dos essênios, como a corriqueira atividade de simples pastores de cabras.

    1. JUSTIFICATIVA

A arqueologia é um ramo da ciência que procura recuperar o ambiente histórico e a cultura dos povos antigos, através de escavações e do estudo de documentos por eles deixados. É importante lembrar que este trabalho vai tratar da arqueologia histórica – e, especialmente, a “bíblica” – e não aquela chamada por alguns de arqueologia pré-histórica, cuja designação mais apropriada seria paleologia ou paleontologia. Este, portanto, não é um trabalho de paleontologia. O objetivo é mostrar como a arqueologia do Oriente Médio tem contribuído para o estudo da Bíblia Sagrada e a confirmação de muitas histórias nela reunidas.

Aliás, Wayne Jackson já havia sistematizado muito bem as cinco principais contribuições da arqueologia em relação à Bíblia nesses mais de dois séculos de sua existência. Ele disse:

“A ciência da arqueologia tem sido uma grande benfeitora para os estudantes da Bíblia. Ela tem: (1) ajudado na identificação dos lugares e no estabelecimento de datas, (2) contribuído para o melhor conhecimento de antigos costumes e obscuros idiomas, (3) trazido luz sobre o significado de numerosas palavras bíblicas, (4) aumentado nosso entendimento sobre certos pontos doutrinários do Novo Testamento, (5) silenciado progressivamente certos críticos que não aceitam a inspiração da Palavra de Deus.”1

No decorrer deste trabalho, veremos elementos que ajudam a confirmar a veracidade do texto bíblico profético. É claro que não se pode, através da arqueologia, determinar conceitos doutrinários como a divindade de Cristo ou a futura ressurreição dos mortos. Esses elementos demandam fé. Também não se trata de dizer que a arqueologia “confirma” a Bíblia, no sentido de ser superior à revelação. Afinal, a maior confirmação deve vir de Deus, que é o verdadeiro autor das Escrituras, e não de qualquer estudo humano.

Mas a arqueologia lida com o nosso intelecto nos ajuda a encontrar evidências que atestem aquilo que acreditamos. O raciocínio aqui é muito simples: se a história que a Bíblia apresenta for real, a teologia que está por trás dela também o será!

Mais importante, porém, que descobrir a história de Deus é descobrir o “Deus da história” e verificar que Ele é tão real que quase dá para tocá-Lo.

    1. METODOLOGIA

Através da arqueologia, podemos pesquisar e verificar a semelhança em várias fontes das escrituras, sendo elas: as bíblias modernas, a bíblia hebraica, a septuaginta, a vulgata, as bíblias de até 1947 e um pouco da história dos essênios.

Faremos também uma comparação entre a Bíblia e antigos clássicos da humanidade, como por exemplo: “Guerra Gaulesa” de Júlio César, “Tetralogias” de Platão, “Anais e Histórias” de Tácito, “A Ilíada” de Homero, entre outros. Sempre observando a data em que cada obra literária foi escrita, quantos anos têm a cópia mais antiga que possuímos, qual o intervalo entre o original e a cópia mais antiga que possuímos e o número de cópias existentes hoje.

Concluiremos o trabalho comentando quem guardou os livros/rolos, algumas especulações e sensacionalismos feito deste material arqueológico, maximalismo versus minimalismo e por fim se podemos ainda confiar na Bíblia.

    1. ESTRUTURA DO TRABALHO

No Capítulo 01 encontramos os objetivos, o problema a ser resolvido, a metodologia usada e a justificativa.

No Capítulo 02, encontraremos a fundamentação teórica entre os Manuscritos do Mar Morto, as Bíblias Modernas, a Bíblia Hebraica, a Septuaginta, a Vulgata, as Bíblias de até 1947 e a história dos essênios.

No Capítulo 03, será realizada a metodologia da pesquisa revelando um quadro comparativo entre a Bíblia e os clássicos mais antigos da humanidade.

No Capítulo 04, temos a conclusão onde após exaustiva pesquisa obteremos a relação entre os Manuscritos do Mar Morto e a Bíblia respondendo a questão que nos assola: Podemos confiar na Bíblia?

CAPÍTULO II

  1. OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO E A BÍBLIA

Chamamos de Manuscritos do Mar Morto a uma grande quantidade de documentos encontrados em várias cavernas próximas do Mar Morto, na Palestina. Foi provavelmente em 1947 que surgiram os primeiros deles numa caverna do Wadi Qumran, situada nas escarpas ocidentais do norte desse mar. Quatro anos mais tarde, a cerca de dezoito quilômetros mais para o Sul, os beduínos descobriram novos documentos, desta vez no Wadi Murubaát e, em 1952, era no Khirbet Mird, nas ruínas de um mosteiro a cerca de dez kilômetros a sudoeste de Qumran, que se acharam novos fragmentos de rolos. Em algumas outras poucas cavernas da região foram descobertos mais uns tantos manuscritos de menor importância para o assunto em foco, e todo este acervo recebeu o nome genérico de “Manuscritos do Mar Morto”, com designações individuais que os eruditos lhes deram e lhes dão ainda, de acordo com os lugares e a ordem em que sendo ainda encontrados.

A quantidade de fragmentos descobertos foi enorme e resultou de um trabalho muito penoso. O arqueólogo teve de demonstrar toda a sua paciência, peneirando toneladas de poeira e cascalho e catando pedacinhos de manuscritos que, por vezes, não eram maiores do que uma unha. Só na caverna nº 4 de Qumran, aquela em que se achou a maior quantidade destes fragmentos, foram encontrados cerca de 35 mil deles! Na Sala dos Rolos do Museu Arqueológico de Jerusalém, peritos da Inglaterra, Estados Unidos, França, Alemanha e Polônia, debruçavam-se sobre várias mesas cheias de vidros retangulares do tamanho da página de um livro, sob os quais se vão classificando pedacinhos de papéis e vão sendo “montadas” as antigas “páginas” de rolos amarelados pelo tempo, mascados por animais e até mesmo danificados pelo próprio homem. Lá se faz, segundo o Dr. Frank M. Cross, o “máximo em jogo de quebra-cabeças”2 que o homem já teve diante de si.

Além de fragmentos, acharam-se também rolos como o de Isaías, que contém todo o livro deste profeta do Velho Testamento e que foi encontrado na Caverna 1 de Qumran; o dos Salmos, quase completo, encontrado na Caverna 11; um de Levítico, em estado precário, também encontrado na Caverna 11; um de Samuel, do qual F. M. Cross reconstituiu cerca de dois terços, com fragmentos encontrados na Caverna 4; um de Samuel, com 47 colunas das 57 que compõem o livro todo; e vários outros menos completos. Juntando todos eles, obteve-se um exemplar quase completo do Velho Testamento, tal como o temos hoje, sendo fácil comparar ambas as cópias com quase um milênio de separação no tempo.

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