Guia Prático de Urologia

Guia Prático de Urologia

(Parte 5 de 16)

• Waldyr Prudente de Toledo Professor Associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

• Walter J. Koff

Professor Titular de Urologia e Andrologia e Chefe do Serviço de Urologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Universidade Federal do Rio Grande do Sul

• Wilson F. S. Busato Jr. Professor de Urologia da Faculdade de Medicina de Blumenau, SC

• Wladimir Alfer Jr.

Doutor e Assistente no Grupo de Tumores da Clínica Urológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Capítulo 1Avaliação do Paciente Urológico1
Capítulo 5 Tomografia Computadorizada23

n Índice n Capítulo 2 Instrumentação _ 3 Capítulo 3 Radiologia Convencional _ 9 Capítulo 4 Ultra-Sonografia em Urologia _ 15

Capítulo 6 Medicina Nuclear _ 29 Capítulo 7 Radiologia Intervencionista _ 35 Capítulo 8 Uropatia Obstrutiva _ 41 Capítulo 9 Hematúria _ 47 Capítulo 10 Retenção Urinária _ 53

Capítulo 12Escroto Agudo e Fleimão Urinoso61
Capítulo 13 Insuficiência Renal Aguda65
Capítulo 14Suporte Nutricional em Urologia73

Capítulo 1 Cólica Ureteral _ 57

Capítulo 20Litíase Vesical e Uretral111
Capítulo 21 Infecções Urinárias Inespecíf icas113
Capítulo 22Infecção Urinária de Repetição na Mulher119

Capítulo 23 Tuberculose Urogenital _ 125 Capítulo 24 Abscesso Perinefrético _ 129

Capítulo 29Câncer da Pélvis Renal e do Ureter159

Guia PrÆtico de Urologia

Capítulo 31 Câncer da Bexiga _ 177 Capítulo 32 Derivações Urinárias _ 187 Capítulo 3 Câncer do Testículo _ 195 Capítulo 34 Câncer de Pênis _ 203

Capítulo 38Doenças Sexualmente Transmissíveis - DST225

Capítulo 35 Tumores do Retroperitôneo _ 207 Capítulo 36 Radioterapia em Urologia _ 213 Capítulo 37 Quimioterapia em Urologia _ 219 Capítulo 39 Uretrites _ 231

Capítulo 40Cancro Mole ou Cancróide237
Capítulo 41 Trauma Renal241

Capítulo 42 Traumatismo Ureteral _ 245 Capítulo 43 Traumatismo Vesical _ 249 Capítulo 4 Traumatismo Uretral _ 253

Capítulo 47 Bexiga Neurogênica273
Capítulo 50 Priapismo293
Capítulo 53Massas Abdominais em Crianças313

Capítulo 49 Disfunção Erétil _ 285 Capítulo 51 Doença de Peyronie _ 299 Capítulo 52 Infertilidade Masculina _ 305

Capítulo 59 Malformações Extróficas _ 347 Capítulo 60 Hispospádia _ 351 Capítulo 61 Criptorquidia _ 357 Capítulo 62 Transplante Renal _ 361 Capítulo 63 Cirurgia Videolaparoscópica _ 365

1GUIA PR`TICO DE UROLOGIA

Capítulo 1

Milton Borrelli Milton Borrelli Jr.*

Avaliaçªo do Paciente Urológico

* Endereço para correspondência: Av. Cons. Rodrigues Alves, 1.021 / 61 04014-010 - São Paulo - SP Tel.: (0--1) 575-5053

O avanço científico e a facilidade de acesso às informações nos têm permitido compreender melhor as doenças urológicas. Concomitantemente, são introduzidos meios diagnósticos e terapêuticos cada vez mais eficazes e menos agressivos aos doentes.

Entretanto, meios diagnósticos mais modernos são onerosos, devendo-se utilizá-los de forma racional. Quanto mais bem feitos forem a história e o exame físico dos pacientes melhor será a investigação através de exames laboratoriais. A objetividade da investigação proporcionará, portanto, um diagnóstico mais rápido e preciso.

Sintomas

Dor

Comumente, a dor nas afecções urológicas apresenta-se sob as seguintes formas:

nRenal - a cólica nefrética típica origina-se no ângulo costovertebral de um dos lados, ocorrendo como cólica, e se irradia seguindo o trajeto dos nervos grande e pequeno abdominogenitais, ou seja, obliquamente para baixo e ipsilateralmente ao lado da dor. Difunde-se pelo flanco atingindo o hipogástrio, testículo ou grandes lábios e face interna e superior da coxa. Pode-se acompanhar de polaciúria, palidez cutânea e sintomas gastrintestinais como diarréia e vômitos. Ocorre por hipertensão paroxística pielocalicial ou pieloureteral por calculose mais freqüentemente. Em alguns pacientes observamos tais queixas após sobrecarga hídrica, podendo levantar suspeita de estenose na junção ureteropiélica. Em outros casos, tais sintomas podem ocorrer durante a micção, necessitando-se excluir a presença de refluxo vesicoureteral. O edema renal causado por infecções febris agudas como a pielonefrite e papilite aguda pode gerá-los também.

Muitas doenças renais urológicas são indolores ou pouco sintomáticas, tais como a tuberculose, pielonefrite crônica, câncer e litíase coraliforme.

nUreteral - Dependendo da posição do cálculo podemse ter manifestações diversas. Quando o cálculo encontra-se no terço superior do rim a dor é semelhante à renal. Na porção média, à direita, pode ser confundida com a dor da apendicite aguda e na porção terminal, com a da cistite bacteriana, já que observam-se sintomas urinários irritativos associados.

nVesical - A hiperdistensão vesical é causa de dor vesical. Sua sede é suprapúbica e definida caracteristicamente como em peso. Ocorre nas retenções por aumento prostático, nos casos de litíase vesical e uretral, quando o cálculo impacta-se no colo vesical e na uretra prostática respectivamente. Infecção é a causa mais comum de dor vesical, que se exacerba durante o ato da micção.

nProstática - De origem inflamatória na maior parte das vezes, caracteriza-se por um desconforto perineal e pelos sintomas da dor vesical.

Quando acompanhada de febre e retenção urinária, suspeita-se de uma prostatite bacteriana aguda, devendo-se evitar

TRATO GENITURINÁRIO Tabela 1

SISTÊMICAS ESPECÍFICAS • Febre• Alterações miccionais

• Emagrecimento• Alterações no aspecto da urina

• Hipertensão• Dor:- Renal

- Ureteral

• Prostração- Vesical - Prostática

- Testicular

2GUIA PR`TICO DE UROLOGIA o toque prostático e o alívio vesical por via uretral. A manipulação inadvertida pode gerar bacteriemia.

nTesticular - a dor testicular pode ser causada por trauma ou por processos infecciosos. Nesses casos a dor é intensa e irradia-se para o abdome, em especial o hipogástrio e fossas ilíacas.

O aumento do volume da bolsa testicular por hidrocele ou o aumento do testículo por câncer, normalmente, não determinam dor. Quadros de dor de instalação súbita sugerem torção testicular e devem ser investigados prontamente. A dor testicular pode ser o primeiro sintoma de uma hérnia inguinal.

nEpididimária - O epidídimo é sítio principalmente de processos inflamatórios. Pode ou não haver comprometimento testicular concomitante. Nos jovens, tais processos associam-se às doenças sexualmente transmissíveis, e, nos idosos, à hiperplasia benigna da próstata, tendo, portanto, agentes bacterianos distintos.

Alterações miccionais

As alterações miccionais caracterizam-se por duas classes distintas de sintomas (tabela 2). A incontinência tem capítulo à parte.

nSintomas irritativos - são geralmente secundários a uma alteração vesical. O número de micções diárias dependerá da quantidade de líquido ingerido, mas em média urina-se de quatro a seis vezes ao dia. Infecção, corpos estranhos (normalmente observados em pacientes psiquiátricos), cálculos, tumores (carcinoma in situ de bexiga), doenças neurológicas de sistema nervoso central ou medulares podem causar tais sintomas.

Quando há um aumento na freqüência não-associado a um aumento do volume, caracterizamos como polaciúria. A necessidade imperiosa de urinar é denominada urgência miccional. Disúria é quando existe dor ao urinar. Nictúria é a ocorrência de micções noturnas, momento no qual o hormônio antidiurético está em ação.

nSintomas obstrutivos - comumente relacionados ao efeito mecânico da próstata. Outros fatores que poderiam contribuir para o surgimento desses sintomas seriam as estenoses de uretra e os distúrbios neurológicos que determinam uma obstrução funcional.

Alterações no aspecto da urina

Normalmente, adultos urinam de 700 a 2000 ml/dia. A coloração pode ser clara ou amarelo-escura, dependendo de sua concentração. A excreção de pigmentos alimentares ou corantes presentes em algumas drogas pode determinar alterações em sua coloração. Excluídas tais possibilidades, as alterações de coloração sugerem presença de doenças. A análise do sedimento urinário determinará a causa. Pode-se observar hematúria, hemoglobinúria, mioglobinúria e piúria.

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