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Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios.

Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica.

A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade

Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto

Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre

Conselho Editorial Acadêmico Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 01001-900-São Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3242-7172 Home page: w.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil)

Di Stasi, Luiz Claudio

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko

Hiruma-Lima; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002.

ISBN 85-7139-411-3

1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. I. Souza-Brito, Alba Regina Monteiro. II. Mariot, Alexandre. IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo.

02-4394 CDD-581.6340981

Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores

Luiz Claudio Di Stasi

Biólogo

Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - Institut

Clélia Akiko Hiruma-Lima

Bióloga

Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB)

Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP)

Colaboradores

Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP)

Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC)

Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga

Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP)

Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP)

Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC)

Shirley Barbosa Feitosa Bióloga

Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados

Aldeia dos tenharins - Amazônia

Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de

Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu,

Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" - Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica - Vale do Ribeira.

Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35

Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39

1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79

Sumário

Parte I Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 85

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87

5 Magnoliales medicinais 89

6 Aristolochiales medicinais 113 7 Piperales medicinais 120

8 Ranunculales medicinais 139

Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145

9 Caryophyllales medicinais 147

Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í

10 Violales medicinais 1 7

1 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269

17 Rosales medicinais 271

18 Fabales medicinais 276

Sumário

19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 2 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373

24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496

Posfácio 501 Glossário de termos botânicos, químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601

Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros, especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. Nos últimos anos, esse tema tomou conta do planeta e muito se fala, se propõe e se discute sobre o assunto, mas pouco se faz. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses - perda da fauna e da flora, incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos, empobrecimento do solo, alterações climáticas, comprometimento do abastecimento de água, entre outros -, podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto, é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. Inúmeras discussões e propostas são realizadas, mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades, pois, ou significam estratégias proibitivas, que em sua maioria não resolvem o assunto, ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. Acreditamos que, provavelmente, a falta de propostas decorre de um dos dois, ou melhor, da soma de dois fatores:

• os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e, conse-

Prefácio

qüentemente, de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem, fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação; • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local, regional, nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno, os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação.

Nesse aspecto, devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa, uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. Consideramos, entretanto, que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar.

Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. Essa relação, atualmente, não se dá apenas visando à sobrevivência, mas inclui ainda interesses econômicos. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa, especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. Por sua vez, os moradores da floresta - quer sejam grupos definidos, como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira, quer sejam comunidades tradicionais, como os ribeirinhas da Amazônia, os pescadores do Vale do Ribeira, as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões - vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. São eles que conhecem a floresta, seus produtos e suas relações. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. São eles que podem, portanto, contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação, pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. Dessa forma, alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão, sem dúvida alguma, permitir grandes avanços na conservação.

É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais, como mais um produto para comercialização, integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. Para tal, novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares, priorizadas. Nesse sentido, a contribuição deste

livro é um começo, pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e, conseqüentemente, reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. Dessa forma, melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. Não custa lembrar e salientar, entretanto, que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas, centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal, que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. Passou da hora de a ciência e a política, como instituições determinantes para o avanço, legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação, e também no de desenvolvimento, pagando o preço de um trabalho mais social, mais abrangente, menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico.

Foi a partir de pesquisas que realizamos, considerando os aspectos aqui referidos, que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente, sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs, em janeiro de 1999, a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989, abrindo uma porta importante para a publicação deste material. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro, já que dez anos haviam se passado, e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. Começamos o trabalho, que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. No entanto, o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava, na verdade, fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. A equipe já não era a mesma, cada qual havia tomado seu caminho; então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à

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