(Parte 5 de 5)

• Costoideae, na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus, especialmente as famosas Canas-do-brejo, de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica; e

• Zingiberoideae, na qual se localizam os gêneros Zingiber, Alpinia, Costus e

Hedychium, Curcuma, Renealmia e Riedelia, com várias espécies medicinais, algumas delas aqui descritas.

Além do valor medicinal das espécies dessa família, deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica, que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro.

Espécies medicinais

Alpinia japonica Miq.

Nomes populares

A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá, Vindecaá e Vindicáa.

Dados botânicos

Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo, com folhas membranosas, larga bainha na base que envolve o caule; lâminas

com 20 a 40 cm de comprimento, ápice agudo e base arredondada; flores em grupos com brácteas vistosas, hermafroditas e zigomorfas; perianto distinto em cálice (claviforme, tridenteado e pubescente) e corola não vistosa; androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides; gineceu com ovário ínfero, trilocular e muitos óvulos (Figura 2.1). O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies, distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico, mas com algumas espécies em regiões tropicais.

Dados da medicina tradicional

Na Amazônia, o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal.

Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas, contra sarampo, enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély, 1988).

Costus spiralis Rosc.

Nomes populares

Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo.

Dados botânicos

Erva de rizoma ramificado e carnoso, entouceirada, podendo chegar a até 1,5 m de altura; hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo, espessas, elípticas, podendo chegar a até 35 cm de comprimento; contém inflorescências terminais, vistosas, densas com flores brancas ou róseas; fruto capsular. O gênero Costus, descrito por Carl Linnaeus, inclui 42 espécies tropicais. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira, ocorrendo em abundância em regiões alagadas.

Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. A decocção de suas folhas, contra diarréias graves, e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga.

Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração, além de ser útil externamente na lavagem de feridas, especialmente de origem sifilítica; as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores.

Hedychium coronarium Koen.

Nomes populares

A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo; em Iguape é comum a denominação Napoleão. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça, Lírio branco e Gengibre branco.

Dados botânicos

É uma planta herbácea e rizomatosa, podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas, cilíndricas, de onde partem as folhas longas, sésseis, lanceoladas e coriáceas; as inflorescências são terminais com flores brancas, grandes, vistosas, muito perfumadas (Figura 2.2). A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica, habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. Em razão de sua beleza, a espécie é muito utilizada como ornamento, sendo de fácil multiplicação por touceiras. O gênero Hedychium, descrito por Johan Gerhard Koenig, inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais, muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel, incluindo a espécie aqui descrita.

Dados da medicina tradicional

As folhas e flores dessa espécie, na forma de infusão, são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial.

(Parte 5 de 5)

Comentários