Manual de análise de água FUNASA

Manual de análise de água FUNASA

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Manual Prático de Análise de Água

Brasília, 2006

Brasil. Fundação Nacional de Saúde.

Manual prático de análise de água. 2ª ed. rev. - Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2006.

146 p. 1. Saneamento. I. Título.

É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

Impresso no Brasil Printed in Brazil

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Tiragem 3.0 exemplares

Apresentação

Este manual, elaborado de forma e linguagem simples, tem como objetivo auxiliar pessoas que trabalham nos laboratórios de controle da qualidade da água de estações de tratamento de pequeno e médio porte, no desenvolvimento de suas atividades diárias.

A idéia surgiu da necessidade de se ter no laboratório um instrumento de consulta que pudesse acompanhar os passos do técnico a todo instante e em qualquer lugar.

Nele estão descritos os procedimentos mais comuns que são realizados rotineiramente no laboratório de uma ETA.

Qualquer procedimento aqui abordado que necessite de um conhecimento mais profundo, deve-se consultar os grandes compêndios que tratam do assunto, como por exemplo, o Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, publicação da AWWA, APHA e WPCF.

A primeira parte do manual aborda os exames bacteriológicos envolvendo a pesquisa de coliformes totais e termotolerantes, inclusive Escherichia coli e a contagem padrão de bactérias heterotróficas, desde a preparação do material a ser utilizado, passando pela realização dos ensaios até a emissão de resultados. Na segunda parte estão descritas as técnicas das análises físico-químicas e testes de rotina de uma ETA e, finalmente, a preparação de todos os reagentes utilizados. Foram incluídos, também, alguns procedimentos de biossegurança em laboratório, a Portaria MS nº 518/2004 que trata das Normas e Padrões de Potabilidade da água para consumo humano no Brasil e uma relação de equipamentos e materiais de laboratório.

Acredita-se que os parâmetros aqui descritos são suficientes para monitorar o controle da qualidade da água distribuída para consumo humano em diversas localidades do país.

O exame da água, principalmente daquela destinada ao consumo humano, é de fundamental importância. Por ele pode-se ter certeza de que a água distribuída é de confiança, se está isenta de microorganismos ou substâncias químicas que podem ser prejudiciais à saúde das pessoas.

Distribuir água sem antes examiná-la é um tiro no escuro, muitas vezes de conseqüências irremediáveis.

Sumário

Exame bacteriológico da água7
– Coliformes termotolerantes7
– Bactérias heterotróficas7
Análises físico-química da água35
– Titulométricas35

Exame bacteriológico da água

Coliformes totais

Coliformes termotolerantes Bactérias heterotróficas

Introdução

A água potável não deve conter microorganismos patogênicos e deve estar livre de bactérias indicadoras de contaminação fecal. Os indicadores de contaminação fecal, tradicionalmente aceitos, pertencem a um grupo de bactérias denominadas coliformes. O principal representante desse grupo de bactérias chama-se Escherichia coli.

A Portaria nº 518/2004 do Ministério da Saúde estabelece que sejam determinados, na água, para aferição de sua potabilidade, a presença de coliformes totais e termotolerantes de preferência Escherichia coli e a contagem de bactérias heterotróficas. A mesma portaria recomenda que a contagem padrão de bactérias não deve exceder a 500 Unidades Formadoras de Colônias por 1 mililitro de amostra (500/UFC/ml)

Bactérias do grupo coliforme

Conceito:

Denomina-se de bactérias do grupo coliforme bacilos gramnegativos, em forma de bastonetes, aeróbios ou anaeróbios facultativos que fermentam a lactose a 35-37ºC, produzindo ácido, gás e aldeído em um prazo de 24-48 horas. São também oxidase-negativos e não formam esporos. A razão da escolha desse grupo de bactérias como indicador de contaminação da água deve-se aos seguintes fatores:

• estão presentes nas fezes de animais de sangue quente, inclusive os seres humanos;

• sua presença na água possui uma relação direta com o grau de contaminação fecal;

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• são facilmente detectáveis e quantificáveis por técnicas simples e economicamente viáveis, em qualquer tipo de água;

• possuem maior tempo de vida na água que as bactérias patogênicas intestinais, por serem menos exigentes em termos nutricionais, além de ser incapazes de se multiplicarem no ambiente aquático;

• são mais resistentes à ação dos agentes desinfetantes do que os germes patogênicos.

A Contagem Padrão de Bactérias é muito importante durante o processo de tratamento da água, visto que permite avaliar a eficiência das várias etapas do tratamento.

É importante, também, conhecer a densidade de bactérias, tendo em vista que um aumento considerável da população bacteriana pode comprometer a detecção de organismos coliformes. Embora a maioria dessas bactérias não seja patogênica, pode representar riscos à saúde, como também, deteriorar a qualidade da água, provocando odores e sabores desagradáveis.

As técnicas adotadas neste manual para quantificar os coliformes e heterótrofos na água são as preconizadas no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater publicação da American Public Health Association (APHA), American Water Works Association (AWWA) e Water Environment Federation.

Material utilizado em bacteriologia a) autoclave; b) estufa bacteriológica; c) estufa de esterilização e secagem; d) balança; e) destilador; f) banho-maria; g) contador de colônias; h) alça de platina com cabo; i) tubo de Durhan;

Doenças Agentes patogênicos

Origem bacteriana Febre tifóide e paratifóide

Disenteria bacilar Cólera Gastroenterites agudas e diarréias

Salmonella typhi Salmonella parathyphi A e B Shigella sp Vibrio cholerae Escherichia coli enterotóxica Campylobacter Yersínia enterocolítica Salmonella sp Shigella sp

Origem viral Hepatite A e B Poliomielite Gastroenterites agudas e crônicas

Vírus da hepatite A e B Vírus da poliomielite Vírus Norwalk Rotavirus Enterovirus Adenovirus

Origem parasitária

Disenteria amebianaGastroenterites

Entamoeba histolytica Giárdia lâmblia Cryptosporidium

Fonte: Opas, 1999

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