A produção de Ovinos e o Melhoramento Genetico

A produção de Ovinos e o Melhoramento Genetico

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6.2.CORRIEDALE (NOVA ZELÂNDIA)

Resultante do cruzamento entre as raças Lincoln e Merino. Bastante criada no Brasil. As ovelhas são prolíferas, com habilidade materna a desejar, com rápido crescimento. Tendo aptidão para lã e carne com uma media de peso de 90kg.

Quando matrizes são cruzadas com reprodutor especializado para carne, os cordeiros alcançam bom peso precocemente e fornecem carcaça de ótima qualidade.

Animal rústico, resistindo as adversidades do meio.

  • Cabeça: Focinho curto e grosso, nuca larga, orelhas pequenas e bem implantadas.

  • Pêlos curtos, brancos e sem brilho no focinho, que deve mostrar pigmentação preta na ponta, entre as ventas e a boca.

  • A lã chega próximo aos olhos, não devendo tampar a visão.

  • Forma topete característico.

  • Mocha.

  • Pescoço curto, com peito largo e profundo.

  • Costelas bem arqueadas; Quartos musculosos, cheios e separados

  • Patas curtas, cobertas de lã até os cascos pretos.

  • Velo volumoso e lã creme ou amarelada

6.3. SANTA INÊS

A cobertura de ovelhas nativas do Nordeste brasileiro com carneiros especializados para corte é, segundo MACHADO et al. (1999a), uma alternativa para aumentar a produção de carne, pois faz uso de animais "híbridos", propiciando o nascimento de cordeiros mais resistentes e com maior velocidade de crescimento.

Já são encontrados em São Paulo, Mato Grosso, e em menor quantidade no Paraná. Dentre os ovinos deslanados, os da raça Santa Inês são os que apresentam maiores velocidades de crescimento, mostrando-se promissora para produção de carne (SANTOS et al., 1999).

Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos,tem como característica, ser de grande porte, apresentando peso corporal entre 70 - 100 kg, tronco forte, quartos dianteiros e traseiros grandes, ossatura vigorosa. Provavelmente são resultantes de cruzamento da raça Bergamácia com a Morada Nova ou Crioulas do nordeste. É uma raça com ótima habilidade materna.

Porém para a produção de cordeiros destinados ao abate, recomenda-se ovelhas de menor peso (média de 40 kg), proporcionando maior número de animais em uma mesma área.

6.4. TEXEL

Inicialmente a raça resultou de cruzamentos da ovelha dos "polder" Holandês com várias raças inglesas como o Leicester, Wensleydale e o Lincoln.

Hoje, após gerações de seleções eficientes, o Texel se desenvolveu como um ovino típico de carne, com uma qualidade excelente de carne magra (RECANTO VERDE, 2001).

Tendo aptidão para carne e lã, peso médio de 85kg. Posteriormente foram realizadas novas importações da França, Holanda e Alemanha, tanto de animais como também de sêmen de carneiros franceses testados, que contribuíram para o desenvolvimento da Raça no Brasil.

Dada a sua facilidade de adaptação aos mais variados tipos de campo, encontramos os ovinos Texel em diversos estados brasileiros, principalmente no cruzamento industrial com matrizes laneiras.

6.5.DORPER

Começou a ser desenvolvida pela necessidade de se produzir uma carcaça de alta qualidade sob condições áridas e severas. Tendo aptidão para carne. Com a procura de cruzamentos chegou-se ao uso do Black Head Persian (resistência à seca e prolificidade) e o Dorset Horn (carcaça).

Deste cruzamento saíram animais de cabeça branca que foram selecionados e se chegou ao White Dorper e animais com a cabeça preta que evoluiu com a seleção para o Dorper (Black head).

7. DESEMPENHO ZOOTÉCNICO

De acordo com a classificação de algumas raças de ovinos de corte apresentada por Souza et al. (2003) e aqui transcrita na Tabela 1 as características zootécnicas das principais raças de ovinos, apresentam pontos positivos e pontos negativos. Logo, depreende-se que não existe uma raça perfeita, ou seja, aquela que é superior em todas as características, para todas as condições de produção e para todas as condições de mercado.

Tabela 1. Classificação de algumas raças de ovinos de corte lanados e deslanados de acordo com a função.

Raças

Peso

Adulto (kg)

GPMD

Adaptação

Prolificidade

DER

Herda.

Materna

Qual.

Carcaça

Qual. Pele

Carneiro

Ovelha

Bergamacia

70-90

50-60

B – M

M – A

M

M++

A

B – M

B

Barriga Preta

65-85

45-55

GB– M

B

A++

L++

A

B

M – A

Cariri

60-70

35-55

B

A

M – A

L+

B

B

A+

Morada Nova

50-60

30-45

B

A++

A

L++

M

B

A+++

Dâmara

60-90

50-60

B

A+++

M+

L++

M – A

B

A+

Somalis

50-70

35-50

B

A+++

B

L+

B

B

A++

Suffolk

110-150

70-80

A++

B

A

C

A

A+

B

Dorper

90-120

65-85

A++

M – A

B

L

M

A+

A

Santa Inês

70-95

45-60

M – A

A

B

L++

M

M

A++

GPMD= Ganho de peso médio diário; Códigos: A= Alto; M= Médio; B= Baixo; DER- Duração da estação reprodutiva; L= Longa; C= Curta. O sinal (+) foi adicionado para denotar um maior grau de excelência em uma característica particular. Assume-se ótimo ambiente para cada raça.

Fonte: Souza ET AL. (2003)

Neste sentido, Leymaster (2002) concluiu que: O valor da diversidade de raças está na possibilidade que os produtores têm de identificar e utilizar uma raça ou raças que apresentam um desempenho compatível com as demandas do mercado e com os meios de produção, como disponibilidade de alimentos, mão-de-obra, instalações e habilidades administrativas. Portanto, cabe ao produtor conhecer as características de cada raça, identificadas através da pesquisa, e com o auxílio de técnicos capacitados escolher a raça ou raças que mais se ajustam às condições próprias de produção e de mercado.

8. Considerações finais

Selecionar é um desafio permanente que consiste em adaptar as aptidões atuais dos animais aos sistemas de criação de amanhã, através de uma escolha criteriosa dos objetivos e parâmetros de seleção.

A avaliação de sistemas de produção e o melhoramento genético animal são ferramentas indispensáveis para elevar a competitividade do setor.

A elaboração de um projeto nacional de melhoramento de ovinos é trabalhosa. Entretanto, é preciso considerar o potencial da atividade de ovinocultura como uma nova fronteira da pecuária nacional, nos grandes projetos específicos, na diversificação e complementação das explorações agropecuárias e na agricultura familiar.

Os impactos positivos que o desenvolvimento da ovinocultura pode trazer para o país não podem ser ignorados e isto justifica o investimento e o esforço no sentido de colocar o Brasil entre os países com produção ovina desenvolvida.

Somente com o desenvolvimento das técnicas de produção, mas principalmente com melhoramento genético, poderemos alcançar esse patamar.

9. LITERATURA CITADA

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