Bioética e ética médica

Bioética e ética médica

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Muitas vezes, os profissionais dizem aos doentes ou familiares a famosa frase: vocês precisam ser fortes.Porém, se efetivamente observassem a reação causada por essas palavras teriam a certeza de que muitos gostariam de ouvir qualquer outra coisa, pois força é algo que, desde o início, tentam achar em si mesmos para enfrentar a complexa situação.

Os cuidadores precisam estar sensíveis às necessidades da família. Saber que a fragilidade é, até mesmo, uma forma de a pessoa sentir-se ainda viva. Nesses instantes, nos quais a realidade torna-se dura e amarga, as pessoas necessitam das lágrimas, mesmo que para sentir o calor dos próprios corpos. É como se, com as lágrimas, fossem capazes de retirar todo o rancor do revista bioetica_nova.qxd 6/9/2007 1:42 Page 46 momento e a sensação de perda ante o diagnóstico sombrio. Em tal situação, as famílias precisam vivenciar essa desestabilização para conseguir pensar com a razão, traçar um caminho.

Agora, mais do que nunca, o “colo” torna-se necessário para que entendam o que está acontecendo e quais os passos a seguir. E que deverão ser realmente fortes para lidar com a situação.

Para tanto, a ajuda de profissionais experientes é fundamental. Eles podem auxiliar os doentes e seus familiares a entender que todos os seus sentimentos, mesmo os violentos e contraditórios, integram o momento, que pode parecer-lhes infinito e desesperador. Nesses instantes, cabe acarinhá-los e dizer-lhes: vocês são vencedores. Acreditem em seu caminho e ele os levará à vitória.

Resumen Una mirada reflexiva: quienes cuidan de los cuidadores

Este artículo intenta exponer la perspectiva de los enfermos y de su familia frente a un diagnóstico reciente y desfavorable, analizando su fragilidad y el sufrimiento inherentes a la situación. Actuando en el área de la educación, la autora tiene como objetivo principal la promoción del respeto al ser humano, y a su vida en toda su amplitud, características esenciales también de quien desarrolla sus actividades en el área de la salud.

Palabras--clave::Diagnóstico. Enfermos y familiares. Escuchar. Mirar. Compartir

Abstract

A reflective glance: those who care of caretakers

This article aims to point out the perspective of sick people and their family in the case of a recent and non-favorable diagnosis, analyzing their fragility and suffering, which is inherent to this kind of situation. The author, who works on education, have as the main objective the respect to human beings, their life in its amplitude, essential characteristics also to those who develop activities in the field of health.

Key words::Diagnosis. Sick people and family. Listening. Seeing. Sharing. Referências

1.Cury A. Você é insubstituível. Rio de Janeiro: Sextante, 2002. 2.Peixoto MA. Uma luz de esperança em um mundo especial. Porto Alegre: Editora Aurora, 2006. 3.Meyer DJ. Pais de crianças especiais. São Paulo: M. Books, 2004. 4.Bíblia Sagrada. São Paulo: Sociedade Bíblica Católica Internaciona/Paulus, 1990. Edição Pastoral.

Contato Rosa Wald – rosawald@issa.com.br revista bioetica_nova.qxd 6/9/2007 1:42 Page 47 revista bioetica_nova.qxd 6/9/2007 1:42 Page 48 revista bioetica_nova.qxd 6/9/2007 1:42 Page 48

B B i i oética

Desafios para a psicologia no cuidado com o cuidador

Maria Estelita Gil Letícia Domingues Bertuzzi

descrendo casos clínicos para exemplificar esses procedimentos

Resumo::Este artigo aponta a necessidade de prover cuidado psicológico aos enfermos/pacientes em estado terminal, bem como a seus cuidadores familiares e às equipes que lhes assistem. Elenca conjuntos de medidas que podem minorar o sofrimento dos envolvidos nessa situação extrema,

Maria Estelita Gil Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), professora da Faculdade de Psicologia da PUCRS e coordenadora do Serviço de Psicologia Clínica do Hospital São Lucas/PUCRS

Palavras--chave:: Cuidado. Cuidadores familiares. Dinâmica intrapsíquica. Sentimentos.

A dinâmica intrapsíquica do aadoeecceerr

A internação hospitalar acarreta, freqüentemente, mudanças na dinâmica familiar, pressupondo flexibilidade na reestruturação das atividades diárias. Sentimentos de impotência, culpa e raiva podem suscitar tensões e desavenças entre os membros que assistem ao enfermo. A internação pode ser aguardada ou não pelos familiares e amigos. Normalmente, esses momentos de espera e indefinição tornam-se carregados de ansiedades e medos, pois a doença traz em si um aspecto significativo na dinâmica psíquica: a dissolução da fantasia de imortalidade e o desmoronamento da onipotência do homem com relação ao controle de seu estado de saúde.

Conforme Kübler-Ross1, quando alguém, rancoroso, deseja a morte de uma pessoa próxima, provavelmente ficará bastante traumatizado se isso acontecer, sentindo-se culpado mesmo que não exista nenhuma ligação entre seu desejo de destruição e os fatos. Poderá sentir-se responsável (em parte ou inteiramente) pela doença ou morte. Em geral, ao amadurecer, as pessoas se dão conta de que não são “onipotentes”, que seus desejos, em si mesmos, não têm força para tornar algo concreto, especialmente quando tal fenômeno é temporalmente improvável. Contudo, a crença subjacente nesse poder absoluto permanece latente, sendo ativada em situações variadas.

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Culpa, ansiedade e vergonha são sentimentos que se aproximam da raiva. Todos são socialmente conotados de maneira negativa, estando associados à ausência de qualidades morais do indivíduo. Por isso, existe tendência a ocultar tais emoções em relação a alguém, especialmente aos enfermos. Entretanto, essas emoções se revelam por outros modos1. Frente a isso, ocorrem as mais diversas reações, dependendo da estrutura de personalidade de cada indivíduo. Quando um familiar necessita internação hospitalar, seus cuidadores, caso existam, passam a viver com a mesma intensidade o sofrimento daquele que padece. Muitos aspectos derivados da prática de observância diária da realidade desses cuidadores, imersos no ambiente hospitalar, permitem perceber o modo como lidam com as incertezas da doença, o prognóstico e como reagem ante a possibilidade da morte2.

Entendendo as reações do ccuuiiddaadorr

Muitos cuidadores abdicam de suas próprias necessidades e tarefas para acompanhar o enfermo, caso precise de auxílio ou atenção. Nessas circunstâncias observa-se no enfermo a perda gradual da identidade, da autonomia de “ir e vir”, da iniciativa para realizar ações básicas do cotidiano como, por exemplo, tomar banho, escovar os dentes, entre outras, relacionadas ao trato e à higiene pessoal. Acompanhar essa espécie de confinamento provoca estresse entre os familiares, favorecendo a eclosão do sofrimento psíquico, que tende a macerar a vitalidade dos que se dispõem a cuidar. Assim, acompanhar e cuidar de familiares enfermos internados em instituições hospitalares pode causar efeitos iatrogênicos se também não houver o acompanhamento desses cuidadores leigos por um profissional de saúde: o cuidador também precisa ser cuidado. Precisa de alguém que lhe dê suporte, que lhe ofereça proteção e apoio, facilitando seu desempenho, compartilhando, de algum modo, sua tarefa3.

O cuidador se depara (e identifica) com as angústias e conflitos de quem é por ele cuidado. Em decorrência, sente-se,

Letícia Domingues Bertuzzi Formanda em Psicologia pela PUCRS e estagiária de Psicologia Clínica do Hospital São Lucas revista bioetica_nova.qxd 6/9/2007 1:42 Page 50

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