Aplicação dos Programas 5S E P+L em uma Biblioteca Universitária Estudo de Caso Cefet RJ

Aplicação dos Programas 5S E P+L em uma Biblioteca Universitária Estudo de Caso...

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V UFRJ AMBIENTÁVEL - Rio de Janeiro, RJ, 20 a 2 de Outubro de 2009

APLICAÇÃO DOS PROGRAMAS 5S E P+L EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: ESTUDO DE CASO CEFET/RJ

Aline Guimaraes Monteiro (CEFET-RJ) amonteiro@cefet-rj.br Yuri Leal Clemente Ferreira (CEFET-RJ) yuri_leal@oi.com.br

Juliana Maria de Sousa Costa (CEFET-RJ) july_sousacosta@yahoo.com.br Patrícia Mattos Teixeira (CEFET-RJ) patricia_mattos28@yaho.com.br

Resumo

As mudanças ambientais estão presentes e se apresentam de diversas formas, como as alterações climáticas, a perda de solos férteis, o desaparecimento das florestas e dos animais, o surgimento de novas doenças e a perda da qualidade de vida do homem, autor e maior vítima das suas próprias ações. Neste contexto, soluções são buscadas e uma estratégia de considerável relevância pode ser a adoção, em conjunto, de dois grandes programas de desenvolvimento produtivo conhecidos por Produção Mais Limpa (P+L) e Programa 5S, que objetivam uma melhoria na qualidade de vida das pessoas, tanto no trabalho como em casa, bem como na qualidade ambiental. A P+L age diretamente sobre os processos produtivos e o 5S funciona como uma prática de "bons hábitos", ou também conhecida como de "bom senso". Com este propósito, este relatório vem demonstrar os primeiros levantamentos deste mecanismo, que é sugerido para o CEFET/RJ frente ao surgimento de algumas situações ambientais adversas, dentro e fora, da organização. Palavras-chave: Produção Mais Limpa (P+L); Programa 5S; Qualidade; Meio Ambiente.

1. Introdução

Observa-se no mundo um aumento crescente da produção de bens, serviços e tecnologia. Em função disto, a capacidade de auto-recuperação do meio ambiente vem se reduzindo ou, até mesmo, é possível dizer que o tempo, para determinada recuperação, é cada vez mais curto em relação à quantidade de material industrial produzido.

Apesar de o problema ambiental ser antigo, não era tão grave se comparado com os tempos atuais, onde as alterações são mais visíveis e de maior impacto.

Antes do anos 1970 não havia qualquer tipo de controle ambiental, e os poluentes gerados pelas empresas eram descartados no ambiente sem maiores preocupações. Os primeiros órgãos de controle da poluição foram estruturados no início dessa década, as legislações ambientais foram organizadas e foram iniciadas as atividades de monitoramento da qualidade ambiental, o licenciamento e as fiscalizações das indústrias (GASI e FERREIRA, 2006).

Dois conceitos que, formalmente, vêm ganhando espaço entre as empresas e sendo utilizados como ferramentas de gestão para otimizar a produção são:

− Produção Mais Limpa (P+L): age diretamente sobre os processos produtivos e serviços de uma organização, trazendo benefícios diretos e indiretos, como: ganhos econômicos e sociais, a prática da sustentabilidade e vantagens competitivas no mercado;

− Programa de Qualidade 5S: é uma metodologia que visa alcançar a melhoria da qualidade de vida e de trabalho, o aumento da produtividade, a otimização do espaço físico e a racionalização do tempo, por meio da padronização de procedimentos operacionais e da

V UFRJ AMBIENTÁVEL - Rio de Janeiro, RJ, 20 a 2 de Outubro de 2009 mudança de hábitos e atitudes.

Neste sentido, este artigo vem demonstrar as primeiras impressões dentro de uma organização, a partir da aplicação destes instrumentos numa instituição de ensino superior, que é o CEFET/ RJ.

2. Um novo conjunto: P+L e 5S

Proposta em 1989 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA – a Produção Mais Limpa é uma estratégia ambiental preventiva integrada aos processos, produtos e serviços, com o objetivo de elevar a produtividade e eficiência na produção e minimizar os riscos aos seres vivos e ao meio ambiente (UNIDO, 2005).

São várias as práticas existentes que são consideradas como técnicas de P+L, dentre elas:

− Melhorias nos sistemas administrativos; − Melhoras no sistema de armazenamento;

− Eliminação e/ou periodicidade na manutenção de máquinas e materiais obsoletos;

− Incentivo à conscientização ambiental;

− Adoção de um sistema de coleta seletiva;

A Tabela 1 mostra as etapas que devem ser seguidas para a implantação do programa P + L.

Etapa 1: Planejamento e Organização (8H)

Passo 1 Obter comprometimento e envolvimento da gerência Passo 2 Definir as equipes do projeto Passo 3 Evidenciar possíveis barreiras

Etapa 2: Diagnóstico (8H)

Passo 4 Identificar como a empresa está organizada Passo 5 Desenvolver os fluxos dos processos Passo 6 Selecionar as oportunidades de P+L

Etapa 3: Realização das medições e definição de indicadores (24H)

Passo 7 Realizar uma análise quantitativa das entradas e saídas e criar indicadores Passo 8 Efetuar a avaliação das causas

Etapa 4:Estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental (16H)

Passo 9 Efetuar a avaliação técnica Passo 10 Efetuar a avaliação econômica Passo 1 Efetuar a avaliação ambiental

Etapa 5: Implementação e plano de continuidade (4H)

Passo 12 Criar o plano de implementação Passo 13 Monitorar e acompanhar a implementação Passo 14 Sutentar as atividades de P+L

Tabela 1 – Etapas e passos da P+L

O Programa 5S foi desenvolvido por Kaoru Ishikawa em 1950, no Japão pós-guerra, impulsionado pela necessidade que havia de colocar ordem na desorganização em que o país, após sua derrota para as forças aliadas, encontrava-se. O Programa foi tão bem sucedido, que é aplicado em empresas do mundo todo com muita eficácia.

O Programa tem o objetivo de transformar o ambiente das organizações e as atitudes e hábitos das pessoas, aumentando a qualidade de vida dos funcionários, minimizando desperdícios,

V UFRJ AMBIENTÁVEL - Rio de Janeiro, RJ, 20 a 2 de Outubro de 2009 reduzindo custos e aumentando a produtividade. Para sua implantação em uma organização, deve-se seguir as seguintes etapas:

2.1 Senso de Utilização ou Descarte

Ter senso de utilização é identificar materiais, equipamentos, ferramentas, utensílios e informações necessárias e desnecessárias, descartando ou dando a devida destinação àquilo considerado desnecessário ao exercício das atividades (LAPA, 2006).

Este senso significa identificar e separar tudo o que é necessário do que é desnecessário no local de trabalho, dando um destino para aquelas que deixaram de ser úteis para o fim desejado e agrupando os objetos necessários por ordem de importância, inclusive eliminado tarefas desnecessárias. Possibilita melhor organização do local, criação de novos espaços, diminuição da perda de tempo e desperdício de recursos (REBELLO, 2009).

As vantagens da implantação deste senso são (REBELLO, 2009):

− Reduzir a necessidade de espaço físico, de estoque e de gasto com sistema de armazenamento;

− Facilitar o arranjo físico, o controle de produção e a execução do trabalho no tempo previsto;

− Diminuir o desperdício de material;

− Reduzir custos e acidentes.

2.2 Senso de Ordenação

Ter senso de ordenação é definir locais apropriados e critérios para estocar, guardar ou dispor materiais, equipamentos, ferramentas, utensílios, informações e dados de modo a facilitar o seu uso e manuseio, facilitar a procura, localização e guarda de qualquer item (LAPA , 2006).

Este senso significa colocar cada objeto no seu único e exclusivo lugar, dispostos de forma correta, agrupando por tipo, cor, etc., para que possam ser utilizados prontamente. Refere-se à disposição sistemática dos objetos com excelente comunicação visual utilização de etiquetas para identificação dos locais, dos objetos, das tarefas, no material adotado para uso do setor, a fim de que se possam manter as coisas do jeito que devem ser. Possibilita organizar seu local de trabalho e promover ações que facilitem o trabalho através da identificação dos materiais, locais e tarefas, para que todos saibam onde o material está (REBELLO, 2009).

As vantagens da implantação deste senso são (REBELLO, 2009):

− Propiciar melhor aproveitamento dos espaços existentes; − Proporcionar rapidez e facilidade na busca de itens;

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