Os ambientes climáticos urbanos e rurais rondonópolis

Os ambientes climáticos urbanos e rurais rondonópolis

(Parte 1 de 2)

Michele Strada *

O presente artigo é baseado em resultados obtidos em estudos de campo, observando os ambientes micro e topoclimáticos, rurais e urbanos, na cidade de Rondonópolis-MT, sendo realizado pelo terceiro semestre do curso Engenharia Agrícola e Ambiental UFMT/CUR na disciplina de Climatologia e Meteorologia, ministrada pelo professor Livre Docente José Roberto Tarifa. O presente trabalho visa o desenvolvimento da percepção dos diferentes ambientes, mostrando a realidade e os problemas climáticos e ambientais de uma cidade marcada de contrastes. A análise é feita em micro e topo escalas, aliando a teoria com a prática (análises em campo, medidas específicas, sensações pessoais, entre outros), comparando as diferenças climáticas, ambientais e sociais da região central com a periferia (zona urbana) e as mudanças que ocorrem em determinados pontos da zona rural. Também foi desenvolvida em sala uma análise de balanço hídrico e suas variações na cidade de Rondonópolis a partir de embasamento teórico e de dados já pré-estabelecidos.

Palavras-chave: Ambientes climáticos, zona urbana, zona rural.

* Graduando de Engenharia Agrícola e Ambiental ICEN – CUR – UFMT. (e-mail:

michele_strada@hotmail.com

1 - Resultados

1.1 – Os microclimas UFMT/CUR

A temperatura do ar seco e úmido, a temperatura do solo e a umidade foram medidas em seis locais dentro da UMFT/CUR, para que possamos fazer a avaliação dos diferentes microclimas.

Num mesmo ponto a temperatura da água está em média 28°C já o solo em volta está com 49,3°C, uma relevante diferença de 21,3°C entre ambos, isso porque a água é má condutora de energia, refletindo mais radiação do que absorve.

A menor temperatura do solo (ponto 6), foi ocasionada, devido a observação ter sido feita na sobra, sob solo coberto por grama úmida.

Podemos observar que a maior umidade relativa do ar foi encontrada na sala de aula, 27%, enquanto em outros pontos distintos do Campus, a umidade foi inferior ou igual a 20%, exceto no (ponto 5) próximo à piscina, onde a umidade foi em torno de 23% . Porém em todos os pontos observados a umidade se mantém muito abaixo da umidade adequada.

Tabela 1 – Variação dos atributos climáticos no Campus da UFMT/CUR

Pontos Horário Temp. B.S. Temp. B.U U.R % Temp. solo Descrição /Controles

P01 – Sala de aula

Área de 8m por 6m. Altura de aproximadamente 3m. Três janelas e uma porta, ambas abertas.

P02 –Em frente ao bloco/Eng.

P03 – Estacionamento/

Campus

Campus – superfície plana, com composição de cascalho e pedregulhos

P04 – Em baixo de uma mangueira

10h22min 32,8°C 18°C 20% 39°C Mangueira de aproximadamente 4m de copa. Solo coberto por folhas secas e pedras.

P05 – Próximo a piscina

Solo muito seco, coberto por grama e muito material seco em volta.

P06 – Estação Meteorológica

10h40min 34,2°C 18,8°C 18% 28,5°C Observação a sombra, ambiente aberto, próximo a um ambiente úmido. Solo coberto por grama.

1.2 - Os ambientes climáticos urbanos

“O clima é uma composição da totalidade dos ritmos dos estados das atmosferas sobre um lugar na superfície da Terra, para uma determinada relação espaço-tempo”. (TARIFA – 2001).

Nas áreas urbanas fazem mais calor que nas rurais, isso por causa das formas complexas como a grande quantidade de edificações, vastas extensões de asfaltos e concretos, que alteram tanto a quantidade de calor absorvido pela região como a direção e a velocidade dos ventos.

O aumento do calor na cidade modifica a circulação dos ventos, a umidade e até as chuvas. Materiais impermeáveis como asfalto e concreto fazem a água da chuva evaporar do solo rapidamente, reduzindo o resfriamento. As partículas lançadas na atmosfera pelos carros e indústrias propiciam o aumento da quantidade de nuvens e conseqüentemente de chuvas.

O “Tempo meteorológico é o resultado das condições predominantes na camada atmosférica, mais próxima à superfície da terra”. (SETTE SD).

Observando os diferentes microclimas da cidade de Rondonópolis notamos a formação de ilhas de calor, ocorrendo o aquecimento da camada de ar mais próxima ao solo, devido à grande quantidade de poluentes na atmosfera.

Na zona urbana da cidade de Rondonópolis foram feitas várias observações num período de trinta dias, onde temos vários pontos no qual se assemelham em relação aos tipos de construções, áreas de pavimentação asfáltica, arborização, fluxo de pessoas e de veículos dentre outros, tipos de altitude, e também alguns pontos que se diferenciam muito uns dos outros.

Na área urbana em relação à altitude tivemos uma variação dos pontos estudados de 195 a 285 metros, fazendo com que a partir desses fatores contribuísse para que umas áreas fossem mais quentes do que outras.

Outro fator que influi de forma direta na temperatura é a radiação solar que interage diretamente com o ambiente através da absorção ou reflexão de cada material, se ele vai se aquecer mais, ou se aquecer menos.

No que diz a respeito ao solo, sua temperatura variou entre 30,3°C e 56,6°C ressaltando que as áreas analisadas não foram no mesmo horário.

Notamos no Rio Vermelho a diferença de temperatura entre a água e o solo no mesmo horário. A água na superfície atinge cerca de 30,5°C já na calçada a temperatura foi de

42,8°C. A diferença de 12,3°C nos mostra que a água reflete mais radiação do que absorve, já o asfalto se aquece mais ao absorver mais radiação do que refletir.

No bairro Pedra Noventa e no Distrito Industrial onde quase não há arvores e vegetação rasteira o solo atingiu as máximas temperaturas, onde podemos observar que a vegetação influencia na temperatura e nos microclimas.

A sensação térmica em um lugar vai depender das condições de absorção ou reflexão de radiação solar. Os solos com cobertura vegetal serão menos quentes, pois a incidência da radiação solar irá diminuir até chegar à parte sem cobertura e a aquecer.

Durante o período de observações na zona urbana, as temperaturas manteram-se consideravelmente altas em torno de 30°C, partindo do pré-suposto que a temperatura ideal de conforto gira em torno de 24°C. Mas durante o período de observação, uma frente fria se aproximou, vinda do oceano (mapa em anexo– INPE/CPTEC/DAS), baixando a temperatura, e ocasionando chuvas em vários pontos da cidade, exceto os locais observados, onde apenas a temperatura teve uma queda relevante em relação aos dias anteriores, sendo um fato isolado, durante todo o período de observação.

Figura 1: Sítio Urbano da cidade de Rondonópolis-MT – 13/10/2008 às 08h54min Fonte: Própria

Tabela 02 – Clima urbano da cidade de Rondonópolis-MT e a variação dos atributos climáticos.

Local/Pontos Horário Altitude Latitude Longitude T.b.u. T.b.s Temp. Solo U.R.

Descrição/Tempo meteorológico Descrição dos Controles

P01 - Campus UFMT/Estaciona

mento

Céu azul com boa visibilidade. Nuvens 2/8 (cirros e estratos).Há baixa dispersão de poluentes.

Estacionamento do campus com pavimentação asfáltica, recapiada; local aberto, com árvores de porte médio e vegetação de baixo porte (gramíneas).

P02 – Estacionamento do Rondon Plaza Shopping

Estacionamento do shopping, possuindo pavimentação asfáltica, com poucos carros, presença de prédios a uns 50m, local aberto, com poucas árvores de porte baixo

P03 – Vila Aurora

Céu azul, com 2/8 de nuvens cirros e estratos, temperatura agradável, alta concentração de poluentes, leve brisa.

Presença de prédios a cerca de 80m. Local de casas de classe média alta, amplas, com grandes quintais; área arborizada, com presença de muitas gramíneas. Calçamento largo com cerca de 1m de concreto e 2m de gramíneas.

P04 – Praça dos Carreiros

Névoa seca ao horizonte. Sensação térmica quente. Há uma calmaria. Observação à sombra; há muitas

árvores, com cerca de 6m a 8m de altura, impedindo a entrada livre do Sol; presença de paralelepípedos, terra batida e poucas gramas.

P05 – Cruzamento da

Marechal Rondon com Rio Branco

Calmaria. Névoa seca ao horizonte, temperatura quente.

Os dois lados das ruas possuem um paredão de casas e lojas, formando um topo clima. Possui pavimentação asfáltica e um grande fluxo de carros e pessoas.

P06 – Rios Hotel

08h50min 255m 16°280,9 54°380,8 2,9°C 32°C 34,3 °C Névoa seca ao horizonte. Céu azul com 3/8 de cúmulos de bom tempo. Fora dos microclimas, a cima do clima local da cidade.

Local aberto. Vegetação densa próxima, com uma lâmina de água a 198m de altitude. Prédios próximos com uma visão ampla da cidade.

P07 – Rio Vermelho/Cais

Céu com 3/8 de núvens, cirros, cúmulos e alto cúmulos. Vento leste acompanhando o vale do rio.

vegetal às margens do rio

A beira do Rio Vermelho há presença de asfalto e calçada; possui algumas árvores de porte médio, com pouca cobertura

P08 – Horto Florestal

Vegetação densa (sub-bosque); solo coberto por folhas (matéria orgânica); ambiente todo arborizado, com arvores finas e altas de mais ou menos 6m de altura, porém o sol penetra facilmente.

P09 – Distrito Industrial

Céu limpo e azul com 0/8 de nuvens. Névoa seca ao horizonte. Sensação térmica de calor abafado, com uma leve brisa.

Local ao nível das colinas que circundam a cidade de Rondonópolis, presença de pouquíssima vegetação, e algumas gramíneas próximas.

P10 – Pedra Noventa estratos. Névoa seca ao horizonte, Presença de pouca vegetação, pouquíssimas árvores, pavimentação asfáltica nas ruas, e em outras sem asfalto. Casas simples mal planejadas. Possuem algumas árvores, característica de COHAB. Lixo exposto ao ar livre. Está em uma localidade entre dois vales: escondidinho que deságua no Rio Vermelho.

1.3 – Os ambientes climáticos rurais

A área rural sofre variações no que diz respeito ao clima, apesar de não ter um grande fluxo de veículos dentre outros temos que levar em consideração o movimento de maquinários agrícolas para o manuseio da lavoura, as construções nas áreas rurais, como silos para armazenagens de grãos dentre outras, também é um fator agravante para que influencie no clima da área rural, não esquecendo da constante degradação que o homem causa ao meio ambiente, retirando sua cobertura vegetal natural, em busca de maiores áreas para produção agrícola, afetando de forma direta no que diz respeito a clima.

Analisando os dados obtidos através de estudos em oito pontos da Fazenda Guarita, área rural de Rondonópolis, pode se observar que a menor altitude 350m encontra-se no fundo de vale, na localidade da beira do açude, enquanto que os demais locais a altitude varia entre 400 e 450 m.

Em relação ao solo, existe diferença entre a temperatura da água e do solo, porém a diferença entre os dois é menor, ao comparado com os dados da água e do solo dentro do perímetro urbano. Na beira do açude a temperatura é 3,3°C e na água 31,5°C. a diferença de 1,8°C no mesmo horário é devido ao poder refletor da água. A diferença de temperatura do ar da zona rural e da zona urbana é facilmente observada, quando comparamos seus máximos. Na zona urbana a temperatura atingiu cerca de 34,9°C no período da manhã, onde a incidência de radiação é menor. Na área rural, mesmo a observação sendo feita no período da tarde, onde a incidência de radiação é menor, a sua máxima temperatura foi em média de 32,2°C. Um dos fatores que influenciam essa diferença na temperatura é o fato de que a área é ampla e aberta, facilitanto a circulação de ar. Também é rodeada de vegetação de médio e pequeno porte, que auxilia na evapotranspiração, proporcionando um clima mais agradável. Outro fator que modifica o coeficiente de temperatura é a altitude que é maior na zona rural observada (máxima de 450m) do que na zona urbana observada (máxima de 285m).

1.3.1 – O Clima e a Agricultura

O clima é a variável mais importante na produção agrícola. O fator climático afeta a agricultura e determina a adequação dos suprimentos alimentícios de dois modos principais. Um é através dos azares (imprevistos) climáticos para as lavouras e outro é através do controle exercido pelo clima sobre o tipo de agricultura praticável ou viável numa determinada área. Os parâmetros climáticos exercem influência sobre todos os estágios da cadeia de produção agrícola, incluindo a preparação da terra, semeadura, crescimento dos cultivos, colheita, armazenagem, transporte e comercialização.

Figura 2: Plantação de soja; Fazenda Guarita – 17/1/2008 Fonte: Própria

Figura 3: Beira do Açude; Fazenda Guarita – 17/1/2008 Fonte: Própria

Tabela 03 – Clima rural na cidade de Rondonópolis-MT e a variação dos atributos climáticos.

Local/Pontos Horário Altitude T.b.u. T.b.s Temp. Solo U.R.

Descrição/Tempo meteorológico Descrição dos Controles

P01 - Campus UFMT/Estaciona

mento

Poucas nuvens 2/8 (cúmulos de bom tempo).Há baixa dispersão de poluentes. Brisa leve vindo do sudoeste.

Estacionamento do campus com pavimentação asfáltica, recapiada; local aberto, com árvores de porte médio e vegetação de baixo porte (gramíneas).

P02 – Entrada da Fazenda Guarita

Céu parcialmente encoberto, com 5/8 de nuvens, cúmulos nimbos e estrato cúmulos. Vento fraco vindo do oeste. Sol a uma altura de 130°.

BR 163 próxima, área aberta com árvores de porte médio próximas; com um armazém e silos próximos (armazenar grãos), pequenas casas. Solo avermelhado com cobertura de cascalho.

P03 – Plantação de Soja

fraco vindo do sudoeste

15h20min 450m 24,6°C 29,6°C 35,5°C Céu parcialmente encoberto com 7/8 de nuvens extrato cúmulos (ultrapassando o nível de condensação, causando garoa. Vento

Área de produção rural, região de plantação de soja. Área plantada em 3400m. Soja variedade transgênica (Valiosa) no dia ocorreu a formação de uma pancada de chuva. Solo do tipo latossolo vermelho.

P04 – Área com Palhada seca

Céu com 5/8 de nuvens estrato cúmulos e cúmulos nimbos. Vento fraco.

Observação em uma ampla área de palhada seca, com a aplicação de glifosato à um mês.

P05 – Manta de cerrado

15h50min 420m 24,4°C 29,8°C 21,7°C Céu com 5/8 de nuvens estrato cúmulos e cúmulos nimbos. O solo está aquecendo a base da nuvem e acontece expansão adiabática.

Área de mancha de cerrado com cobertura vegetal verde, ao lado da área dessecada. Possui arvores de pequeno e médio porte.

P06 – Plantação de soja sobre

Palhada

uma altitude de 145°

16h06min 420m 24,4°C 31,8°C 35,6°C Céu com 38 de nuvens estrato (estáveis), cúmulos, cúmulos nimbos (instáveis) e estrato cúmulos. Há vento moderado vindo do oeste. Sol a

Ampla área com plantação de soja sobre palhada (milheto), com porte médio.

P07 – Plantação de milheto estratos. Plantação verde de milheto com porte médio. O solo encontra-se ligeiramente úmido e com sombra devido ao milheto e ao a ocorrência de fedegoso à margem da plantação

P08 – Beira do Açude

Por estar na parte baixa de um vale a velocidade do vendo é menos. Há ocorrência de chuva à face leste. O céu possui cerca de 6/8 de nuvens cúmulos nimbos.

Parte baixa de um vale.Área com presença de um lado de Cerrado preservado, considerado como intacto, e o outro lado presença de um açude. Presença de muitas árvores, e a característica do solo são avermelhadas.

1.4 – Conceito Teórico

1.4.1 - Balanço Hídrico

O conceito de balanço hídrico (Thornthwaite, 1948) avalia o solo como um reservatório fixo, no qual a água armazenada, até o máximo da capacidade de campo, somente será removida pela ação das plantas.

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