Identificação e Análise de Riscos em Levantamentos Topográficos em Barragens Hidrelétricas: Estudo de Caso na UHE Salto Caxias

Identificação e Análise de Riscos em Levantamentos Topográficos em Barragens...

(Parte 2 de 8)

No Brasil ainda é insípida a segurança em levantamentos topográficos, uma vez que as Normas Regulamentadoras (NRs) do Ministério do Trabalho, como a NR 18, são em grande parte aplicáveis a construção civil. Nestas normas não há abordagem alguma relacionada à Topografia, que por sua natureza também não se enquadra em trabalhos rurais, estando desprotegida dos amparos legais. Dessa forma, a análise de riscos em levantamentos dessa categoria reveste-se de especial importância, uma vez que são necessárias readequações e adaptações das NRs para estes casos. Neste escopo, um PGR torna-se importante, pois possibilita a antecipação e identificação de fatores de risco, avaliação e controle dos riscos ambientais existentes no ambiente de trabalho.

Assim, o monitoramento topográfico deve ser analisado de forma que as situações de risco presentes sejam minimizadas ou eliminadas, ressaltando que o trabalho não se resume somente ao ambiente em que é realizado, envolvendo também o corpo técnico responsável pelos levantamentos.

1.3. ORGANIZAÇÃO DA MONOGRAFIA

O tema proposto neste trabalho será tratado da seguinte forma: No capítulo 2 é apresentada a fundamentação teórica, enfatizando-se a segurança de barragens hidrelétricas, levantamentos geodésicos e topográficos realizados em áreas de barragens e o gerenciamento de riscos.

No capítulo 3 descreve-se o método de pesquisa, as atividades realizadas nas etapas do monitoramento da barragem e a obtenção dos dados para a avaliação dos riscos.

No capítulo 4 são apresentados os riscos presentes nos levantamentos, a identificação e análise de riscos das atividades, e a análise preliminar de riscos elaborada para os pontos críticos do monitoramento.

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

No capítulo 5 são apresentadas recomendações para os pontos críticos, bem como as conclusões sobre a análise de riscos inerentes aos levantamentos topográficos realizados na barragem hidrelétrica.

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

6 2. EMBASAMENTO TEÓRICO

2.1. SEGURANÇA EM BARRAGENS HIDRELÉTRICAS

O monitoramento de barragens só não tem importância quando vidas e prejuízos materiais não são computados. No entanto, sabendo-se que o rompimento de uma barragem acaba por inundar cidades, destruindo casas, ocasionando perdas inestimáveis e danos econômicos a toda uma região, a observação e a instrumentação de barragens ganhou importância em meados da década de 50. Desde então há um continuo avanço nos instrumentos e métodos utilizados para a auscultação de barragem (GRANEMANN, 2005).

Em 1996 e 1997 o Comitê Brasileiro de Grandes Barragens (CBGB), através da Comissão de Deterioração e Reabilitação de Barragens, elaborou minuta de portaria nº 739, do Ministério de Minas e Energia, criando o Conselho Nacional de Segurança de Barragens. Depois disso, o Ministério criou um grupo de trabalho a fim de elaborar um documento para normalizar procedimentos preventivos e de manutenção com relação à segurança das diversas barragens existentes. Ao final de 1998 o núcleo de São Paulo do CBGB finalizou o “Guia Básico de Segurança de Barragens”, contendo padrões e procedimentos para a orientação dos proprietários de barragens quanto à segurança das mesmas. Atualmente não há legislação específica no Brasil para as atividades de segurança de barragem, apenas um projeto de lei a ser aprovado, que consiste no Manual de Segurança do Ministério da Integração (EMAE, 2004 apud GRANEMANN, 2005, p. 6).

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

2.2. LEVANTAMENTOS GEODÉSICOS E TOPOGRÁFICOS EM ÁREAS DE BARRAGENS HIDRELÉTRICAS

A Topografia é uma ciência aplicada que emprega métodos, técnicas e equipamentos para o levantamento de uma porção limitada da superfície terrestre, desconsiderando a sua curvatura, tendo por finalidade representá-la graficamente em escala adequada. Tais representações subsidiam estudos preliminares, pré-projetos, implantação e gerenciamento de obras, com dados e informações de grande importância para o monitoramento de estruturas, por exemplo.

Por sua própria natureza um levantamento topográfico está em constante movimentação e deslocamento, o que por vezes acarretam situações de risco aos profissionais envolvidos, quer por falta de sinalização adequada no local de trabalho, ausência ou descumprimento de procedimentos, imperícia na operação dos instrumentos topográficos ou mesmo por falta de equipamentos de proteção coletiva e individual.

Estudos têm sido realizados em áreas de barragens unindo-se diferentes técnicas, como nivelamento geométrico de precisão integrado com o NAVSTARGPS (Navigation System with Time and Ranging – Global Positioning System) no lago Maracaibo, Venezuela, região de extração de petróleo, trabalhos de nivelamento de precisão antes e após o enchimento do reservatório em várias regiões do mundo, como por exemplo o conduzido pelo Serviço Canadense na Barragem La Grande-2 (Quebec) (LAMBERT; LIARD, 1986) e o executado pelo Departamento de Levantamentos da antiga Rodésia no lago artificial Kariba, formado pelo rio Zambezi. Estas mudanças podem provocar deformações na barragem, terremotos e deslizamentos de terra (ZHANG et al., 1996). Pesquisadores alertam ainda que é de extrema importância o estabelecimento de redes geodésicas monitoradas para estudar e analisar as influências de reservatórios em subsequentes observações geodésicas incluindo, por exemplo, medidas da gravidade, observações astrogeodésicas e medidas com GPS (ZHANG et al., 1996).

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

No entanto, não se consideram nestes estudos os riscos inerentes aos levantamentos topográficos. Existem algumas normas reguladoras para os levantamentos em minas (DNPM, 2002), onde todas as obras de mineração no subsolo e na superfície devem ser levantadas topograficamente e representadas em plantas adequadas. No entanto, estas normas não fazem referência alguma aos riscos inerentes às atividades realizadas nestes ambientes, tão pouco quanto aos procedimentos de segurança em caso de situação de risco iminente.

Assim, os monitoramentos geodésicos e topográficos devem ser analisados de forma que as situações de risco presentes sejam minimizadas ou eliminadas, ressaltando que o trabalho não se resume somente às estruturas internas e externas da barragem, envolvendo também equipes técnicas formadas por engenheiros, técnicos, supervisores e encarregados devidamente treinados na operação de instrumentos e equipamentos de mensuração.

2.2.1. Técnicas de Levantamentos Geodésicos Aplicadas ao Monitoramento de Barragens

As técnicas básicas de levantamento geodésico utilizadas para fins de monitoramento de estruturas são: triangulação, trilateração e nivelamento geométrico de precisão. Outras técnicas são o posicionamento tridimensional por satélite, através dos Sistemas Globais de Navegação por Satélite (GNSS) e Gravimetria, aplicada para o acompanhamento de subsidências em áreas de formação de reservatórios. Mais detalhes sobre esta técnica são referenciadas por Gemael e Faggion (1996).

Entende-se por triangulação o procedimento em que se obtêm figuras geométricas a partir de triângulos justapostos ou sobrepostos, formados através

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco da medição dos ângulos subentendidos por cada vértice (IBGE, 1983, p.6).

A triangulação tem sido uma técnica amplamente empregada para fins de monitoramento de estruturas. A FIGURA 1 apresenta um esquema de rede de triangulação.

Figura 1 - Rede de pontos – triangulação Fonte: Granemann (2005, p. 17)

De acordo com Granemann (2005), a trilateração é um processo semelhante à triangulação, porém, ao invés de serem observados os ângulos, os lados dos triângulos é que são observados, trabalhando-se, portanto com distâncias. No caso da Geodésia estas distâncias são medidas utilizando-se distanciômetros eletrônicos, atualmente estações totais, as quais atingem precisões lineares da ordem de ±(1mm+1ppm), onde: ppm – partes por milhão de milímetros.

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

10 2.2.1.3. Nivelamento Geométrico

O nivelamento geométrico é a operação que visa a determinação do desnível entre dois pontos (FIGURA 2) a partir da leitura em miras verticais graduadas, através de um nível óptico-mecânico ou eletrônico/digital (VEIGA, 2003, p. 134). É um processo bastante simples, onde o desnível é determinado pela diferença entre uma leitura de ré e uma de vante.

Figura 2 – Nivelamento geométrico Fonte: Veiga et al. (2003, p. 138)

2.3. GERENCIAMENTO DE RISCOS

Conforme Souza (2009, p. 17), o gerenciamento de riscos consiste na implementação de processos básicos, como: - Identificação de riscos;

- Análise de riscos;

- Avaliação de riscos;

Desnível (∆h) = Ré - Vante

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

- Tratamento de riscos por meio de: - prevenção: eliminação e redução;

- financiamento: retenção.

2.3.1. Conceitos Básicos em Análise de Riscos

Dentre os conceitos básicos, podem-se citar (SOUZA, 2009, p. 18):

- Risco: condição com potencial de causar danos, podendo ser caracterizado também como freqüência ou probabilidade;

- Perigo: expressa o grau de exposição em relação a um risco que favorece a sua materialização em danos;

- Dano: severidade da lesão ou perda física resultante da perda de controle sobre um risco; - Causa: eventos, falhas ou omissões que podem provocar acidentes;

- Segurança: definida como isenção de riscos;

- Perda: prejuízo sofrido, sem garantia de ressarcimento por seguros ou outros meios;

- Sinistro: prejuízo sofrido, com garantia de ressarcimento por seguros ou outros meios;

- Incidente: também chamado de quase-acidente, é entendido como qualquer evento com potencial de causar danos não visíveis;

- Acidente: evento não desejado que resulta em lesão, doença, danos à propriedade, interrupções de processos produtivos ou agressões ao meio ambiente. - Tratamento de riscos por meio de:

(Parte 2 de 8)

Comentários