Identificação e Análise de Riscos em Levantamentos Topográficos em Barragens Hidrelétricas: Estudo de Caso na UHE Salto Caxias

Identificação e Análise de Riscos em Levantamentos Topográficos em Barragens...

(Parte 5 de 8)

Fonte: Adaptado de Souza (2009, p. 21)

Assim, para realizar a APR recomenda-se rever os problemas conhecidos, determinar os riscos principais, iniciais e contribuintes, os meios de

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco eliminação e controle de riscos, analisar os métodos de restrição de danos, e determinar quem realizará as ações corretivas.

2.3.5. Trabalhos em Espaços Confinados

A norma regulamentadora NR 3 estabelece os requisitos mínimos para a identificação de espaços confinados, bem como o reconhecimento, avaliação, monitoramento e controle dos riscos existentes, de forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores que interagem direta ou indiretamente nestes espaços. De acordo com esta norma, espaço confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio.

Segundo o Anuário Brasileiro de Proteção (2008), publicado pela Revista

Proteção, o Paraná ocupa a 11ª posição no ranking dos estados brasileiros, com o maior índice de acidentes no setor extrativo mineral, com 5137 acidentes e nenhuma morte, ocupando uma posição menos grave que Santa Catarina, com 6299 e Rio Grande do Sul, com 5526.

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM/PR) é o órgão que fiscaliza a segurança das atividades de mineração, assim como a pesquisa, lavra e beneficiamento dos bens minerais, realizando vistorias, autuando infratores e impondo sanções conforme a legislação mineral.

O setor extrativo mineral paranaense é formado por empresas de pequeno a médio porte, sendo a maioria das minas é a céu aberto. Apenas duas mineradoras em atividade, uma de ouro, em Campo Largo, e outra de carvão, em Figueira, são subterrâneas.

Neste setor os trabalhadores ficam expostos a riscos: - Físicos: ruídos, vibrações, umidade, entre outros;

- Químicos: poeiras minerais, fumos, gases, etc.;

- Biológicos: vírus, parasitas e bactérias; e

- Ergonômicos: postura inadequada, esforço físico, turnos alternados.

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

A partir de 2001, quando entraram em vigor as Normas

Regulamentadoras de Mineração (NRM), as condições de trabalho no setor tiveram melhorias. Antes disso, o trabalho de fiscalização era feito com base no Código da Mineração. As NRM são mais detalhadas, definindo os itens a serem fiscalizados. Ainda assim, de acordo com especialistas, há muito o que melhorar.

2.3.6. Equipamentos de Proteção

A importância da proteção coletiva e individual está diretamente ligada à preservação da saúde e da integridade física do trabalhador. No entanto, somente nos casos em que não é possível eliminar as causas de acidentes, com proteção em máquinas, equipamentos ou locais de trabalho, é que o uso de equipamentos de proteção individual torna-se indispensável.

Os equipamentos de proteção coletiva são aqueles que visam orientar os trabalhadores para evitar os, até então denominados, atos inseguros1 , os quais implicam em acidentes do trabalho, como: proteção de máquinas, sinalização de segurança, normas e regulamentos de segurança, entre outros.

Os equipamentos de proteção individual, conforme a NR 06, destinam-se a preservar a saúde do trabalhador no exercício de suas funções. Como exemplos destes equipamentos, pode-se citar: capacetes (FIGURA 4), óculos (FIGURA 5), protetor auricular tipo concha (FIGURA 6) e tipo plug (FIGURA 7), respirador facial (FIGURA 8), cinto travaquedas – modelo paraquedista - (FIGURA 9), entre outros.

1 A expressão “ato inseguro”, contida na alínea “b” do item 1.7 da NR 1, foi retirada da regulamentação, assim como os demais subitens que atribuíam ao trabalhador a culpa pelo acidente de trabalho, através da Portaria 84/09. (PROTEÇÃO, 2009, p. 16).

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

Figura 4 – Capacete de segurança Fonte: http://www.dalberti.com.br

Figura 5 – Óculos de segurança Fonte: http://www.scudoseg.com.br

Figura 6 – Protetor auricular tipo concha Fonte: http://www.equipaindustria.com.br/produtos

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

Figura 7 – Protetor auricular tipo plug Fonte: http://www.equipaindustria.com.br/produtos

Figura 8 –Respirador facial Fonte: http://www.equipaindustria.com.br/produtos

Figura 9 – Cinto travaquedas – modelo paraquedista Fonte: http://www.equipaindustria.com.br/produtos

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

25 2.3.7. Plano de Emergência

O objetivo do plano de emergência é a preservação da vida, evitando ou minimizando os danos físicos e psíquicos aos trabalhadores, visando a proteção da propriedade e evitando a paralisação da produção.

Basicamente, as fases do plano de emergência são: 1 – Levantamento de riscos e proposição de medidas preventivas; 2 – Instalação de equipamentos de combate à incêndio; 3 – Formação de equipes de abandono de áreas; 4 – Instalação de material de primeiros socorros e formação de equipes de atendimento de urgência.

No plano de emergência considera-se também a prestação dos primeiros socorros, que é a atenção imediata prestada a uma pessoa, cujo estado físico coloca em perigo sua vida, tendo por finalidade a manutenção das funções vitais, evitando dessa forma o agravamento de suas condições até receber assistência qualificada.

Devido ao ritmo dos levantamentos topográficos, e mesmo estando bem condicionados fisicamente, os trabalhadores estão sujeitos à paradas cardiorespiratórias, lesões em articulações e ossos, incluindo fraturas, convulsões, picadas de insetos e animais peçonhentos, ferimentos, entre outros.

Assim, reveste-se de especial importância a presença de socorristas nas equipes de trabalho, de forma que os trabalhadores possam ser prontamente atendidos no caso de algum acidente. Além disso, todos os levantamentos a serem realizados, bem como hora de início e término das atividades, e local de trabalho, devem constar na ordem de serviço do dia, devendo o responsável por cada equipe realizar o Diálogo Diário de Serviço (DDS) com seus encarregados, identificando os riscos naquele local, e os procedimentos na prestação dos primeiros socorros.

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

26 3. MÉTODO DE PESQUISA

3.1. LOCAL DE TRABALHO

A Usina Hidrelétrica Governador José Richa - Salto Caxias - está situada no Rio Iguaçu, no município de Capitão Leônidas Marques (FIGURA 10).

Figura 10 – Localização da UHE Gov. José Richa - Salto Caxias Fonte: Granemann (2005, p. 36)

A construção das obras civis iniciou-se em janeiro de 1995, sendo que a produção comercial da primeira unidade geradora ocorreu em 18 de fevereiro de 1999 (COPEL, s.d.).

De acordo com Copel (s.d.) a usina possui uma capacidade instalada de 1240 MW de potência, em quatro unidades instaladas. A barragem de Salto Caxias apresenta 67 m de altura e 1083 m de comprimento, é do tipo gravidade em CCR (concreto compactado a rolo). O vertedouro sobre a barragem abriga 14

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco comportas com capacidade máxima de descarga para 49.600 metros cúbicos de água por segundo.

A UHE Governador José Richa faz parte do complexo de usinas construídas no Rio Iguaçu, conforme ilustra a FIGURA 1.

Figura 1 – Complexo de usinas hidrelétricas no Rio Iguaçu Fonte: Granemann (2005, p. 37)

A FIGURA 12 apresenta a vista aérea da área da usina. De acordo com

Copel (2004), a barragem de Salto Caxias, com 912.0 m3 de CCR, é a maior da América do Sul construída com esta técnica e a 8ª em volume de CCR no mundo.

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

Figura 12 –Vista aérea da UHE Gov. José Richa – Salto Caxias Fonte: Granemann (2005, p. 37)

(Parte 5 de 8)

Comentários