Identificação e Análise de Riscos em Levantamentos Topográficos em Barragens Hidrelétricas: Estudo de Caso na UHE Salto Caxias

Identificação e Análise de Riscos em Levantamentos Topográficos em Barragens...

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Uma vista em planta é apresentada na FIGURA 13.

Figura 13 –Vista em planta da UHE Gov. José Richa – Salto Caxias Fonte: Nadal et al.(2004) apud Granemann (2005, p. 37)

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29 3.2. OBTENÇÃO DE DADOS

O trabalho consistiu em acompanhar os levantamentos topográficos realizados na barragem, observando e descrevendo todas as atividades realizadas pelos colaboradores envolvidos.

Em um primeiro momento foram identificados os riscos destas atividades, para em seguida serem analisados e classificados conforme Cardella (1999), exposto no item 2.3.4.1.

Na sequência realizou-se a APR para os pontos críticos dos levantamentos, identificados pela classificação anterior, determinando-se os riscos principais, iniciais e contribuintes, as formas de eliminação e controle destes riscos.

3.3. ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS

A análise preliminar de riscos (APR) tem por objetivo estudar os riscos que poderão estar presentes na fase operacional de um determinado projeto ou sistema, sendo normalmente uma revisão superficial de problemas gerais de segurança (SOUZA, 2009).

Assim, permite a identificação dos riscos envolvidos em cada passo da tarefa, propiciando condições para evitá-los ou conviver com eles em segurança. Por se tratar de uma técnica aplicável à todas as atividades, a APR promove e estimula o trabalho em equipe e a responsabilidade solidária. Um esquema para a adoção da APR é apresentado na FIGURA 14.

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Figura 14. Esquema para a APR Fonte: CPNSP (2009)

Dessa forma, considerando que existe procedimento passo a passo para a realização das tarefas, apo a identificação e análise dos riscos, elaborou-se a APR simplificada para as atividades que apresentaram maior grau de risco.

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31 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1. LEVANTAMENTOS TOPOGRÁFICOS REALIZADOS NA BARRAGEM HIDRELÉTRICA

Os trabalhos realizados nos levantamentos topográficos em barragens hidrelétricas compreendem basicamente o nivelamento geométrico da crista da barragem, monitoramento da rede geodésica externa à barragem e monitoramento da rede topográfica interna à barragem. As atividades são executadas por pessoas devidamente habilitadas e treinadas, em jornadas diárias de 7 a 10 horas, de segunda à sexta-feira.

Para orientar a equipe sobre os equipamentos, instrumentos, materiais e metodologias necessários para os levantamentos geodésicos e topográficos na área da barragem da UHE Salto Caxias, bem como o processamento dos dados obtidos em campo, elaborou-se um manual de procedimentos para cada uma das atividades executadas.

4.1.1. Nivelamento da Crista da Barragem

O nivelamento geométrico na crista da barragem (FIGURA 15) visa a averiguação de deslocamentos verticais dos blocos que compõem a sua estrutura, através de campanhas periódicas.

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Figura 15. Nivelamento geométrico – crista da barragem Fonte: Arquivo Pessoal

No nivelamento a equipe de topografia desloca-se sobre a pista de rolamento, averiguando se há o deslocamento vertical da estrutura ao longo da crista da barragem. A equipe é formada por quatro pessoas, sendo um operador de nível, dois portamiras e um anotador. O nivelamento é realizado sob condições climáticas e atmosféricas variadas - calor, frio, chuva - não havendo intervalo para descanso. O trabalho tem duração média de 5 horas, havendo a passagem constante de veículos no local, além de animais peçonhentos como aranhas e lacraias no trajeto.

4.1.2. Monitoramento da Rede Externa

Este levantamento visa a aplicação de métodos e técnicas geodésicas para a triangulação e trilateração da rede externa à barragem, visando o monitoramento de pontos de controle na estrutura desta, a partir dos pilares P1,

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P2, P3, P4, P5 e P6 da rede externa de monitoramento.

Neste trabalho os colaboradores ficam expostos a temperaturas extremas durante o dia, em virtude do calor, frio, chuva, entre outros. Durante toda a jornada o operador do instrumento de medida (estação total) permanece em pé, conforme ilustra a FIGURA 16, realizando observações de direções e distâncias aos vértices da rede. Os postos de trabalho ficam próximos à matas e matagais, e a presença de animais peçonhentos é constante. Além disso, o desnível entre o ponto de observação e a pista de rolamento, além do guardacorpo, constitui um risco de acidente, agravado pelo ofuscamento da visão em observações noturnas.

Figura 16. Posto de trabalho P1 - rede externa Fonte: Arquivo Pessoal

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34 4.1.3. Monitoramento da Rede Interna

Este trabalho é realizado em períodos diuturnos, e os operadores permanecem em pé durante as jornadas, conforme ilustram a FIGURA 17 (a e b), operando e transportando instrumentos, equipamentos e acessórios, havendo o intervalo de uma hora para o almoço. Os postos de trabalho na entrada e saída da galeria de inspeção estão sujeitos a riscos de queda da própria altura, entorce e animais peçonhentos.

(a) Entrada da Galeria de Drenagem – Margem Esquerda (b) Ponto Topográfico Intermediário

Figura 17. Postos de trabalho – rede interna de monitoramento Fonte: Arquivo Pessoal

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35 4.2. RISCOS PRESENTES NOS LEVANTAMENTOS

De acordo com os levantamentos topográficos realizados, a equipe de trabalho fica exposta aos agentes de riscos apresentados no QUADRO 6.

Quadro 6. Agentes de Riscos – Levantamentos Topográficos em Barragem

Levantamento Nivelamento

Geométrico

Rede Externa Rede

Interna Riscos

Biológicos

Picadas de Animais Peçonhentos (cobra, aranha, etc.) X X X

Picadas de Mosquitos,

Pernilongos, etc. X X

Ergonômicos

Esforço Físico X

Postura Inadequada (tronco curvado a 20º, membros superiores a 90 º em relação ao tronco), quedas, entorces, fraturas

Físicos

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