Identificação e Análise de Riscos em Levantamentos Topográficos em Barragens Hidrelétricas: Estudo de Caso na UHE Salto Caxias

Identificação e Análise de Riscos em Levantamentos Topográficos em Barragens...

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Operação de equipamentos topográficos

Lombalgias, fadigas muscular e mental Limítrofe

Pausas para descanso; alongamentos, correção dos locais de trabalho para garantir a correção postural Físicos:

Iluminação Excessiva

Incidência direta dos raios solares

Cefaleia; irritabilidade; imprecisão nas mensurações

Limítrofe

Utilização de chapéu ou boné; óculos de sol, trabalhar em horários com menor insolação direta

Iluminação Insuficiente

Sistemas de iluminação inadequados

Cefaleia; vista cansada; imprecisão nas mensurações

Limítrofe

Utilização de sistemas de iluminação adequados

Ruídos Trânsito de veículos

Cefaleia;

Irritabillidade; desconcentração

Limítrofe Utilização de protetores auriculares

Temperatura Extrema

Calor

Cefaleia, insolação, irritabilidade, desmaios, náuseas, vômitos,

Crítica

Utilização de chapéu, boné, protetor solar, óculos de sol; trabalhar em períodos com menor insolação direta

Frio

Cefaleia, congelamento das extremidades do corpo (mãos e pés); desconcentração

Crítica

Utilização de vestimentas adequadas e luvas, que não comprometam o desempenho das funções

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

Considerando-se a avaliação qualitativa e a análise preliminar de riscos, percebe-se a importância de intervir imediatamente em alguns postos de trabalho, uma vez que apresentam maior grau de risco aos trabalhadores.

No monitoramento externo da barragem, a partir do pilar P1, não se apresentam EPC adequados, conforme visualizado na figura 15, em que o guarda-corpo utilizado não oferece a proteção adequada. Esta atividade atualmente é realizada no período noturno, para minimizar efeitos atmosféricos, tais como reverberação e refração, visando observar direções e distâncias com qualidade. Em virtude do horário do início da atividade, o local torna-se mal iluminado, aumentando os riscos de quedas e escoriações.

A limpeza dos acessos ao pilar P1, a readequação do guarda-corpo, através de um projeto que ofereça segurança para os colaboradores no desempenho de suas funções, e a utilização de cinto travaqueda, tipo paraquedista, minimizariam os riscos da atividade. Ressalta-se que para os pilares P2 e P6 medidas idênticas são necessárias e igualmente válidas.

A região do corpo mais afetada, de acordo com informações dos próprios colaboradores, é a região torácica, seguida da lombar. Há queixas de dores nas articulações dos membros superiores e inferiores, ombros e joelhos, respectivamente, por ocasião dos trabalhos realizados em pé. Neste sentido, devem ser adotadas pausas para descansos e alongamentos, proporcionando bem estar e relaxamento. A análise ergonômica do posto de trabalho aliada à fisioterapia também é importante, uma vez que o investimento em prevenção e saúde implica diretamente no aumento da produtividade, eficiência e motivação. Contudo, o trabalhador tem o dever de participar do aprendizado e aplicação das estratégias para a redução dos riscos. Não obstante, a empresa deve investigar e reconhecer os sintomas de risco, pois respeitar os limites individuais significa prevenir lesões na coluna, os quais podem afastar temporária ou definitivamente o trabalhador de suas atividades.

Dos riscos físicos elencados na APR, o calor e o frio são os maiores causadores de irritabilidade e cefaleia, influenciando diretamente na execução das tarefas. As dores de cabeça afetam diretamente a visão e a audição, sensibilizando-os, desconcentrando o trabalhador, tornando-o susceptível a acidentes. Como os levantamentos topográficos na barragem são realizados em

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco horários próximos ao meiodia, há o aumento da temperatura ambiente e interna do corpo, desencadeando reações químicas e térmicas que podem ocasionar desmaios, náuseas e vômitos.

Visando a minimização destes efeitos, os quais ocorrem mais intensamente no verão, deve-se realizar as atividades até no máximo 1 horas, no período matutino, e após às 15 horas, no período vespertino. Além disso, a utilização de vestimentas adequadas e compatíveis para o desempenho das funções, bem como protetor solar, proteção para a cabeça e os olhos, como chapéus e óculos de sol, respectivamente, melhoram as condições de trabalho, proporcionando bem estar aos colaboradores.

Daniel C. Granemann UTFPR - Pato Branco

40 5. CONCLUSÕES

O modelo de APR empregado identifica os riscos, causas, efeitos, categorias de riscos e tratamento para cada um deles. Durante os trabalhos, notou-se que nem todos os colaboradores utilizam EPI adequados. Por exemplo, no monitoramento externo não utilizam caneleiras, para prevenir contra eventuais picadas de cobras, escorpiões e aranhas. No local é constante a presença de animais peçonhentos, tais como cobra cascavel, coral e urutu, cujos venenos podem ser letais, caso não sejam prestados socorros adequados a tempo.

Apesar da APR ser uma técnica de análise não convencional, inserida nas análises iniciais de um processo ou sistema, é ferramenta importante no gerenciamento de riscos, embasando o check list específico para cada atividade, como forma de verificar junto aos colaboradores quais os riscos inerentes a estas, e as respectivas medidas mitigadoras.

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